Melhores para o Brasil 2022

No marketing do futuro, a regra é fazer (muito) mais com mais

Velocidade de experimentação, aprendizado contínuo e compreensão sobre dados são algumas das certezas que devem moldar o sucesso da especialidade
Fernando Teixeira é diretor de estratégias e soluções para LATAM na Adobe.

Compartilhar:

Embora, para muitos brasileiros, “inovação” e “digital” sejam sinônimos para que empresas façam “mais com menos”, a experiência em marketing tem mostrado que esse entendimento não se sustenta. Desde o início da década de 2000, os times de marketing, dados e tecnologia se multiplicaram, assim como as capacidades digitais nas agências e as ferramentas tecnológicas.

Ainda assim, com a chegada de 2020, o distanciamento social escancarou o despreparo tecnológico e evidenciou – até mesmo para os que diziam ter tudo encaminhado – como muitos tinham apenas arranhado a superfície da tal transformação digital. Mesmo sem fórmulas mágicas e diante das incertezas, os aprendizados não apenas foram absorvidos, como se apresentam como fortes influências para os próximos anos do marketing.

## 1) Planejar menos e fazer mais
Em 2020, a transformação digital exigiu uma postura inovadora de todos, a escolha pelo risco e por novas iniciativas sem olhar para trás. Errar, enfim, fez parte do processo de aprendizado de verdade. Para sobreviver, planejamos menos e fizemos mais; “errar rápido” se tornou prática, descartamos centenas de slides e PPTs. Assim, “de cabeça”, evoluímos “anos em meses”, parafraseando Satya Nadella, CEO da Microsoft.

## 2) Experimentar é uma ciência
“Errar rápido”, no entanto, exige que sejamos cientistas, criando hipóteses, testes e experimentos. Cientistas sabem medir melhor do que marqueteiros: separam grupos de controle e de impacto para, só então, calcular o ganho incremental, dividido pelo investimento inicial para que se possa estimar o ROI. Simples assim. O marketing do futuro será mais estatístico e menos jornalístico.

## 3) Velocidade é diferencial
A dança entre parceiros e concorrentes nunca foi tão frenética, e a velocidade torna-se protagonista: quanto mais rápido uma empresa criar, testar, aprender, corrigir e se transformar, provavelmente mais sucesso terá. Como disse o fundador do LinkedIn, Reid Hoffman: “se você não está envergonhado com a primeira versão do seu produto, é porque está lançando-o muito tarde”.

## 4) O fim dos departamentos tradicionais
A estrutura organizacional dividida por áreas nasceu para ordenar os negócios num mundo de processos fabris repetitivos. Porém, os rígidos, hierárquicos e lentos departamentos estão com os dias contados. Em seu livro A regra é não ter regras, Reed Hastings, fundador da Netflix, nomeia esse dilema de “controle versus contexto”. Para ele, as pessoas devem tomar decisões a partir de dois ingredientes: autonomia e contexto. Não é o chefe que decide, são as pessoas mais capacitadas.

## 5) A explosão da experiência e da IA
Customer experience é construída a partir de interações baseadas em dados, modelos preditivos e estatística – é a inteligência artificial, que, combinada com muitos testes e poucas áreas, cria experiências mais intuitivas e assertivas aos clientes. Nesse sentido, um estudo da McKinsey (2020) previu alta entre 5% e 15% de receita para CX/IA e melhora na eficiência do marketing de 10% a 30%.

## 6) Internalização do marketing
Para lidar com a privacidade de dados e legislações vigentes, custos e agilidade e crises reputacionais, a internalização do marketing é forte tendência, movimento confirmado por um estudo da Association of National Advertisers (ANA), nos Estados Unidos, em que a construção de times in house saltou de 42% (2008) para 78% (2018).

## 7) O casamento entre CIOs e CMOs
Para que todas essas tendências funcionem, grandes plataformas de martech estão surgindo. Para unir dados, experimentação, tecnologia e personalização, CIO e CMO devem dar as mãos e tomar decisões juntos pelo bem da companhia e dos clientes.

Aproveite as (infinitas) possibilidades, saia do lugar comum, do conforto do status quo e se prepare para testar, experimentar, aprender e fazer (muito) mais com mais.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Agentes de IA são apenas o começo

Em 2026 o diferencial no uso da IA não será de quem criar mais agentes ou automatizar mais tarefas, mas em quem souber construir sistemas capazes de pensar, aprender e decidir melhor no seu contexto organizacional.

Bem-estar & saúde
1º de março de 2026
A crise não está apenas no excesso de trabalho, mas no peso emocional que distorce decisões e fragiliza equipes.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de fevereiro de 2026
Em 2026 o diferencial no uso da IA não será de quem criar mais agentes ou automatizar mais tarefas, mas em quem souber construir sistemas capazes de pensar, aprender e decidir melhor no seu contexto organizacional.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de fevereiro de 2026
Sem modelo operativo claro, sua IA é só enfeite - e suas reuniões, só barulho.

Manoel Pimentel - Chief Scientific Officer na The Cynefin Co. Brazil

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de fevereiro de 2026
Diante dos desafios crescentes da mobilidade, conectar corporações, startups, parceiros e especialistas em um ambiente colaborativo pode ser o caminho para acelerar soluções, transformar ideias em projetos concretos e impulsionar a inovação nesse setor.

Juliana Burza - Gerente de Novos Negócios & Produtos de Inovação no Learning Village

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de fevereiro de 2026
No novo jogo do trabalho, talento não é ativo para reter - é inteligência para circular.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
25 de fevereiro de 2026
Enquanto o discurso corporativo vende inovação, o backoffice fiscal segue preso em planilhas - e pagando a conta

Isis Abbud - co-CEO e cofundadora da Qive

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
24 de fevereiro de 2026
Estudos recentes indicam: a IA pode fragmentar equipes - mas, usada com propósito, pode ser exatamente o que reconecta pessoas e reduz ruídos organizacionais.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

9 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
23 de fevereiro de 2026
Com bilhões em recursos não reembolsáveis na mesa, o diferencial não é ter projeto - é saber estruturá‑lo sem tropeçar no processo.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

5 minutos min de leitura
ESG
22 de fevereiro de 2026
Depois do Carnaval, março nos convida a ir além das flores e mimos: o Dia Internacional da Mulher nos lembra que celebrar mulheres é importante, mas abrir portas é essencial - com coragem, escuta e propósito.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
21 de fevereiro de 2026
A autêntica transformação cultural emerge quando intenção e espontaneidade deixam de ser opostas e passam a operar em tensão criativa

Daniela Cais – TEDx Speaker, Design de Relações Profissionais

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança