Carreira

Não terceirize a sua carreira

Não espere que alguém seja empático a ponto tirar você e sua carreira da estagnação. Apesar das inúmeras variáveis, você é o único responsável pela sua trajetória profissional
Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Compartilhar:

“Luciano, estou há três anos na empresa sem nenhuma perspectiva de mudança. Eles não têm plano de carreira ou oferecem qualquer oportunidade de crescimento. O que fazer?”

É bem comum eu receber a questão acima dos meus leitores, vejo algo igual ou parecido quase todas as semanas. Crescer em nossas carreiras é normal e saudável. Aprendemos que temos que fazer esse trajeto. É o que nos motiva e traz uma sensação boa sobre como estamos evoluindo. Quando isso acontece, saímos da tal zona de conforto e, na maioria das vezes, somos jogados em um terreno desconhecido onde o aprendizado e novas experiências acontecem. É lá que nós queremos estar.

Entretanto, às vezes isso pode demorar ou não acontecer da forma que imaginamos. Quando ficamos estagnados, para usar as palavras do próprio leitor, é preciso ter ação e um plano para voltar aos trilhos. É aqui que vejo muita confusão. Afinal, quem é responsável pela minha carreira? Eu, meu chefe ou a empresa? A resposta vai ser curta e grossa: você e mais ninguém.

Sim, eu sei, em um mundo ideal todas as empresas teriam bons planos de carreira, transparência no processo, suporte pleno do time de recursos humanos e um grupo de liderança bem treinado para guiar os times na direção do crescimento. Infelizmente isso existe na maioria das empresas, é a realidade do nosso mercado.

Quando nos vemos nessa situação, é nossa a responsabilidade t[omar as rédeas de nossa carreira](https://www.revistahsm.com.br/post/como-equilibrar-desempenho-e-autocuidado-na-carreira) e fazer com que ela vá à direção correta. O contrário disso é ficar passivamente esperando, sabe-se lá quantos anos a mais, para que alguém venha ao resgate e tire você da apatia profissional. Espere sentado, isso não vai acontecer.

## Mexa-se!

Quando recebo esse questionamento, faço a minha clássica pergunta: o que você está fazendo a respeito disso? Geralmente as respostas são bem similares, e variam entre nada e quase nada. Se o emprego que você está não te oferece o que gostaria para o futuro de sua carreira, [você é responsável por mudar essa situação](https://www.revistahsm.com.br/post/os-tres-pilares-da-empregabilidade).

Lembro de um dos primeiros empregos que eu tive, em uma transportadora de valores. No começo dos meus vinte e poucos anos, eu trabalhava como assistente de vendas e adorava estar naquele mundo de planilhas, terno e gravata, ligações para clientes, problemas de todos os tipos a cada minuto. No dia a dia, sentia que eu gerava valor para os que estavam ao meu redor. Eu amava aquele ambiente.

Um dia, por causa de uma reorganização, a minha função foi encerrada e tive a opção de ir para a parte logística, longe dos escritórios que tanto curtia. Eu tinha duas opções: __(1)__ ficar e fazer algo que eu não gostava ou __(2)__ procurar uma nova oportunidade.

Escolhi a segunda opção. Sim, eu sei, nem todos têm o privilégio de sair de um emprego sem ter outro à vista e arriscar ficar algum tempo parado. Se esse for o seu caso – era o meu, mas arrisquei assim mesmo – comece a construir sua próxima oportunidade ainda trabalhando no seu emprego atual.
Faça cursos, estude inglês, comece a aplicar para alguns processos seletivos para testar sua empregabilidade e coloque energia e intenção na mudança. Acredito que o maior obstáculo para o nosso crescimento profissional não é a falta de oportunidade do local onde trabalhamos, mas a falta de nossa própria ação em criar a mudança quando essa é a realidade.

Quero fechar essa reflexão com a minha frase de abertura: não terceirize sua carreira. E, como diz o escritor Paulo Vieira, “tem poder quem age”. E você, já está agindo?

*Gostou do texto do Luciano Santos? Saiba mais sobre gestão de carreira assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Artigos relacionados

Confiança demais, conhecimento de menos

Pior do que não saber é achar que já sabe. Este artigo expõe um risco silencioso nas organizações: não é a falta de conhecimento que mais compromete decisões, mas a combinação perigosa entre entendimento superficial e confiança excessiva.

Quando a inteligência fica barata, o seu modelo de negócio entra em risco

Dentro dos bilhões investidos em IA existe uma única aposta: a de que a inteligência vai deixar de ser escassa. Se ela se confirmar, não vai apenas cortar os seus custos. Vai dissolver os fossos competitivos sobre os quais as partes mais lucrativas da sua empresa foram construídas, muitas vezes sem ninguém perceber.

Quando o feed não sustenta a reputação

Em um mundo onde a presença digital se estende para além das redes sociais, este artigo mostra que a reputação de um líder não é construída pelo que ele publica, mas pela coerência entre discurso, comportamento e cada interação do dia a dia.

O mercado não paga esforço

Este artigo provoca uma reflexão central: não é o quanto se trabalha que sustenta uma carreira, mas a capacidade de transformar trabalho em valor e impacto real.

Lifelong learning
10 de junho de 2026 17H00
Pior do que não saber é achar que já sabe. Este artigo expõe um risco silencioso nas organizações: não é a falta de conhecimento que mais compromete decisões, mas a combinação perigosa entre entendimento superficial e confiança excessiva.

Jorge Inafuco - Consultor e Palestrante da HSM, Sociólogo, Professor de MBAs, Conselheiro e Mentor

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de junho de 2026 08H00
Dentro dos bilhões investidos em IA existe uma única aposta: a de que a inteligência vai deixar de ser escassa. Se ela se confirmar, não vai apenas cortar os seus custos. Vai dissolver os fossos competitivos sobre os quais as partes mais lucrativas da sua empresa foram construídas, muitas vezes sem ninguém perceber.

Átila Persici Filho - COO da Bolder, Professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação

8 minutos min de leitura
Marketing
9 de junho de 2026 18H00
Em um mundo onde a presença digital se estende para além das redes sociais, este artigo mostra que a reputação de um líder não é construída pelo que ele publica, mas pela coerência entre discurso, comportamento e cada interação do dia a dia.

Bruna Lopes de Barros

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Cultura organizacional
9 de junho de 2026 09H00
Nunca tivemos tanto acesso à informação. E, paradoxalmente, nunca foi tão difícil saber o que está realmente acontecendo.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
8 de junho de 2026 16H00
Este artigo mostra por que a inteligência artificial está deslocando o centro da competitividade das empresas, da tecnologia para a qualidade do pensamento organizacional.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
8 de junho de 2026 09H00
Este artigo provoca uma reflexão central: não é o quanto se trabalha que sustenta uma carreira, mas a capacidade de transformar trabalho em valor e impacto real.

Roberto Vilela - Consultor empresarial, estrategista de negócios, escritor e palestrante

2 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de junho de 2026 13H00
Se líderes continuam aprendendo, por que continuam não evoluindo? A resposta pode estar na forma como treinamos - e no que deixamos de medir.

Alexandre Santille - Fundador e Sócio da teya

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de junho de 2026 08H00
Este artigo mostra como falhas operacionais e desintegração de sistemas ainda geram perdas bilionárias - e por que a inteligência artificial pode transformar a eficiência em vantagem estratégica no setor elétrico.

Gilson Paulillo - Diretor comercial da Pagar

2 minutos min de leitura
Carreira, Cultura organizacional, Gestão de pessoas
A longevidade deixou de ser apenas um dado demográfico para se tornar questão de governança

Fran Winandy

0 min de leitura
Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de junho de 2026 13H00
Quando bem interpretados, os sinais do comportamento das equipes deixam de ser rotina e passam a revelar o que realmente sustenta performance, engajamento e resultado.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão