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Medo na vida e na carreira: um convite à mudança

O medo pode paralisar e limitar, mas também pode ser um convite para a ação. No mundo do trabalho, ele se manifesta na insegurança profissional, no receio do fracasso e na resistência à mudança. A liderança tem papel fundamental nesse cenário, influenciando diretamente a motivação e o bem-estar dos profissionais. Encarar os desafios com autoconhecimento, preparação e movimento é a chave para transformar o medo em crescimento. Afinal, viver de verdade é aceitar riscos, aprender com os erros e seguir em frente, com confiança e propósito.
Viviane Ribeiro Gago é advogada e mestre em direito das relações sociais. Também é facilitadora em desenvolvimento humano e organizacional, autora dos livros *A biografia de uma pessoa comum*, *Olhares para os sistemas*, *Advocacia corporativa*, dentre outros.

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Segundo o autor Rafael Echeverria do livro “A Ontologia da Linguagem, “Os julgamentos são a raiz do sofrimento humano. Todo sofrimento está contido no envoltório linguístico e o centro nisso é o papel dos julgamentos”. Os estudos sobre o ser humano ensinam que para todo o sofrimento da vida, as raízes de dor são pautadas em aspectos relacionados a conclusões e certezas em cima de dados selecionados por nós mesmos. E dentre estes aspectos está o medo.

O medo é um estado emocional que surge quando tomamos consciência de uma situação de eventual perigo. A ideia de que algo ou alguma coisa possa ameaçar a segurança ou a vida de alguém.

Cautela! Tudo o que colocamos foco e sentimento, aumenta, por isso muito importante é ter consciência do medo e trabalhá-lo, para que não sejamos dominados por ele, levando a consequências que muito provavelmente só atrapalharão.

Em geral, as pessoas têm medo de muita coisa mesmo. Medo de violência, medo de morrer, medo de perder o emprego e ficar sem dinheiro, medo de envelhecer, medo de perder a saúde, medo de perder outras pessoas, medos e mais medos.

Sem adentrar em todos os medos possíveis e a hierarquia entre eles, medo atrapalha, paralisa, tira a paz, aliás esta última tão importante para o nosso bem viver.

Carreira

Aqui gostaria de pinçar o medo que afeta tantos profissionais, o medo de perder o emprego, o dinheiro e com isso a possibilidade de perder também a própria dignidade e a da família. Por isso, tantos acabam se submetendo à vários cenários muito ruins física e psicologicamente para manter empregos que já estão desgastados ou mesmo com ciclos encerrados, porém não admitidos pelos envolvidos, seja empregador ou seja o colaborador.

Fato é que com a crescente tomada de consciência das pessoas, não é somente o salário que conta para o profissional estar motivado com a atividade que desempenha. A localização, ambiente, valorização, reconhecimento, ética nas relações contam demasiadamente e a liderança é tão importante, que merece um parágrafo à parte.

Outro dado interessante é que o medo do fracasso atinge especialmente as mulheres empreendedoras, sendo que com 30,3% delas temem o insucesso, contra apenas 10,4% dos homens, conforme levantamento da Endeavor.

Liderança e liderados

A liderança além de ser boa tecnicamente, caso não seja respeitosa, ética, saudável, reconhecedora do desempenho e conquistas, deveria estar fora das empresas. Lembremos que segundo pesquisas conduzidas por consultorias mundiais 85% das pessoas deixam o chefe para quem trabalham e não a empresa. Havendo valorização dos profissionais, consequentemente haverá aderência daquele profissional à empresa.

Infelizmente quem está nas posições de liderança, interagindo e agindo face a tantas outras vidas, muitas vezes não tem talento nem apreço em fazer isso. Muitas vezes aceitem tais posições pelo dinheiro, status e poder. O resultado é sofrimento na certa, para o próprio “líder” e os liderados, gerando medo de todos os lados, disfuncionalidades etc.

Um dos caminhos para minimizar o cenário acima são as empresas olharem com mais foco e estrutura para as carreiras de especialistas (Y). Esse é um bom caminho para evitar os problemas de promover pessoas técnicas para lidar com equipes, sem ter o menor talento para isso, perde-se de todos os lados, por isso tão importante não deixar de avaliar corretamente a subida de profissionais que terão times para gerenciar.

Outro ponto é, uma vez selecionados os líderes que gerenciarão outras pessoas, desenvolvê-los, prepará-los para a missão. Muitos não nascem líder, vários aprendizados são necessários. Essas pessoas precisam mergulhar no autoconhecimento e focar no seu próprio crescimento antes de olhar para outros. Arrisco a dizer que há muita complexidade em uma posição de liderança, inevitável esbarrar com a humanidade das pessoas e com os problemas pessoais de cada um. Não obstante, estamos em ambiente laboral, as pessoas é que compõem e fazem esse ambiente existir, para o bem e para o mal.

Importante compreender que enfrentar os nossos medos é algo que parte de nós, da nossa força e dos nossos recursos internos e não de algo externo; sendo conscientes disso, fica tudo mais fácil para agir em nosso favor. Caso contrário, você dá um enorme poder para outros fatores te tirarem o equilíbrio e a própria paz.

Para enfrentar os nossos medos, também é importante ter em mente que o oposto de paralisação, estagnação que o medo nos causa é ficar em movimento. Por quê? O movimento faz com que sigamos em frente apesar das incertezas e circunstâncias, representa ação, confiança, fé, acreditar que pode dar certo.

E é neste contexto, o de movimento, que as coisas acontecem e viabilizam vivermos de verdade, com riscos, acertos, erros, aprendizados, amor, desamor, sorte, azar, alegrias e tristezas. Que nos movimentemos muito, neste ano, que só está começando. Que vivamos a vida com suas dores, fracassos, mas também com alegrias, acertos e muito sucesso. Isso tudo junto e misturado é viver.

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