Liderança, Comunidades: CEOs do Amanhã

O cuidado como propósito de liderança

Foi um caminho longo até entender qual era o meu propósito: eu queria cuidar de gente. Vivemos em um país com uma quantidade alarmante de pessoas com transtornos mentais. Precisamos cuidar das pessoas, e é sobre isso que vamos falar neste artigo
Consultora de Gestão na EloGROUP | Valuable Young Leader 2020

Compartilhar:

Sem dúvida, as pessoas que enxergam o seu trabalho como um meio transformador da sociedade encaram o mundo de maneira diferente, e buscam trabalhar todos os dias por um propósito maior do que o retorno financeiro daquela atividade.

Segundo uma pesquisa realizada pela PwC, 79% dos líderes afirmam que o propósito é algo central para a existência de uma organização. Desses, 34% disseram que o propósito da organização é um guia para tomar uma decisão na liderança de sua equipe. Mas então, [qual é o seu propósito?](https://www.revistahsm.com.br/post/tomando-decisoes-dificeis) E qual o meu propósito?

## Valores e memórias

Certa vez, em uma roda de conversa da comunidade dos Young Leaders, nos disseram para falarmos qual era o valor relacionado ao nosso propósito como jovens líderes. Essa pergunta fez um nó na minha cabeça, pois como eu poderia escolher apenas um valor? São tantos valores importantes para a nossa vida. Valores que possuímos e que também buscamos.

À medida que as pessoas foram falando, passou um filme na minha cabeça: experiências, traumas e alegrias vividas. Tentei por meio disso identificar quais os valores por trás daquelas pessoas e das situações que lembrei. Afinal, se eu estava lembrando com tanta facilidade, quer dizer que me marcaram.

Me lembrei de tanta coisa. Momentos em que contei com o apoio de amigos e familiares quando perdi uma pessoa querida, e momentos em que um gestor ouviu as minhas dificuldades técnicas em um projeto e me respeitou.

Além dessas lembranças, refleti sobre os momentos em que não precisei falar nada, mas que alguém me perguntou se eu estava bem. Tive memórias saborosas, com pessoas oferecendo um doce, uma comida gostosa, para me alegrar (quem não fica feliz com comida?).

Lembrei também de quando vi pessoas em situações que já havia vivido, e que senti uma necessidade gigante de contar a minha versão e dizer: pode não parecer agora, mas vai ficar tudo bem. Conte comigo.

Tudo isso aconteceu em segundos, e alguns valores surgiram na minha cabeça: respeito, solidariedade, empatia, humildade. Todos esses valores, e os outros que pensei, são muito relevantes, mas nenhum, sozinho, representa o que era o mais importante para mim. Naquele contexto, surgiu a seguinte palavra na minha cabeça: cuidado.

Tudo começou a fazer sentido. Quero que as pessoas cuidem de mim, então, preciso cuidar delas também.

## Segurança psicológica

O Projeto Aristóteles, realizado pela Google em 2012, [buscava responder quais eram as características de um time incrível](https://mitsloanreview.com.br/post/o-grande-inimigo-da-inovacao) e como uma equipe é capaz de trabalha bem, entregando grandes resultados.

Existe cinco critérios mais relevantes para formar uma equipe de alta performance: segurança psicológica; confiabilidade; estrutura e clareza; significado e impacto, sendo o mais importante, a [segurança psicológica](https://mitsloanreview.com.br/post/seguranca-psicologica-a-base-do-alto-desempenho). Como ter uma equipe segura psicologicamente, sem cuidar dela?

Outro ponto relevante é que no Brasil, cerca de 32% dos trabalhadores sofrem com os efeitos do estresse, segundo a International Stress Management Association ([Isma-BR](http://www.ismabrasil.com.br/)). Vivemos em um país com milhões de pessoas que enfrentam, todos os dias, batalhas que nunca saberemos qual seu tamanho do seu impacto psicológico. [Vivemos uma sociedade doente](https://mitsloanreview.com.br/post/revisitando-o-burnout-a-luz-da-covid-19), sem ver. E é por isso que o cuidado é o meu propósito de liderança.

Uma vez, ouvi nos corredores que uma pessoa era muito resiliente, e que trabalhava melhor sob pressão que outra pessoa. Será mesmo? Quais eram os desafios pessoais dessas duas pessoas? Esses desafios são comparáveis entre si? O que faz um desafio ser maior que o outro? Essa pessoa estava passando por algo ruim que não sabíamos? Nenhuma dessas perguntas me parece ter uma resposta plausível.

Precisamos de uma vez por todas compreender que nossas ações como líderes podem muitas vezes ser gatilho para algo ruim. Nunca saberemos as batalhas que as pessoas estão enfrentando. Além disso, é completamente impossível comparar trajetórias de pessoas diferentes.

Precisamos de pessoas que se sintam cuidadas, e não pressionadas, de pessoas que se sintam acolhidas no ambiente de trabalho, e não julgadas. Precisamos tratar as pessoas como seres únicos e especiais, que é o que elas de fato são.

## Cuidar de pessoas

Atualmente, trabalho na EloGROUP, uma consultoria de gestão daqui do Brasil, e estou envolvida em projetos de gestão da saúde pública. Sou formada em engenharia de produção, e trabalhar com saúde nunca foi um objetivo.

Por um tempo, na adolescência, quis ser médica, mas morria de medo de ser médica. Hoje, olhando para trás, acho que eu queria mesmo era cuidar de gente. [Steve Jobs](https://www.revistahsm.com.br/post/de-um-reset-no-seu-proposito) bem disse: “You can’t connect the dots looking forward. You can only connect them, looking backwards.” E como sou grata por poder fazer isso com o meu trabalho, mas também, com as minhas ações no dia a dia, com meus gestores, colegas e amigos.

Se um dia tentei dividir o meu principal valor, o cuidado, em outros valores, hoje vejo que separar as pessoas da minha vida em amigos, família e colegas também não dá muito certo, pois, na verdade, amo todas essas pessoas. E é isso, em suma: quero cuidar das pessoas que amo.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Empresas preparadas para a próxima década não usam IA. Elas se reorganizam ao redor dela.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

O que separa empresas inovadoras das que apenas fazem inovação

Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Pare de tentar prever o mundo. Construa uma empresa que aguenta vários.

Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Contratar, promover ou buscar fora: a decisão que separa o líder do gestor

Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de agosto de 2026 14H00
Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
5 de agosto de 2026 08H00
A mobilização que o maior evento esportivo do mundo desperta revelou algo poderoso sobre os brasileiros: nossa capacidade de nos unir em torno de um objetivo comum. Mas por que essa mesma energia raramente se traduz em avanços estruturais para o país?

Laura Jane Pereira de Souza - Administradora de empresas, consultora e mentora

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura
Liderança
3 de agosto de 2026 14H00
Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 de agosto de 2026 08H00
Por que relações saudáveis deixaram de ser apenas uma questão de clima organizacional para se tornarem um fator estratégico de competitividade? O artigo mostra como a confiança entre pessoas e áreas influencia diretamente a velocidade de execução dos negócios.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo