Empreendedorismo, Comunidades: CEOs do Amanhã

Intraempreender é ir além da palavra bonita

Hackear o sistema de dentro para fora, para melhorar o ambiente de trabalho e a sociedade, é abraçar múltiplos desafios. Neste sentido, aponto quatro dicas valiosas para viver o intraempreendedorismo na prática
É formado em administração de empresas na UNESP e atualmente é gerente de people na Movile, atuando na liderança das áreas de employer branding, compensation e business partner. Durante dois anos atuou como general manager da Fundação 1Bi, instituição social do Grupo Movile, ajudando a estruturar e operar a organização. Em 2019 foi eleito um dos Valuable Young Leaders, premiação criada pela Eureca e Grupo Anga que reconheceu 30 líderes intraempreendedores no Brasil.

Compartilhar:

Intraempreender, uma palavra bonita e um pouco difícil de definir, visto a quantidade de possibilidades e de características que são subentendidas nessa única palavra. Para facilitar minha reflexão, escrevi essa palavra em uma folha e fui, aos poucos, criando conexões com outras que a definem, formando minha própria teia de palavras. Alguns destaques:

– Gerar mudança, é entender o contexto em que você está inserido(a) e abraçar os ajustes que precisam ser feitos para guiá-los ativamente;

– Resolver problemas. Mais do que fazer algo incrível aqui ou ali, quem está intraempreendendo está resolvendo dores todos os dias e tornando melhor o ambiente de trabalho;

– Executar, colocar a mão na massa e tomar riscos todos os dias, independente de quão grande ou assustador ele seja.

Em resumo, pessoas que estão intraempreendendo não necessariamente estão criando áreas, liderando novos produtos ou verticais dentro dos seus ambientes (podem também). No entanto, em sua essência, são pessoas que estão, de dentro para fora, hackeando todo e qualquer sistema para tornar o ambiente muito melhor do que encontrou.

## Tudo são flores?

E será que é fácil fazer isso? Usar essa palavra nos dias de hoje gera um certo glamour, é quase que um distintivo de reconhecimento. Todavia, não é uma tarefa simples de ser feita e precisamos ter cuidado com todo o glamour e floreio que damos para esse termo. [Intraempreender é ótimo para tornarmos nossa sociedade e nossos negócios cada vez melhores](https://www.revistahsm.com.br/post/intraempreender-e-uma-solucao-para-a-crise), mas trata-se, vale alertar, de um desafio muito complexo.

Basta refletir um pouco sobre aquele momento que você, dentro da sua empresa, questionou um processo, criticou um projeto de maneira assertiva ou trouxe dúvidas sobre os objetivos da área ou empresa. Provavelmente você recebeu olhares tortos, medo e outras várias dúvidas como retorno, ao invés do aclamado “você está certo(a), bora ajustar”.

Vai ser difícil e estressante intraempreender algo em qualquer lugar, mas é necessário que isso aconteça cada vez mais em todos os setores, áreas e ambientes da nossa sociedade. Precisamos de gente jogando o jogo para mudar as regras que conhecemos. Contudo, precisamos que essas pessoas estejam em campo e entregando muitos resultados.

Por isso aproveito esse espaço para fazer praticamente um chamado, um convite às pessoas que estão incomodadas com algo no seu ambiente, que já tiveram desejo de jogar tudo fora e começar de novo, que discordam da estratégia da área ou da empresa. Por favor, não desistam. Trabalhem muito, estudem mais ainda e entreguem resultados para mudar cenários e situações que, aparentemente, eram insuperáveis.

## Algumas dicas que podem ajudar

Para tentar ajudar nesse processo, tentei refletir sobre minha jornada para trazer aqui quatro dicas que considero essenciais para pessoas que estão, de alguma forma, tentando hackear o sistema de dentro para fora com objetivo de intraempreender uma empresa, área ou uma sociedade melhor:

__1. Face the brutal facts__

Quando estava no início da minha jornada na Movile, aprendi essa lição da melhor maneira possível: na prática. Eu pensava que tudo que estávamos fazendo era incrível e que o caminho estava traçado, até ter uma reunião com a diretora da área onde ela basicamente questionou tudo aquilo que pra mim era maravilhoso. Ficou claro pra mim, através das falas dela, que era necessário parar de fugir do problema. Nós tínhamos algo que precisa ser resolvido e o primeiro passo era encarar esse problema e entender de onde ele havia surgido. Ficar “com dedos” para evitar um conflito não traz resultado, é necessário falar sobre o que está ruim e o que não deu certo.

__2. Use incômodo como combustível__

Falar sobre problemas não é uma tarefa simples e não dá para afirmar que é extremamente agradável. Provavelmente, logo após encarar o problema, você ficará bastante incomodado ao perceber que aquilo tudo é verdade, que o que você está fazendo ou vivendo não é tão incrível assim e que você só estava empurrando ele pra frente. E sabe o que você precisa fazer? Usar esse sentimento todo para dar os primeiros passos. Não tem nada mais instigante para alguém que quer intraempreender do que o incômodo ou inconformismo com algo que não está bom.

__3. Priorize o problema e mostre resultados__

Mas calma, não é o momento de sair fazendo centenas de coisas ao mesmo tempo porque ficou incomodado. Quem quer gerar uma mudança precisa ter uma cabeça essencialista, como é explicado no livro “Essencialismo” do Greg McKeown. Se você utilizar toda sua energia e incômodo para resolver dez coisas, provavelmente todas atingirão um resultado mediano. Mas se você focar sua energia para resolver um problema maior, provavelmente os resultados serão transformadores.

__4. Transforme ansiedade por crescimento em ânsia por resultado__

Todos nós, em maior ou menor grau, sofremos de ansiedade todos os dias. Ficamos pensando sobre o que virá pela frente, sobre quando seremos reconhecidos, promovidos ou receberemos um novo desafio. Mas ansiedade por esses próximos passos ou acontecimentos não traz mudança. Precisamos de alguma forma aprender a transformar isso em ânsia por resultado. Não tem nada melhor do que os resultados para te fazer crescer e transformar o seu ambiente.

## Precisamos de intraempreendedores

Durante esses quatro anos que estou na Movile, muitas coisas aconteceram. Nós transformamos a forma como fazíamos atração de talentos, ganhamos diversos prêmios, criamos programas que são referências no Brasil, demos passos enormes em atrair pessoas diversas para nossas empresas e levantamos diversos temas de recursos humanos. Além disso, criamos uma organização social que usa tecnologia para dar oportunidades para jovens socialmente vulneráveis e já está impactando milhares de jovens.

Tudo isso só foi possível por ter, ao meu lado, pessoas com um forte [perfil intraempreendedor](https://www.revistahsm.com.br/post/como-ser-um-intraempreendedor). Esse perfil é composto por muita resiliência para suportar e superar os baques, alta capacidade de tomada de risco, muito foco em execução e entrega, e uma agilidade absurda de aprendizado.

Fica aqui o meu reforço e o meu chamado, precisamos de pessoas intraempreendendo em todos os ambientes, áreas, setores e lugares para que, em alguns anos, tenhamos um Brasil melhor de maneira holística.

*Gostou do artigo do Matheus Fonseca? Saiba mais sobre intraempreendedorismo assinando [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita*

Compartilhar:

Artigos relacionados

A comunicação é um teto de vidro que pode afastar as mulheres da liderança

A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Entre viralizar e ser lembrado: O que acontece quando o algoritmo assume a estratégia?

As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Acordo Mercosul e União Europeia representa um novo ciclo de crescimento para o franchising brasileiro

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

As edtechs brasileiras aprenderam a crescer sem investimento. Mas até onde isso pode levá-las?

Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Eleitor 70+: o valor do repertório em uma sociedade que envelhece

À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
24 de agosto de 2026 08H00
Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
23 de agosto de 2026 13H00
As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo