Sociedade

O antiladrão de profissões

Apesar das muitas afirmações em contrário, o mundo tem mais opções e oportunidades do que a supersimplificação dos fatos permite enxergar
CEO da Amrop INNITI, Board Member, Lifelong Learner, Anticarreirista

Compartilhar:

Cada vez mais temos lidado com o fenômeno de supersimplificação dos fatos. Esse hábito de generalizar as coisas pode estar sequestrando o seu cérebro. Uma condição que é tremendamente prejudicial para você, para mim, para nossos colegas, amigos, parceiros. Para todos nós, inclusive como sociedade.

## Ajustando o olhar para os vieses

Está no jornal, na boca de pré-candidatos à presidência, na minha boca, na sua boca. O tempo inteiro falamos que os desempregados viraram Uber e que, quando o carro autônomo chegar, nem essa opção estará disponível…(ok, me inclui nessa pra ficar mais simpático, mas quem me conhece sabe que esse pensamento nunca cruzou minha mente!).

Let me tell you something: existem mais de 30 mil profissões catalogadas nos EUA. No Brasil temos ao redor de 10 mil (link) e posso apostar que as mesmas 30.000 (ou mais!) estão sendo exercidas.

A imagem a seguir dá a dimensão da quantidade de vieses que já foram catalogados. Este nosso, entendo que cai no de “anecdotal fallacy”.

![Cognitive](//images.contentful.com/ucp6tw9r5u7d/kM5RAOGlh4PjdbOPBvS0a/501b4efd1a0fb170153357c24f4bb357/1280px-Cognitive_bias_codex_en.svg.png)

Pense: além da profissão “desempregado”, existem outras 30 mil em que há gente produzindo renda, gerando valor, se realizando (e para você que não está feliz: sim, é possível ser feliz trabalhando…).

Em 2008, o Jonerval, com seu jeito desbocado quando foi preso, acabou me ajudando a perceber que mesmo ladrão acaba gerando demandas de trabalho na sociedade. São mais de [4 milhões de views no Youtube](https://www.youtube.com/watch?v=XkZ6g6YvyUQ), talvez você tenha visto.

“Se eu não roubar, nenhum de vocês tem trabalho. Ceis tão tudo desempregado se eu não roubar, se o outro não roubar… Gero emprego pro repórter, pra polícia, pro escrivão, pra delegado, pra juiz, pra promotor. Tudo através de mim, que sou ladrão. Estou contribuindo para o bem de todos, né?”

## Abundância e escassez

Em uma conversa que tive com o Pablos Holman, futurista da Singularity University, ele comentou comigo que [faltavam mais de 50 mil motoristas para preencher as vagas abertas para caminhoneiros nos EUA](https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/mesmo-com-salarios-de-quase-r-300-mil-por-ano-poucos-querem-ser-caminhoneiros-nos-eua-dd8dhk604lsgnunyljj5qvsu6/), e que esse era um trabalho dos mais chatos que existe.

Mais ou menos na mesma época, ao me informar sobre um passeio turístico em Los Angeles, conversei com o rapaz que seria o guia e perguntei se ele gostava do que fazia. Disse que adorava. E completou “meu outro trabalho é ser caminhoneiro, aquilo é chato demais”. Bingo!

Outras notícias mostram que a escassez de motoristas não são casos pontuais. Vamos pular para a Inglaterra de setembro de 2021, três anos depois da conversa com Holman.

Mesmo com uma das moedas mais fortes do mundo, um dos países mais avançados e desenvolvidos está enfrentando prateleiras dos supermercados vazias e o motivo principal é a falta de motoristas disponíveis. [A estimativa é de 100 mil posições abertas para as quais não há oferta de mão de obra](https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/08/24/escassez-de-produtos-deixa-mc-donalds-sem-milk-shake-e-redes-sem-alimentos.htm).

Enquanto aqui no Brasil a mentalidade é ludita, posso apostar que justamente o país que inventou o ludismo está rezando para que os caminhões autônomos cheguem o quanto antes.

Quando seu cérebro supersimplificar a questão das oportunidades de trabalho, lembre-se desse artigo que você está lendo hoje . E se quiser entender todas as opções de trabalho catalogadas no Brasil, sugiro abrir [a lista de Classificação Brasileira das Ocupações (CBO) do Ministério do Trabalho](https://drive.google.com/file/d/1oLrxw2mz4F6HnDvtTGwcRN-6ETKUxeqM/view).

Mais do que isso: só para ler o documento inteiro você já terá um belo de um trabalho. Na própria construção do documento, muita gente trabalhou: pesquisa, redação, diagramação, atualização…

Como aqui, para escrever este artigo. Eu na pesquisa e redação, a Maria Clara editando, nossa designer criando a arte e o time de tecnologia da revista __HSM Management__ envolvido na postagem e manutenção da plataforma digital…

Simples, porém complexo.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Tudo que aprendi sobre a gestão da nova hotelaria nos últimos cinco anos

Mais conectado, informado e exigente, o consumidor de hoje compara sua experiência de hospedagem com os melhores serviços que encontra em qualquer setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, o futuro dos hotéis dependerá da combinação entre inovação, eficiência e de pessoas que tenham a capacidade de criar experiências memoráveis

O SaaSpocalypse chegou? Talvez a pergunta esteja errada.

A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

O cérebro é um velcro para críticas e um teflon para elogios

Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

O líder como jardineiro: a vantagem competitiva que cresce como um jardim

Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

O prêmio do julgamento na era da inteligência abundante

Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de agosto de 2026 14H00
Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
5 de agosto de 2026 08H00
A mobilização que o maior evento esportivo do mundo desperta revelou algo poderoso sobre os brasileiros: nossa capacidade de nos unir em torno de um objetivo comum. Mas por que essa mesma energia raramente se traduz em avanços estruturais para o país?

Laura Jane Pereira de Souza - Administradora de empresas, consultora e mentora

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura
Marketing
3 de agosto de 2026 18H00
Quem você é além do crachá? A partir de reflexões sobre protagonismo e evolução profissional, a autora mostra por que cultivar a própria identidade é essencial para permanecer relevante em qualquer cenário.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução