Agronegócio, Transformação Digital

Inteligência artificial no agronegócio: aplicações mais atualizadas no campo

Continuando o assunto sobre os usos de IA no agronegócio, desta vez Juliana Chini nos traz as aplicações mais inovadores que estão ocorrendo neste momento no mundo agro.
A Rural Ventures, em parceria com o Hub Agro do Learning Village, está como colunista especializada no mundo do agronegócio. A startup é formada por empreendedores e investidores, que buscam pessoas e soluções que possuam um propósito simples e claro, construir empresas que irão mudar a forma como o Brasil produz e alimenta o mundo. Dentro de nosso ecossistema atuamos com informação, networking entre empresas, agricultores, inovação e investimento.

Compartilhar:

*Por Juliana Chini**

Na última [edição da nossa coluna](https://www.revistahsm.com.br/post/inteligencia-artificial-no-agronegocio-os-robos-vao-a-campo), apresentamos o conceito e contexto de [Inteligência Artificial (I.A.) no agronegócio](https://conteudo.ruralventures.com.br/inteligencia-artificial-agronegocio) e dados que demonstram a importância da tecnologia para uma produção mais eficiente e sustentável. Na atual, vamos explorar os principais tipos de aplicações na I.A. Dentro da lavoura, destaca-se:

# Monitoramento agropecuário
Sistemas de inteligência artificial podem analisar dados oriundos de sistemas de IoT (Internet of Things, traduzido como Internet das Coisas) – como sensores, câmeras, estações meteorológicas – além de softwares e aplicativos e satélite, que coletam dados das lavouras, animais, maquinários, clima e outros ambientais.

No caso da agricultura, com o processamento destes dados, a I.A. pode identificar uma ocorrência de pragas e doenças, momento ideal para aplicação de defensivos, fertilizantes, irrigação, além de obter mapas de fertilidade, relevo e produtividade.

Na pecuária, é possível identificar a ocorrência ou probabilidade de doenças e problemas de reprodução, estresse, comportamento e peso dos animais. Também já é possível detectar pragas, como carrapatos e vermes, e sistemas automatizados aplicam pesticidas de forma precisa.

# Previsão meteorológica
A I.A. facilita a previsão do tempo ao processar rapidamente grandes quantidades de dados atmosféricos, informações de satélites, radares e estações meteorológicas. Os parâmetros incluem temperatura, umidade, velocidade do vento e pressão do ar. Os algoritmos de IA processam estes dados para criar modelos preditivos. Estes modelos analisam padrões históricos e condições atuais para prever eventos climáticos futuros e identificar padrões nos dados que não são fáceis de ver nas equações das previsões tradicionais. E estas descobertas para melhorar a precisão das previsões meteorológicas.

O uso da I.A. para a meteorologia é benéfica para todos os setores, empresas e pessoas. Recentemente, o Bezos Earth Fund, veículo filantrópico do bilionário Jeff Bezos, [anunciou US$100 milhões em doações para acelerar soluções baseadas em inteligência artificial](https://capitalreset.uol.com.br/clima/fundo-de-bezos-lanca-desafio-de-us-100-mi-para-uso-de-ia-no-clima/) com foco no combate às mudanças climáticas e à perda da biodiversidade, por meio da iniciativa “AI for Climate and Nature Grand Challenge”.

No caso da agropecuária, beneficia tanto o manejo no campo, como a prevenção de perdas relacionadas às intempéries climáticas, sendo até mesmo atrelada a seguros e financiamento agrícola, e estimativas de produtividade.

# Máquinas autônomas

As máquinas não tripuladas, ou autônomas, são equipadas com sensores avançados, sistemas de GPS e inteligência artificial. Na pecuária, as máquinas autônomas também auxiliam em atividades como ordenha de vacas, alimentação automatizada, limpeza de instalações e até mesmo acondicionamento de produtos lácteos.

Entre os benefícios, além de poderem operar 24h por dia, também realizam as atividades com precisão, otimizando a aplicação de insumos (como defensivos químicos). Assim, podem reduzir os custos, além do impacto ambiental e humano. Por este motivo, o mercado de equipamentos agrícolas autônomos deverá crescer mais de 6% CAGR (taxa de crescimento anual composta) entre 2021 e 2027, e as remessas da indústria devem superar 210 mil unidades até 2027, de acordo com o [relatório Global Market Insights](https://www.gminsights.com/industry-analysis/autonomous-farm-equipment-market).

# Seleção genética

O [melhoramento genético](https://ruralventures.com.br/ciencia-da-semente-ao-prato-melhoramento-genetico-impulsionando-a-produtividade/) é um conjunto de técnicas e práticas utilizadas para modificar geneticamente plantas e animais, com o objetivo de aprimorar características desejáveis. A I.A. auxilia na análise de grande quantidade de dados genéticos e identificar as variedades e animais com maior potencial produtivo.E o melhoramento não só eleva o desempenho animal e vegetal, como também aprimora as práticas sustentáveis e aumenta a rentabilidade para os criadores.

# Gerenciamento da operação agrícola

A I.A. também é utilizada para monitorar a qualidade dos produtos, prever a demanda, preços de compra de insumos, venda de commodities, otimizar rotas de distribuição e gerenciar estoques de forma eficaz. Também pode ser utilizada para estimativas de safra, importante na obtenção de seguro e crédito agrícola.

# Rastreabilidade

A I.A. permite o rastreamento preciso dos produtos desde o campo até o consumidor final, melhorando a transparência e a segurança alimentar. No caso da pecuária, há o desenvolvimento de algoritmos que identificam bovinos individualmente no campo por meio de imagens. A soja também possui bons exemplos de rastreabilidade com uso de I.A. e tecnologia geospacial.

Espero que tenha compreendido melhor as diversas abordagens práticas da I.A. no agronegócio e até a próxima edição!

*Juliana Chini é Economista formada na Esalq-USP e Mestre em gestão internacional pela ESPM, com mais de 14 anos de experiência na área de marketing e inovação em alimentos e agronegócios. É fundadora do Blog da Carne, da Newsletter Sementis, Colunista da Futurecom Digital, Revista HSM Management e Head de Open Innovation na Rural Ventures, onde lidera o Rural Insights. Mulher, sonhadora, trabalha pelo agro mais inovador, inclusivo e sustentável.

Compartilhar:

A Rural Ventures, em parceria com o Hub Agro do Learning Village, está como colunista especializada no mundo do agronegócio. A startup é formada por empreendedores e investidores, que buscam pessoas e soluções que possuam um propósito simples e claro, construir empresas que irão mudar a forma como o Brasil produz e alimenta o mundo. Dentro de nosso ecossistema atuamos com informação, networking entre empresas, agricultores, inovação e investimento.

Artigos relacionados

2027 começa em outubro: o que os CEOs já estão decidindo agora

Embora o calendário ainda indique os últimos meses de 2026, as principais decisões que definirão o desempenho das empresas no próximo ciclo já estão sendo tomadas agora. A questão não é prever o que acontecerá em 2027, mas construir antecipadamente as capacidades que permitirão responder melhor ao que vier.

Plataformização da educação: 3 pontos para refletir antes de levar tecnologia para a sala de aula

Plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial estão chegando às salas de aula em ritmo acelerado. Mas a transformação educacional não depende apenas da disponibilidade de novas soluções. Ela exige clareza sobre os problemas que se pretende resolver, participação de quem vive o cotidiano escolar e condições reais para que a tecnologia faça sentido no processo de aprendizagem.

O que Guimarães Rosa pode ensinar sobre liderança na era da IA

Por trás de uma das obras mais inovadoras da literatura brasileira havia um método rigoroso de trabalho. A partir dessa provocação, o artigo discute por que organizações que desejam crescer de forma consistente precisam desenvolver algo que nenhuma tecnologia entrega pronta: critérios compartilhados, disciplina intelectual e capacidade coletiva de manter a qualidade em escala.

O caso Abril não foi uma crise da mídia. Foi uma crise de adaptação

Empresas raramente entram em declínio de forma repentina. Primeiro perdem capacidade de adaptação, depois relevância e, por fim, espaço para investir na própria transformação. A partir do caso Abril, o artigo analisa como decisões sobre inovação, sucessão, crescimento e alocação de recursos influenciam a capacidade de uma organização sobreviver em ciclos de disrupção cada vez mais rápidos.

Seu valor termina quando sua performance cai?

Uma promoção, uma nova função, um momento difícil ou uma fase de adaptação podem mudar temporariamente a performance de qualquer profissional. A questão é saber se as organizações conseguem enxergar essas oscilações como parte da trajetória humana ou se passam a avaliar pessoas apenas pelo resultado do momento.

A contradição que desafia a ONU: É possível falar em inclusão global sem Taiwan?

Em um momento em que a ONU afirma buscar a reconstrução da confiança internacional, o debate sobre a exclusão de Taiwan recoloca uma questão fundamental para a governança global: como defender representatividade, cooperação e direitos universais quando milhões de pessoas permanecem à margem de importantes fóruns internacionais? O artigo analisa as implicações jurídicas, geopolíticas e econômicas dessa controvérsia e seus impactos sobre a estabilidade global.

Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
24 de agosto de 2026 08H00
Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
23 de agosto de 2026 13H00
As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução