Diversidade

Não contrate o candidato perfeito

Você quer contratar o candidato perfeito. E é para isso que estou aqui, escrevendo este artigo e estreando esta coluna. Certo? Errado!
CEO da Amrop INNITI, Board Member, Lifelong Learner, Anticarreirista

Compartilhar:

Candidato perfeito só em eleição para presidente, governador e prefeito. E já sabemos o que acontece quando esse candidato perfeito senta na cadeira após eleito.

Então vamos combinar que o que você quer é contratar a pessoa que vai performar melhor na função. Eu também. Portanto, é preciso tomar cuidado com o falso negativo e o falso positivo. 

Estamos acostumados a falar sobre falso positivo e falso negativo quando fazemos algum exame de saúde. Ambos são muito ruins. O que esperamos é que os exames sejam precisos.

> Você também pode se interessar pelo conteúdo abaixo:
> [Entenda seu grande potencial](https://revistahsm.com.br/post/entenda-seu-grande-potencial)

Para contratações, isso também é uma necessidade. O mais comum é querermos contratar o candidato perfeito, ou seja, aquele que vai melhor na entrevista.

Porém, minha experiência me mostra que nunca, em lugar nenhum do mundo, a função de uma pessoa em uma organização é passar o dia sendo entrevistado sobre sua carreira.

Imagino você se perguntando: Joseph, como isso se aplica ao processo de contratação? Explico.

**Falso positivo:** a pessoa que vai melhor na entrevista é contratada, mas não é ela que fará melhor o trabalho. Em muitos casos, nos primeiros dias você já percebe que cometeu um erro. Não preciso nem dar exemplo aqui, todos nós que contratamos já passamos por isso.  Há que se evitar o falso positivo a todo custo, são raras as pessoas e empresas que conseguem tomar uma rápida decisão de demitir.

**Falso negativo:** a pessoa vai mal na entrevista, e você prefere não contratar. Porém ela tem as competências e a motivação para fazer o trabalho muito bem. Deixar de contratar essa pessoa é um problemão. O falso negativo parece menos grave pois você não terá imediatamente alguém atrapalhando sua organização. Na verdade, é bem grave pois além de não ter contratado a pessoa correta, você pode acabar contratando alguém que te encantou, mas que vai te gerar muito problema. A cereja do bolo: o falso negativo vai continuar trabalhando nos seus concorrentes ou pode ser contratado por um deles.

Trago um caso real recente. Busca de um Diretor de RH para um de nossos clientes.  Entrevistamos uma pessoa que foi muito mal na entrevista. Perguntávamos A e ela respondia B. Pedíamos para que falasse de resultados concretos e a pessoa se perdia.

O curioso é que a entrevista conflitou com o currículo dessa pessoa, e também com as referências que tínhamos recebido.

O caminho mais fácil seria descartá-la e mandar o candidato perfeito para a etapa final. Assim o cliente entrevistaria o Superman ou a Mulher Maravilha e não teria dúvidas.

Mas fizemos diferente. Ligamos novamente para o candidato. Explicamos que, apesar de ser de RH, portanto em tese acostumado com processos seletivos, não tinha ido bem na entrevista. Demos alguns exemplos do porquê para ilustrar e propusemos um novo bate-papo, que foi um pouco melhor.

Avisamos o cliente que essa pessoa não era boa de entrevista, porém o trabalho a ser feito era bem complexo, o que exigia diferentes competências e experiências raras de se encontrar em uma pessoa. E ela tinha todas.

Resultado: a pessoa foi contratada e já está lá há um bom tempo dando resultado, e feliz.

Quer evitar o falso positivo e o falso negativo? Tenho seis sugestões pra você: 

1. **Mantenha os vieses fora da sala.** A tentação de simpatizar com um candidato que se formou na mesma universidade que você, que possui interesses parecidos com os seus, ou que parece com alguém que você conhece e gosta é enorme. Já passou por isso?

2. **Faça entrevistas estruturadas.** Mesmas perguntas para todas as pessoas. Assim você garante que, ao final do processo, você conseguirá comparar laranja com laranja, competência com competência. Onde você trabalha, é assim que funciona?

3. **Escute o que é dito.** **E também o que não é dito**. Quanto mais experiência você tiver com contratações e com o mercado de trabalho, maior a probabilidade de pegar contradições – algumas delas até involuntárias. Você presta atenção no que não é dito?

4. **Busque referências, sempre.** Entre em contato com ex-colegas ou ex-líderes e, além de ouvir informações sobre pontos positivos, preste real atenção nos pontos de desenvolvimento. Você torce para as referências serem todas boas, ou vai um nível adiante?

5. **Lembre-se que ninguém é perfeito.** Identifique os gaps dos candidatos via entrevista e referencias e busque entender se eles realmente são imprescindíveis para a performance. Você é perfeito/perfeita?

6. **Avalie o avaliador.** Meça a performance de quem foi contratado e tenha a prática de cruzar com as avaliações de quem participou do processo. Você rankeia os seus avaliadores? Já tirou algum deles do processo?

É um prazer e uma honra fazer parte do time de colunistas da HSM. Nos vemos no mês que vem para um novo artigo da Coluna Headhunter Sincero!

Compartilhar:

Artigos relacionados

IA como álibi das decisões não pensadas

Será que as empresas, focando a agilidade das entregas com assistência de inteligência artificial, deixaram em segundo plano a qualidade do raciocínio? E quais são os riscos disso?

O problema não começa no canteiro. Só fica visível nele.

Atrasos, mudanças de escopo e disputas contratuais costumam ser tratados como falhas da execução. O artigo argumenta que, na maioria dos casos, os conflitos já estavam contratados desde o início, em escopos incompletos, riscos mal distribuídos e orçamentos desconectados da realidade do projeto.

Executivos estão estudando contabilidade para chegar ao C-level. Eu fiz o caminho inverso.

O artigo reflete sobre a evolução da carreira financeira e sobre o papel da contabilidade como ferramenta de gestão, mostrando que lucro, sozinho, raramente conta a história completa de uma empresa. Mais do que interpretar demonstrações financeiras, entender balanços, fluxo de caixa e capital de giro tornou-se uma competência essencial para líderes que desejam crescer de forma sustentável, tomar decisões mais consistentes e enxergar riscos e oportunidades antes que eles apareçam nos resultados.

Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
4 de novembro de 2026 14H00
Mais do que decidir quanto automatizar, líderes e organizações precisarão aprender a desenhar processos que combinem criatividade, julgamento, validação e execução para gerar resultados melhores do que aqueles que humanos ou máquinas seriam capazes de produzir isoladamente.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

16 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de novembro de 2026
Será que as empresas, focando a agilidade das entregas com assistência de inteligência artificial, deixaram em segundo plano a qualidade do raciocínio? E quais são os riscos disso?

Camila Besseler - Fundadora e CEO da mCMOs, ecossistema para mulheres da alta liderança em marketing, growth e receita. Tem 25 anos de experiência na interseção entre estratégia, marca, dados e receita, com passagens por Grupo Tigre e CI&T. Estuda sistemas — o marketing é um deles — e escreve sobre estratégia, mercado e melhores decisões.

0 min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
4 de novembro de 2026 08H00
Atrasos, mudanças de escopo e disputas contratuais costumam ser tratados como falhas da execução. O artigo argumenta que, na maioria dos casos, os conflitos já estavam contratados desde o início, em escopos incompletos, riscos mal distribuídos e orçamentos desconectados da realidade do projeto.

Nayron Russo - Advogado e sócio do escritório Aroeira Salles

4 minutos min de leitura
Liderança
3 de novembro de 2026 14H00
O artigo reflete sobre a evolução da carreira financeira e sobre o papel da contabilidade como ferramenta de gestão, mostrando que lucro, sozinho, raramente conta a história completa de uma empresa. Mais do que interpretar demonstrações financeiras, entender balanços, fluxo de caixa e capital de giro tornou-se uma competência essencial para líderes que desejam crescer de forma sustentável, tomar decisões mais consistentes e enxergar riscos e oportunidades antes que eles apareçam nos resultados.

Darcio Zarpellon - Diretor Financeiro (CFO) e membro certificado do Conselho de Administração (CCA-IBGC | CFO-BR IBEF)

6 minutos min de leitura
ESG
3 de novembro de 2026 08H00
Velocidade, por si só, não garante melhores decisões. A partir das recentes mudanças nos processos normativos da CVM, o artigo propõe uma reflexão sobre os desafios de conciliar eficiência, excelência técnica e diversidade de perspectivas na construção regulatória.

Renata Oliva Battiferro - Diretora Executiva e Head do Investors Group do 30% Club Brazil

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
2 de novembro de 2026 15H00
Dados não estruturados, documentos físicos e processos legados impactam a adoção da IA e por que a automação inteligente se tornou uma peça-chave dessa transformação. O texto explora por que a preparação dos dados pode ser mais importante do que a própria tecnologia.

Alexandre Cardoso - Business Development Manager da Ricoh LATAM

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
2 de novembro de 2026 08H00
O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

Ricardo Moraes - Sócio-líder de segurança cibernética e Daniel Pacheco - Sócio-líder de consultoria em tecnologia da KPMG no Brasil

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
1º de novembro de 2026 15H00
O mercado de saúde vive um novo ciclo de fusões e aquisições impulsionado pela busca por capacidades estratégicas já consolidadas. O texto mostra como infraestrutura, conhecimento regulatório, tecnologia e acesso a clientes estão se tornando ativos cada vez mais valiosos para empresas que precisam acelerar sua expansão.

Sergio Luconi - Sócio-diretor da Zaxo M&A Partners

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
1º de novembro de 2026 08H00
O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

José Roberto Meirelles - Sócio da área de mercado de capitais e fundos de investimento do Silveiro Advogados

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Liderança
31 de outubro de 2026 15H00
A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

André Naves - Defensor Público Regional de Direitos Humanos em SP, Comendador Cultural, Escritor e Professor

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

CAPA_HSM_30_ANOS-1_pages-to-jpg-0001

Acesse agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #175

EDIÇÃO ESPECIAL DE 30 ANOS DA HSM MANAGEMENT