Inovação

Novo fundo de investimento focado em agribusiness

Perspectiva de crescimento do setor abre oportunidades ainda inexploradas
Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios, com mais de 30 anos de experiência como redatora, repórter, editora e revisora. Colaboradora de HSM Management e de MIT Sloan Management Review Brasil.

Compartilhar:

Agrotechs e fintechs focadas em soluções para o agronegócio contam agora com um novo fundo de investimento. Trata-se da administradora de participações TechInvestor, a qual está com a primeira rodada de captação aberta. A meta é captar R$ 50 milhões no mercado. E a Viasoft, empresa fornecedora de soluções em software de gestão empresarial, investirá o mesmo valor que for captado.

A TechInvestor foi criada em dezembro de 2022 por Itamir Viola, fundador da Viasoft. Ele deixou o mais alto cargo da Viasoft, depois de 32 anos, para ser o CEO do novo fundo de investimento. Essa primeira rodada é experimental, até por isso o valor previsto é modesto. A escolha em focar no agronegócio é pelo know how que a Viasoft já detém nesse segmento. “A perspectiva futura do setor é muito forte. Ele vai continuar crescendo e precisará de tecnologias e inovações. Há muitas oportunidades não exploradas. E fintechs para o agronegócio, com soluções não tradicionais para levar serviços financeiros para o setor, é o pulo do gato”, acentua Viola.

O momento é excelente, em sua opinião, já que os altos juros – não só no Brasil, mas no mundo – beneficiam as operações financeiras, com o agribusiness despontando como uma boa oportunidade.

## Missões e desafios
São três os pilares target de atenção da TechInvestor. O primeiro, obviamente, é devolver rentabilidade aos investidores. O segundo é o perfil dos investidores. A nova empresa não pretende atrair grandes fundos e, sim, foca em investidores qualificados; ou seja, empreendedores do agronegócio para agregarem expertise às startups que serão investidas. O terceiro é focar em tecnologias que sirvam também para potencializar negócios.

Já entre os desafios que Viola prevê estão a insegurança jurídica e a falta de estabilidade do mercado brasileiro, o que por vezes assusta investidores e empreendedores. “O momento é delicado. O novo governo ainda não sinalizou de forma positiva neste início. E o que todos precisamos é não ter surpresas negativas, para não provocar medo que congele as iniciativas”, avalia ele.

## Novo ciclo de carreira
Essa é uma nova fase, tanto da carreira de Viola quanto da Viasoft. “Vejo como um upgrade natural. Foi uma transição bem pensada, preparada há bastante tempo”, avisa ele. Na Viasoft se mantém como chairman do conselho de administração. “Agora tenho mais tempo para me dedicar ao networking.”

Viola diz se sentir tranquilo, graças ao seu “segredo operacional”: ter bons CEOs em cada negócio – atualmente, além da Viasoft, há dez startups investidas – e ter bons processos. A relação com essas startups é intensa, mas o papel de Viola é ser conselheiro, e não operador.

Todas essas startups – entre elas, ControleNaMão, CargOn, Market4u, Inspecto Agri, Viasoft Pay, H1 – agregam valor ao business da Viasoft. Como são escolhidas? São três os critérios para investir em startup, avisa Viola. 1º) o perfil do empreendedor, o que é “peça-chave”, destaca ele; 2º) o racional do negócio (qual a solução, o mercado, precificação, concorrentes, além de ter que ser o negócio certo no momento certo); e 3º) o cross-sell (atuais clientes da Viasoft podem ser atendidos pela solução da startup e, consequentemente, a startup pode crescer).

Não é só investir, mas a Viasoft agrega com tecnologias, metodologias, mentoria, uso de serviços compartilhados. “Todos crescem”, completa Viola. São várias as atividades (na Viasoft, nas startups e agora no TechInvestor) que Viola abraça no dia a dia, mas ele não vê dificuldades. “Estou há 33 anos no mercado e me atualizo muito. Isso me ajuda a tomar boas decisões e a ajudar os CEOs em suas decisões.”

Ao deixar o cargo de CEO na Viasoft, em dezembro de 2022, a empresa passou por uma reestruturação interna. A maior parte das alocações foram internas, começando com Fábio Scabeni que assumiu como CEO – ele começou como estagiário há 16 anos chegando a vice-presidente comercial e de marketing, cargo que agora foi ocupado por Alan Rodolfo Tagliari, até então gerente nacional de negócios, diretor comercial e diretor de inteligência de mercado e competitividade, e assim por diante. “É positivo quando tira a peça de cima, porque gera toda uma movimentação interna. Ocorre uma reoxigenação”, avisa Viola.

Essas promoções não ocorreram da noite para o dia. “Todo líder na Viasoft tem que estar preparando alguém para ser seu sucessor; sempre!”, destaca o chairman do board. Paralelamente, a empresa fez contratações, como a de Natalia Festinalli como nova gerente de marketing – ela tem apenas 22 anos.

## Connect Week na Viasoft Experience
Outra novidade é a aquisição dos naming rights do espaço para eventos gerido pela Universidade Positivo, em Curitiba, onde a Viasoft já realizava seu evento anual de inovação, o Viasoft Connect. Pelo acordo, o espaço passa a se chamar Viasoft Experience. O investimento é de R$ 4,6 milhões por três anos.

Em 2023, o espaço vai sediar o Viasoft Connect de 21 a 23 de junho. Pela primeira vez ele estará inserido num evento maior, batizado de Connect Week (de 19 a 25 de junho), que vai reunir eventos de inovação de outras áreas, como gestão pública e startups, além do Summit, eventos culturais, entre outros. “Esses eventos serão realizados por parceiros. A nós cabe a gestão e curadoria da semana”, revela Iolanda Viola, diretora do Connect Week e do Viasoft Connect.

Além de servir como uma ferramenta de mídia e marketing, “o Viasoft Experience será um show-room de tecnologia, nossa e dos nossos parceiros, com mote em inovação. Queremos também aproximar a universidade das empresas, para que ela interaja com a sociedade empresarial”, avisa Viola. A ideia, portanto, é dar visibilidade ao hub de inovação acadêmica – inicialmente da Universidade Positivo e, depois, de outras universidades – integrando-o ao mercado corporativo.

Compartilhar:

Artigos relacionados

IA como álibi das decisões não pensadas

Será que as empresas, focando a agilidade das entregas com assistência de inteligência artificial, deixaram em segundo plano a qualidade do raciocínio? E quais são os riscos disso?

O problema não começa no canteiro. Só fica visível nele.

Atrasos, mudanças de escopo e disputas contratuais costumam ser tratados como falhas da execução. O artigo argumenta que, na maioria dos casos, os conflitos já estavam contratados desde o início, em escopos incompletos, riscos mal distribuídos e orçamentos desconectados da realidade do projeto.

Executivos estão estudando contabilidade para chegar ao C-level. Eu fiz o caminho inverso.

O artigo reflete sobre a evolução da carreira financeira e sobre o papel da contabilidade como ferramenta de gestão, mostrando que lucro, sozinho, raramente conta a história completa de uma empresa. Mais do que interpretar demonstrações financeiras, entender balanços, fluxo de caixa e capital de giro tornou-se uma competência essencial para líderes que desejam crescer de forma sustentável, tomar decisões mais consistentes e enxergar riscos e oportunidades antes que eles apareçam nos resultados.

Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
4 de novembro de 2026 14H00
Mais do que decidir quanto automatizar, líderes e organizações precisarão aprender a desenhar processos que combinem criatividade, julgamento, validação e execução para gerar resultados melhores do que aqueles que humanos ou máquinas seriam capazes de produzir isoladamente.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

16 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de novembro de 2026
Será que as empresas, focando a agilidade das entregas com assistência de inteligência artificial, deixaram em segundo plano a qualidade do raciocínio? E quais são os riscos disso?

Camila Besseler - Fundadora e CEO da mCMOs, ecossistema para mulheres da alta liderança em marketing, growth e receita. Tem 25 anos de experiência na interseção entre estratégia, marca, dados e receita, com passagens por Grupo Tigre e CI&T. Estuda sistemas — o marketing é um deles — e escreve sobre estratégia, mercado e melhores decisões.

0 min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
4 de novembro de 2026 08H00
Atrasos, mudanças de escopo e disputas contratuais costumam ser tratados como falhas da execução. O artigo argumenta que, na maioria dos casos, os conflitos já estavam contratados desde o início, em escopos incompletos, riscos mal distribuídos e orçamentos desconectados da realidade do projeto.

Nayron Russo - Advogado e sócio do escritório Aroeira Salles

4 minutos min de leitura
Liderança
3 de novembro de 2026 14H00
O artigo reflete sobre a evolução da carreira financeira e sobre o papel da contabilidade como ferramenta de gestão, mostrando que lucro, sozinho, raramente conta a história completa de uma empresa. Mais do que interpretar demonstrações financeiras, entender balanços, fluxo de caixa e capital de giro tornou-se uma competência essencial para líderes que desejam crescer de forma sustentável, tomar decisões mais consistentes e enxergar riscos e oportunidades antes que eles apareçam nos resultados.

Darcio Zarpellon - Diretor Financeiro (CFO) e membro certificado do Conselho de Administração (CCA-IBGC | CFO-BR IBEF)

6 minutos min de leitura
ESG
3 de novembro de 2026 08H00
Velocidade, por si só, não garante melhores decisões. A partir das recentes mudanças nos processos normativos da CVM, o artigo propõe uma reflexão sobre os desafios de conciliar eficiência, excelência técnica e diversidade de perspectivas na construção regulatória.

Renata Oliva Battiferro - Diretora Executiva e Head do Investors Group do 30% Club Brazil

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
2 de novembro de 2026 15H00
Dados não estruturados, documentos físicos e processos legados impactam a adoção da IA e por que a automação inteligente se tornou uma peça-chave dessa transformação. O texto explora por que a preparação dos dados pode ser mais importante do que a própria tecnologia.

Alexandre Cardoso - Business Development Manager da Ricoh LATAM

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
2 de novembro de 2026 08H00
O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

Ricardo Moraes - Sócio-líder de segurança cibernética e Daniel Pacheco - Sócio-líder de consultoria em tecnologia da KPMG no Brasil

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
1º de novembro de 2026 15H00
O mercado de saúde vive um novo ciclo de fusões e aquisições impulsionado pela busca por capacidades estratégicas já consolidadas. O texto mostra como infraestrutura, conhecimento regulatório, tecnologia e acesso a clientes estão se tornando ativos cada vez mais valiosos para empresas que precisam acelerar sua expansão.

Sergio Luconi - Sócio-diretor da Zaxo M&A Partners

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
1º de novembro de 2026 08H00
O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

José Roberto Meirelles - Sócio da área de mercado de capitais e fundos de investimento do Silveiro Advogados

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Liderança
31 de outubro de 2026 15H00
A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

André Naves - Defensor Público Regional de Direitos Humanos em SP, Comendador Cultural, Escritor e Professor

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

CAPA_HSM_30_ANOS-1_pages-to-jpg-0001

Acesse agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #175

EDIÇÃO ESPECIAL DE 30 ANOS DA HSM MANAGEMENT