Diversidade, ESG

Museus acessíveis: abrindo portas para a inclusão e diversidade

Apesar dos desafios de acessibilidade, a crescente conscientização e esforços por inclusão estão transformando museus em espaços mais acolhedores e equitativos para todos os visitantes.
É CEO da REIS - Rede Empresarial de Inclusão Social, Sócio da Egalite, Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro e docente dos MBAs de Recursos Humanos da FGV além de professor convidado da FDC, Escola Aberje de Comunicação e IEP-Hospital Sírio Libanês. Djalma é psicologo, pai da Aurora e especialista em diversidade, equidade e inclusão, passou por multinacionais no varejo (Walmart), serviços (Sodexo) e EY) e indústria (Vivo), liderando cases de sucesso em diversidade. O executivo construiu um dos maiores case de inclusão de pessoas com deficiência do país e é reconhecido como #1 em empregabilidade de pessoas com deficiência no capítulo brasileiro da Global Business Disability Network (OIT/ONU).

Compartilhar:

Como pessoa com deficiência com mobilidade reduzida, visitar museus sempre foi um desafio. Muitas vezes, me deparo antes mesmo de entrar com profissionais de segurança, estacionamento que não possuem o letramento necessário para garantir o acesso próximo à entrada, previsto em lei.

Depois, barreiras arquitetônicas, que me impedem de acessar plenamente as exposições e atividades, falta de cadeira de rodas, falta de treinamento dos orientadores de público, rampas íngremes, elevadores em mau estado ou inexistentes e banheiros inadequados ou fora de funcionamento são apenas alguns dos obstáculos enfrentados ao planejar uma saída.

Ainda assim, embora tenha mobilidade reduzida, um pouco de resiliência e uma pitada de insurgência sempre me levaram aonde eu queria estar e, nos últimos anos, mais uma pitada de consciência, me coloca no lugar de segurança de exigir meus direitos.

Apesar dos desafios, sempre tive um grande interesse por cultura, línguas e história. Como as pessoas se comportam, sempre foi um objeto de estudo e, antes mesmo de me tornar psicólogo, refletia sobre o que elas pensam, o que esperam e o mais importante: como mudamos comportamentos. Essa última, tem sido uma das forças motrizes do meu trabalho, tanto como consultor em inclusão na Egalite, como à frente da REIS, sendo o número 1 de inclusão de profissionais com deficiência para a OIT/ONU.

A arte e o conhecimento me fascinavam, e eu pensava em explorar museus como um caminho para me conectar com o passado, e aprender não só sobre os movimentos artísticos mas o que as pessoas pensavam, como se comportavam à época e, qual era a função daquela obra naquele momento histórico.

No entanto, a falta de acessibilidade me frustrava e me fazia questionar se eu realmente queria estar nestes espaços pelo esforço descomunal para estar alí. E mais ainda, me fez questionar muitas vezes, arte para quem? Afinal, não pensaram e, alguns locais seguem não pensando em pessoas com deficiência, nem como público, nem como consumidores e, muito menos como artistas.

Felizmente, nos últimos anos, tenho observado um movimento crescente em prol da acessibilidade em museus. Cada vez mais instituições estão reconhecendo a importância de eliminar barreiras e criar ambientes inclusivos para todos os visitantes.

O Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus (ICOM Brasil), recentemente se posicionou publicamente sobre o desrespeito com a concepção da funcionalidade dos Museus e, fez uma carta aberta onde cito um trecho: “Um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos e ao serviço da sociedade que pesquisa, coleciona, conserva, interpreta e expõe o patrimônio material e imaterial. Abertos ao público, acessíveis e inclusivos, os museus fomentam a diversidade e a sustentabilidade.

Com a participação das comunidades, os museus funcionam e comunicam de forma ética e profissional, proporcionando experiências diversas para educação, fruição, reflexão e partilha de conhecimentos”.

E há muitos anos, os Museus têm também a função não apenas de colecionar, conservar e expor obras de todos os movimentos, como também de revelar futuros artistas, dialogar com a contemporaneidade e, provocar também a partir de uma curadoria potente, reflexões dos nossos comportamentos na sociedade.

Recentemente, tive a oportunidade de visitar o Museu de Arte Contemporânea do Chile, por ocasião do Encontro das Redes Nacionais de Inclusão da OIT, onde tive uma experiência diametralmente oposta ao MAC/USP, que há 12 anos ocupa um belíssimo prédio projetado na década de 50 por Niemeyer. Não havia elevadores na porta, sem treinamento e, ao perguntar: “Tem cadeira de rodas?” Ouvi a resposta que não tinha.

Ao insistir em como eu faria a visita, ouvi “Não sei. Você tem que me dizer”. Trago essa situação para pensarmos que temos sim, muito a avançar no Brasil, mas minha experiência no MAC/USP foi completamente diferente que me permitiu me locomover livremente e aproveitar ao máximo a minha visita.

Mas a acessibilidade vai além das barreiras físicas. O museu também precisa oferecer audiodescrição para pessoas com deficiência visual, tradução em Libras para pessoas com deficiência auditiva e programas educativos específicos e de recepção para pessoas com deficiência intelectual e atípicas. Desde a curadoria e, montagem e pensar o espaço expositivo, é necessário pensarmos na experiência de pessoas com deficiência, com mobilidade reduzida e crianças com e sem deficiência. Na última Bienal em São Paulo, tinham cadeiras, algumas quebradas, bombeiros despreparados e, sem pensar a experiência para todos, vi mais as costas dos demais visitantes do que consegui ler as fichas técnicas das obras.

Todas as pessoas precisam se sentir acolhidas e incluídas em um museu e qualquer outro espaço público de cultura. A equipe precisa estar preparada para atender às diferentes necessidades acima de tudo fazer o público se sentir parte da comunidade. A experiência inclusiva, pode ser transformadora e vislumbro um futuro onde todos os museus sejam acessíveis a todos. A acessibilidade em museus não é apenas uma questão de cumprir leis ou normas, mas sim de construir espaços públicos mais equitativos, inclusivos e democráticos.

Ao abrir suas portas para todos, os museus se tornam agentes transformadores da sociedade, promovendo a educação, a cultura e a cidadania, onde cada indivíduo através da fruição, deleite e reflexão, tem a possibilidade de expansão de consciência.

Por fim, convido os líderes empresariais e tomadores de decisão a se juntarem à luta pela acessibilidade em espaços de cultura como museus, cinemas, parques e outros espaços públicos ou privados. Investir em inclusão é investir em um futuro mais justo e humanizado para todos.

Compartilhar:

É CEO da REIS - Rede Empresarial de Inclusão Social, Sócio da Egalite, Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro e docente dos MBAs de Recursos Humanos da FGV além de professor convidado da FDC, Escola Aberje de Comunicação e IEP-Hospital Sírio Libanês. Djalma é psicologo, pai da Aurora e especialista em diversidade, equidade e inclusão, passou por multinacionais no varejo (Walmart), serviços (Sodexo) e EY) e indústria (Vivo), liderando cases de sucesso em diversidade. O executivo construiu um dos maiores case de inclusão de pessoas com deficiência do país e é reconhecido como #1 em empregabilidade de pessoas com deficiência no capítulo brasileiro da Global Business Disability Network (OIT/ONU).

Artigos relacionados

A era do “AI theater”: estamos fingindo transformação?

Nem toda empresa que fala de IA está, de fato, se transformando. Este artigo expõe o risco do AI theater – quando a inteligência artificial vira espetáculo – e mostra por que a vantagem competitiva está menos no discurso e mais nas mudanças invisíveis de estratégia, governança e decisão.

Parte III – APIs sociotécnicas versus malwares mentais… e como recuperar a soberania imaginal

Este é o terceiro texto da série “Como promptar a realidade”. Até aqui, as duas primeiras partes mapearam o mecanismo: como contextos são instalados, como narrativas disputam processamento e como ficções ganham densidade de real. A partir daqui, a pergunta muda: o que fazer com esse conhecimento? Como reconhecer quando você está sendo instalado – e como instalar, conscientemente, o prompt que você escolhe?

O esporte que você ama mudou – e isso é uma ótima notícia

Do vestiário aos dados, o esporte entrou em uma nova era. Este artigo mostra como tecnologia, ciência e informação estão redefinindo decisões, performance, engajamento de torcedores e modelos de receita – sem substituir a emoção que faz o jogo ser o que é

Parte II – Hyperstition: a tecitura ficcional da realidade

Este é o segundo artigo da série “Como promptar a realidade” e investiga como ficções, ao entrarem em loops de feedback, deixam de descrever o mundo para disputar ontologia – reorganizando mercados, política, tecnologia e comportamento antes mesmo de qualquer evidência.

Como promptar a realidade

Este é o primeiro artigo de uma série em quatro partes que propõe uma microtese sobre futuros que disputam processamento – e investiga o papel insuspeito de memes, programação preditiva, hyperstition, cura de traumas, strategic foresight e soberania imaginal no ciclo de inovação que já começou.

Tecnologia & inteligencia artificial
17 de abril de 2026 15H00
Nem toda empresa que fala de IA está, de fato, se transformando. Este artigo expõe o risco do AI theater - quando a inteligência artificial vira espetáculo - e mostra por que a vantagem competitiva está menos no discurso e mais nas mudanças invisíveis de estratégia, governança e decisão.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Foresight
17 de abril de 2026 09H00
Este é o terceiro texto da série "Como promptar a realidade". Até aqui, as duas primeiras partes mapearam o mecanismo: como contextos são instalados, como narrativas disputam processamento e como ficções ganham densidade de real. A partir daqui, a pergunta muda: o que fazer com esse conhecimento? Como reconhecer quando você está sendo instalado - e como instalar, conscientemente, o prompt que você escolhe?

Chico Araújo - Diretor Executivo do Instituto Inteligência Artificial de Verdade (IAV), cofundador do The Long Game Futures. e Global Expert da Singularity University.

11 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
16 de abril de 2026 14H00
Do vestiário aos dados, o esporte entrou em uma nova era. Este artigo mostra como tecnologia, ciência e informação estão redefinindo decisões, performance, engajamento de torcedores e modelos de receita - sem substituir a emoção que faz o jogo ser o que é

Marcos Ráyol - CTO do Lance!

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Foresight
16 de abril de 2026 09H00
Este é o segundo artigo da série "Como promptar a realidade" e investiga como ficções, ao entrarem em loops de feedback, deixam de descrever o mundo para disputar ontologia - reorganizando mercados, política, tecnologia e comportamento antes mesmo de qualquer evidência.

Chico Araújo - Diretor Executivo do Instituto Inteligência Artificial de Verdade (IAV), cofundador do The Long Game Futures. e Global Expert da Singularity University

13 minutos min de leitura
Liderança
15 de abril de 2026 17H00
Se liderar ainda é, para você, dar respostas e controlar processos, este artigo não é confortável. Liderança criativa começa quando o líder troca certezas por perguntas e controle por confiança.

Clarissa Almeida - Head de RH da Yank Solutions

2 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Foresight, Tecnologia & inteligencia artificial
15 de abril de 2026 08H00
Este é o primeiro artigo de uma série em quatro partes que propõe uma microtese sobre futuros que disputam processamento - e investiga o papel insuspeito de memes, programação preditiva, hyperstition, cura de traumas, strategic foresight e soberania imaginal no ciclo de inovação que já começou.

Chico Araújo - Diretor Executivo do Instituto Inteligência Artificial de Verdade (IAV), cofundador do The Long Game Futures. e Global Expert da Singularity University

23 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
14 de abril de 2026 18H00
Este artigo propõe analisar como a combinação entre pressão por velocidade, talento autónomo e uso não estruturado de AI pode deslocar a execução para fora dos sistemas formais- introduzindo riscos que não são imediatamente visíveis nos indicadores tradicionais.

Marta Ferreira

4 minutos min de leitura
Liderança
14 de abril de 2026 14H00
Este é o primeiro artigo da nova coluna "Liderança & Aikidô" e neste texto inaugural, Kei Izawa mostra por que os líderes mais eficazes deixam de operar pela lógica do confronto e passam a construir vantagem estratégica por meio da harmonia, da não resistência, da gestão de conflitos e de decisões sem ego em ambientes de alta complexidade.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

7 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
14 de abril de 2026 07H00
Com a ascensão dos agentes de IA, nos deparamos com uma profunda mudança no papel do designer, de executor para curador, estrategista e catalisador de experiências complexas. A discussão de UX evolui para o território do AX (Agent Experience), onde o foco deixa de ser somente a interação humano-máquina em interfaces e passa a considerar como agentes autônomos agem, decidem e colaboram com pessoas em sistemas inteligentes

Victor Ximenes - Senior Design Manager do CESAR

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
13 de abril de 2026 14H00
A aceleração da destruição criativa deixou de ser um conceito abstrato e passou a atravessar o cotidiano profissional, exigindo menos apego à estabilidade e mais capacidade de adaptação, recombinação e reinvenção contínua.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...