Uncategorized

O Design Thinking põe o foco no ser humano

Esse método para gerar inovação diferencia-se por lidar bem com problemas complexos, que não são bem definidos e, em geral, envolvem pessoas; primeiro, ele define cada problema com empatia por quem o sofre e só então oferece soluções
já implementou design thinking em diferentes organizações do mercado com sua consultoria Stuber Capacitação em Inovação. Antes, ocupou cargos de gestão seniores em mais de 29 anos de carreira executiva. É doutorando em filosofia e foca sua pesquisa nos métodos científicos aplicados à inovação.

Compartilhar:

CConsultorias tradicionais vêm adquirindo empresas especializadas em design thinking (DT):  a Accenture comprou a Fjord, a  McKinsey comprou a Lunar,  a Deloitte comprou a Doblin. Diversas organizações industriais e varejistas, hospitais, serviços públicos, ONGs, incubadoras de negócios e bancos já usam o design thinking cotidianamente para gerar novos modelos de negócio, desenvolver produtos ou serviços, rever seus processos internos. 

Só a IBM já treinou mais de 10 mil funcionários, e a Infosys, 73 mil. O movimento confirma: o “pensamento do design” veio para ficar, embora ainda cause desconforto e uma ponta de medo no meio empresarial. O gestor pensa: “Agora terei de virar designer?”. 

O método de inovação conhecido como design thinking surgiu no curso de engenharia mecânica da Stanford University em 1958, quando o professor John Arnold iniciou uma disciplina de desenvolvimento de produtos centrado no ser humano. Ele passou, então, a receber aportes teóricos de outras áreas do conhecimento até ganhar a atenção das indústrias na década de 1990. 

Em 2004, ganhou notoriedade com o sucesso da empresa de design Ideo, quando David Kelley e Tim Brown, respectivamente fundador e CEO, foram capa da revista BusinessWeek. A ascensão do design thinking se deve ao fato de muitas empresas almejarem a inovação para criar valor (resultados financeiros e bem-estar das pessoas), mas não saberem ao certo como produzi-la. 

Elas recorrem a bancos de ideias, à melhoria contínua, ao funil da inovação e a outros métodos que, embora bons, demoram muito para lançar produtos ou serviços no mercado e têm apresentado baixa taxa de sucesso. Por que isso acontece? Há dois tipos de problemas para resolver com inovação: o bem definido e o complexo. 

O problema bem definido é solucionável com os métodos tradicionais, como os citados acima ou ainda o PDCA (planejar, executar, controlar, agir, na sigla em inglês). Já para um problema complexo, os métodos tradicionais não funcionam. 

Problemas complexos são os que admitem mais de uma solução, tendem a ocorrer em ambientes sociais (com pessoas envolvidas), não têm delimitações claras e são mal formulados. Por isso, requerem um método alternativo que procure entender o verdadeiro problema antes de oferecer solução para ele – às vezes, mais de uma. O design thinking tem se destacado cada vez mais como ferramenta de inovação porque, com as rápidas mudanças dos mercados e dos clientes, há mais problemas complexos.

> **Quem usa o  design thinking?**
>
> **Empresas:** GE, P&G, IBM, SAP, Infosys, Google, Deutsch Bank, Bank of America, Itaú Unibanco, 3M Brasil, Fiat Brasil. 
>
> **Fundações:** Bill and Melinda Gates Foundation, Clinton Foundation, Fundação Telefônica – Brasil. 
>
> **Serviços públicos:** Reino Unido, Singapura, Coreia do Sul (Seul), Estados Unidos, Dinamarca, Finlândia. 
>
> **Área de saúde:** Kaiser Permanente, Mayo Clinic, Hospital Albert Einstein.

> **Quando o DT é mais eficiente?**
>
> Há muitos modos de fazer design thinking, mas o melhor, segundo Edgard Stuber, é o sistêmico, não linear e de aprendizado experiencial, com quatro fases: 
>
> **Fase I:** entendimento das necessidades dos públicos de interesse envolvidos. 
>
> **Fase II:** reenquadramento do problema real – aqui, a equipe redefine o desafio inicial. 
>
> **Fase III:** ideação, ou seja, geração e seleção das hipóteses de solução do problema. 
>
> **Fase IV:** experimentação e cocriação, com protótipos e testes com as pessoas de interesse. 

**QUATRO DIFERENCIAIS**

O design thinking crê que, para chegar a uma solução robusta de um produto, serviço ou experiência, é preciso ter profundo entendimento das necessidades das pessoas para as quais eles estão sendo projetados. Isso explica o primeiro elemento fundamental a quem usa a ferramenta: a empatia, que é a capacidade de se pôr no lugar de quem se está observando e entrevistando. 

Os inovadores vão a campo usar percepção e empatia para coletar impressões pessoais. Só que, diferentemente do modo que o pessoal das consultorias trabalha – avaliando o problema e trazendo a solução pronta –, o autêntico design thinking considera que os melhores inovadores são os funcionários da organização e, assim, capacita-os no processo com uma abordagem de aprendizado experiencial. 

O DT ainda se destaca por mudar os modelos mentais das pessoas que o usam (e seus hábitos). Seus participantes reaprendem a olhar o problema com a curiosidade e a escuta ativa dos turistas e o pensamento indutivo dos cientistas (somando, às informações que percebem, seu conhecimento tácito sobre o tema) e não querem mais ter resposta para tudo; concentram-se em fazer as perguntas certas e em questionar premissas existentes. 

Ainda como os cientistas, os praticantes do DT também buscam aprender com casos análogos, como fez a Apple, que, para abrir suas lojas de varejo, olhou para o caso análogo da rede de hotéis Carlton-Ritz. O design thinking é similar ao método científico, mas tem um componente subjetivo, porque depende muito do indivíduo observador e de sua capacidade criativa – ao longo do processo, isso é equilibrado com o trabalho em equipe. 

**ARMADILHAS E ERROS COMUNS**

A educação que recebemos, as rotinas de trabalho do dia a dia e as crenças que carregamos impõem uma dificuldade para o DT. Tudo isso nos atrapalha na fase de observação e entrevistas, pois acabamos vendo aquilo em que acreditamos e escutando o que queremos. 

Por isso, questionar as “vacas sagradas” nas quais cremos deve ser uma preocupação constante em todo o projeto. Um segundo desafio é superar a sensação de incerteza e ambiguidade inerentes ao processo de inovação. Isso é aliviado ao sistematizar as ações de maneira iterativa – ou seja, revisitando diversas vezes as diferentes fases do processo, até finalmente chegar a soluções possíveis. 

A não diversidade da equipe pode ser uma ameaça também. Os times de DT se mostram bem mais produtivos quando têm pessoas de diferentes estilos de aprendizado e variados departamentos da empresa, porque isso leva a ideações diversas. 

Dois erros muito comuns na utilização do método é pular rapidamente para a solução do problema aos primeiros sinais de oportunidades descobertas e tentar criar um processo-padrão de DT – cada caso de inovação é singular e requer preparo especial das pessoas. Na implementação da solução, o erro é não garantir excelência e disciplina – tanto os métodos ágeis como a gestão de projetos podem minimizar esse risco. Um perigo constante para o DT são os franco-atiradores da empresa, sempre prontos a matar qualquer nova ideia que possa comprometer o status quo. 

**PREPARO DOS GESTORES E ESTRATÉGIA**

O maior benefício do método é preparar os gestores da organização para enfrentarem os problemas complexos decorrentes das mudanças do ambiente de negócios, problemas esses que são uma fonte de oportunidades. Outra vantagem é levar a empresa a encarar erros de maneira positiva, visto que fazem parte do processo de aprendizado e são inerentes à inovação. O terceiro benefício do DT pode estar em ajudar a organização a alterar a orientação de sua estratégia, trocando os planejamentos internos sobre como o mercado vai comportar-se pela observação e entrevista de seus públicos de interesse a fim de entender suas reais necessidades.

> **Métricas da 3M Brasil**
>
> A subsidiária brasileira da 3M está implantando o design thinking desde 2014 e contabiliza: Em 2014: 
>
> • Pessoas treinadas: 40. 
>
> • Resultados: 6 clusters de oportunidades e mais de 360 ideias. Em 2015: 
>
> • Pessoas treinadas: 40 de 4 divisões e mais 30 nas fases de ideação e cocriação. 
>
> • Resultados: 657 ideias e 73 protótipos. Em 2 anos: 25% dos funcionários do marketing e do laboratório treinados.

**REVOLUÇÃO DE COPÉRNICO**

Com a introdução de novas tecnologias que forçam mudanças rápidas no ambiente de negócios, o DT deve popularizar-se tanto nas empresas que operam B2C como nas B2B. O design thinking tem o potencial de reeditar a revolução de Copérnico, ao fazer com que as organizações deixem de se ver como o centro do universo e passem a orbitar em torno das pessoas. Eu o chamo de “design centrado no ser humano”.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Fomento para inovação: Alavanca estratégica de crescimento para as empresas

O volume e a previsibilidade dos instrumentos de fomento à inovação como financiamentos, recursos de subvenção econômica e incentivos fiscais aumentaram consideravelmente nos últimos anos e em 2026 a perspectiva é de novos recordes de liberações e projetos aprovados.  Fomento para inovação é uma estratégia que, quando bem utilizada, reduz o custo da inovação, viabiliza iniciativas de maior risco tecnológico, ajuda a escalar e encurtar o tempo para geração de valor dos projetos.

Quanta esperança você deposita em 2026?

No início de 2026, mais do que otimismo, precisamos de esperança ativa – o ‘esperançar’ de Paulo Freire. Lideranças que acolhem perdas, profissionais que transformam desafios em movimento e organizações que apostam na criação de futuros melhores, um dia de cada vez.

Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de janeiro de 2026
Se a IA sabe mais do que você, qual é o seu papel como líder? A resposta não está em competir com algoritmos, mas em redefinir o que significa liderar em um mundo onde informação não é poder - decisão é.

João Roncati - CEO da People+Strategy

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de janeiro de 2026
Como o mercado está revendo métricas para entregar resultados no presente e valor no futuro?

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Inovação
20 de janeiro 2026
O volume e a previsibilidade dos instrumentos de fomento à inovação como financiamentos, recursos de subvenção econômica e incentivos fiscais aumentaram consideravelmente nos últimos anos e em 2026 a perspectiva é de novos recordes de liberações e projetos aprovados. Fomento para inovação é uma estratégia que, quando bem utilizada, reduz o custo da inovação, viabiliza iniciativas de maior risco tecnológico, ajuda a escalar e encurtar o tempo para geração de valor dos projetos.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89 empresas

5 minutos min de leitura
Liderança
19 de janeiro de 2026
A COP 30 expôs um paradoxo gritante: temos dados e tecnologia em abundância, mas carecemos da consciência para usá-los. Se a agenda climática deixou de ser ambiental para se tornar existencial, por que ainda tratamos espiritualidade corporativa como tabu?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

7 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
17 de janeiro de 2026
Falar em ‘epidemia de Burnout’ virou o álibi perfeito: responsabiliza empresas, alimenta fundos públicos e poupa o Estado de encarar o verdadeiro colapso social que adoece o país. O que falta não é diagnóstico - é coragem para dizer de onde vem o problema

Dr. Glauco Callia - Médico, CEO e fundador da Zenith

7 minutos min de leitura
Liderança, ESG
16 de janeiro de 2026
No início de 2026, mais do que otimismo, precisamos de esperança ativa - o ‘esperançar’ de Paulo Freire. Lideranças que acolhem perdas, profissionais que transformam desafios em movimento e organizações que apostam na criação de futuros melhores, um dia de cada vez.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
15 de janeiro de 2026
A jornada de venda B2B deve incluir geração de demanda inteligente, excelência no processo de discovery e investimento em sucesso do cliente.

Rafael Silva - Head de parcerias e alianças da Lecom

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
14 de janeiro de 2026
Cumprir cotas não é inclusão: a nova pesquisa "Radar da Inclusão" revela barreiras invisíveis que bloqueiam carreiras e expõe a urgência de transformar diversidade em acessibilidade, protagonismo e segurança psicológica.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional
13 de janeiro de 2026
Remuneração variável não é um benefício extra: é um contrato psicológico que define confiança, engajamento e cultura. Quando mal estruturada, custa caro - e não apenas no caixa

Ivan Cruz - Cofundador da Mereo

5 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Estratégia
12 de janeiro de 2026
Empresas que tratam sucessão como evento, e não como processo, vivem em campanha eleitoral permanente: discursos inflados, pouca estrutura e dependência de salvadores. Em 2026, sua organização vai escolher maturidade ou improviso?

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança