Tecnologia e inovação

NRF 2023: os destaques do maior evento mundial de varejo

Tecnologias emergentes, a nova jornada do colaborador e a loja do futuro estão entre os principais insights
É colaboradora de HSM Management e especialista no setor varejista; já cobriu o NRF seis vezes.

Compartilhar:

Na foto: Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail, palestrando na NRF 2023

Há 113 anos, todo mês de janeiro a cidade de Nova York recebe o NRF Retail’s Big Show, maior evento de varejo do mundo que este ano recebeu cerca de 35 mil pessoas de 75 países. Foram mais de 350 palestrantes e 1.000 exibidores.

Na pauta, os rumos do varejo. “O mundo pós-pandemia assiste à volta ao normal, mas é um normal diferente”, analisa Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail. Uma série de variáveis influenciam o cenário, como aumento da taxa de juros, risco de recessão, mudanças climáticas, inflação, carência de mão-de-obra, instabilidade geopolítica e redefinição da supply chain. Esse conjunto de contextos empurra o varejo a assumir agendas mais táticas e priorizar o curto prazo. “É um momento de reorganização que pede um olhar mais operacional e focado em fazer o básico bem feito”, ressalta Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) e sócio-diretor da BTR Educação e Consultoria.

A seguir, acompanhe alguns insights trazidos pelo evento:

## Tecnologias emergentes
Desfiles de moda no metaverso, onde é possível interagir com os produtos. Vitrines com hologramas. Uso de biometria para self check-out. Difusão do immersive commerce, ou seja, lojas virtuais imersivas que usam realidade aumentada e inteligência artificial para criar uma experiência de compra envolvente. Machine learning para otimizar o inventário. Robôs e drones usados para entregas e para organização de Centros de Distribuição. O varejo nunca esteve tão associado à tecnologia como agora.

Segundo uma pesquisa da Harvard Business Review, o uso de realidade aumentada para incentivar a interação com produtos leva a uma taxa de conversão 94% maior. Para Grasiela Tesser, diretora executiva da NL Informática, o que o consumidor consegue enxergar como uma melhor experiência é só a ponta do iceberg. O que está por baixo, uma dinâmica de sistemas integrados, é o que faz tudo acontecer.

Como Rodney McMullen, CEO da Kroger, terceira maior varejista geral dos Estados Unidos, disse em sua palestra: “Trabalhamos com complexidade na retaguarda para facilitar a vida do cliente na ponta”. Menos fricção no relacionamento com o consumidor, melhor experiência e maior conversão são resultados esperados.

## Futuro da loja física
Não é porque a tecnologia vem reconfigurando a cara do varejo que a loja física perde destaque. Pelo contrário. Ela está no holofote: agora ela mais se parece com um hub estratégico para diferentes propósitos. A loja pode ser um local de venda, mas pode ser também um local de encantamento, envolvimento com a marca, ponto de retirada de compras online, um ponto logístico, um ponto de serviços. Tudo num só lugar.

“Menos tráfego e mais transações omnicanal são reflexos da pandemia que obrigou as redes varejistas a otimizar seu portfólio de lojas. Com mais vendas digitais, a loja que permanece aberta precisa oferecer uma experiência superior para justificar o espaço”, pondera Serrentino. Não se pode mais pensar em uma loja linear e homogênea, pois o consumidor não se comporta mais de forma linear e homogênea.

Ao se repensar o formato de loja chega-se a alguns cases como as lojas da Starbucks Reserve, que oferecem três lojas dentro de uma. Ao entrar é possível escolher entre as três trilhas: to go (atendimento rápido), restaurant/bar (serviço de mesa), ou explore a experience (compras e afins). A Whole Foods também vem testando esse formato de lojas-dentro-da-loja. A varejista criou espaços pensados para diferentes necessidades, de forma que não é preciso percorrer a loja toda para o que se deseja. “São várias jornadas em uma única loja. Assim entrega-se uma experiência de visita melhor e sem atrito”, comenta Serrentino.

Outra tendência que reforça a loja como ponto físico de contato com a marca são as apostas de Amazon e Google. O mercado Amazon Fresh, que já conta com 39 lojas nos Estados Unidos, pode funcionar para o consumidor tanto como um ponto de retirada de compra online como loja convencional. Ao final existe a opção de pagar usando a tecnologia “just walk out”, que é zero atrito, literalmente. O cliente cadastrado no app da Amazon entra na loja usando um QR Code e na hora de sair ele não precisa fazer nada – o scanner reconhece, na sacola, os produtos escolhidos e o valor é cobrado no cartão de crédito.

Já o Google tem as lojas Google Store. Nelas, a empresa de busca pela internet expõe, em um ambiente clean e intimista, seu portfólio de soluções – como publicidade online, comércio eletrônico, inteligência artificial – e de artigos eletrônicos, como celulares, fones, entre outros. A ideia é que o consumidor passe tempo ali interagindo com todas as possibilidades oferecidas pela empresa.

## Nova jornada do colaborador
Muito se falou e se fala sobre a jornada do consumidor, mas e a do colaborador? Esse tema foi a grande pauta do NRF este ano. O varejo mudou muito e muito rápido nestes últimos anos, sendo o apagão de mão de obra, principalmente nos Estados Unidos, e a digitalização do varejo os principais gargalos. Então, como atrair, reter e engajar esse colaborador, e mais ainda, como empoderá-lo para que ele se sinta fazendo parte? Uma das respostas, segundo Serrentino, é usar a tecnologia para automatizar tarefas que geram atrito e liberar o colaborador para outras atividades mais relevantes.

## ESG no DNA
“A pandemia trouxe o tema de ESG para o centro das empresas. Nada de green washing, o lema é uma sustentabilidade consistente como parte do DNA do negócio”, diz Serrentino. Uma das palestrantes do NRF, Kate Ancketill, cofundadora e CEO da consultoria de tendências GDR Creative Intelligence, destacou o papel estratégico da sustentabilidade. “As empresas precisam repensar seus modelos de negócios de olho em descentralizar o supply chain, reduzir o desperdício e desenvolver autossuficiência energética”, afirma.

Outra futurista, Andrea Bell, VP de consumer insights da WGSN, corroborou: “A natureza torna-se parte efetiva do board das empresas. Não dá mais para não pensar em sustentabilidade e isso tem que ser parte vital da estratégia dos negócios”.

Exemplos que atestam isso não faltaram. Como case de economia circular e moda sustentável está a Unsubscribed, marca de slow fashion da American Eagle. O mote é uma fabricação consciente em relação a pessoas, meio ambiente e animais. As lojas também têm pontos de revenda de peças usadas, no estilo brechó. Outra marca que chamou atenção na NRF foi a Patagonia. Yvon Chouinard, fundador da marca de roupas e acessórios esportivos, anunciou que todo o capital da empresa, avaliado em R$ 15 bilhões, será doado para o combate da crise climática. “O planeta é agora o nosso único acionista”, escreveu ele em uma carta destinada aos consumidores.

nrf-jps
nrf-jps
nrf-jps
nrf-jps

Compartilhar:

Artigos relacionados

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

As empresas não estão tendo resultados com IA. E a culpa é toda delas! 

Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Liderança
12 de agosto de 2026 14H00
Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de agosto de 2026 08H00
O artigo defende que o verdadeiro valor surge quando a IA deixa de operar de forma isolada e passa a integrar toda a jornada de negócio, conectando pessoas, processos, dados e governança em um único sistema de performance.

Guilherme Stefanini - CMO do Grupo Stefanini, CEO da Stefanini Marketing e sócio da W3haus e Gauge.

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de agosto de 2026 18H00
A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza? Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

16 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 14H00
Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo