Uncategorized

O desejo de mudança, as empresas e o caso FIEMG

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais está lidando com as quatro fases do processo de mudança: “eu preciso mudar”, “eu quero mudar”, “eu sei fazer a mudança”, “eu faço a mudança”
PhD, sócia fundadora da BTA, consultoria em desenvolvimento empresarial, membro do Conselho de Administração do Magalu e da MRV e cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil. Além disso, Betania é professora da PUC Minas Gerais e do Insead, da França, autora de 13 livros e coautora de Estratégia e Gestão Empresarial, com Sumantra Ghoshal, entre outros.

Compartilhar:

Em um país com um desejo de transformação explícito como o Brasil, qual é –ou deveria ser– o papel das empresas? Catalisar a mudança. E elas podem muito bem fazer isso, por exemplo, por meio de suas entidades de classe, como as federações de indústrias, que devem ser indutoras do desenvolvimento. No entanto, vez por outra ouvimos de pessoas ligadas a entidades de classe expressões como: “Ah, aqui não funciona assim. 

Não é empresa privada, não adianta”. Pergunto ao leitor: será verdade? Ou melhor: precisa ser verdade? Quero trazer aqui o que considero o contraexemplo positivo de uma entidade catalisadora de mudanças: a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Ela possui um conselho estratégico, formado por 12 presidentes de grandes empresas, que desde 2005 se reúnem periodicamente –em média, a cada dois meses, com o rigor da presença pessoal e intransferível– para discutir, formular e implementar a melhoria das condições de desenvolvimento empresarial com benefício social em Minas Gerais. 

As reuniões incluem a participação do governador do estado, cuja presença também é pessoal e intransferível. Nos últimos dois anos, o conselho vem encaminhando discussões típicas de uma empresa com governança robusta, em torno da estratégia de negócio e da estratégia de gestão do Sistema Fiemg, a começar por ter uma causa formal, aqui explicitada por Olavo Machado, seu presidente: “Ser essencial na contribuição à indústria mineira, gerando resultados que sustentem sua competitividade”. Entraram na rotina da Fiemg questões como resistência à mudança, necessidade de sair do subdesempenho satisfatório, antecipação à indústria. 

Olavo e o conselho estratégico propuseram a transformação, e a estrutura do Sistema Fiemg embarcou na jornada, construindo um “Novo Jeito de Ser e de Fazer”. O conselheiro Cledorvino Belini, presidente da Fiat, confirma que a Fiemg vem se reinventando para conseguir ser um instrumento efetivo no processo de florescimento da indústria mineira. O conselheiro Otavio Azevedo, presidente do grupo Andrade Gutierrez, acrescenta que a Fiemg está ganhando o ritmo e o tônus de mudança de empresa privada. “Agora, podemos ir em frente juntos e fazer o papel que nos cabe em uma federação”, diz. Em processos de mudança, as organizações costumam passar por quatro fases importantes: “eu preciso fazer a mudança”, “eu quero fazer a mudança”, “eu sei fazer a mudança” e “eu faço a mudança”. (Na vida real, elas não ocorrem tão sequencialmente.) 

No Sistema Fiemg, Olavo intuiu o “eu preciso” mesmo sem sentir pressão para tal e já criou condições para que as pessoas possam embarcar no “eu quero”. Paulo Brant, presidente da Cenibra e também membro do conselho estratégico, lembra que “Olavo poderia ter ficado quieto que ninguém iria incomodá-lo muito. Mas ele nos estimulou a provocar, subir a régua, teve muita coragem”. O desafio agora é que o Sistema Fiemg integre o “eu sei” e o “eu faço” com a mesma intensidade, ampliando o nível de competência e a geração de resultados que façam diferença para a indústria e a sociedade. Se o Sistema Fiemg mantiver as quatro fases da mudança interagindo e reforçando-se, a mudança estará entranhada em sua cultura e, mesmo que mude a presidência, as pessoas defenderão a causa. Olavo Machado, reeleito há pouco para o comando da Fiemg, tem mais quatro anos para conseguir isso.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A publicidade não disputa mais audiência. Disputa atenção.

O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

O benefício existe. Mas as pessoas têm tempo para usá-lo?

Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Mobilidade interna: Por que quando o tema é talentos estamos sempre olhando para a grama do vizinho?

A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Cultura organizacional
29 de agosto de 2026 07H00
Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Ísis P. Fontenele - Consultora organizacional, professora da FGV, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de agosto de 2026 17H00
O artigo propõe uma reflexão sobre o papel da curadoria, da divergência e do discernimento humano em uma era marcada pela abundância de inteligências e pela escassez de julgamento.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

7 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo