Dossiê: Jovens Talentos, Sustentabilidade
Oferecido por:

Meu CEO diz que agora é ESG

Se você quer ser um executivo ESG de uma empresa em transformação, que tal começar realmente a acolher essas lideranças do futuro e lhes dar o espaço de desenvolvimento de que necessitam?
Carolina Utimura é CEO da Eureca.

Compartilhar:

> Ontem nosso CEO chamou o time de recursos humanos para uma teleconferência sem detalhar a pauta. Ficamos pensando que o assunto, provavelmente, seria o planejamento de 2022, e nos sentimos orgulhosos de tê-lo terminado na semana passada, de uma maneira criteriosa e colaborativa. Estávamos seguros do resultado e felizes com a chance de já expor o trabalho bem feito. Mas, hoje de manhã, qual não foi a surpresa quando entramos no Zoom e encontramos um comitê à nossa espera – o CEO e parte da diretoria executiva –, dizendo assim: “Bom dia. Queremos informar que agora a empresa é ESG”.
>
> As palavras que se seguiram foram mais inesperadas ainda: “Agora somos todos ESG. Vocês precisam mudar todo o planejamento do RH em 2022 para incluir isso, com ações palpáveis”. Quando, boquiabertos, tiramos o microfone do mudo e perguntamos como deveríamos fazer isso e com que recursos, as respostas foram vagas: “Vejam o que outras empresas estão fazendo”, “Sejam criativos” ou “Confiamos em vocês; não queremos microgerenciar”. A frase do CEO particularmente foi a seguinte: “Considerem-se os [protagonistas do nosso propósito](https://www.revistahsm.com.br/post/a-jornada-de-desenvolvimento-do-jovem-no-mercado-de-trabalho)”.

Veja esse depoimento de uma head de recursos humanos. Ele é fictício, mas baseado em fatos reais. A decisão dos líderes de fazer de sua organização “uma empresa ESG” deve ser celebrada. Os líderes, mas não o jeito pouco pragmático com que foi tomada, atropelando as pessoas, que faz parecer menos uma decisão genuína e comprometida, e mais uma resposta a pressões do mercado. Eu poderia dizer que o jeito não é ESG.

O que é uma empresa ESG? [Um executivo ESG](https://www.revistahsm.com.br/post/esg-a-decada-decisiva-para-o-planeta-e-o-futuro-do-capitalismo)? Um jeito ESG de fazer as coisas? Vamos voltar ao começo. ESG é uma sigla, em inglês, que remete a compromissos ambientais, sociais e de governança corporativa. (Há a versão ASG, em português, mas ela é menos adotada.) Ela também contempla a sustentabilidade, mas remete muito mais a regeneração do modelo de negócios e como ele opera, a implementar as mudanças necessárias para que o crescimento com sustentabilidade aconteça.

## Impacto, propósito, resultado
Muitas empresas têm associado os [fatores ESG aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)](https://www.revistahsm.com.br/post/esg-e-os-jovens-qual-a-relacao-entre-eles) da ONU para 2030, a fim de materializá-lo mais. O documento dos ODS é composto por 17 objetivos, com 169 metas, propõe planos de ação e foi assinado por 193 países, incluindo o Brasil. “ODS é uma linguagem global de impacto. É como todos estarem juntos para que o mundo sobreviva. ESG, por sua vez, acaba direcionando ações pelos ODS”, afirma Gabriela Reis, professora da Fundação Dom Cabral nessa área e nossa colega no grupo Anga&Din4mo, do qual a Eureca faz parte.

Outra diferença do ESG em relação à sustentabilidade old school é o fato de ela não pensar na famosa “tirania do OU” (termo cunhado por Jim Collins), em acreditar que só existe uma escolha, que algo exclui algo. A nova sustentabilidade é tudo junto, é econômico, ambiental e social. E também de negócios, é a “genialidade do E”, que tanto Collins prega. As ações ESG têm que ser sustentáveis e atrativas do ponto de vista financeiro e gerar impactos sociais, ambientais e de governança como filosofia de negócios.

E vale relembrarmos da célebre carta do Larry Fink aos CEOs, de 2019, com o título Profit and purpose (em português, Lucro e propósito), que foi um dos estopins desse movimento. Assim como, o Fórum de Davos 2019, do Business Roundtable, de as bolsas de valores do mundo, incluindo a nossa B3, estarem se movimentando muito em torno disso. O crescimento de 400% da carteira ESG da Nasdaq nos últimos três anos fala por si.

O grande ponto aqui é elucidar que esse não é um movimento passageiro; ele se conecta com o perfil comportamental das novas gerações, e influi nos desempenho das empresas à medida que influi em sua capacidade de atrair colaboradores e consumidores. Isso porque as pessoas estão cada vez mais avaliando os compromissos ESG das empresas na hora de tomar decisões de carreira e de consumo. Um [ESG insuficiente é motivo para pedir demissão](https://www.revistahsm.com.br/post/como-o-esg-esta-relacionado-com-a-gestao-de-pessoas) e para boicotar um produto ou serviço, com certeza, você consegue citar uma dúzia de eventos que já vivemos nos últimos anos.

É tudo muito recente, aconteceu muito rápido – já ouviu falar da aceleração provocada pela pandemia de covid-19? Mas tudo veio para ficar. E isso faz com que a abordagem ESG, fictícia mas baseada em fatos reais, do início deste artigo não seja o caminho mais próspero da agenda de Recursos Humanos. Isso porque ESG não é só fazer ações sociais pontuais, campanhas do RH ou do marketing com começo, meio e fim (isso é importante, mas talvez não “mexa no ponteiro” do negócio e da sociedade).

ESG é uma nova forma de operar da empresa. Obrigatoriamente inclui uma revisão do modelo de negócio inteiro, de como produtos ou serviços são feitos, de como é a estrutura de governança, da cadeia de fornecimento com que a empresa trabalha, etc.

## Líderes desse momento
Isso nos leva a falar da [próxima geração de liderança](https://www.revistahsm.com.br/post/a-busca-por-uma-gestao-humanizada-no-rh) que vai realmente conseguir materializar e levar as companhias para um outro patamar de ESG. O perfil de liderança atual não é o mesmo que precisaremos ter para pensar e fazer essas mudanças, não é mesmo?

Como encontrar, e formar, os novos arquétipos de líderes que provavelmente vão conduzir toda essa conversa e vão abrir caminhos? Conhecemos essas pessoas? Elas já estão dentro das nossas empresas ou, até mesmo, dos nossos círculos sociais?

De novo, a resposta está no ESG – especificamente no S, até. Quando falamos de organizações serem mais diversas e inclusivas, isso remete a líderes que representem essa diversidade também, e que precisarão ter sido incluídos em algum momento. Estamos incluindo? Sua empresa, especificamente, está incluindo gente que não se parece com a liderança? Ou tem premissas que dificultam [a entrada dessas pessoas](https://www.revistahsm.com.br/post/repense-seu-evp-para-jovens-talentos)?

Assim, como os movimentos de sustentabilidade das últimas décadas, as ações de fachada foram cunhadas como o termo “greenwashing” e as mídias sociais ainda engatinhavam. E não podemos viver um “diversity washing”, termo cunhado pela especialista em D&I, Liliane Rocha da Gestão Kairós.

Hoje, as empresas são uma caixa de vidro e as novas gerações têm acesso abundante de informações. O que você é como empresa (as suas pessoas, a sua cultura, a sua liderança…) faz parte da decisão de compra do seu consumidor. E te aviso, não há mais como enganar as novas gerações.

Não dá, diante do ESG, para apenas pedir que o [RH mude o planejamento para o próximo ano](https://www.revistahsm.com.br/post/esg-questao-de-sobrevivencia-para-as-empresas-familiares), incluindo algumas campanhas e ações pontuais. As formas com que a gente sempre fez as coisas não pode ser a forma como faremos daqui para frente. Precisamos de outras métricas e modelos para expandir o que já é conhecido sobre os parâmetros ESG e começar a criar o que ainda é desconhecido e que nos possa levar a centenas de anos prósperos.

E nada melhor do que a nova geração, que já vem com o “chip do ESG” implantado, para fazer parte disso. Fica o convite: se você quer ser um executivo ESG de uma empresa ESG, que tal começar realmente acolher essas lideranças do futuro e lhes dar o espaço para co-empreender esta agenda?

Compartilhar:

Artigos relacionados

Plataformização da educação: 3 pontos para refletir antes de levar tecnologia para a sala de aula

Plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial estão chegando às salas de aula em ritmo acelerado. Mas a transformação educacional não depende apenas da disponibilidade de novas soluções. Ela exige clareza sobre os problemas que se pretende resolver, participação de quem vive o cotidiano escolar e condições reais para que a tecnologia faça sentido no processo de aprendizagem.

O que Guimarães Rosa pode ensinar sobre liderança na era da IA

Por trás de uma das obras mais inovadoras da literatura brasileira havia um método rigoroso de trabalho. A partir dessa provocação, o artigo discute por que organizações que desejam crescer de forma consistente precisam desenvolver algo que nenhuma tecnologia entrega pronta: critérios compartilhados, disciplina intelectual e capacidade coletiva de manter a qualidade em escala.

O caso Abril não foi uma crise da mídia. Foi uma crise de adaptação

Empresas raramente entram em declínio de forma repentina. Primeiro perdem capacidade de adaptação, depois relevância e, por fim, espaço para investir na própria transformação. A partir do caso Abril, o artigo analisa como decisões sobre inovação, sucessão, crescimento e alocação de recursos influenciam a capacidade de uma organização sobreviver em ciclos de disrupção cada vez mais rápidos.

Seu valor termina quando sua performance cai?

Uma promoção, uma nova função, um momento difícil ou uma fase de adaptação podem mudar temporariamente a performance de qualquer profissional. A questão é saber se as organizações conseguem enxergar essas oscilações como parte da trajetória humana ou se passam a avaliar pessoas apenas pelo resultado do momento.

A contradição que desafia a ONU: É possível falar em inclusão global sem Taiwan?

Em um momento em que a ONU afirma buscar a reconstrução da confiança internacional, o debate sobre a exclusão de Taiwan recoloca uma questão fundamental para a governança global: como defender representatividade, cooperação e direitos universais quando milhões de pessoas permanecem à margem de importantes fóruns internacionais? O artigo analisa as implicações jurídicas, geopolíticas e econômicas dessa controvérsia e seus impactos sobre a estabilidade global.

O próximo Pix será de competências

Imagine carregar, em um único ambiente digital, diplomas, cursos, certificações e qualificações profissionais, todos verificáveis em segundos. O artigo explora como a combinação entre credenciais digitais, blockchain e identidade digital pode redefinir a forma como pessoas comprovam suas competências e como o país acompanha a evolução da educação e da empregabilidade.

Liderança
16 de setembro de 2026 18H00
Ao observar a comunicação constante de um pequeno grupo de galinhas-d’angola, o autor encontrou uma metáfora surpreendente para um dos maiores desafios dos líderes: perceber, interpretar e responder aos sinais que as pessoas emitem antes que o silêncio, a desmotivação ou a ruptura se tornem irreversíveis.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

Oferecido por:
12 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de setembro de 2026 14H00
A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Felipe Vasco da Silva - Diretor de Aplicações Tecnológicas para a América Latina da Vertiv

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
16 de setembro de 2026 08H00
Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Ana Bia Medeiros - Líder em Educação na Kiddle Pass

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 14H00
Mais conectado, informado e exigente, o consumidor de hoje compara sua experiência de hospedagem com os melhores serviços que encontra em qualquer setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, o futuro dos hotéis dependerá da combinação entre inovação, eficiência e de pessoas que tenham a capacidade de criar experiências memoráveis

Rodrigo Miluzzi - Diretor de Operações do Grupo Mabu

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 08H00
A partir de uma conversa com Rogério Almeida, principal executivo do Cristália, este artigo discute como investimentos de longo prazo em pesquisa, tecnologia e capacidade produtiva podem contribuir para a construção de maior autonomia científica e industrial no Brasil.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

Oferecido por:
23 minutos min de leitura
Tecnologia e inovação, Estratégia
14 de setembro de 2026 18H00
A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

Oferecido por:
13 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
14 de setembro de 2026 14H00
Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

Valter Bahia Filho - Autor e consultor educacional de Neurociência e Comportamento, Psicologia Positiva, Comunicação, Artes e Gestão de Pessoas.

Oferecido por:
12 minutos min de leitura
Liderança
14 de setembro de 2026 08H00
Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

Oferecido por:
11 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 17H00
Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

Oferecido por:
10 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
13 de setembro de 2026 14h00
Os movimentos recentes de Art’G e Belmont Emeralds revelam estratégias de geração e captura de valor

Adriana Salles Gomes

Oferecido por:
0 min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução