Liderança
4 min de leitura

IA potencializa, pessoas transformam: o futuro do trabalho em evolução

A Inteligência Artificial está transformando o mercado de trabalho, mas em vez de substituir humanos, deve ser vista como uma aliada que amplia competências e libera tempo para atividades criativas e estratégicas, valorizando a inteligência única do ser humano.

Compartilhar:

Os avanços em Inteligência Artificial (IA) têm intensificado o debate sobre a capacidade das inovações tecnológicas substituírem funções e cargos profissionais. Para se ter uma ideia, o interesse no uso da IA cresceu consideravelmente nos últimos seis anos. De acordo com a pesquisa “The state of AI in early 2024: Gen AI adoption spikes and starts to generate value”, da McKinsey, 72% das empresas globais já aplicam a tecnologia, um avanço considerável se comparado aos 55% em 2023. A IA generativa — ramo da IA que cria novos conteúdos — também acompanha esse crescimento, saltando de 33% em 2023 para 65% no ano passado. Como acontece com toda inovação disruptiva, as discussões sobre seus impactos estão em alta.

Há quem afirme que a IA possui habilidades superiores às dos humanos em diversos aspectos, como adaptabilidade, aumento da produtividade por meio da automação, capacidade de processamento para identificar padrões e análise de contextos envolvendo grandes volumes de dados. Além disso, a IA tem o potencial de reduzir custos operacionais. O Fórum Econômico Mundial, inclusive, prevê que a IA substituirá 85 milhões de empregos até 2025. A boa notícia é que o relatório Future of Jobs Report 2025,  indica a criação de 170 milhões de novos postos de trabalho até 2030, impulsionados por áreas como IA, big data, redes, cibersegurança e alfabetização digital.

Ao meu ver, é essencial analisar a questão com prudência. A ascensão de softwares e dispositivos com IA embarcada é inevitável, mas, em vez de substitutos, essas tecnologias precisam ser vistas como assistentes pessoais, ampliando as competências das pessoas e transformando a dinâmica do trabalho. Hoje, grande parte das tarefas padronizadas, que envolvem grandes volumes de dados complexos, já podem ser realizadas com igual ou melhor desempenho e a um custo quase zero por IA e robôs. Ferramentas de aprendizado de máquina, robótica, automação e internet das coisas já impulsionam ganhos importantes de produtividade.

Este cenário se mostra positivo: ao automatizar tarefas simples e de baixo valor agregado, a IA permite que as pessoas dediquem seu tempo a atividades mais criativas, estratégicas e que demandam habilidades exclusivamente humanas, como pensamento crítico, criatividade, empatia, feeling e tomada de decisões éticas.

A insegurança diante dessas mudanças é compreensível, e o momento exige cautela e adaptação. As empresas buscam profissionais dispostos a expandir suas competências em uma jornada contínua de aprendizado. A IA desafia os profissionais a superarem o receio de mudanças e os convida a adotarem uma visão mais positiva sobre o futuro e as oportunidades que competências expandidas podem trazer para suas carreiras. Estamos diante da era da inteligência,  e é perceptível que estamos evoluindo e aprendendo nesta construção de uma nova fase de relacionamento entre o homem e a máquina, na qual o fator humano será essencial. Novas funções estão surgindo rapidamente, exigindo conhecimento técnico e habilidades específicas para garantir o funcionamento dessas tecnologias de acordo com as necessidades do mercado.

Um ponto de atenção é o acesso desigual à IA, que pode ampliar as distâncias sociais e econômicas. Organizações e países que não investirem no aprendizado e aplicação dessas tecnologias enfrentarão desafios na competitividade e inclusão, tanto no mercado de trabalho quanto no contexto pessoal. Esse problema tende a se agravar nos próximos anos, com o rápido avanço da IA.

Destaco que esse novo colaborador — ou, como já são chamados, os super workers — é formado com muito mais do que um treinamento ou reciclagem profissional. Trata-se de uma mudança de mindset, na qual o profissional assume um papel ativo na inovação. Cabe às empresas estimularem esse desejo de evolução, promovendo o acesso facilitado à tecnologia e orientando para que seu uso seja direcionado à busca de novas competências. Profissionais curiosos, inclinados ao aprendizado contínuo e capazes de transformar conhecimento em resultados coletivos serão cada vez mais valorizados.

Acredito que o conceito de unique human intelligence (UHI), ou inteligência única do ser humano, ganha ainda mais relevância nesse contexto. A colaboração entre a IA e a expertise humana tem o potencial de refinar e potencializar talentos, criando um ambiente onde ambos se complementam. Assim, características como a proatividade, criatividade, foco em resultado e capacidade de construir relacionamento com propósito serão essenciais. Até porque, para os mais céticos, vale lembrar de que mesmo com toda a revolução tecnológica que ainda está por vir, não há substituto para o bom senso, a ética, o relacionamento e a sabedoria humana.

Compartilhar:

Artigos relacionados

2026 é o ano da disciplina com propósito

À medida que inovação e pressão por resultados se intensificam, disciplina com propósito torna-se o eixo central da liderança capaz de conduzir – e não apenas reagir.

2026 após o hype de 2025: Menos discurso, mais critério em IA

Não é uma previsão do que a IA fará em 2026, mas uma reflexão com mais critério sobre como ela vem sendo usada e interpretada. Sem negar os avanços recentes, discute-se como parte do discurso público se afastou da prática, especialmente no uso de agentes e automações, transformando promessas em certezas e respostas em autoridade.

Lifelong learning
31 de janeiro de 2026
Engajamento não desaparece: ele é desaprendido. Esse ano vai exigir líderes capazes de redesenhar ambientes onde aprender volte a valer a pena.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

7 minutos min de leitura
Liderança
30 de janeiro de 2026
À medida que inovação e pressão por resultados se intensificam, disciplina com propósito torna-se o eixo central da liderança capaz de conduzir - e não apenas reagir.

Bruno Padredi - CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Estratégia
29 de janeiro de 2026
Antes de falar, sua marca já se revela - e, sem consciência, pode estar dizendo exatamente o contrário do que você imagina.

Cristiano Zanetta - Empresário, palestrante TED e escritor

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de janeiro de 2026
Se o seu RH ainda preenche organogramas, você está no século errado. 2025 provou que não basta contratar - é preciso orquestrar talentos com fluidez, propósito e inteligência intergeracional. A era da Arquitetura de Talento já começou.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior e Cris Sabbag - COO da Talento Sênior

2 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
27 de janeiro de 2026
Não é uma previsão do que a IA fará em 2026, mas uma reflexão com mais critério sobre como ela vem sendo usada e interpretada. Sem negar os avanços recentes, discute-se como parte do discurso público se afastou da prática, especialmente no uso de agentes e automações, transformando promessas em certezas e respostas em autoridade.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

0 min de leitura
Lifelong learning
26 de janeiro de 2026
O desenvolvimento profissional não acontece por acaso, mas resulta de aprendizado contínuo e da busca intencional por competências que ampliam seu potencial

Diego Nogare

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
25 de janeiro de 2026
Entre IA agentiva, cibersegurança e novos modelos de negócio, 2026 exige decisões que unem tecnologia, confiança e design organizacional.

Eduardo Peixoto - CEO do CESAR

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
24 de janeiro de 2026
Inovação não falha por falta de ideias, mas por falta de métricas - o que não é medido vira entusiasmo; o que é mensurado vira estratégia.

Marina Lima - Gerente de Inovação Aberta da Stellantis para América do Sul

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
23 de janeiro de 2026
Se seus vínculos não te emocionam, talvez você esteja fazendo networking errado. Relações que movem mercados começam com conexões que movem pessoas - sem cálculo, sem protocolo, só intenção genuína.

Laís Macedo - Presidente do Future Is Now

3 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de janeiro de 2026
Se a IA sabe mais do que você, qual é o seu papel como líder? A resposta não está em competir com algoritmos, mas em redefinir o que significa liderar em um mundo onde informação não é poder - decisão é.

João Roncati - CEO da People+Strategy

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança