Inteligência Artificial
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Inteligência artificial e neurociência: como tecnologia e cérebro se unem para transformar as tomadas de decisão empresariais.

Fundadora da Step.i9, que oferece soluções de inovação e gestão especializada no mercado jurídico. Coordenadora do Comitê do Conhecimento da FDC. ​Diretora na Comissão de Compliance da OAB/MG.​ Advogada com MBA em Digital Business pela USP e especialista em Gestão pela FDC.
Bacharel em Relações Públicas pela PUC Minas e especialista em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral. Atualmente está cursando um MBA em Diversidade e Inclusão na BBI of Chicago. É Co-Organizer do TEDx Belo Horizonte, professora no MBA do IEC PUC Minas e atua no time de Comunicação e Experiência da Vale.

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A combinação de inteligência artificial (IA) e neurociência está revolucionando os negócios. A IA processa e analisa grandes volumes de dados rapidamente, aumentando a produtividade dos trabalhadores em 30% a 40%, enquanto a neurociência revela os fatores envolvidos no processo decisório, permitindo estratégias mais personalizadas e eficazes.

Juntas, essas áreas permitem prever reações dos clientes com precisão e ajustar estratégias em tempo real, resultando em um aumento significativo nas taxas de conversão. A aplicação de IA em tomadas de decisões empresariais não só melhora a eficiência operacional, como também pode trazer um aumento notável de valor para as empresas, transformando a dinâmica corporativa.

Além disso, técnicas neurocientíficas combinadas com IA melhoram significativamente a produtividade dos funcionários. Nesse sentido, dados de pesquisa do MIT News apontam que o uso de IA em tarefas de escrita pode aumentar a produtividade em até 18%.  Esses avanços refletem o potencial de um futuro onde tecnologia e neurociência trabalham lado a lado para otimizar processos e resultados.

De acordo com a Research and Markets e Grand View Research, o mercado global de IA está avaliado em aproximadamente USD 93,19 bilhões em 2024 e deve crescer 27% ao ano. Já o Statista indica que o mercado de inteligência artificial cresceu além de 184 bilhões de dólares americanos em 2024, um salto considerável de quase 50 bilhões em comparação a 2023.

Diante da dimensão destas ferramentas, nos próximos tópicos abordaremos como a convergência tecnológica da IA e da neurociência está destinada a ser a grande propulsora da inovação, revolucionando a forma como empresas operam e pessoas tomam decisões.

Neurociência e tomada de decisão

A tomada de decisão é uma habilidade fundamental que permeia todos os aspectos da nossa vida diária. Seja escolhendo o que vestir pela manhã, decidindo qual carreira seguir ou optando por uma rota específica para o trabalho, estamos constantemente fazendo escolhas. Por trás de cada decisão que fazemos, existem intrincados processos cerebrais em ação.

A neurociência revela que o processo decisório envolve áreas específicas do cérebro. Entender como essas regiões cerebrais funcionam pode ajudar os mais diversos profissionais a aprimorar suas habilidades de tomada de decisão.

O cérebro humano é uma rede complexa composta por bilhões de neurônios que se comunicam por meio de sinais elétricos e químicos. A tomada de decisão é uma função cognitiva que envolve a interação de várias áreas cerebrais. Por um lado, estruturas mais racionais, como o córtex pré-frontal, o córtex parietal e o córtex cingulado, desempenham papeis cruciais na análise lógica e na avaliação de informações. Por outro lado, o sistema límbico, que inclui a amígdala, o hipocampo e o hipotálamo, contribui com aspectos emocionais e motivacionais, influenciando a forma como as decisões são moldadas pelas emoções e experiências passadas.

O processo decisório é influenciado por uma série de fatores que podem variar desde aspectos pessoais e emocionais até considerações práticas e contextuais.  Podemos considerar como principais fatores:

  • Tempo e recursos disponíveis
  • Pressão externa
  • Valores e crenças pessoais
  • Experiências passadas
  • Objetivos e metas
  • Cultura e contexto social
  • Avaliação de consequências
  • Comportamento de grupo
  • Tolerância ao erro
  • Riscos e Incertezas
  • Informações e dados disponíveis

Pessoas que compreendem suas próprias tendências cognitivas e emocionais estão mais bem preparadas para tomar decisões conscientes e sustentáveis, evitando armadilhas como vieses cognitivos.

Empresários e líderes de negócios são confrontados diariamente com escolhas que podem afetar significativamente o futuro de suas empresas. Tomar decisões conscientes implica considerar cuidadosamente as informações disponíveis, ponderar as implicações e adotar uma abordagem fundamentada.

O papel da IA na tomada de decisões empresariais

De acordo com Marca Purdy e A.Mark Williams em um artigo escrito para Harvard Business Review, “estima-se que a tomada de decisões ruim custe às empresas, em média, pelo menos 3% dos lucros, o que para uma empresa de US$ 5 bilhões equivale a uma perda de cerca de US$ 150 milhões a cada ano.”

Para maximizar seus lucros e evitar perdas significativas, as empresas estão transformando a maneira como tomam decisões com a ajuda da IA, que fornece análises precisas, automação de processos e previsões detalhadas, guiando os líderes em direção a escolhas mais informadas e estratégicas. Erick Brethenoux, VP da Gartner, afirma que “um terço das organizações está aplicando IA em várias unidades de negócios, criando um diferencial competitivo mais forte ao dar suporte a decisões em todos os processos de negócios”.

A Netflix é um exemplo notável do uso de IA para personalizar recomendações de conteúdo, melhorando a experiência do usuário e aumentando significativamente o tempo de visualização e a retenção de assinantes, o que impacta diretamente as receitas da empresa. Estudos do WIRED mostram que mais de 80% do conteúdo assistido na plataforma é impulsionado por essas recomendações personalizadas.

Ao automatizar tarefas rotineiras e fornecer insights profundos a partir de grandes volumes de dados, a IA permite que os líderes empresariais se concentrem em decisões estratégicas e de alto impacto, consolidando-se como uma aliada indispensável para as empresas que buscam não apenas sobreviver, mas prosperar no ambiente de negócios dinâmico e competitivo de hoje.

IA + Neurociência

A convergência entre inteligência artificial e neurociência representa mais do que uma inquietante inovação. É uma mudança de paradigma na maneira como as decisões empresariais são tomadas. Na prática, essa união permite que empresas utilizem a capacidade analítica da IA para processar e interpretar vastas quantidades de dados em tempo real, subsidiando as escolhas como nunca antes visto. A neurociência, por sua vez,  fornece potentes insights sobre os fatores emocionais e cognitivos que influenciam as escolhas humanas, permitindo compreender a extensão e a complexidade do que influencia as nossas escolhas, muito além da racionalidade.

A IA pode, por exemplo, analisar padrões de comportamento dos clientes, identificando tendências que não são imediatamente aparentes aos olhos humanos. Com esses dados em mãos, líderes empresariais podem ajustar suas estratégias de marketing e de vendas para se alinharem melhor aos desejos e necessidades de seus clientes. A neurociência, neste mesmo sentido, pode ser usada para entender como diferentes estímulos afetam a percepção e a tomada de decisão destes clientes, permitindo a criação de campanhas mais eficazes que ressoam emocionalmente com o público-alvo.

Em um contexto de gestão interna, a integração dessas tecnologias pode aprimorar os processos de recrutamento e desenvolvimento de talentos. A IA pode avaliar a compatibilidade de candidatos com base em uma análise de dados comportamentais, enquanto a neurociência pode ajudar a criar ambientes de trabalho que maximizem a motivação e a produtividade, considerando as necessidades emocionais dos funcionários e os incentivos intrínsecos de cada um da equipe. Esse tipo de abordagem integrada melhora a eficiência, assim como promove um ambiente mais saudável e satisfatório para todos os envolvidos.

À medida que exploramos essas possibilidades, todavia, se torna mais evidente a necessidade de os líderes empresariais refletirem sobre a natureza e o impacto de suas decisões. A interseção entre a IA e a neurociência oferece uma oportunidade sem precedentes, aumentando, consequentemente, a responsabilidade quanto às decisões empresariais. Elas agora podem (e devem) ser mais precisas e informadas, da mesma forma que devem ser guiadas por valores éticos e a compreensão profunda das consequências humanas.

Não por acaso pautas como o ESG têm assumido forte protagonismo na atualidade. Não podemos mais deixar de considerar como as decisões tomadas hoje impactam tanto nos resultados financeiros quanto no bem-estar dos clientes, funcionários e sociedade. Como é possível garantir que a adoção dessas inovações seja feita de maneira a maximizar os benefícios enquanto minimiza os riscos?

Fato é que a sinergia entre a IA e a neurociência reforça a crescente percepção de que quanto mais se digitaliza, mais é preciso se humanizar, para que se seja capaz de criar e inovar! A verdadeira revolução não está nas ferramentas utilizadas, mas na forma como se escolhe aplicá-las.

A sabedoria da ciência da informação alcançada por meio dos dados deve ser empregada em todas as suas acepções, inclusive prudência e lisura, até porque Darrell Huff já demonstrou “Como [é fácil] mentir com estatística”. A inteligência artificial e a neurociência têm o potencial de transformar a tomada de decisão em algo mais do que uma simples análise de dados — podem fazer com que as decisões sejam mais humanas, mais conscientes e mais impactantes. Desde que se tenha, no entanto, humanidade suficiente para tanto!

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