Liderança

Metamorfose da liderança: os desafios da desaceleração

A organização deve promover ações que auxiliem seus colaboradores a crescerem e se desenvolverem junto com ela de forma sustentável
Renato Navas é cofundador e head de People Success da Pulses. Psicólogo, com pós-graduação em Administração de Empresa pela SOCIESC/FGV e Dinâmica dos Grupos (SBDG). Atua como professor de Pós-graduação e MBA em Gestão estratégica de Pessoas (UNIVALI).

Compartilhar:

O ano de 2023 começou com notícias difíceis para o mercado de trabalho: o anúncio de grandes demissões têm alterado o clima dentro das empresas e acende um alerta importante, principalmente, entre as lideranças. Isso porque as demissões podem provocar um fenômeno não desejado entre os profissionais, como desânimo, falta de engajamento e até mesmo tristeza pelo desligamento de algum colega de trabalho. O clima de insegurança e incerteza provocado pelos layoffs pode trazer uma sensação de vulnerabilidade e de medo de ser o próximo a ser demitido; tendo como uma de suas consequências mais graves o pedido de desligamento por parte dos colaboradores que ficaram. Vale lembrar que as relações de trabalho passaram por grandes transformações nos últimos três anos – um curto período de tempo, mas que acelerou mudanças e colocou antigos modelos em cheque.

Diante dessas questões, é imprescindível que as lideranças também passem por uma metamorfose, uma mudança de forma verdadeira para acompanhar e liderar de maneira assertiva e eficiente. Uma das principais características dessa nova forma de liderar é saber ouvir.

A escuta, quando realizada de maneira contínua, permite aos funcionários dizer o que acreditam, como podem melhorar os processos de trabalho e também contribui para prevenir e/ou resolver conflitos. Um exemplo prático da necessidade de escuta contínua é o modelo de trabalho remoto, que teve um boom em 2020 e foi adotado em definitivo por mais de um terço das empresas no país pós-pandemia, de acordo com dados divulgados pela FGV. O distanciamento social deu força a práticas como alinhamentos 1:1 (lê-se one-on-one), feedback contínuo, entre outras, para tornar as relações profissionais mais sólidas e saudáveis. Essa estratégia precisa estar ligada à cultura da empresa para alcançar os resultados que se esperam. Portanto, deve ser uma prática incentivada e promovida a partir das lideranças.

Com a desaceleração da pandemia, entra em pauta também a discussão sobre a gestão de desempenho e produtividade, assim como a atração e permanência de talentos. Neste cenário, as novas lideranças devem buscar basear suas decisões e iniciativas a partir de dados a fim de identificar os pontos de melhoria na equipe. O modelo de escuta contínua, no qual o colaborador pode dar opiniões através de “pulsos”, que são perguntas rápidas, de forma semanal ou quinzenal, permite aos gestores ter informações em tempo real. Com os dados coletados é possível “ouvir” as equipes, responder e ter dados para um diagnóstico e, assim, traçar estratégias para desenvolver as competências (ou skills) desejadas para aquele time.

Quando a empresa adota a prática de escuta contínua, ela pode aproveitar esses dados dos “pulsos” e promover uma metamorfose da própria organização. Essa transformação começa a partir das lideranças que, por meio dos dados dos “pulsos”, podem traçar planos de ação para reinventar e melhorar constantemente, engajar os colaboradores, reduzir a rotatividade e reter os talentos.

O mundo mudou desde 2020 e, agora, neste início de 2023, a gestão de pessoas e talentos torna-se ainda mais estratégica. Os novos líderes saem do momento de “apagar incêndio” provocado pela pandemia para um novo status onde a gestão transparente, ágil, recíproca e baseada em dados é uma aliada na manutenção do clima organizacional.

Instrumentalizar a gestão através da escuta contínua é um dos passos para que as lideranças compreendam e prosperem com suas equipes neste novo cenário que vivemos. Vale lembrar que as pessoas não permanecem nos empregos apenas pelo salário, há outros fatores que interferem na rotatividade de profissionais, dentre eles podemos destacar a reciprocidade e o vínculo.

Para que uma organização seja sustentável e cresça com uma mentalidade de prosperidade, ela precisa promover a reciprocidade. Ou seja, ao promover ações que auxiliem seus colaboradores a crescerem e se desenvolverem, também olha para a sustentabilidade da própria organização (simultaneamente). O engajamento é um fenômeno que pressupõe vínculo. E o vínculo acontece em relações recíprocas.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Marketing & growth, Tecnologia & inteligencia artificial
20 de junho de 2026 14H00
Se mais gente não significa mais resultado, o que ainda justifica equipes gigantes? Este artigo revela como a inteligência artificial está redefinindo estruturas, papéis e critérios de eficiência nas áreas de marketing e growth.

Brian Bittencourt - VP de Growth & Marketing da Woba

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
20 de junho de 2026 08H00
Mais de 92 mil pessoas foram demitidas em tech só nos primeiros meses de 2026, ao mesmo tempo em que big techs reportavam resultados recordes. O Gartner mostra que esses cortes não estão entregando ROI. O problema não é a tecnologia, é a intenção por trás dela.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

12 minutos min de leitura
Lifelong learning, Inovação & estratégia
19 de junho de 2026 14H00
Por trás de um dos reconhecimentos mais cobiçados da AWS, este artigo mostra que o verdadeiro diferencial não está em acumular certificações, mas em construir conhecimento consistente a partir da prática, da comunidade e da evolução contínua.

Alceu Conerado Neto - COO da Dati

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, User Experience, UX
19 de junho de 2026 08H00
A partir de uma cena cotidiana, este artigo expõe um erro recorrente nas organizações: confundir treinamento com preparo e transferir a curva de aprendizagem para o cliente, com impactos diretos na experiência e nos resultados.

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de junho de 2026 16H00
Entre a inovação e o risco, este artigo discute até onde se deve confiar na IA dentro do contexto clínico. A tecnologia, sem dúvidas, amplia capacidades, mas ainda depende de dados de qualidade, supervisão humana e confiança para cumprir seu potencial.

Adalene Tiso - Diretora da unidade Healthcare da Interplayers

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança, Lifelong learning
18 de junho de 2026 08H00
Por que empresas aprendem mais com fracassos analisados com honestidade do que com cases heroicos?

François Bazini - CMO e Consultor

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de junho de 2026 15H00
O entusiasmo com inteligência artificial segue um ciclo já visto antes. Este artigo mostra por que o próximo desafio das empresas não é implementar a tecnologia - mas transformar uso em resultado, superando velhos erros de gestão que já limitaram outras ondas de inovação.

Marcus Garcia - Diretor Comercial da Konia Tecnologia

3 minutos min de leitura
Lifelong learning
17 de junho de 2026 09H00
Este artigo propõe uma mudança de lógica na aprendizagem: mais do que acumular conteúdo, o diferencial passa a ser a capacidade de conectar conhecimentos, interpretar contextos e transformar informação em decisão e ação.

Daniel Luzzi - CEO Cognita Learning Lab

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
16 de junho de 2026 15H00
O mercado discute o futuro - mas continua ignorando quem já está pronto para trabalhar. Este artigo chama atenção para um movimento ignorado: a crescente presença da geração 60+, e o custo de continuar excluindo um dos recursos mais experientes e disponíveis da força de trabalho.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de junho de 2026 09H00
Na estreia da coluna, as autoras, Cecília Seabra e Thais Giuliani, propõem uma mudança de paradigma na liderança: sair das explicações rápidas e dos julgamentos para construir relações mais consistentes por meio da escuta, da curiosidade e da integração de diferenças.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão