Uncategorized

Neurocientista ensina como estabelecer – e cumprir – metas para 2020

Compartilhar:

Todo começo de ano é igual: as pessoas elaboram metas, fazem planos, refletem sobre o que viveram e decidem sobre o que precisam melhorar para o próximo ano. Nessa época, é comum propormos a nós mesmos trocar hábitos negativos por positivos. Entre os campeões da lista estão:

1. Parar de fumar;

2. Começar a fazer exercícios;

3.  Emagrecer;

4. Estudar um novo idioma… 

Mas, de repente, já é carnaval e essas promessas ficam esquecidas.

Para falar sobre o assunto, convidamos Thaís Gameiro, neurocientista da UFRJ e sócia da Nêmesis, empresa que oferece assessoria e educação corporativa na área de Neurociência Organizacional.

Abaixo, ela esclarece algumas dúvidas. 

#### 1. Existe alguma explicação aceita na neurociência sobre por que é tão difícil cumprir metas e objetivos – mesmo quando são para coisas que desejamos e queremos?

Nossas metas e objetivos (pessoais ou profissionais) normalmente envolvem conquistas ou desfechos que ocorrerão no futuro. Ou seja, na maioria das vezes precisamos adotar comportamentos ou fazer esforços no presente para conquistar resultados que só poderão ser vistos ou mensurados no longo prazo. 

Esse costuma ser o principal fator de dificuldade, uma vez que nossa **capacidade de enxergar os benefícios de longo prazo é mais limitada.** Somos mais sensíveis a recompensas e respostas imediatas, mais tangíveis e fáceis de serem percebidas pelo cérebro como algo concreto. 

Quando precisamos enxergar benefícios que só ocorrem no futuro, ficamos vulneráveis a perder o foco do objetivo principal por conta de distrações que oferecem recompensas imediatas, mas que muitas vezes nos afastam da meta desejada. 

Esse fenômeno é conhecido como viés do presente. Um exemplo clássico é a dieta. Queremos emagrecer para ter mais saúde e também para ter um corpo mais bonito, sabemos o que é preciso fazer em termos de alimentação, mas o benefício de comer mais legumes, frutas e verduras só aparece após alguns meses de esforço e determinação. Nesse meio tempo, é comum escolhermos um chocolate, sorvete ou pizza, que sem dúvida, oferecem benefícios imediatos, mas nos desviam do nosso objetivo final!

#### 2. Algumas teorias defendem que temos tendência a nos dedicarmos mais a um objetivo quando sentimos que estamos próximo de conquistá-lo. Na sua opinião, podemos usar isso a nosso favor na hora de planejar as metas?

Sem dúvida uma das formas mais eficientes de alcançar uma meta maior, de longo prazo, é quebrá-la em **pequenas metas mais tangíveis** e fáceis de serem cumpridas imediatamente. Precisamos de feedback imediato para ajustar nosso comportamento e tomada de decisão. Sem feedback, o cérebro fica perdido e acaba tomando atitudes mais impulsivas e baseadas em estimativas abstratas e pouco precisas. 

Por isso, quando definimos metas mais simples, de fácil execução e que nos permite acompanhar nosso progresso de maneira mais rápida, temos a sensação de que estamos conseguindo e que o esforço está sendo recompensado. São estas pequenas vitórias que aumentam a motivação do indivíduo para persistir, tornando mais provável que a meta principal seja alcançada.

#### 3. Que conselhos você daria para estabelecermos metas de uma forma que aumente nossas chances de conquistá-las?

Além de dividir seus objetivos em metas mais simples e fáceis de serem alcançadas no curto prazo, para dar a noção de progresso e pequenas conquistas, é importante traçar objetivos claros, que incluam quando, onde e com quem serão executados. 

Se você quer praticar atividade física em 2019, por exemplo, precisa estabelecer um horário específico, dias da semana, qual modalidade e se irá sozinho ou em grupo. **Todos os detalhes devem ser pensados e especificados.**

Outra dica importante é que os objetivos precisam ser **mensuráveis**, ou seja, é preciso ter um feedback se aquela meta está sendo alcançada ou não, para permitir ajustes no percurso. Por fim, é importante planejar e “ensaiar” mentalmente quais estratégias você irá adotar para vencer os possíveis obstáculos que podem surgir no meio do caminho. 

Quando exercitamos este planejamento, damos ao cérebro maior repertório de atitudes e facilitamos a tomada de decisão frente aos desafios que porventura aparecem e dificultam o cumprimento da meta. E é importante lembrar: **metas não podem ser inalcançáveis.** Ou seja, busque estabelecer objetivos que realmente sejam viáveis para você, pois caso contrário, haverá frustração e desmotivação que atrapalham qualquer progresso.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Os rumos da agenda de diversidade, equidade e inclusão nas empresas brasileiras em 2026

Os números de assédio e a estagnação das carreiras de pessoas com deficiência revelam uma verdade incômoda: a inclusão no Brasil ainda para na porta de entrada. Em 2026, o desafio não é contratar, mas desenvolver, promover e garantir permanência – com método, responsabilidade e decisões que tratem diversidade como estratégia de negócio, e não como discurso.

Quando tudo vira conteúdo, o que ainda forma pensamento?

A inteligência artificial resolveu a escala do conteúdo – e, paradoxalmente, tornou a relevância mais rara. Em um mercado saturado de vozes, o diferencial deixa de ser produzir mais e passa a ser ajudar a pensar melhor, por meio de curadoria, experiências e comunidades que realmente transformam.

Fornecedores, riscos e resultados: a nova equação da competitividade

Em um mundo em que pandemias, geopolítica, clima e regulações desmontam cadeias de fornecimento inteiras, este artigo mostra por que a gestão de riscos deixou de ser operação e virou sobrevivência – e como empresas que ainda tratam sua cadeia como “custo” estão, na prática, competindo de olhos fechados.

ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de março de 2026 13H00
Os números de assédio e a estagnação das carreiras de pessoas com deficiência revelam uma verdade incômoda: a inclusão no Brasil ainda para na porta de entrada. Em 2026, o desafio não é contratar, mas desenvolver, promover e garantir permanência - com método, responsabilidade e decisões que tratem diversidade como estratégia de negócio, e não como discurso.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
29 de março de 2026 07H00
Este artigo revela por que entender o nível real de complexidade do próprio negócio deixou de ser escolha estratégica e virou condição de sobrevivência.

Daniella Portásio Borges - CEO da Butterfly Growth

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de março de 2026 11H00
A inteligência artificial resolveu a escala do conteúdo - e, paradoxalmente, tornou a relevância mais rara. Em um mercado saturado de vozes, o diferencial deixa de ser produzir mais e passa a ser ajudar a pensar melhor, por meio de curadoria, experiências e comunidades que realmente transformam.

Poliana Abreu - Chief Knowledge Officer da Singularity Brazil, HSM e Learning Village

2 minutos min de leitura
Estratégia
28 de março de 2026 06H00
Em um mundo em que pandemias, geopolítica, clima e regulações desmontam cadeias de fornecimento inteiras, este artigo mostra por que a gestão de riscos deixou de ser operação e virou sobrevivência - e como empresas que ainda tratam sua cadeia como “custo” estão, na prática, competindo de olhos fechados.

André Veneziani - VP Comercial Brasil e Latam da C-MORE

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de março de 2026 13H00
Investir em centros de P&D deixou de ser opcional: tornou‑se uma decisão estratégica para competir em mercados cada vez mais tecnológicos.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Estratégia
27 de março de 2026 07H00
Medir saúde organizacional deveria estar no mesmo painel que receita, margem e eficiência. Quando empresas tratam bem-estar como benefício e não como gestão, elas não só ignoram dados alarmantes - elas comprometem produtividade, engajamento e resultado.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura
ESG
26 de março de 2026 15H00
A capitulação da SEC diante das regras climáticas criou dois mundos corporativos: um onde ESG é obrigatório e outro onde é opcional. Para CEOs de multinacionais, isso não é apenas questão regulatória, é o maior dilema estratégico da década. Como liderar empresas globais quando as regras do jogo mudam conforme a geografia?

Marceli Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de março de 2026 09H00
À medida que desafios logísticos se tornam complexos demais para a computação tradicional, este artigo mostra por que a computação quântica pode inaugurar uma nova era de eficiência para o setor de mobilidade e entregas - e como empresas que começarem a aprender agora sairão anos à frente quando essa revolução enfim ganhar escala.

Pâmela Bezerra - Pesquisadora do CESAR e professora de pós-graduação da CESAR School e Everton Dias - Gerente de Projetos

7 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
25 de março de 2026 15H00
IA executa, analisa e recomenda. Cabe ao líder humano decidir, inspirar e construir cultura.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
ESG
25 de março de 2026 09H00
Quando propósito vira vantagem competitiva, manter impacto e lucro separados é mais que atraso - é miopia estratégica.

Ana Fontes - Empreendedora social, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e Instituto RME, VP do Conselho do Pacto Global da ONU

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...