Carreira

Mudanças na carreira: “correndo para” ou “correndo de”?

Podemos trocar de função, profissão, ou até mesmo de carreira porque procuramos algo melhor para o futuro, ou, porque estamos fugindo do emprego atual; entenda melhor essa diferença e as implicações dessas escolhas
Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Compartilhar:

Uma das melhores lições sobre recrutamento que recebi veio de uma diretora com a qual trabalhei há alguns anos. Em nossa reunião semanal, comentei sobre um candidato interno que foi entrevistado para o nosso time. Em seguida, ela me perguntou se ele estava “running to or running from”, que pode ser traduzido literalmente como “correndo para ou correndo de”.

Depois que fiz cara da paisagem, ela me explicou que é importante entender a motivação do candidato ao aplicar, se era porque ele realmente estava interessado no que a vaga tem a oferecer e trabalhar em nosso time (correndo para), ou se apenas estava “fugindo” (correndo de) da sua função atual. Achei o conceito brilhante, porque eu mesmo já me peguei nessas duas situações em diferentes momentos da minha carreira, e daria um bom chute de que você, no meio dessa leitura agora, deve estar passando pela mesma situação.

## “Correndo para”

Antes de aprofundarmos o tema, resgato uma lição: qualquer gestor quer candidatos que estão “correndo para” e não apenas se livrando de uma função ou lugar que já não os serve mais.

Lembrei dessa lição quando um amigo querido, diretor de uma empresa de tecnologia, me contou um de seus causos. Um funcionário de outro setor que ele conhecia pouco pediu para tomar um café e falar sobre uma vaga em seu time. Quando ele perguntou ao potencial candidato porque ele tinha interesse pela vaga, o funcionário começou a falar que já estava na função atual há anos, que não tinha muito mais a aprender com o gerente atual. Além disso, o funcionário relatou desmotivação e disse que queria algo novo.

Em seguida, meu amigo perguntou mais uma vez sobre a vaga em si e o interesse do funcionário nela, e a pessoa não tinha feito o básico, como ler a descrição do escopo ou descobrir qualquer informação sobre a função e a área. Era um grande “correndo de” a toda velocidade.

Meu amigo foi bem direto em dar feedback, dizendo que estava mais interessado em saber o motivo para que ele, o funcionário, queria aquela vaga, e não sobre os motivos para sair da função atual. Por fim, ele pediu para o funcionário ler a descrição com atenção e sugeriu conversar com duas pessoas que já exerciam a função, e que poderiam explicar para ele o dia a dia de trabalho. Feito isso, meu amigo pediu para que o funcionário o procurasse para falarem novamente.

## Os perigos do “correndo de”

O nosso primeiro instinto quando não estamos satisfeitos em qualquer dimensão de nossas vidas é procurar algo diferente, o [mesmo vale para nossas carreiras](https://www.revistahsm.com.br/post/employer-branding-e-proposito-alguns-cuidados). É aqui que alguns profissionais cometem o erro de aceitar qualquer oportunidade para se livrar de onde estão.

Recentemente trabalhei com um jovem em minhas sessões de mentoria. Fugindo de uma chefe confusa e um emprego que já não dava mais qualquer satisfação ou muitas oportunidades de crescimento, ele aceitou a primeira oferta que recebeu de outra empresa para se deparar com um diretor ríspido, com o qual não conseguiu encontrar nenhuma afinidade nos três primeiros meses em que estão trabalhando juntos, e com um escopo no dia a dia ainda menos desafiador que o anterior.

Quando indaguei o motivo de ter feito essa mudança sem ter pesquisado um pouco mais sobre a empresa, o futuro líder e principalmente alinhar isso com o que gostaria de fazer, a resposta foi no cerne do que estamos discutindo agora: “eu só queria sair dali o mais rápido possível”.

## As vantagens do “correr para”

Se um dia você se deparar com uma situação parecida, “pare, respire e não pire”. Ao invés de considerar para a mudança somente sua situação atual, faça uma reflexão sobre os motivos da sua insatisfação. Use-os como combustível para mapear que é que você busca e quer. Uma liderança inspiradora? A natureza do trabalho? Falta de motivação?

Depois de refletir bem sobre os motivos que o estão incomodando, aproveite o material para fazer um exercício inverso: o que você realmente quer encontrar em um novo desafio? [Faça, literalmente, uma listinha](https://www.revistahsm.com.br/post/descubra-seus-pontos-cegos-na-carreira-profissional): um líder inspirador, trabalhar na indústria de educação, aprender, desafios, etc.

Essa lista, além de ser o seu norte para alcançar um novo desafio, pode evitar que com que esse ciclo de insatisfação fique se repetindo ao te fazer correr de um lado para o outro, fugindo do fogo. Não corra, mas sim caminhe na direção onde pode encontrar o que está procurando.

Uma boa lição para todos nós: quer partir para uma nova oportunidade? Mostre seu interesse genuíno, diga o que te faria bem, o que pode agregar para o time e faça a lição de casa em descobrir se a oportunidade está alinhada com o que você quer.

Assim, mostre que você está correndo para, não correndo de.

*Gostou do texto do Luciano Santos? Saiba mais sobre gestão de carreira assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Artigos relacionados

O que sustenta uma indústria ao longo do tempo

Em um setor marcado por desafios constantes, este artigo revela por que a verdadeira vantagem competitiva está na capacidade de evoluir com consistência, fortalecer relações e entregar valor sustentável no longo prazo.

Conselhos homogêneos falham em silêncio

Em um mundo de incerteza crescente, manter conselhos homogêneos deixou de ser conforto – passou a ser risco. Este artigo deixa claro que atingir massa crítica de diversidade não é agenda social, é condição para decisões mais robustas e resultados superiores no longo prazo.

A maleabilidade mental como nova vantagem competitiva

Neste artigo, a capacidade de discordar surge como um ativo estratégico: ao ativar a neuroplasticidade, líderes e organizações deixam de apenas reagir ao novo e passam a construir transformação real, sustentada por pensamento crítico, consistência e integridade cognitiva.

Gestão empresarial entra em uma nova era com Reforma Tributária e IA

Ao colocar lado a lado a Reforma Tributária e o avanço da inteligência artificial, este artigo mostra por que a gestão empresarial no Brasil entrou em um novo patamar – no qual decisões em tempo real, dados integrados e precisão operacional deixam de ser vantagem e passam a ser condição de sobrevivência.

Paralisia executiva: O paradoxo da escolha na era da IA ilimitada

Em vez de acelerar a inovação, o excesso de opções em inteligência artificial está paralisando líderes. Este artigo mostra por que a indecisão virou risco estratégico – e apresenta um caminho prático para escolher, implementar e capturar valor antes que seja tarde.

Inovação & estratégia
9 de maio de 2026 15H00
Em um setor marcado por desafios constantes, este artigo revela por que a verdadeira vantagem competitiva está na capacidade de evoluir com consistência, fortalecer relações e entregar valor sustentável no longo prazo.

Rodrigo M. Bortolini - Diretor-presidente da Selgron

5 minutos min de leitura
ESG, Liderança
9 de maio de 2026 09H00
Em um mundo de incerteza crescente, manter conselhos homogêneos deixou de ser conforto - passou a ser risco. Este artigo deixa claro que atingir massa crítica de diversidade não é agenda social, é condição para decisões mais robustas e resultados superiores no longo prazo.

Anna Guimarães - Presidente do Conselho Consultivo do 30% Club Brasil, conselheira e ex-CEO.

5 minutos min de leitura
Lifelong learning
8 de maio de 2026 08H00
Neste artigo, a capacidade de discordar surge como um ativo estratégico: ao ativar a neuroplasticidade, líderes e organizações deixam de apenas reagir ao novo e passam a construir transformação real, sustentada por pensamento crítico, consistência e integridade cognitiva.

Andre Cruz - Founder da Neura.cx

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
8 de maio de 2026 07H00
Ao colocar lado a lado a Reforma Tributária e o avanço da inteligência artificial, este artigo mostra por que a gestão empresarial no Brasil entrou em um novo patamar - no qual decisões em tempo real, dados integrados e precisão operacional deixam de ser vantagem e passam a ser condição de sobrevivência.

Odair Benke - Gestor de operações com o mercado na WK.

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de maio de 2026 15H00
Este artigo mostra por que a inteligência artificial está deslocando o foco da gestão do tempo para o desenho inteligente do trabalho - e como simplificar processos, em vez de acelerá‑los, se tornou a nova vantagem competitiva.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de maio de 2026 08H00
Em vez de acelerar a inovação, o excesso de opções em inteligência artificial está paralisando líderes. Este artigo mostra por que a indecisão virou risco estratégico - e apresenta um caminho prático para escolher, implementar e capturar valor antes que seja tarde.

Osvaldo Aranha - Empresário, palestrante e mentor em Inteligência Artificial, Inovação e Futuro do Trabalho

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
6 de maio de 2026 15H00
Depois de organizar clientes, operações e dados, falta às empresas organizar a si mesmas. Este artigo apresenta o One Corporate Center como a próxima fronteira competitiva.

Edson Alves - CEO da Ikatec

3 minutos min de leitura
Liderança
6 de maio de 2026 08H00
Este artigo mostra que quando cinco gerações convivem nas empresas e nas famílias, a liderança deixa de ser apenas um papel corporativo e passa a exigir coerência, empatia e presença em todos os espaços da vida.

Ale Carreiro - Empresário, Fundador e Diretor Comercial da EBEC - Empresa Brasileira de Educação Corporativa

13 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de maio de 2026 14H00
Com crescimento acelerado na contratação internacional e um fluxo cada vez mais bidirecional de talentos, o Brasil deixa de ser apenas exportador de profissionais e passa a se consolidar como um hub global de inteligência artificial - conectado às principais redes de inovação do mundo.

Michelle Cascardo - Gerente de vendas para América Latina da Deel

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
5 de maio de 2026 08H00
Diversidade amplia repertório, mas também multiplica complexidade. Este artigo mostra por que equipes diversas só performam quando há uma arquitetura clara de decisão, comunicação e gestão de conflitos - e como a falta desse sistema transforma inclusão em ruído operacional e perda de velocidade competitiva.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão