Liderança

Líder, você possui uma agenda de liderança?

Agenda consigo mesmo, com o time e com os resultados. Descubra três caminhos de desenvolvimento complementares que diferenciam o líder de média e alta gerência
Valéria Pimenta é diretora de negócios na Thomas International Brasil, provedora de avaliações comportamentais, presente em 60 países.

Compartilhar:

A agenda de qualquer líder é sempre disputada. Ao chegar ao topo da hierarquia corporativa, os compromissos se tornam mais constantes e exigem dedicação maior de tempo. Podemos dizer, em linhas gerais, que a pandemia intensificou ainda mais essa agenda, já que – apesar de evitar perdas em deslocamentos – as reuniões online se multiplicaram (e muito).

Absorvidos fortemente pelo dia a dia, muitos líderes, seja por comodismo, excesso de controle, microgestão ou falta de confiança nos times, se esquecem de criar uma agenda de liderança. Isso, a médio e longo prazo, pode ser muito prejudicial para qualquer companhia. Os líderes têm uma missão importante para com os liderados: ser o agente de (estratégicas) mudanças. Seja comportamental, cultural ou mercadológica, é vital que este profissional tenha clareza sobre esse desafio.

### Leia também:
– [As três lideranças que você deve exercer](https://www.revistahsm.com.br/post/as-tres-liderancas-que-voce-deve-exercer)
– [Você não está errado: salário ainda pesa muito](https://www.revistahsm.com.br/post/voce-nao-esta-errado-salario-ainda-pesa-muito)
– [Seu futuro chefe pode ser um robô](https://www.revistahsm.com.br/post/seu-futuro-chefe-pode-ser-um-robo)
– [Coaching: para um novo desafio, um novo desempenho](https://www.revistahsm.com.br/post/coaching-para-um-novo-desafio-um-novo-desempenho)
– [Parem de improvisar em gestão](https://www.revistahsm.com.br/post/parem-de-improvisar-em-gestao)

No entanto, uma pesquisa recente, da Reconnect Happiness at Work em parceria com a Feedz, traz um dado preocupante sobre esse tema. O estudo revela que os profissionais estão desengajados e sobrecarregados com seu trabalho. E, do total de entrevistados, mais da metade (55,6%) estão em papéis de liderança. Outro levantamento, este realizado pela consultoria empresarial Betania Tanure Associados, e que vai ao encontro dessa constatação, diz que os líderes notam estar presos em ações que pouco contribuem para que seu papel principal seja desempenhado.

A gestão do tempo, segundo a pesquisa, é considerada o maior desafio profissional enfrentado pelos líderes (24%), superando, inclusive, a gestão de pessoas (18%). Dados deste tipo auxiliam a jogar luz sobre esse tema. É vital que, seja ao assumir uma posição de liderança ou mesmo se aprimorar durante esta jornada, o líder tenha em mente a importância de criar sua própria agenda de liderança. Com ele, primeiramente, com o time, e com os resultados.

## Primeiro passo: como criar uma agenda consigo mesmo?
Olhar para o próprio desenvolvimento é essencial. É fortemente recomendado que, nessa agenda consigo mesmo, os líderes busquem o autoconhecimento. Um líder comprometido com a autoliderança investe tempo para entender suas próprias forças, fraquezas, valores, crenças e motivações. Isso o auxilia a tomar decisões alinhadas com seus objetivos e valores pessoais.

Estabelecer metas pessoais claras é essencial nesta agenda consigo mesmo. Isso inclui metas relacionadas à carreira, desenvolvimento pessoal, saúde e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. É importante que um líder saiba como gerenciar suas próprias emoções, buscando o autocontrole emocional, evitando reações impulsivas e tomando decisões ponderadas, especialmente em situações de alta pressão.

O apoio de uma consultoria externa, como o trabalho sério e profissional de coaching, fora dos muros da empresa, pode ser um fator positivo e decisivo nesse processo. A disciplina para se manter firme em busca dessa agenda de liderança é vital para que o looping diário não o tire da direção correta.

## Agenda com o time – trabalho vital de qualquer líder que preze o desenvolvimento da equipe
Há diferentes possibilidades para criar uma agenda de liderança com o time. Diariamente, de maneira muito objetiva, verificar as atividades e responsabilidades da equipe é um dos caminhos que pode estreitar o relacionamento com os liderados. Vale, porém, reforçar que isso é diferente “do líder descer à operação”. Semanalmente, é vital que os líderes revisitem atividades, entendam as “dores” da equipe e, em conjunto, ouçam os liderados para resolver os problemas.

As reuniões individuais com os colaboradores, as conhecidas reuniões 1:1 (one-on-one), também precisam ser implementadas. Em relação à periodicidade, vale destacar que não há regras. É preciso avaliar diferentes questões, como a maturidade profissional do colaborador, já que algumas pessoas podem estar a menos tempo na função e precisar de acompanhamento mais próximo, outros, embora mais maduros, podem estar enfrentando dificuldades no relacionamento com pares.

Em linhas gerais, podemos dizer que esse tipo de reunião ajuda os líderes a evitar ruídos na comunicação, ausência de feedbacks, lentidão na carreira ou no desenvolvimento dos liderados, falta de confiança no líder, frustrações não geridas e, por fim, conflitos interpessoais.

## Criar uma agenda de resultados pode ser o diferencial nesse tripé de liderança
Além das duas agendas de liderança citadas acima, é vital também que os líderes foquem nos resultados da companhia. O comprometimento do líder com os resultados é um elemento crítico para o sucesso de qualquer equipe ou organização. Quando um líder está genuinamente comprometido com a obtenção de resultados, ele demonstra uma série de comportamentos e atitudes que influenciam positivamente a equipe. E o líder que conduz o time para esse objetivo tende a ser, na maioria dos casos, visto com outros olhos.

A agenda de resultados do líder deve ter, primeiramente, metas claras e alcançáveis, olhando sempre para o negócio. O líder deve comunicar as metas, expectativas e prioridades de forma clara e regular. Ele deve garantir que todos na equipe entendam o que está em jogo e como seu trabalho contribui para os resultados globais do negócio.

É fundamental destacar, no entanto, que os líderes implementem essas três agendas em paralelo. Assim como em muitos aspectos da vida, é necessário encontrar um equilíbrio que permita que esses caminhos estejam em harmonia e sejam desenvolvidos de forma conjunta.

É sempre válido lembrar, porém, que nenhuma receita milagrosa pode encurtar esse caminho, por isso, evite se iludir com soluções rasas. Identificar seu tipo de gestão, as lacunas do time que podem estar prejudicando sua performance como líder e ter um plano de ação para inverter esse círculo vicioso é o primeiro passo para criar uma agenda de liderança eficaz, que conduza, não somente o líder, mas todos os liderados para a direção correta.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quando a geopolítica entra pela porta da empresa

Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

O mito da falta de qualificação das pessoas com deficiência

Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

O tempo que doamos é o futuro que aceleramos

O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

O cliente ainda precisa de vendedores?

A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Direito, Regulação & Compliance, Finanças
29 de agosto de 2026 14H00
A implementação do Split Payment inaugura uma nova lógica para o recolhimento de tributos no Brasil e altera uma dinâmica financeira que acompanha as empresas há décadas. Ao retirar do fluxo de caixa os valores destinados a impostos, o novo modelo exigirá mais planejamento, integração entre áreas e maturidade na gestão financeira e tributária.

Ulisses Brondi - CEO da ASIS Tax Tech

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
29 de agosto de 2026 07H00
Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Ísis P. Fontenele - Consultora organizacional, professora da FGV, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de agosto de 2026 17H00
O artigo propõe uma reflexão sobre o papel da curadoria, da divergência e do discernimento humano em uma era marcada pela abundância de inteligências e pela escassez de julgamento.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

7 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo