Assunto pessoal

Lidere da retaguarda

Assim, você motiva os mais resistentes, estimula o todo a se mover e aprende a confiar na inteligência do grupo
É sócio da RIA, empresa especializada em construir segurança psicológica em equipes. Criador do PlayGrounded, a Ginástica do Humor, é jornalista (Folha de S.Paulo, Veja, Superinteressante e Vida Simples), foi sócio da consultoria Origami e consultor em branding. Ator e improvisador, integra o grupo Jogo da Cena.

Compartilhar:

Em quase todas as vezes em que estive à frente de um time, fiz tudo o que podia para colocá-lo no caminho certo. Como eu tinha acesso a mais informação e, também, uma visão mais apurada – caso contrário, não estaria na liderança –, sentia que esse era o meu papel: apontar a direção, orientar o caminho, monitorar os passos e corrigir os desvios e as resistências.

Se você se reconheceu no modus operandi descrito acima, dá a mãozinha aqui: você conta com minha compaixão. Porque hoje eu vejo que essa minha maneira de liderar era muito limitada, das premissas à execução, passando pelo planejamento.

Primeiro que eu não tinha acesso a mais informação, como eu pensava. Apenas tinha um conjunto diferente de dados. As pessoas do time tinham outro pacote, tão ou mais rico que o meu, apenas diferente. Ao privilegiar meus dados em detrimento dos deles, eu simplesmente desperdicei recursos.

Outra premissa equivocada é que me escolheram para liderar por conta da qualidade da minha visão sobre a equipe. Há muitas razões para alguém ser alçado a líder de uma equipe, desde a lealdade aos gestores até um conhecimento técnico da área. E eu não tinha nenhum indício de que enxergasse as coisas de um modo significativamente diferente dos demais.

Ao escolher tomar a frente e me propor a desbravar os caminhos, indicando a direção, eu estava condenando a mim mesmo e à equipe a depender de uma única visão – a minha. E me expondo desnecessariamente aos erros, fracassos e perigos que estivessem à frente, sem os olhos dos demais, que estariam atrás.

Por conta dessa atitude e posição, qualquer hesitação da minha parte pareceria dúvida, fraqueza ou ameaça às qualidades que eu acreditava ter como líder. Ou seja, o fato de eu acreditar que tinha uma visão melhor diminuía a motivação para rever as escolhas feitas. A chance de insistirmos no erro, dada a minha exposição à frente, era muito maior.

Você já entendeu a cena. Se refletir um pouco sobre ela, vai enxergar outras várias limitações dessa postura. Assim, em vez de continuar a desenhar esse cenário, vou usar outra metáfora, criada por Nelson Mandela, líder sul-africano que presidiu o país de 1994 a 1999.

Disse ele: “Um líder é como um pastor. Ele permanece atrás do rebanho, deixando as ovelhas mais velozes andarem na frente, enquanto as demais seguem, sem perceber que elas estão sendo guiadas por trás o tempo todo”.

Deixo essa imagem como reflexão: alguém que lidera da retaguarda, confiando na inteligência coletiva, que nasce tanto da coragem dos que desbravam o caminho quanto da cautela dos que escolhem a quem seguir. Que cuida para que todos sigam, sem deixar ninguém para trás. E que impede que o grupo fique parado.

Compartilhar:

Artigos relacionados

IA não fracassa no modelo – fracassa no negócio

Muito além do algoritmo, o sucesso em inteligência artificial depende da integração entre estratégia, dados e times preparados – e é justamente essa desconexão que explica por que tantos projetos não geram valor.

O custo oculto da inclusão mal feita

Quando falta preparo das lideranças, a inclusão deixa de gerar valor e passa a produzir invisibilidade, rotatividade, baixa performance e riscos reputacionais que não aparecem no balanço – mas corroem os resultados.

Pressão econômica leva Geração Z ao consumo compartilhado

Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual – e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.

Todos nus com a mão no bolso

Não é a idade que torna líderes obsoletos – é a incapacidade de abandonar ideias antigas em um mundo que já mudou. Este artigo questiona o mito da liderança geracional e aponta qual o verdadeiro divisor de águas.

Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
17 de maio de 2026 10H00
Muito além do algoritmo, o sucesso em inteligência artificial depende da integração entre estratégia, dados e times preparados - e é justamente essa desconexão que explica por que tantos projetos não geram valor.

Diego Nogare

7 minutos min de leitura
Liderança
16 de maio de 2026 15H00
Sob pressão, o cérebro compromete exatamente as competências que definem bons líderes - e este artigo mostra por que a falta de autoconsciência e regulação emocional gera um custo invisível que afeta decisões, equipes e resultados.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

8 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de maio de 2026 08H00
Quando falta preparo das lideranças, a inclusão deixa de gerar valor e passa a produzir invisibilidade, rotatividade, baixa performance e riscos reputacionais que não aparecem no balanço - mas corroem os resultados.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Marketing & growth
15 de maio de 2026 13H00
Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual - e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.

Dilma Campos - CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk

3 minutos min de leitura
Liderança
15 de maio de 2026 07H00
Não é a idade que torna líderes obsoletos - é a incapacidade de abandonar ideias antigas em um mundo que já mudou. Este artigo questiona o mito da liderança geracional e aponta qual o verdadeiro divisor de águas.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

0 min de leitura
Marketing
14 de maio de 2026 15H00
Executivo tende a achar que, depois de um certo ponto, não é mais preciso contar o que faz. O case da co-founder do Nubank prova exatamente o contrário.

Bruna Lopes de Barros

4 minutos min de leitura
Liderança
14 de maio de 2026 08H00
À luz do Aikidô, este artigo analisa a transição da liderança coercitiva para a liderança que harmoniza sistemas complexos, revelando como princípios como Wago, Awase e Shugi‑Dokusai redefinem estratégia e competitividade na era da incerteza.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

10 minutos min de leitura
Liderança
13 de maio de 2026 15H00
Em um mundo dominado pela urgência e pelo excesso de estímulos, este artigo provoca uma reflexão essencial: até que ponto estamos tomando decisões - ou apenas reagindo? E por que recuperar a capacidade de pausar, escolher e agir com intenção se tornou um diferencial crítico para líderes e organizações.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

7 minutos min de leitura
Finanças, Inovação & estratégia
13 de maio de 2026 08H00
Entre pressão por resultados imediatos e apostas de longo prazo, este artigo analisa como iniciativas de CVC podem sobreviver ao conservadorismo corporativo e construir valor além do retorno financeiro.

Rafael Siciliani - Gerente de New Business Development na Deloitte

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
12 de maio de 2026 14H00
O que antes era visto como informalidade agora é diferencial: este artigo explora como a cultura brasileira vem ganhando espaço global - e se transformando em ativo estratégico nas empresas.

Bell Gama - Sócia-fundadora da Air Branding

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão