Uncategorized

Lady Driver: os próximos passos desta alternativa de transporte dedicada às mulheres

Compartilhar:

Em 2016, Gabryella Correa era mais uma usuária de aplicativos de transporte em uma corrida corriqueira. Contudo, uma experiência traumática levou-a a buscar uma solução não apenas para a sua dor, mas para a de milhares de mulheres. 

Ela foi assediada pelo motorista do app, e sentiu na pele a necessidade de ter uma alternativa segura de transporte para o público feminino. Nascia aí a Lady Driver, uma plataforma que reúne apenas mulheres motoristas e passageiras — homens só podem usar o serviço acompanhados por uma mulher.

A HSM Management conversou com Gabryella sobre o atual estágio da Lady Driver, planos de expansão e desafios de negócio enfrentados. Abaixo, leia a entrevista na íntegra!

**A Lady Driver é uma iniciativa importante para mitigar o assédio e violência contra a mulher. Você pensa em expandir essa batalha para outras frentes, como por meio da oferta de outros serviços que sempre foram ofertados para todos e oferecendo uma alternativa exclusiva para mulheres? Ou mesmo por meio de parcerias com outras empresas que compartilhem da visão da Lady Driver?**

Hoje nós estamos focadas no core business da Lady Driver, que são corridas seguras tanto para as passageiras quanto para as motoristas. Então para que a gente consiga trazer mais mulheres para dirigir, precisamos oferecer segurança. 

Temos um diferencial muito grande em relação aos outros aplicativos, que vai além de ser um app somente para mulheres: toda passageira que entra na Lady Driver passa por um cadastro rigoroso, incluindo a verificação na polícia federal e receita federal se os dados dessa passageira são verdadeiros, o que aumenta bastante a segurança das viagens. Pretendemos continuar trabalhando dessa maneira. 

Além disso, queremos fazer parcerias com outras empresas que também se preocupam com a igualdade de gênero. Contudo, ainda não há planos concretos para abrir outras frentes. 

**Enquanto a Uber anunciou recentemente mais um prejuízo bilionário, a Lady Driver já atingiu lucro operacional. O que você considera decisivo para essa diferença na saúde financeira das duas empresas? Por exemplo, operação, precificação, investimento, nicho etc? Ou outro fator?**

A Lady Driver ainda vive de investimento justamente para crescer. Da mesma maneira que a Uber, ela acaba tendo um prejuízo por conta dessa expansão que faz. A Uber está crescendo ainda no mercado, criando novos produtos (como nos últimos dias anunciaram o uberAIR, seu carro voador), então são investimentos muito altos que ela faz e que acarretam em um prejuízo. Contudo, futuramente ela irá dominar o mercado se continuar com esses projetos. 

No caso da Lady, é a mesma coisa. Como também queremos expandir o serviço ainda mais aqui em São Paulo, além de levá-lo para outros lugares no país, ainda estamos fazendo captação de investimento. Também acreditamos que a Lady Driver tem espaço não somente no Brasil, mas em outros países da América Latina. Hoje somos o maior aplicativo de transporte feminino do mundo, [segundo o jornal Financial Times](https://www.ft.com/content/c42fd252-f23d-11e7-ac08-07c3086a2625), que fez uma pesquisa global sobre o tema.

**Em que estágio de maturidade está a empresa?**

A Lady Driver tem dois anos e meio. Surgiu em 2016 e foi lançada em 2017 com 1.800 motoristas em São Paulo e Guarulhos também. Atualmente temos mais de 55 mil motoristas cadastradas e mais de 1 milhão de downloads de passageiras. 

Mas ainda somos uma empresa jovem, e necessitamos de investimento para conseguirmos fornecer um serviço seguro e diferenciado tanto para as motoristas como para as passageiras. Além disso, para levarmos o serviço com excelência para outras capitais, estamos buscando o investimento necessário. Finalizamos captação de R$ 2,5 milhões através do _equity crowdfunding_ e buscamos mais recursos com investidores anjos e alguns fundos de investimento.

**O público-alvo do Lady Driver já é naturalmente nichado. Contudo, dentro desse público, que ainda é amplo, vocês têm algumas buyer personas?**

Sim. O público da Lady é nichado, mas é um nicho de 50%, então ainda é muito grande. Temos algumas personas que variam de acordo com a idade das mulheres, pois ao longo da vida elas têm necessidades diferentes.

Atendemos jovens que estão na faculdade, vão para festas e saem a hora que querem com a roupa que querem. Atendemos mulheres que estão no mundo corporativo e que precisam ficar até mais tarde trabalhando. Atendemos mulheres que são mães e querem um transporte mais seguro e amável para a família. Atendemos senhoras, que são um público forte nosso. Então nossas personas cobrem todas as fases da vida de uma mulher. 

**Você acredita que possam surgir mais iniciativas como a Lady Driver, mas focadas em atender outros critérios de diversidade, como orientação sexual?**

Sim, acredito que possam surgir outras iniciativas focadas em públicos dentro da necessidade da diversidade. Mas a Lady Driver nasceu por uma necessidade de a mulher precisar de mais segurança. São Paulo é uma cidade insegura, nós mulheres muitas vezes não somos respeitadas simplesmente pelo que vestimos, horário que saímos ou se bebemos.

Então são problemas primordiais que nós estamos resolvendo na vida dessas mulheres, e por isso eu acredito que se existirem pessoas especializadas para entender a necessidade de públicos da diversidade, como orientação sexual, eu acredito sim que possam surgir mais iniciativas como a Lady Driver.

**Quais foram os maiores desafios de negócio até aqui com a Lady Driver?**

Empreender no Brasil é muito difícil. Mas eu vejo que o maior desafio é a captação de investimentos, por a nossa empresa ser uma startup de mulheres e com uma CEO mulher. Pesquisas já mostraram que é mais difícil conseguir investimentos em casos como o da Lady Driver. 

Como resolvemos um problema específico das mulheres, e a grande maioria dos investidores são homens, explicar para eles a necessidade da mulher torna-se algo bem complexo. Alguns acabam entendendo por pensarem na mulher, na filha, na mãe, e realmente faz sentido. Mas outros homens nem sequer se colocam no lugar de uma mulher ou imaginam a necessidade de segurança que ela necessita durante o transporte. 

Mas temos um grande número de mulheres para passar o propósito da Lady Driver e fazer de uma forma que eles acabem entendendo a importância do aplicativo na sociedade.

**Qual conselho você daria para outras mulheres que, assim como você, têm tentado empreender a partir de uma dor ou necessidade do gênero?**

Meu conselho é: se você teve alguma dor ou algum problema que conseguiu identificar e que não está sendo resolvido, faça uma pesquisa, avalie se esse problema atinge um grande número de pessoas, se ele tem potencial para ajudar uma grande parte da população, estude sobre o mercado e faça um bom plano de negócio. 

Deixe a parte financeira bem estruturada, tenha uma reserva, porque empreender no Brasil reserva muitos desafios e o índice de mortalidade das empresas é muito alto. Prepare-se para enfrentar as dificuldades diárias e o sucesso virá aos poucos. Quando você trabalha com algo que realmente acredita, o resultado vem.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que não pode mudar quando tudo está mudando?

Tecnologias, processos e estratégias podem mudar rapidamente. O que diferencia organizações resilientes é a capacidade de preservar os princípios que orientam decisões e comportamentos, transformando a cultura em um elemento de coerência em meio à mudança contínua.

O Brasil no centro da próxima revolução agrícola: por dentro do caso da Biotrop

A agricultura é uma das grandes forças econômicas do Brasil, mas seus mecanismos de inovação ainda são pouco compreendidos fora do setor. Este artigo parte de uma conversa com Jonas Hipólito, CEO da Biotrop, para observar como ciência, bioinsumos, biodiversidade, dados e competição global começam a redesenhar a próxima etapa da produtividade agrícola.

A inteligência agridoce: a competência que o futuro exige das líderes

Embora a presença feminina no mundo do trabalho tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, os desafios permanecem. Neste artigo, a autora propõe uma mudança de perspectiva: menos foco nos obstáculos e mais atenção às alavancas capazes de impulsionar transformações. Entre elas, destaca-se uma competência cada vez mais valiosa em tempos de incerteza: a capacidade de administrar paradoxos e liderar pela lógica do “E”, integrando eficiência e inovação, resultado e cuidado, racionalidade e sensibilidade.

Acessibilidade sem inteligência cultural é inclusão pela metade

Rampas, tecnologias assistivas e conformidade regulatória são apenas o ponto de partida da inclusão. Entre a conformidade técnica e a adoção real existe um elemento frequentemente negligenciado: a cultura. Este artigo explora como a Inteligência Cultural pode determinar o sucesso ou o fracasso de estratégias globais de inclusão.

Organizações não mudam quando as pessoas mudam. Mudam quando os sistemas mudam.

Inspirado pelo legado de Oscar Motomura, o artigo questiona uma das crenças mais difundidas da gestão contemporânea: a ideia de que a transformação acontece apenas por meio das pessoas. A verdadeira mudança, argumenta o autor, depende da capacidade de revisar as estruturas invisíveis que moldam comportamentos, decisões e culturas organizacionais.

Cultura organizacional
30 de julho de 2026 14H00
Tecnologias, processos e estratégias podem mudar rapidamente. O que diferencia organizações resilientes é a capacidade de preservar os princípios que orientam decisões e comportamentos, transformando a cultura em um elemento de coerência em meio à mudança contínua.

Diego Alegre - CEO do Arquipélago "Culturas que transformam"

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
30 de julho de 2026 07H00
A agricultura é uma das grandes forças econômicas do Brasil, mas seus mecanismos de inovação ainda são pouco compreendidos fora do setor. Este artigo parte de uma conversa com Jonas Hipólito, CEO da Biotrop, para observar como ciência, bioinsumos, biodiversidade, dados e competição global começam a redesenhar a próxima etapa da produtividade agrícola.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

21 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
29 de julho de 2026 14H00
Enquanto parte do mercado ainda vê a indústria como “velha economia”, empresas como WEG e John Deere mostram uma realidade diferente: na era da inteligência artificial, o ativo mais valioso pode não ser o algoritmo, mas os dados únicos gerados por ativos físicos que ninguém mais consegue reproduzir.

Átila Persici - COO da Bolder

8 minutos min de leitura
Liderança
29 de julho de 2026 07H00
Embora a presença feminina no mundo do trabalho tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, os desafios permanecem. Neste artigo, a autora propõe uma mudança de perspectiva: menos foco nos obstáculos e mais atenção às alavancas capazes de impulsionar transformações. Entre elas, destaca-se uma competência cada vez mais valiosa em tempos de incerteza: a capacidade de administrar paradoxos e liderar pela lógica do “E”, integrando eficiência e inovação, resultado e cuidado, racionalidade e sensibilidade.

Betania Tanure - PhD, Sócia fundadora da BTA, membro do Conselho de Administração do Magalu e da MRV e cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 14H00
Rampas, tecnologias assistivas e conformidade regulatória são apenas o ponto de partida da inclusão. Entre a conformidade técnica e a adoção real existe um elemento frequentemente negligenciado: a cultura. Este artigo explora como a Inteligência Cultural pode determinar o sucesso ou o fracasso de estratégias globais de inclusão.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor e Clara Choen - Fundadora da Savant Consulting

12 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 08H00
Inspirado pelo legado de Oscar Motomura, o artigo questiona uma das crenças mais difundidas da gestão contemporânea: a ideia de que a transformação acontece apenas por meio das pessoas. A verdadeira mudança, argumenta o autor, depende da capacidade de revisar as estruturas invisíveis que moldam comportamentos, decisões e culturas organizacionais.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
27 de julho de 2026 14H00
Após anos de perda de passageiros e desafios financeiros, o transporte coletivo brasileiro ganha um novo marco regulatório que busca ampliar fontes de financiamento, reduzir desequilíbrios tarifários e criar condições para mais investimentos em qualidade, eficiência e experiência do usuário.

Vinicius Ladeira - Diretor Adjunto Nacional do SEST SENAT

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
27 de julho de 2026 08H00
Enquanto o debate sobre inteligência artificial continua concentrado em modelos, automação e produtividade, uma outra transformação acontece nos bastidores: a tensão gerada entre a democratização e a concentração de poder que pode definir a próxima fase da economia global.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

8 minutos min de leitura
Liderança
26 de julho de 2026 13H00
Após décadas em grandes empresas, o autor trocou a segurança da carreira corporativa pelo desafio de empreender na gastronomia. Nesta reflexão, mostra por que os princípios que sustentam uma multinacional - planejamento, processos, gestão financeira e foco no cliente - são exatamente os mesmos que garantem o sucesso de um restaurante.

Caio Fontenelle - Fundador dos restaurantes Figueira, Oliv e Pepper Jack

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de julho de 2026 07H00
A IA pode economizar horas em atividades operacionais, mas seu maior valor talvez esteja em outro lugar: ampliar perspectivas, conectar ideias e elevar a qualidade das decisões. O desafio é entender quando estamos ganhando velocidade e quando estamos construindo algo melhor.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo