Dossiê HSM

O digital vai se impor

Segundo a academia, a digitalização das empresas na pandemia foi mais operacional; no futuro, invadirá outras áreas
Sandra Regina da Silva é colaboradora de HSM Management.

Compartilhar:

Ninguém tem dúvidas: a digitalização foi acelerada em empresas brasileiras de muitos setores. Até as que não tinham nenhum plano digital avançaram significativamente. Mas o processo ainda está incompleto – ele é mais limitado às operações das empresas. Ainda há um gap tecnológico em relação aos países desenvolvidos, mas falta principalmente o digital estar presente na estratégia, no modelo de gestão, na relação com os clientes, nos padrões de competição setorial. E, é claro, nos talentos.

O primeiro ponto é a estratégia. “O digital entrará bem forte na estratégia das empresas daqui por diante”, prevê Aldemir Drummond, vice-presidente da Fundação Dom Cabral (FDC). David Kallás, coordenador executivo do programa de pós-graduação lato sensu do Insper, acredita que as empresas vão passar a desenhar estratégias mais baseadas em técnicas, como a de cenários, por exemplo. “Não é ferramenta nova, mas agora se entende quão útil é”, diz o especialista do Insper. Isso significa que, em vez de se traçar uma estratégia, a empresa vai preparar três ou quatro. E, atrelado a isso, passará a monitorar os sinais de futuros, para conseguir ter uma reação mais rápida.

Para Fábio Mariano Borges, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e coordenador do novo curso Master em Tendências e Estudos do Futuro, esse novo planejamento pressupõe o modelo de gestão e liderança agile. Por esse modelo, ainda pouco abraçado ou adotado parcialmente, o líder tem que ser mais ágil e rápido, promover mais o “fazer” que o “planejar”, derrubar silos funcionais e garantir que todos se norteiem por um propósito.

Moacir de Miranda Oliveira Jr. também destaca, no modelo de gestão, a importância de as empresas terem um empreendedorismo embarcado, o que abrange desde funcionários intraempreendedores até mais parcerias com startups e centros de pesquisa de universidades. “A energia do ecossistema tem de ser usada em prol da inovação da empresa”, diz head do departamento de business administration da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

## Hipersegmentação: Questão de tempo
O atendimento aos clientes hipersegmentado, ou personalizado, é um aspecto central da transformação digital das empresas norte-americanas, mas quase não aconteceu no Brasil. É questão de tempo para que isso ocorra, segundo Oliveira Jr.

Elaine Tavares, diretora do Coppead da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vai além: “A transformação digital ainda não reconfigurou os setores, mas fará isso”. Por fim, as empresas deverão correr atrás do prejuízo em relação aos talentos, porque o gap em competências digitais é evidente, segundo Tavares.

Horizonte de tempo para isso? Médio prazo.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Menos chat, mais gente

Entre respostas perfeitas e textos polidos demais, corre o risco de desaparecer aquilo que nos torna únicos: nossa capacidade de errar, sentir, duvidar – e pensar por conta própria

A revolução que a tecnologia não consegue fazer por você

Em meio à aceleração da inteligência artificial e à emergência da era agentica, este artigo propõe uma reflexão pouco usual: as transformações mais complexas da IA não são tecnológicas, mas humanas. A partir de uma perspectiva pessoal e prática, o texto explora como auto conhecimento, percepção, medo, intenção, hábitos, ritmo, desapego e adaptação tornam-se variáveis centrais em um mundo de agentes e automação cognitiva. Mais do que discutir ferramentas, a narrativa investiga as tensões invisíveis que moldam decisões, identidades e modelos mentais, defendendo que a verdadeira revolução em curso acontece na consciência humana e não apenas na tecnologia.

Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
5 de março de 2026
Entre respostas perfeitas e textos polidos demais, corre o risco de desaparecer aquilo que nos torna únicos: nossa capacidade de errar, sentir, duvidar - e pensar por conta própria

Bruna Lopes de Barros

2 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
4 de março de 2026 12h00
Com todos acessando as mesmas ferramentas para polir narrativas, o que os diferencia? Segundo pesquisa feita com gestores brasileiros, autoconhecimento, expressão e autoria

Patricia Gibin - Consultora e coach

19 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
4 de março de 2026 06H00
As agendas do ATD26 e SHRM26 deixam claro: o ano começou exigindo líderes capazes de decidir com IA, sustentar cultura e entregar performance em sistemas cada vez mais complexos. Liderança virou infraestrutura de execução - e está em ritmo acelerado.

Allessandra Canuto - Especialista em Inteligência Emocional e Saúde Mental

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
3 de março de 2026 15h00
O verdadeiro poder está em aprender a editar o que a tecnologia ousa criar. Em outras palavras, a era da IA generativa derruba o mito da máquina infalível e te convida para dialogar com artistas imprevisíveis.

Sylvio Leal - Head de Marketing Latam da Sinch

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de março de 2026 08h00
Quando o ego negocia no seu lugar, até decisões inteligentes produzem resultados medíocres. Este artigo aborda a negociação sob a ótica da teoria dos jogos, identidade decisória e arquitetura de incentivos - não apenas como técnica, mas como variável estrutural na construção de valor organizacional.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Cultura organizacional, Liderança
2 de março de 2026
Em meio à aceleração da inteligência artificial e à emergência da era agentica, este artigo propõe uma reflexão pouco usual: as transformações mais complexas da IA não são tecnológicas, mas humanas. A partir de uma perspectiva pessoal e prática, o texto explora como auto conhecimento, percepção, medo, intenção, hábitos, ritmo, desapego e adaptação tornam-se variáveis centrais em um mundo de agentes e automação cognitiva. Mais do que discutir ferramentas, a narrativa investiga as tensões invisíveis que moldam decisões, identidades e modelos mentais, defendendo que a verdadeira revolução em curso acontece na consciência humana e não apenas na tecnologia.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
1º de março de 2026
A crise não está apenas no excesso de trabalho, mas no peso emocional que distorce decisões e fragiliza equipes.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de fevereiro de 2026
Em 2026 o diferencial no uso da IA não será de quem criar mais agentes ou automatizar mais tarefas, mas em quem souber construir sistemas capazes de pensar, aprender e decidir melhor no seu contexto organizacional.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de fevereiro de 2026
Sem modelo operativo claro, sua IA é só enfeite - e suas reuniões, só barulho.

Manoel Pimentel - Chief Scientific Officer na The Cynefin Co. Brazil

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de fevereiro de 2026
Diante dos desafios crescentes da mobilidade, conectar corporações, startups, parceiros e especialistas em um ambiente colaborativo pode ser o caminho para acelerar soluções, transformar ideias em projetos concretos e impulsionar a inovação nesse setor.

Juliana Burza - Gerente de Novos Negócios & Produtos de Inovação no Learning Village

4 minutos min de leitura