Gestão de pessoas, Tecnologia e inovação

Inteligência Artificial e Gestão de Pessoas: como incorporar essa realidade nas empresas sem desumanizá-la?

A IA está revolucionando o setor de pessoas e cultura, oferecendo soluções que melhoram e fortalecem a interação humana no ambiente de trabalho.
CTO da Refuturiza

Compartilhar:

A Inteligência Artificial (IA) já não é mais uma promessa distante do futuro; ela é uma realidade que está transformando o presente. De acordo com um estudo de 2021 da [PwC](https://www.pwc.com.br/pt/estudos/preocupacoes-ceos/mais-temas/2021/reinventando-o-futuro/ia-uma-oportunidade-em-meio-a-crise.html), 70% das empresas já adotaram algum nível de IA em suas operações.

No setor de Recursos Humanos, surge como uma ferramenta para otimizar processos, desde a triagem de candidatos até a análise de clima organizacional, oferecendo soluções que podem revolucionar a forma de gerenciar talentos. No entanto, a chave está em usar essas tecnologias de que maneira que valorizem, e não desumanizem, a interação com as pessoas.

A crise gerada pela Covid-19 impulsionou a adoção de tecnologias emergentes, levando 85% das empresas consultadas pela Bain & Company a planejarem a implementação de IA nos próximos anos. Esse movimento também é evidente no Brasil, onde 60% das empresas estão prontas para investir em IA, conforme dados da IBM.

No setor de Pessoas e Cultura, a IA não é apenas uma tendência, mas uma necessidade. É importante entender que a IA não deve ser uma tomadora de decisões, mas, sim, um assistente na tomada de decisão. Com isso em mente, a IA tem ajudado significativamente na triagem de candidatos com entrevistas mais assertivas, análise de perfil comportamental, construção de trilhas de desenvolvimento, análise de currículos e orientação sobre adequação de funções dentro dos times.

# Enfrentando o medo da desumanização

Uma das maiores preocupações com a IA é o potencial de desumanização, especialmente em processos que tradicionalmente envolvem muita interação pessoal. Fernando reconhece esse medo, mas acredita que a IA pode, na verdade, fortalecer a relação humana se usada corretamente.

A automação de processos que envolvem interações humanas traz o medo de desumanizar processos sensíveis e endurecer a cultura da empresa. Apesar desse receio, é crescente a necessidade de aprimorar o olhar humano e trazer mais equidade aos processos, orientando as lideranças sobre como ajudar o talento a se desenvolver e mapear como extrair o melhor de cada membro da equipe, de acordo com seus perfis.

# Ética e transparência: os pilares do uso de IA em Pessoas e Cultura

A ética e a transparência são fundamentais quando se trata do uso de IA, especialmente no manejo de dados sensíveis. Assim, quando se trata de Gestão de Pessoas e Cultura, essas ferramentas devem estar devidamente automatizadas para contribuir de modo adequado, complementando que a IA é um recurso a ser usado como meio, e não fim.

Acelerar a área de Pessoas e Cultura não significa deixar de olhar para as pessoas; essa aceleração deve ser baseada em análises criteriosas e decisões assertivas e justas. Para isso, a IA entra como uma ferramenta de apoio, e não como substituta. Para garantir um uso justo, é crucial treinar adequadamente as ferramentas generativas antes de criar os prompts, o que pode ser um desafio.

# Benefícios e tendências: eficiência e foco nas pessoas

A IA está capacitando as equipes de Pessoas e Cultura a focarem no que realmente importa: as pessoas. O executivo conta que, uma ferramenta de análise de clima organizacional que fornece insights sobre a satisfação dos colaboradores em tempo real de forma extremamente rápida, assim destaca para as lideranças os pontos de melhoria no bem-estar do time e no fortalecimento da cultura.

Em apenas um dia, realiza uma análise de clima e humor empresarial, que, antes, poderia levar meses para ser consolidada. Essa tecnologia nos permite identificar rapidamente áreas de melhoria e agir proativamente para fortalecer a cultura organizacional.

# Case: tracker de humor empresarial

A felicidade corporativa ganhou relevância depois da pandemia do covid-19. Ser corporativamente feliz no trabalho faz com que os colaboradores tripliquem sua capacidade de inovação, sejam 31% mais produtivos e 85% mais eficientes, de acordo com pesquisa da Harvard Business Review.

Com base na identificação dessa necessidade das empresas, a Refuturiza criou a ferramenta de humor empresarial dentro da plataforma Refuturiza 360º. Nessa ferramenta, os colaboradores fazem comentários simples e indicam como estão se sentindo. A plataforma, então, categoriza esses feedbacks e indica aos gestores as áreas que precisam de atenção e da proposição de ações.

Em cases recentes da plataforma, em menos de três meses, os gestores conseguiram reverter a falta de motivação de seus colaboradores, com base na identificação de sua insatisfação e na criação de ações de engajamento, alcançando um aumento de produtividade de cerca de 30%.

No caso específico da aplicação aos colaboradores internos da Refuturiza, conseguimos priorizar ações fundamentais dentro da empresa, o que aumentou significativamente a produtividade da equipe e, principalmente, melhorou o ambiente de trabalho como um todo.

# Cases: o uso de IA para diminuição de gastos com recrutamento

Processos de seleção de novos talentos geram custos para as empresas. Isso porque, a cada nova contratação, o setor de RH dedica tempo de trabalho para estruturar a vaga, analisar os currículos e entrevistar os candidatos, assim como para elaborar materiais de divulgação e impulsionar os anúncios de vagas — seja organicamente ou por meio de tráfego pago. Além disso, nesse processo, uma escolha errada pode custar até 15 mil dólares, de acordo com estudo do centro de pesquisas Center for American Progress.

Neste aspecto, a IA tem revolucionado o processo de recrutamento e seleção, diminuindo os custos financeiros e o tempo do processo de seleção, devido à exatidão conquistada pela atuação de máquinas para análise de habilidades e alinhamento entre expectativa e realidade.

Há outros tipos de exemplos, como a Refuturiza vem demonstrando. Algumas utilizam a base no perfil do candidato e nas necessidades da vaga, o bot realiza a entrevista de triagem, qualifica todos os candidatos, resume o currículo de acordo com as expectativas da vaga e cria um relatório individual com base na entrevista e no currículo, gerando resumos detalhados de cada candidato, destacando suas qualidades e preocupações em relação à vaga.

Essa ferramenta contribui para uma redução de até 80% do tempo dedicado à triagem de currículos e acelera em até 75% a velocidade de tomada de decisão na hora da contratação. Construir este módulo é permitir que uma pessoa recrutadora crie uma vaga na sexta-feira à tarde, descanse no fim de semana e, na segunda-feira pela manhã, já tenha dezenas de candidaturas triadas, qualificadas e ordenadas. Isso permite que a equipe de P&C se concentre nas interações humanas mais significativas, garantindo um processo mais eficiente e centrado nas pessoas, com a tomada de decisão se mantendo nas mãos de humanos.

# Tendências futuras: o foco nas pessoas em um mundo tecnológico

O futuro da gestão de pessoas está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento do capital humano. A mudança de percepção dos colaboradores – de ‘recursos’ para ‘pessoas’ – reflete a direção que estamos tomando. O desenvolvimento do capital humano será cada vez mais valorizado e a soma das inteligências dessas pessoas será o motor dos principais negócios do futuro.

Para navegar com sucesso nessa nova era, os profissionais de Pessoas e Cultura precisam desenvolver um entendimento profundo dos objetivos estratégicos da empresa e alinhar as competências e perfis comportamentais de seus colaboradores com essas metas.

É importante que os profissionais que lidam com pessoas desenvolvam um olhar cada vez mais voltado para os negócios. Compreender o objetivo estratégico da empresa e ser capaz de estruturar cargos, funções, competências e perfis comportamentais fará toda a diferença em um futuro próximo.

Essa compreensão envolve também saber escolher as melhores ferramentas de Inteligência Artificial para alcançar os objetivos da empresa. Estamos saindo da era dos dados e informações e entrando na era dos insights e da inovação. Para isso, as pessoas são fundamentais e insubstituíveis, e a área de Pessoas e Cultura será o principal alicerce de qualquer organização. As ferramentas de IA estão à nossa disposição para atingir nossas metas com mais facilidade e rapidez.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Todo fim de ano, o passado se reelege no seu orçamento

Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

A AGI já chegou? E se Ray Kurzweil estiver certo há mais tempo do que imaginávamos?

As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.

O que uma prótese de quadril me ensinou sobre os erros de decisão dentro das empresas

Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Nenhuma estratégia é melhor do que a lente que a criou

Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Cultura organizacional
10 de setembro de 2026 18H00
Discordâncias fazem parte de qualquer equipe diversa, mas nem sempre encontram espaço para serem expressas. O verdadeiro risco para as organizações não está no excesso de conflitos, mas na ausência deles.

ecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

2 minutos min de leitura
Finanças, Estratégia
10 de setembro de 2026 12H00
Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
10 de setembro de 2026 08H00
As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.

Leandro Mattos- Expert em neurociência da Singularity Brazil e CEO da CogniSigns

16 minutos min de leitura
Liderança, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 14H00
Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Djalma Scartezini - CEO da REIS, Sócio da Egalite e Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 09H00
Os agentes de IA não pedem aumento, não tiram férias e não podem ser administrados como funcionários tradicionais. Como gerir colaboradores digitais que não seguem as regras tradicionais de contratação, supervisão e desligamento?

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Estratégia
8 de setembro de 2026 18H00
Empresas expostas aos mesmos dados, cenários e tendências frequentemente chegam a decisões opostas. O que explica essa diferença não é a informação disponível, mas a forma como cada organização interpreta a realidade.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB - Global Connections

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
8 de setembro de 2026 14H00
Na mitologia grega, os centauros simbolizavam a convivência entre razão e instinto. Hoje, a união entre inteligência humana e artificial cria uma nova versão desse mito e desafia líderes a equilibrar produtividade, discernimento e autonomia em um mundo cada vez mais automatizado.

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
8 de setembro de 2026 08H00
Muito utilizada em contratos de locação em shopping centers, a chamada cláusula de raio impede que lojistas abram operações concorrentes em uma determinada área geográfica ao redor do empreendimento. Embora não seja considerada ilegal por si só, a prática tem sido cada vez mais questionada por seus potenciais impactos sobre a livre concorrência, a liberdade empresarial e os direitos dos consumidores. O artigo analisa a evolução do entendimento dos tribunais e do CADE sobre o tema e discute os critérios que devem orientar a avaliação de sua legalidade.

Daniel Cerveira - sócio do escritório Cerveira, Bloch, Goettems, Hansen & Longo Advogados Associados e Coordenador da Comissão de Expansão e Pontos Comerciais da ABF - Associação Brasileira de Franchising

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de setembro de 2026 14H00
Muito além da programação e da montagem de robôs, o artigo mostra como a robótica educacional está ajudando estudantes a pensar criticamente, experimentar, colaborar e criar soluções para problemas reais, conectando aprendizagem, propósito e impacto social desde a escola.

André Brandão Sala - CEO da Robomind

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de setembro de 2026 08H00
O Brasil já demonstrou sua capacidade de formar pesquisadores altamente qualificados. O desafio agora é fortalecer as pontes entre universidades, empresas, investidores e empreendedores para que a produção científica gere mais inovação, competitividade e impacto social.

Luiz Caires, PhD - Cofundador e CEO da Vyro Bio

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução