Transformação Digital

Maturidade digital afeta a experiência do cliente

Quatro categorias ajudam a entender qual o nível de maturidade digital da sua empresa; pesquisas apontam como as organizações brasileiras enxergam o relacionamento com a concorrência e clientes no universo digital
Fernanda Nascimento é planejadora de Marketing, fundadora e CEO da Stratlab, empreendedora, estrategista digital centrada no cliente e especialista em marketing e vendas B2B, que estuda e cria estratégias de marketing digital para empresas B2B. Com mais de 30 anos de mercado, atua na Stratlab, criando planejamentos integrados que priorizam a experiência do cliente, geram leads e convertem em vendas de alta qualidade. Possui Master’s Degree em Marketing pelo Chartered Institute of Marketing, tem especialização em Liderança e Estratégia pelo Insper e Columbia University. É professora convidada na Lemonade School, FGV e ESPM, ministrando cursos de Marketing Digital aplicado às áreas de Marketing, Vendas e Recursos Humanos. É influencer para o LinkedIn e Gartner e colabora com artigos sobre Estratégias

Compartilhar:

Os robôs alienígenas ‘Transformers’ são capazes de alterar seus corpos em veículos. Talvez você nunca tenha brincado com eles, mas as crianças amam. Quando falamos em maturidade digital, existem também as “empresas tranformers”, que são as mais avançadas em termos de integração de tecnologias. Que, aliás, os clientes também amam. Isso acontece porque organizações que lideram a maturidade digital oferecem a melhor experiência. Parece óbvio, mas nem todos entenderam a força dessa conexão.

Maturidade digital é muito mais do que adicionar novas tecnologias. Ela se conecta com o desempenho das organizações em relação à tecnologia disruptiva e a como aderem à centralização no cliente e à inovação digital. Quanto mais uma empresa avança na maturidade digital, mais informações críticas pode obter com os dados, transformando-os em insights significativos, capazes de criar valor com a [experiência dos clientes](https://mitsloanreview.com.br/post/business-of-experience-experiencia-que-impulsiona-crescimento).

## Categorias de maturidade digital

Um levantamento do Getfeedback identificou quatro categorias que classificam as organizações em termos de maturidade digital:

• __Retardatários:__ onde não há, ou há pouca tentativa de considerar como as soluções digitais podem beneficiar a organização e seus clientes. Os líderes nessas organizações são avessos a riscos e resistentes às mudanças, o que impregna a cultura de toda a organização.

•__ Adotantes:__ estão implementando tecnologias com sucesso. No entanto, seus esforços ainda não foram desenvolvidos e são gerenciados em silos. Frequentemente, as novas tecnologias são baseadas em projetos específicos ou são reativas às ameaças competitivas.

• __Desafiadores:__ estão desenvolvendo e pesquisando atividades que apoiam sua jornada para a maturidade digital, mas não possuem as plataformas de tecnologia necessárias. Os desafiadores estão usando seus esforços para mostrar um impacto comercial válido de sua inovação e o talento interno está assumindo a responsabilidade pela transformação digital.

• __Transformers:__ são as mais avançadas em sua maturidade digital e são consideradas líderes. Todas as suas atividades são totalmente simplificadas, coordenadas e proativas. Qualquer nova tecnologia adicionada à organização é facilmente integrada aos sistemas e processos existentes. A centralização no cliente se tornou um verdadeiro componente da cultura da empresa, levando à inovação organizacional e ao impacto econômico.

## CX operando no 24×7

Diante dessa classificação, nem preciso explicar o porquê da importância de entender em qual estágio está sua empresa quando você planeja avançar na experiência do cliente. É claro que seu planejamento só será concretizado [se o customer experience (CX) for parte de um todo](https://www.revistahsm.com.br/post/nao-e-apenas-cringe-impactos-das-geracoes-nas-estrategias-de-cx), que envolve desde a cultura até a centralização no cliente. Obviamente, a centralidade no CX depende de um forte investimento em tecnologia, além da integração, envolvimento e empenho das lideranças e seus times na adoção digital.

O *Cesar Reports 2021*, pesquisa realizada em parceria pelo Centro de Inovação Cesar com esta __HSM Management__, avalia que a necessidade das empresas se tornarem acessíveis 24 horas por dia permite que elas ampliem sua competitividade ao despertarem para a realidade de um consumidor cada vez mais “always on”. No mais, o Índice Cesar de Transformação Digital (ICTd) revelou que:

• As métricas de acompanhamento dos canais digitais melhoraram, mas timidamente (aumento de 2pp). Esse resultado só confirma o quanto as empresas no Brasil ainda precisam se tornar data-driven para tomar melhores decisões, principalmente nos canais e meios digitais. Ainda há muito o que avançar neste sentido. Uma boa notícia é o aumento do acompanhamento e da compreensão da jornada do cliente, apontando a força crescente das estratégias centradas no usuário;

• A quantidade de participantes que afirma entender a jornada do cliente e mapear hábitos de consumo online para potencializar novas vendas saltou de 51,15% para 56,86%, um crescimento relevante, mas ainda pequeno considerando o contexto e a necessidade urgente de ir para o digital;

• Ao colocar o cliente no centro das suas estratégias, é possível compreender melhor as mudanças de comportamento dos consumidores. Assim, há um evidente fortalecimento das marcas, que passam a contar com os seus consumidores cada vez mais como fãs e defensores da sua presença tanto no digital quanto fora dele. Prova disso é o fato de 75% dos respondentes afirmarem que o fortalecimento e influência da marca são fruto das referências positivas de seus clientes que atuam como advogados dos seus produtos e serviços;

• 56,86% afirmam que “nós entendemos a jornada do nosso cliente, estamos focados em mapear seus hábitos de consumo online e potencializar novas vendas no âmbito digital”.

A pesquisa aponta ainda que a competição é assimétrica, ou seja:

• Não há competição entre produtos de mesma categoria ou em setores. Surgem concorrentes muitas vezes desprovidos dos recursos para entregar o que vendem. Esses concorrentes se articularem digitalmente em ecossistemas, mas, de tão coesos, se confundem com grandes conglomerados;

• Essa percepção, já consolidada no ICTd em 2019 com 64,4% dos respondentes afirmando entender que a concorrência não se restringia apenas ao seu próprio mercado ou setor específico, pareceu crescer ainda mais em 2020, quando esse número aumentou para 67,18%. Diante desse contexto, estruturas verticais de negócios cedem rapidamente espaço para estruturas mais ágeis, distribuídas e resilientes, configuradas em plataformas digitais, que emergem, transbordam e redesenham as fronteiras de setores existentes;

• A maior mudança entre um ano e outro se deu na confirmação de que as organizações possuem uma visão diferente em relação à concorrência, e que elas se enxergam abertas a cooperar com seus concorrentes, trabalhando em rede para criar mais valor para seus clientes.

• As organizações que se veem dentro deste último perfil subiram de 51,96% para 56,83%. Já as empresas que acreditam que suas próprias agendas de transformação digital foram definidas a partir dos seus próprios direcionamentos estratégicos apresentaram também aumento relevante, de 4,2 pp, em relação ao ano anterior.

## Evolução e longevidade digital

Novos tempos, novas maneiras de competir. A máxima da liderança de que “quem vai sozinho pode ir mais rápido, mas quem vai acompanhado, vai sempre mais longe” agora vale também para os negócios.

Darwin já dizia que “a evolução das espécies é um processo muito lento e gradual, já que a natureza não dá saltos”. Como todo processo evolutivo, nem todos alcançam imediatamente os estágios mais avançados. Tudo ocorre em um processo que pode e deve ser acelerado pelas organizações que pretendem alcançar o estado da arte na experiência do cliente. Hoje, amanhã e para o futuro que está logo ali, essa meta depende quase integralmente da maturidade digital.

*Gostou do artigo escrito por Fernanda Nascimento? Saiba mais maturidade digital e CX assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts “podcasts HSM Management”) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Artigos relacionados

Isolamento nas empresas não é só físico: é cultural

Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

O maior prejuízo de um ataque cibernético raramente está onde as empresas costumam procurar

A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Quando a IA assume as tarefas, a liderança ganha espaço para cuidar das pessoas

À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

A comunicação é um teto de vidro que pode afastar as mulheres da liderança

A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Entre viralizar e ser lembrado: O que acontece quando o algoritmo assume a estratégia?

As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de agosto de 2026 14H00
Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
5 de agosto de 2026 08H00
A mobilização que o maior evento esportivo do mundo desperta revelou algo poderoso sobre os brasileiros: nossa capacidade de nos unir em torno de um objetivo comum. Mas por que essa mesma energia raramente se traduz em avanços estruturais para o país?

Laura Jane Pereira de Souza - Administradora de empresas, consultora e mentora

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura
Marketing
3 de agosto de 2026 18H00
Quem você é além do crachá? A partir de reflexões sobre protagonismo e evolução profissional, a autora mostra por que cultivar a própria identidade é essencial para permanecer relevante em qualquer cenário.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

5 minutos min de leitura
Liderança
3 de agosto de 2026 14H00
Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 de agosto de 2026 08H00
Por que relações saudáveis deixaram de ser apenas uma questão de clima organizacional para se tornarem um fator estratégico de competitividade? O artigo mostra como a confiança entre pessoas e áreas influencia diretamente a velocidade de execução dos negócios.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo