Marketing Business Driven

Mais coragem para tirar a roupa

Em tempos nos quais se requer bravura dos líderes, talvez uma das mais necessárias seja dar visibilidade à própria vulnerabilidade. Faça um experimento de uma semana
É o empreendedor brasileiro que liderou a expansão da marca Neil Patel globalmente, transformando a operação no Brasil em um dos pilares do crescimento internacional. A NP Digital nasceu a partir de uma iniciativa de Rafael Mayrink ao se conectar com Neil Patel em 2015. Hoje, a empresa está presente em mais de 26 países, com aproximadamente mil colaboradores. Com mais de duas décadas de experiência em marketing e estratégia, Mayrink já contribuiu para o crescimento de marcas como iFood, TOTVS e OLX, ajudando grandes empresas a transformar marketing em alavanca real de negócio, com mais escala, eficiência e geração de demanda.

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Dia desses, conversando com uma pessoa, ouvimos dela o seguinte relato sobre a postura de um grande fazendeiro seu amigo: “Em todos esses anos, nas minhas fazendas, meus funcionários nunca me viram vestir alguma coisa diferente que não seja camisa, calça, sapato e cinto. Nunca estive com nenhum deles de chinelo e bermuda”. A intenção embutida na conversa pareceu ser a de que toda a comunicação (verbal e corporal) desse fazendeiro precisa transmitir autoridade, mostrar que é ele quem está no comando. Sentar-se com um peão usando chinelo, tomando uma cerveja e jogando conversa fora, faz desse homem alguém muito comum, e isso pode arruinar sua reputação e autoridade.

Fiquei pensando sobre a validade disso nos tempos atuais. Por um lado, a pessoa tem mesmo razão: não é em todos os momentos que podemos nos portar de um jeito informal. Sua fala e o modo como você se veste contam, sim. Em 2012 foi feito um estudo, bastante citado, chamado Enclothed Cognition, em que os autores (Hajo Adam e Adam Galinsky) demonstraram que as roupas que usamos podem influenciar nosso próprio comportamento.

No experimento feito, os participantes que vestiam jalecos de médico conseguiam prestar maior atenção do que quando vestiam jalecos de pintor, ainda que ambos fossem jalecos, o mesmo item de vestuário. E isso é impossível de ignorar.

Imagine você entrando em um consultório médico e, na sua frente, está uma pessoa mal arrumada, cabelo despenteado, com o consultório todo desorganizado? Então, sim, a imagem conta! Mas até que ponto um(a) líder não pode mostrar suas fraquezas? Por que necessariamente a pessoa liderada precisa enxergar só os acertos da liderança? Talvez porque haverá uma perda de credibilidade. Nós ainda temos uma mania, um tanto quanto besta, de achar que, quem está no “topo” (topo entre muitas aspas), não tem defeitos – ou, pelo menos, tem menos defeitos do que nós. E isso NÃO EXISTE! Caso você ainda não tenha descoberto, todo ser humano tem suas fragilidades, inseguranças e medos.

Quero lhe propor um teste a fazer, se você for um líder de marketing: durante uma semana, procure trazer seu time para mais perto, sendo mais honesto, mais aberto, mostre ostensivamente que você precisa daquelas pessoas porque sozinho não dá conta.

Exemplo: se você tem dificuldade em priorizar projetos, para que ficar quebrando cabeça? Chame seu time. Diga que não sabe quais projetos podem trazer os melhores resultados para o marketing digital da empresa. E deixe as pessoas priorizarem. Você deve se surpreender com o engajamento do seu time quando se mostrar uma pessoa normal, e com o fato de que não será menos respeitado por isso. Nesse mundo de filtros e imagens perfeitas de internet, a tal sandália da humildade nunca foi tão respeitada.

Artigo publicado na HSM Management nº 160.

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