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Nosso muito obrigado ao acaso

biógrafo e palestrante, escreveu este artigo com exclusividade para HSM Management, baseado na pesquisa feita para o livro Celso Ricardo de Moraes – A Trajetória Vitoriosa do Presidente do Grupo CRM, que incluiu cem horas de entrevistas com Moraes e quase uma centena de pessoas.

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Na minha trajetória profissional, em especial, na minha carreira de biógrafo e palestrante, tenho feito alguns estudos sobre o… acaso! 

Certamente o acaso não está nas teses e discussões de Harvard, mas é graças a ele que grandes trajetórias empreendedoras nasceram e se desenvolveram!

Entre os meus biografados, escrevo agora o meu 28º livro, muitas das suas histórias no mundo empresarial nasceram por mera obra do acaso!

Começo com a do empresário Samuel Klein, que depois de sobreviver à Segunda Guerra, estabelecer-se com um pequeno comércio na Alemanha e trocar a Europa pela América do Sul, inicialmente a Bolívia, por um mero “acaso” resolver “arriscar” a vida em São Caetano do Sul, em São Paulo. 

Pois andando por ali sem saber o que fazer Samuel Klein encontrou, por um maravilhoso “acaso”, um amigo judeu-polonês que viajara com ele no mesmo navio que o trouxera da Europa e lhe disse: “Samuel, por quê você não se torna um clientelchic?”. Era o termo dado a quem tinha clientes, a quem era mascate.

Bem… para quem não tinha trabalho… era uma opção!

Pois graças ao “acaso” Samuel Klein virou mascate, vendedor… e se tornou o “Rei do Varejo” do Brasil, criando a rede de lojas Casas Bahia!

Outra boa história sobre o “acaso” aconteceu com Richard Hugh Fisk! Ele serviu o exército dos Estados Unidos na Segunda Guerra e depois se graduou e fez mestrado em Relações Internacionais. 

O objetivo dela era o de ser diplomata na União Soviética, mas estourou a Guerra Fria. Mesmo com invejável currículo, Richard Fisk não conseguiu um bom emprego; trabalhava num pequeno escritório de contabilidade. 

Desmotivado, ele então resolveu visitar o irmão que morava com a mãe no Brasil, em São Paulo, e trabalhava na embaixada dos Estados Unidos. Pois num domingo, Fisk abriu o jornal da época e por “acaso” leu o anúncio de uma empresa chamada Texaco: “Precisa-se de funcionário que fale inglês fluente”. 

Se largasse o emprego nos Estados Unidos ele não tinha nada a perder; se ele encarasse o desafio no Brasil ela poderia ter muito a ganhar!

Fisk então se candidatou à vaga e foi admitido! E como “bico” e reforço de orçamento, começou a dar aulas em escolas de inglês. 

Nascia ali o Mr. Fisk, um dos principais educadores de idiomas do Brasil, fundador da rede de Escolas Fisk e detentor também da Rede PBF, que integram a Fundação Fisk!

Tem também a história do empresário Ueze Elias Zahran. A família humilde e numerosa morava em Campo Grande, ainda no MT, antes de se transformar em MS, e a mãe dele, Laila, sofria em ter que arear as panelas, que ficavam manchadas pelo contato com a lenha no fogão. 

A mulher então sonhava com um fogão a gás! Com o primeiro bom dinheiro que ganhou Ueze presenteou a mãe. Foi a São Paulo, comprou o fogão a gás e, dias depois, chegou a peça com o botijão. 

Por “acaso”, Ueze estava em casa na hora da entrega. O próprio Ueze montou o fogão e, quando Laila acendeu uma das bocas e viu a chama azul debaixo da panela, abriu um sorriso de orelha a orelha.            

Atento e empreendedor, Ueze ficou a imaginar: “Se a minha mãe está nessa alegria toda, muitas outras mães também ficarão felizes se ganharem um fogão a gás! Vou trabalhar com isso!”

Era uma visão antecipada dos fatos! Nasceu ali a Copagaz, uma das principais companhias de engarrafamento de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), ou gás de cozinha, do Brasil!

E encerro com a história de Armindo Dias, natural de Portugal, que não pretendia trabalhar na roça e pequena agricultura, seguindo a tradição de ser caseiro, como nos casos do pai e do avô, e dividir a produção com o dono da terra.

Armindo Dias foi então aprender a dirigir e tentar ser motorista do exército. Mas, de tão nervoso, ele por “acaso” foi reprovado no teste! Sem outra opção, resolveu pedir uma “Carta de Chamada”, documento que lhe garantia emprego, e viajar para o Brasil!

Pois aqui foi vendedor de chocolates na Bahia, montou um atacado de doces, foi dono da indústria de Biscoitos Triunfo, vendeu a empresa para a Danone e criou uma das principais redes de resorts do Brasil: Royal Palm Plaza!

E o “acaso” também se fez presente na minha vida, fazendo-me mudar de executivo de vendas de zinco do Grupo Votorantim para repórter esportivo da Band e do SporTV, e depois para seguir a carreira de biógrafo e palestrante!

E seu eu continuasse a vender zinco na Votorantim… 

E se Samuel Klein não encontrasse o conterrâneo… 

E se Mr. Fisk não tivesse vindo passar férias no Brasil e aberto aquele jornal… 

E se Ueze Zahran não tivesse presenteado a mãe com o fogão a gás e não estivesse em casa na hora da entrega… 

E se Armindo Dias tivesse sido reprovado no exame de motorista no exercito português…

Certamente, se tudo isso realmente tivesse acontecido, eu não teria base de informação para escrever esse texto… 

Certamente, se tudo isso realmente tivesse acontecido, Samuel Klein, Mr. Fisk, Ueze Zahran, Armindo Dias, eu e tantas outras pessoas que redirecionaram suas trajetórias não poderias dizer: 

**“Nosso muito obrigado ao acaso!!!”**

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