ESG
8 min de leitura

NR-1 e a gestão de riscos psicossociais: impactos estratégicos e financeiros para as empresas

A atualização da NR-1, que inclui riscos psicossociais a partir de 2025, exige uma gestão de riscos mais estratégica e integrada, abrindo oportunidades para empresas que adotarem tecnologia e prevenção como vantagem competitiva, reduzindo custos e fortalecendo a saúde organizacional.
Médico por formação, e como fundador e CEO da Livon, dedico-me a transformar a maneira como empresas lidam com saúde, segurança e meio ambiente (EHS), desenvolvendo tecnologias inovadoras que capacitam organizações e indivíduos a alcançarem seu máximo potencial. Com mais de uma década de experiência em empreendedorismo na indústria da tecnologia e saúde, minha paixão está em resolver desafios fundamentais da gestão corporativa por meio de práticas sustentáveis e impacto mensurável. Minha trajetória combina vivências internacionais e estudos em países como Índia, Holanda e Bélgica, onde adquiri uma perspectiva global e insights valiosos sobre gestão de saúde e segurança. Essas experiências me motivaram a fundar a Livon, com o propósito de oferecer soluções robustas e acessíveis que promovam bem-estar, produtividade

Compartilhar:

Saúde mental

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que está diretamente relacionada a gestão de todos os riscos nas empresas, como agentes químicos, físicos e biológicos,  passou por atualizações significativas, refletindo uma mudança no paradigma da gestão de riscos ocupacionais no Brasil. A partir de maio de 2025, passa a incluir os riscos psicosocias como assédio moral, sexual, pressão por prazos curtos, isolamento no ambiente de trabalho, entre outros.

Além de estabelecer diretrizes mais rigorosas para a segurança e saúde do trabalhador, a NR-1 agora exige um modelo mais integrado e analítico, obrigando empresas a adotarem uma postura mais estratégica e preventiva. Essas mudanças não são apenas regulatórias, mas impactam diretamente os custos operacionais, a produtividade e a competitividade das empresas.

Quais são as empresas que conseguirão se sobressair com esta mudança ? E mais, quais são aquelas que poderão utilizar esta mudança como um catalisador estratégico, para melhor se posicionar no mercado e ficar a frente de seus competidores ?

Compliance

A nova regulamentação sobre o Programa de Gerenciamento de Riscos (NR-1), que a partir de 25/05/2025 passa a ser obrigatória para todas as empresas no Brasil, inclui:

  • Obrigatoriedade de mensuração dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como assédio moral, estresse ocupacional, isolamento e pressão por prazos curtos, a fim de mensurar o impacto na saúde mental dos colaboradores e criar planos de ação para reduzi-los;
  • Inclusão dos riscos psicossociais no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), seguindo a mesma classificação de severidade e probabilidade utilizada para riscos químicos, físicos, biológicos e ergonômicos;
  • Elaboração de um plano de ação com cronograma, descrição das medidas e custos envolvidos, utilizando metodologias como 5W2H;
  • Emissão obrigatória do relatório PGR para auditoria do Ministério do Trabalho, já considerando a inclusão dos riscos psicosociais.

Impactos Financeiros

Os números relacionados a afastamentos no Brasil são alarmantes. Em 2024, os afastamentos por saúde mental subiram para 472.000, um aumento de 67% em relação a 2023. Esse crescimento evidencia um problema estrutural que exige atenção imediata das empresas. Além disso, o Brasil gasta anualmente bilhões de reais em benefícios previdenciários relacionados a acidentes e doenças ocupacionais. Quando um caso de afastamento está diretamente ligado a uma atividade laboral, a empresa pode ser obrigada a arcar com impostos adicionais, como o Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que pode aumentar consideravelmente a carga tributária (fonte).

Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apontam que, a cada ano, mais de 200 mil trabalhadores são afastados devido a acidentes de trabalho, gerando custos que ultrapassam R$ 12 bilhões para as empresas. Esses valores incluem pagamentos de indenizações, assistência médica e substituição de profissionais afastados, além da perda de produtividade (fonte).

Com a nova regulamentação, transtornos como ansiedade, depressão e bipolaridade poderão ter relação laboral (nexo), obrigando as empresas a assumirem custos que antes eram arcados pelo governo, incluindo:

  • Aumento da alíquota do FAP (Fator Acidentário de Prevenção);
  • Manutenção de benefícios como plano de saúde durante o afastamento, aumentando a sinistralidade e os custos;
  • Estabilidade do colaborador por 12 meses após o retorno;
  • Obrigatoriedade de emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) para doenças mentais relacionadas ao trabalho via eSocial;
  • Aumento de custos diretos com plano de saúde e absenteísmo.

Impacto Jurídico

A relação de nexo causal entre doenças mentais e o ambiente de trabalho trará um aumento expressivo nas demandas trabalhistas. A dificuldade de mensuração dos danos psicológicos e a falta de insumos para defesa tornam provável um crescimento nas condenações empresariais. Além disso:

  • Empresas que não incluírem os riscos psicossociais no PGR estarão mais sujeitas às fiscalizações e multas do Ministério do Trabalho;
  • A NR-1 já é uma das normas mais auditadas, e as penalizações devem se intensificar.

Impactos Pouco Mensuráveis, mas de Grande Repercussão

  • Redução da produtividade;
  • Aumento do turnover;
  • Impacto na reputação da marca;
  • Perda de competitividade;
  • Falta de evidências para relatórios ESG, especialmente no pilar “S”, podendo resultar em exclusão de cadeias de fornecimento.

A Nova Abordagem de Gestão de Riscos

A inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 reforça a necessidade de um olhar mais abrangente sobre a segurança do trabalhador. Mais do que uma exigência burocrática, trata-se de estruturar um programa que classifique, analise e mitigue essas ameaças de forma integrada aos demais riscos ocupacionais. Isso requer uma atuação conjunta dos times de  Recursos Humanos, Saúde e Segurança do Trabalho, garantindo uma prevenção baseada em dados concretos.

Tecnologia Como Solução na Redução de Custos e Conformidade Regulatória

A digitalização e o uso de inteligência artificial revolucionam a forma como as empresas gerenciam seus riscos ocupacionais. Com o avanço das plataformas SaaS especializadas, como a Livon, é possível integrar e automatizar processos que antes eram fragmentados, gerando insights em tempo real e facilitando a tomada de decisão estratégica.

Soluções Tecnológicas para Enfrentar a Nova Regulação:

  • Monitoramento contínuo da saúde dos trabalhadores: Plataformas que acompanham indicadores de saúde mental e física, permitindo ações preventivas antes que o problema se agrave.
  • Análise preditiva de dados: O uso de inteligência artificial para prever padrões de afastamento e sugerir medidas para mitigar riscos.
  • Automação do PGR: Ferramentas que estruturam e organizam os riscos psicossociais junto aos demais riscos ocupacionais, garantindo a conformidade com a NR-1.
  • Gestão integrada do eSocial: Facilitação da emissão de CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) e acompanhamento das exigências legais para evitar multas e processos trabalhistas.
  • Redução de custos operacionais e tributários: Soluções que permitem um controle mais preciso sobre os fatores que impactam o FAP e outras tributações relacionadas a acidentes e afastamentos.

A NR-1 não deve ser vista apenas como uma obrigação legal, mas como uma oportunidade de transformação para as empresas. Organizações que investem na gestão inteligente dos riscos não só reduzem custos operacionais, como também constroem um ambiente mais seguro, saudável e produtivo para seus colaboradores. A tecnologia é o caminho para transformar regulação em vantagem competitiva e retorno financeiro.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Isolamento nas empresas não é só físico: é cultural

Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

O maior prejuízo de um ataque cibernético raramente está onde as empresas costumam procurar

A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Quando a IA assume as tarefas, a liderança ganha espaço para cuidar das pessoas

À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

A comunicação é um teto de vidro que pode afastar as mulheres da liderança

A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Entre viralizar e ser lembrado: O que acontece quando o algoritmo assume a estratégia?

As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
6 de setembro de 2026 15H00
Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

Rodrigo Rovaris - Gerente de Gente & Gestão da Blendus

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Marketing & growth
6 de setembro de 2026 08h00
À medida que a produção de conteúdo se torna cada vez mais presente na vida profissional e pessoal, surge uma questão importante: estamos ampliando oportunidades ou naturalizando a ideia de que toda experiência, habilidade e momento da vida precisam ser convertidos em visibilidade, audiência e monetização?

Ingrid Spyker - sócia da Creator Economy

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo