Transformação Digital, Marketing e vendas, Marketing Business Driven, Marketing business-driven

O boom dos festivais e o impacto na estratégia de branding das marcas

Crescimento dos festivais de música pós-pandemia oferece às marcas uma chance única de engajamento e visibilidade autêntica.
Head da Estúdio Eixo, onde mapeia o zeitgeist para co-criar possibilidades e soluções novas e melhores, Kika é produtora, jornalista, maker e entusiasta cultural. "Porque em um mundo tão plural, não posso ser apenas uma coisa." Tem mais de dez anos de experiência adquirida com diferentes players da indústria da comunicação nas duas maiores editoras do Brasil: Editora Globo e Abril. Três anos trabalhando na Foodpass, responsável pela estratégia criativa, design de experiência e liderança de projetos com Nespresso, Renault, Ifood, BR Malls, Andorinha e Food Female, o primeiro encontro para conectar e capacitar mulheres no setor de alimentos.

Compartilhar:

A pandemia de COVID-19 provocou um impacto cultural profundo, suprimindo por meses a demanda por experiências sociais cara a cara. Em 2022, 69% das pessoas tinham a intenção de retomar imediatamente os eventos culturais. Essa ânsia por experiências ao vivo impulsionou um crescimento exponencial dos festivais de música.

As pessoas, sedentas por contato humano e qualquer tipo de experiência em multidão, retornaram aos festivais com a certeza de que viveriam tudo o que não puderam nos anos pandêmicos.

E esse é um dos motivos pelo qual, até hoje, no Brasil e na América Latina, observa-se um crescimento robusto no número de festivais. Até junho de 2023, houve um aumento de 46% em comparação com 2022. Além da crescente demanda por festas ao vivo, esse crescimento pode ser atribuído a fatores como a melhoria da infraestrutura nacional e a profissionalização do setor.

__Branding musical__

Os festivais de música não são meros eventos; eles representam plataformas poderosas para as marcas estabelecerem conexões emocionais profundas. Com um público diversificado que reflete a própria variedade dessas festas, as marcas podem alcançar diversos segmentos demográficos de maneira autêntica e impactante. O Rock The Mountain, por exemplo, experimentou um crescimento explosivo de 400% pós-pandemia, destacando o potencial de engajamento e visibilidade para marcas.

A retomada dos eventos ao vivo tem sido marcada por um retorno otimista e eufórico. Empresas de diversos setores, como plataformas sociais, serviços de streaming de música e varejistas de alimentos e bebidas, estão aproveitando essa oportunidade de mercado.

O público diverso é uma das características que mais atrai nos festivais. Além de conseguir conversar com diferentes nichos, eles oferecem uma ampla tela para marcas que desejam demonstrar seu compromisso com valores como inclusão e diversidade. Desde eventos de eletrônica até de rock clássico, cada meio proporciona um terreno fértil para experiências de marca personalizadas e memoráveis.

__Estratégias de ativação inovadoras__

Além do patrocínio tradicional, as marcas têm explorado novas formas de ativação nos festivais. Lounges exclusivos, experiências imersivas e brindes personalizados são apenas algumas das maneiras criativas pelas quais as empresas têm se destacado nesse cenário. Essas iniciativas não apenas aumentam a visibilidade da marca, mas também fortalecem a conexão emocional com o público-alvo.

Fora que os festivais são verdadeiros ímãs de conteúdo para as redes sociais. Os participantes compartilham fotos e vídeos instantaneamente, amplificando o alcance e a influência dos patrocinadores.

Marcas que patrocinam ou participam dos festivais aproveitam essa dinâmica para promover seus produtos de maneira autêntica e até mais orgânica. Estratégias como o uso de hashtags específicas e a geolocalização permitem que as publicações sejam facilmente encontradas e compartilhadas, o que multiplica o impacto digital. Por exemplo, uma hashtag bem pensada pode agrupar milhares de postagens de diferentes usuários, criando um mosaico de experiências que ecoam muito além do evento em si.

Além disso, a interação entre marcas e participantes não se limita ao período do festival. Antes do evento, campanhas de expectativa criam engajamento e excitamento, enquanto, durante o festival, concursos e atividades interativas nas redes sociais incentivam a participação ativa do público. Após o evento, o conteúdo gerado continua a circular, prolongando a exposição das marcas.

Os influenciadores digitais também desempenham um papel crucial nesse cenário. A presença deles nos festivais não só atrai seus seguidores para o evento, mas também garante uma cobertura mais ampla e diversificada. As marcas que colaboram com influenciadores conseguem atingir públicos específicos de maneira mais eficaz, beneficiando-se da credibilidade e do alcance desses criadores de conteúdo.

__Desafios e Reflexões__

Porém, apesar de oferecerem um terreno fértil para o branding, os festivais também apresentam desafios significativos. Questões como infraestrutura inadequada, segurança e sustentabilidade ambiental podem afetar a percepção da marca.

Quando a imagem de um evento é prejudicada, facilmente a reputação dos patrocinadores é questionada em conjunto. Por isso é importante considerar que também existe a possibilidade de perdas quando se faz um investimento desse tipo.
No final, estamos testemunhando não apenas um boom de festivais, mas um renascimento cultural impulsionado pela necessidade humana de conexão e experiências compartilhadas.

Para as marcas, este é um momento de ouro para se destacar, alinhando-se com valores autênticos e explorando novas formas de interagir com o público. Com uma abordagem estratégica e sensível, as marcas não apenas capitalizam essa tendência, mas também moldam ativamente o futuro do branding em um mundo pós-pandemia.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O cérebro é um velcro para críticas e um teflon para elogios

Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

O líder como jardineiro: a vantagem competitiva que cresce como um jardim

Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

O prêmio do julgamento na era da inteligência abundante

Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

Quando a tecnologia muda, o legado permanece

Enquanto os ciclos tecnológicos se tornam cada vez mais curtos, organizações enfrentam um desafio permanente: transformar inovação em resultados concretos e que gere valor para o negócio no longo prazo.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
14 de setembro de 2026 14H00
Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

Valter Bahia Filho - Autor e consultor educacional de Neurociência e Comportamento, Psicologia Positiva, Comunicação, Artes e Gestão de Pessoas.

12 minutos min de leitura
Liderança
14 de setembro de 2026 08H00
Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

11 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 17H00
Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
13 de setembro de 2026 14h00
Os movimentos recentes de Art’G e Belmont Emeralds revelam estratégias de geração e captura de valor

Adriana Salles Gomes

0 min de leitura
Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 08H00
Enquanto os ciclos tecnológicos se tornam cada vez mais curtos, organizações enfrentam um desafio permanente: transformar inovação em resultados concretos e que gere valor para o negócio no longo prazo.

Andréia Rengel - CEO e sócia da AMcom

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
12 de setembro de 2026 14H00
Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por dados, o people analytics permite que o RH amplie sua influência nas decisões corporativas.

Gabriela Resende - Diretora de Operações de Recursos Humanos da Propay

5 minutos min de leitura
User Experience, UX
12 de setembro de 2026 09H00
Uma experiência ruim não gera apenas insatisfação. Ela aumenta custos operacionais, compromete a reputação da marca, reduz receitas futuras e pode encerrar relacionamentos construídos ao longo de anos.

Tâmara Lira - CFO da Paschoalotto

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de setembro de 2026 14H00
Rotular profissionais como tóxicos pode encerrar uma conversa, mas raramente resolve o problema. Ao investigar como comportamentos se formam e se repetem nas organizações, o artigo convida líderes a substituírem julgamentos rápidos por diagnósticos mais profundos e eficazes.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
11 de setembro de 2026 08H00
Mais do que dominar ferramentas, o desafio da liderança passou a ser tomar decisões, engajar pessoas e construir crescimento em um ambiente de incerteza permanente.

Eduardo Raffaini - Sócio-líder de Soluções de Strategy da Deloitte

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
10 de setembro de 2026 18H00
Discordâncias fazem parte de qualquer equipe diversa, mas nem sempre encontram espaço para serem expressas. O verdadeiro risco para as organizações não está no excesso de conflitos, mas na ausência deles.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução