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Michele Hunt: uma mulher inspiradora

Ela fez parte do governo de Bill Clinton, é consultora, autora do livro DreamMakers, e passou pelo Alma, festival digital de negócios conscientes promovido em abril pelo Grupo Anga, para inspirar a audiência com sua visão de futuro. Em um texto de Amanda Araujo, “mulher preta de 28 anos”, como se define, você confere as principais lições deixadas por Michele Hunt.
Formada em publicidade e propaganda pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Amanda hoje é responsável por mídias sociais e comunidades na Tribo Purposeful Transformation.

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> **“Minha vida é minha missão e minha missão é minha paixão”**
>
> _Michele Hunt_

Olá, muito prazer. Meu nome é Amanda Araujo, mulher preta de 28 anos. Como espectadora, participei do Festival Alma e aprendi com profissionais incríveis como Luiza Helena Trajano, Peter Senge, Daniel Friedland, entre outros. Mas foi no talk com a Michele Hunt que meu coração palpitou. 

Não é todo dia que a gente tem a oportunidade de ver uma mulher preta, influente globalmente, assim tão de perto (ok, foi online, mas foi ao vivo e emocionante para mim!). O que eu aprendi com essa mulher incrível você confere a seguir.

### **Interdependência**

Michele falou sobre a resiliência do planeta, ressaltando nossa vulnerabilidade, conexão e interdependência durante essa pandemia. “Não podemos mais considerar os negócios isolados das comunidades e das pessoas que eles servem. 

Precisamos pensar em como a gente se organiza e organiza os negócios”, foi o convite de Hunt para uma reflexão sobre este nosso momento atípico.

### **A importância da missão**

“O que eu sou e o que me guia é a minha missão pessoal. Meu motivo de estar na Terra é ajudar pessoas que estão catalisando e redesenhando esse mundo, que liberta o espírito humano[[LA1]](#_msocom_1)”, ela disse. Como exemplo dessa missão, Michele compartilhou duas iniciativas em que atua como mentora:

1. A AIM2Flourish, que é um projeto de conexão entre alunos de administração e empresas que atuam com inovação e desenvolvimento sustentável; 

2. A Magnolia Moonshot 2030, que conecta redes e poliniza o trabalho das mulheres para que existam lideranças femininas em todas as áreas de tomada de decisão, seja no governo, seja nas empresas, pensando em tendências nas esferas econômicas, sociais, espirituais. E dessas experiências saiu mais uma grande lição: um dos valores desse projeto é não deixar ninguém para trás.

### **Provocações**

Ok, a Michele Hunt tem uma missão linda, mas como eu descubro a minha? A dica da minha mais nova guru é: primeiro, você começa por você, se fazendo muitas perguntas:

* O que é mais importante para mim? 
* O que me faz levantar de manhã? 
* O que me dá alegria? 
* O que eu gostaria de ver no mundo? 
* Quais são os meus principais talentos?
* O que eu posso criativamente fazer para entrar em uma jornada de aprimoramento dos meus talentos? 

Segundo ela, o distanciamento social nos possibilita fazer esse mergulho profundo em nós mesmos, sendo essa uma grande oportunidade para redesenharmos um mundo muito melhor. Quando você compreende o que mais importa para você, fica mais fácil pautar as decisões na sua jornada. 

> _“Estamos em um ponto da história em que não temos escolha: qualquer pessoa que não entenda essa mudança necessária, que o sistema em que a gente vive hoje não é sustentável, não vai florescer”, ressalta Hunt._

### **Encontro de Almas**

E quando eu achei que as provocações dela já tinham superado todas as minhas expectativas, Michele abriu espaço para uma pergunta vinda de uma mulher negra, a Taetê Benedicto. Foi o auge do evento para mim. Fiquei animadíssima e feliz por ser representada em um momento que era meu também.

_“A maior parte da população brasileira_ [[LA2]](#_msocom_2)_é composta por mulheres negras marginalizadas econômica e socialmente. Entre elas, tem as que vivem na informalidade e acumulam três desafios: o desafio de ser mulher, de ser preta e de estar à margem de tudo. Como podemos criar uma rede para que essas mulheres pretas possam se apoiar, de forma autônoma, entre si?”, foi a pergunta da Taetê._

Michele se mostrou impactada pela pergunta, tanto quanto eu. “É uma pergunta muito poderosa”, disse ela. E, em um momento de vulnerabilidade, compartilhou as dificuldades que precisou vencer por ser uma mulher negra, mostrando a importância de se criar uma rede de apoio principalmente para as mulheres marginalizadas, negras e indígenas. 

Ela falou ainda sobre os ensinamentos de seu pai e de como desenvolveu uma autopercepção positiva, que sempre foi muito útil quando os obstáculos apareciam. Repetir para si mesma “eu sou feliz, eu sou linda, eu sou inteligente, eu sou sábia”, todos os dias pela manhã olhando para o espelho foi uma estratégia adotada muito cedo.

> _“Criar uma visão de quem você quer ser, meditar pensando nisso, repetir sempre e ser realmente confiante de que é possível é muito poderoso”, complementa Hunt._

### **Uma nova rede**

###

Michele encorajou a Taetê (e a mim também, que me senti muito contemplada com a pergunta) a começar uma rede com algumas mulheres que tenham a mesma paixão em ajudar e apoiar mulheres negras, sempre partindo da pergunta: o que mais importa para a gente? Incentivou essa rede a compartilhar histórias de como nós passamos e lidamos com esses desafios difíceis. 

Disse que, estando juntas e vivendo esse mesmo processo, nós talvez tenhamos surpresas pela potencialidade que isso tem.

E no meio de tantos comentários de apreciação, notei que essa rede de apoio a mulheres negras já estava nascendo. Taetê agradeceu pela resposta, eu agradeci pela pergunta e, em um instante de reconhecimento, a filosofia africana UBUNTU nos conectou: Sou o que sou pelo que nós somos.   

### **Para a vida toda**

A maior e mais especial lição que aprendi com Michele Hunt é que para transformar o mundo podemos partir do que é mais importante para nós. 

Assim, movidos por valores, podemos nos conectar em rede e, em torno de um propósito em comum, impulsionar e potencializar as mudanças que desejamos ver no mundo. 

Para finalizar, deixo o [link desse talk com a Michele.](https://www.youtube.com/watch?v=pIpWewL2elE) Quem sabe você volta aqui para me contar o que você também aprendeu com ela? 

_**Dedico esse texto à rede de mulheres pretas do Grupo Anga: Deborah Pavani, Kamilly Oliveira, Julia Gomes, Laura Morais e Luana Smeets, e à Taetê Benedicto.**_

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