Dossiê: Saúde mental nas empresas

Líderes desempenham fator de proteção à saúde mental dos colaboradores

GSK mostra como suporte robusto das lideranças ajuda a preservar segurança psicológica no ambiente de trabalho
É jornalista, colaborador de __HSM Management__ e __MIT Sloan Review Brasil__, autor dos livros Esquina Maldita e Rua da Margem - Histórias de Porto Alegre, além de editar o portal do Rua da Margem.

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Em tempos de pandemia, crise econômica, desastres naturais e outras fontes de comoção coletiva, uma das questões que preocupam as lideranças corporativas é como preservar a saúde mental e emocional dos colaboradores. Exemplos positivos podem ajudar a implementar políticas de promoção da saúde e do bem-estar dos funcionários. E, de quebra, fortalecer o papel dos líderes como agentes de [proteção psicológica](https://mitsloanreview.com.br/ebooks/seguranca-psicologica) no ambiente de trabalho.

Foi o que aconteceu na GSK LatAm, que ganhou o This Can Happen Award na categoria Campanha Saúde Mental, em julho de 2021. A premiação é concedida pela This Can Happen, principal organização mundial de saúde mental no ambiente de trabalho. No caso da GSK LatAm, a premiação foi obtida com o Programa de Prevenção ao Suicídio, adotado em 2020.

Com sede em Londres, a GSK produz medicamentos e outros produtos relacionados à saúde em segmentos como aparelho respiratório, HIV, imunoinflamação e oncologia. “Naturalmente, como produtora de bens de consumo do setor farmacêutico, já somos uma empresa voltada para saúde e bem-estar. Mas essa preocupação se estende também aos colaboradores”, afirma Marina Tavares Ribeiro, gerente de saúde e bem-estar da GSK Brasil.

A empresa está entre as cinco mais lembradas e reconhecidas pela comunidade brasileira de RH, na categoria Promoção da Saúde. A premiação promovida pelo Top of Mind de RH é alcançada por meio de indicação de profissionais da área. Na última etapa, uma das cinco indicadas será proclamada vencedora, em 21 de outubro deste ano.

## Enfrentando tabus
No caso do Programa de Prevenção ao Suicídio, a GSK demonstrou coragem ao enfrentar um tema considerado tabu não apenas no mundo corporativo, mas em toda a sociedade. Desde 2018, a empresa vem intensificando as ações de [gerenciamento de estresse](https://www.revistahsm.com.br/post/socorro-corporativo) na América Latina – a princípio no México e, a partir de 2019, no Brasil.

Em geral, as campanhas de saúde e bem-estar da GSK estão baseadas em indicadores gerais de cada país onde a empresa atua, que apontam quais são as prioridades (um exemplo é o tabagismo, que tem conotações mais graves na Europa do que no Brasil). No caso da prevenção de suicídio, porém, o diagnóstico de um psiquiatra da empresa do Chile contribuiu para ajustar a lupa sobre o tema.
Segundo o especialista, dados históricos indicam que os registros de doenças mentais e de suicídios costumam aumentar a partir de três a cinco anos depois de eventos globais traumáticos. “Tomando em consideração a atual pandemia, o alerta acendeu uma luz para que abordássemos de forma proativa a questão da saúde mental”, revela Marina Ribeiro.

A campanha teve início no “setembro amarelo” de 2020 com o recrutamento de Champions de Saúde Mental, que são funcionários de qualquer nível da empresa dispostos a contribuir com a conscientização dos colegas. “A gente entende que o tema deva ser abordado de forma horizontal”, diz a gerente de saúde e bem-estar da GSK.

Em junho de 2021, a empresa contava com 62 “Champions” na América Latina.
Esses colaboradores recebem treinamentos específicos, que incluem escuta ativa para estimular a desconstrução de práticas equivocadas, como duvidar ou atenuar o sofrimento pelo qual a pessoa em situação de risco passa. Além disso, abrange exercícios de respiração: “Quando alguém está nervoso, um dos primeiros impactos fisiológicos é a respiração, como reconhecem os especialistas da área de saúde mental”, assinala Marina. A capacitação dos Champions abarca também primeiros cuidados psicológicos, conforme protocolo elaborado pela OMS.

Além da figura dos Champions, o programa da GSK envolve a promoção de webinares com psicólogos e cursos de conteúdo psicoeducativo, estes últimos em parceria com a plataforma Vitalk. “Em qualquer caso, não se aborda apenas o ato de tirar a própria vida, mas também comportamentos que antecedem o suicídio, aos quais é preciso identificar para agir de forma preventiva”, diz Ribeiro.
Ademais, a companhia reforça a divulgação de contatos externos, como CVV, Samu e Corpo de Bombeiros, para que possam ser acionados em situações extremas dentro ou fora da empresa. “Não implementamos o programa pensando apenas no que pode acontecer dentro da GSK”, ressalta a executiva.

## Aferição de resultados
Para medir internamente os impactos não apenas das ações de prevenção de suicídio, mas da política de gerenciamento de estresse como um todo, a GSK utiliza a Health & Safety Executive – Indicator Tool (HSE-IT), ferramenta do governo britânico em formato open source. A metodologia apresenta sete dimensões do ambiente laboral associadas à redução dos níveis de saúde, produtividade e bem-estar, além de elevados graus de absenteísmo. São elas:

– Carga elevada de demandas de trabalho;
– Falta de autonomia para tomada de decisões;
– Suporte das lideranças;
– Suporte dos colegas de trabalho em geral;
– Importância e relevância do cargo;
– Qualidade de relacionamentos (abrangendo políticas de promoção de atitudes positivas e de como lidar com situações negativas); e
– Nível de comunicação de mudanças dentro da organização.

Para avaliar esse conjunto de itens, a HSE-IT estabelece pontuação de zero a 5, sendo que, abaixo de 3,5, há riscos elevado de [burnout](https://www.revistahsm.com.br/post/saude-mental-como-a-sindrome-de-burnout-impacta-sua-vida). De outra parte, pontuação acima de 4 indica grau de excelência no controle do estresse organizacional.

Na avaliação realizada em 2019, a GSK Brasil atingiu pontuação de 3,71, com risco de 30% de burnout, desempenho alinhado ao padrão do mundo corporativo brasileiro, segundo Marina Ribeiro. A pesquisa foi refeita em 2020, já colhendo os resultados das iniciativas de contenção do estresse organizacional, com a obtenção de nota 3,91 e risco de burnout de 15% (diminuição de 50% deste indicador, em comparação com o ano anterior).

Um dos pontos mais relevantes do levantamento com base na HSE-IT é a descoberta de que, entre os sete itens avaliados, o pilar da liderança é o de maior impacto. “Se eu tenho recursos para colocar em apenas um baldinho, é no baldinho da liderança que devo investir”, diz a gerente da GSK, com bom humor.

Segundo ela, [os líderes representam o “fator mais protetor”](https://www.revistahsm.com.br/post/como-lideres-podem-ajudar-suas-equipes-a-serem-mais-felizes) do gerenciamento de estresse no ambiente de trabalho. “Ficou demonstrado que o melhor desempenho em suporte de lideranças eleva substancialmente a média geral de pontuação, compensando eventual menor desempenho em outras variáveis.”

## Felicidade no trabalho
Para completar, o suporte robusto das lideranças auxilia também o enfrentamento de mudanças – a exemplo do período de pandemia da covid-19 – com menor impacto na saúde mental e no estresse organizacional.

Outro ponto a destacar na pesquisa da GSK é a relação direta entre redução dos níveis de estresse e burnout com aumento de performance dos colaboradores. “Após um ano, vimos que as equipes que conseguiram reduzir o estresse também melhoraram o desempenho. Tudo isso reforça a importância de um trabalho de saúde e bem-estar holístico”, afirma a gerente de Saúde e Bem-Estar.

Para o futuro, a companhia pretende fortalecer ainda mais as estratégias de preservação da saúde emocional dos funcionários, por meio do enfoque em felicidade no trabalho, com a utilização de plataformas móveis como a Happify, que melhoram a segurança psicológica e o bem-estar emocional. Desse modo, a GSK pretende continuar apresentando-se como um exemplo a ser seguido. Quando o assunto é a saúde mental, todos importam.

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