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Membros de conselhos aprendem com os pares

O programa Board Members, da Ernst & Young, promove reuniões para troca de experiências e dúvidas comuns a esses profissionais
Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios, com mais de 30 anos de experiência como redatora, repórter, editora e revisora. Colaboradora de HSM Management e de MIT Sloan Management Review Brasil.

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Os escândalos que têm envolvido conselhos de administração no Brasil e no exterior, nos últimos anos, alçaram os conselheiros a protagonistas dos negócios, em vez dos figurantes que costumavam ser. 

Não se aceita mais que eles aprovem estratégias errôneas ou suspeitas, seja por ingenuidade, seja por cumplicidade.  “A função é de extrema responsabilidade”, diz Sergio Romani, sócio e líder de auditoria da Ernst & Young (EY). 

Esse contexto mais desafiador e complexo levou a EY a trazer para o País um espaço para a troca de ideias, dúvidas e experiências de conselheiros com seus pares de diferentes empresas. Trata-se do programa Board Members, do qual Romani é um dos coordenadores, ao lado de Luiz Passaretti. O programa existe há uma década na EY global, mas chegou ao Brasil faz dois anos. 

De seus 100 participantes, representantes de algumas das maiores empresas do Brasil, aproximadamente 60 são conselheiros de companhias de capital aberto. Há também a participação de conselheiros de organizações familiares de capital fechado e de CEOs. “O respeitado IBGC [Instituto Brasileiro de Governança Corporativa] prepara as pessoas para integrar o board, mas os conselheiros sentiam necessidade de um espaço a mais, onde pudessem compartilhar suas preocupações com quem vive os mesmos dilemas e pressões. Esse espaço é diferente de tudo o que já existia”, detalha o sócio da EY.

**LIBERDADE DE EXPRESSÃO**

As reuniões do programa são trimestrais e ocorrem durante uma manhã em São Paulo e no Rio de Janeiro – em breve, chegarão a Campinas, no interior paulista. Elas são limitadas a 14 participantes, para que o debate seja prático e dinâmico. “Não seriam produtivas com 40 ou 50 pessoas”, alega Romani.  Ali, eles se sentem à vontade para falar, sem registro de áudio ou vídeo. 

Os temas são sugeridos pelos próprios membros – uma sessão recente foi sobre segurança cibernética, por exemplo, mas crise e boas práticas condizentes com a lei anticorrupção também já foram pauta. Definido o tema, a EY desenvolve um conteúdo-base que provoca o debate. Por fim, são colocados alguns questionamentos, incluindo os embaraçosos, que os conselheiros devem levar para seus respectivos conselhos. Além das reuniões presenciais, os associados do Board Members se comunicam por uma página no Facebook e têm acesso a estudos e apresentações da EY em uma intranet. 

Na prática, o que os conselheiros fazem é um benchmarking constante que aperfeiçoa sua atuação. No entanto, essas reuniões ainda os ajudam a desenvolver três habilidades requeridas por seus cargos: saber de tudo um pouco, ter capacidade analítica e elaborar as perguntas certas para os diretores-executivos de suas empresas.

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