Lifelong learning

O dilema entre “aprender a ser” e “aprender a fazer”

No lugar de mais conteúdo, conexões e compromissos, está na hora de abrir espaço na sua agenda para o autoconhecimento. Mais do que na hora
__Poliana Abreu__ é Diretora de conteúdo da HSM e SingularityU Brazil. Graduada em relações internacionais e com MBA em gestão de negócios, se especializou em ESG, cultura organizacional e liderança. Tem mais de 12 anos no mercado de educação executiva. É mãe da Clara, apaixonada por conhecer e viver em culturas diferentes e compra mais livros do que consegue ler.

Compartilhar:

Demandados a aprender a fazer, buscamos mais conteúdos e formações que nos qualifiquem tecnicamente para resolver os desafios de negócios. Não há nada de errado com isso, mas existe outra necessidade crescente: o autoconhecimento. Afinal, para “fazer”, antes de tudo é preciso “ser”. Na HSM Expo 2019, Yuval Harari disse que “o avanço da tecnologia significa que governos e empresas estão cada vez mais próximos de hackear milhões de seres humanos”. Nesse processo, é fundamental seguir um conselho antigo: “Conhece-te a ti mesmo”.

Hoje há uma forte busca por lideranças conscientes, que precisam ser cada vez mais empáticas e inclusivas, com menos estresse, mais resilientes e com a saúde física e mental em dia. Ah, e entregando resultado. Só que ser uma liderança consciente implica desenvolver sua própria consciência, o que exige que a pessoa passe por uma “reforma interna” em um processo de autoconhecimento. Mas sobra tempo para isso?

Forma-se, assim, uma grande incoerência do mundo corporativo, e ficamos distantes da nossa essência e da inteligência da intuição. Buscar conteúdo, contatos e compromissos é mais fácil do que abrir espaço na agenda para a conexão consigo mesmo. E longe do “ser” não é possível identificar conexões e sincronicidades que tornariam nosso trabalho e nossas vidas mais leves e fluidos.

Para aprender a ser é preciso fazer uma jornada de aprendizagem mais longa, densa e complexa do que aquela por competências técnicas. E mais transformadora. Lideranças me contam que, nessa busca por “algo maior”, elas têm incluído abordagens para “autorregulação” nas suas rotinas – desde a prática de esportes até meditação e terapias energéticas. É um avanço, mas o “aprender a ser” precisa também estar, em maior escala, no cotidiano das organizações. E por que isso é importante?

Como me disse Wilma Bolsoni, CEO da Flow School, estamos no apogeu de uma sociedade que vive e se organiza de forma insana, e as pessoas adoecem mental e emocionalmente. Não à toa essa mesma sociedade também clama por inclusão, diversidade, humanidade, inovação, cooperação e mais amor. Para ela, os líderes “sentem que o mundo mudou rápido demais e que eles mesmos precisam mudar para continuar ‘cabendo’ nesse mundo de incertezas, desafios e novos códigos”.

Que tal investir em um plano de “lifelong learning sobre si” para continuar “cabendo” nesse mundo de incertezas? Estas cinco recomendações da Flow School podem ser incluídas no plano:

1. Simplifique.
2. Cuide do físico, do mental e do emocional.
3. Diversifique vínculos e faça parte de grupos ou comunidades fora do trabalho.
4. Inclua-se em sua agenda, fazendo coisas que lhe dão prazer.
5. Medite e busque se conectar com o coração por meio de exercícios de respiração e visualização.

Se você quer continuar a fazer, é incontornável aprender a ser.

Artigo publicado na HSM Management nº 156.

Compartilhar:

__Poliana Abreu__ é Diretora de conteúdo da HSM e SingularityU Brazil. Graduada em relações internacionais e com MBA em gestão de negócios, se especializou em ESG, cultura organizacional e liderança. Tem mais de 12 anos no mercado de educação executiva. É mãe da Clara, apaixonada por conhecer e viver em culturas diferentes e compra mais livros do que consegue ler.

Artigos relacionados

2026 é o ano da disciplina com propósito

À medida que inovação e pressão por resultados se intensificam, disciplina com propósito torna-se o eixo central da liderança capaz de conduzir – e não apenas reagir.

2026 após o hype de 2025: Menos discurso, mais critério em IA

Não é uma previsão do que a IA fará em 2026, mas uma reflexão com mais critério sobre como ela vem sendo usada e interpretada. Sem negar os avanços recentes, discute-se como parte do discurso público se afastou da prática, especialmente no uso de agentes e automações, transformando promessas em certezas e respostas em autoridade.

Liderança
30 de janeiro de 2026
À medida que inovação e pressão por resultados se intensificam, disciplina com propósito torna-se o eixo central da liderança capaz de conduzir - e não apenas reagir.

Bruno Padredi - CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Estratégia
29 de janeiro de 2026
Antes de falar, sua marca já se revela - e, sem consciência, pode estar dizendo exatamente o contrário do que você imagina.

Cristiano Zanetta - Empresário, palestrante TED e escritor

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de janeiro de 2026
Se o seu RH ainda preenche organogramas, você está no século errado. 2025 provou que não basta contratar - é preciso orquestrar talentos com fluidez, propósito e inteligência intergeracional. A era da Arquitetura de Talento já começou.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior e Cris Sabbag - COO da Talento Sênior

2 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
27 de janeiro de 2026
Não é uma previsão do que a IA fará em 2026, mas uma reflexão com mais critério sobre como ela vem sendo usada e interpretada. Sem negar os avanços recentes, discute-se como parte do discurso público se afastou da prática, especialmente no uso de agentes e automações, transformando promessas em certezas e respostas em autoridade.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

0 min de leitura
Lifelong learning
26 de janeiro de 2026
O desenvolvimento profissional não acontece por acaso, mas resulta de aprendizado contínuo e da busca intencional por competências que ampliam seu potencial

Diego Nogare

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
25 de janeiro de 2026
Entre IA agentiva, cibersegurança e novos modelos de negócio, 2026 exige decisões que unem tecnologia, confiança e design organizacional.

Eduardo Peixoto - CEO do CESAR

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
24 de janeiro de 2026
Inovação não falha por falta de ideias, mas por falta de métricas - o que não é medido vira entusiasmo; o que é mensurado vira estratégia.

Marina Lima - Gerente de Inovação Aberta da Stellantis para América do Sul

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
23 de janeiro de 2026
Se seus vínculos não te emocionam, talvez você esteja fazendo networking errado. Relações que movem mercados começam com conexões que movem pessoas - sem cálculo, sem protocolo, só intenção genuína.

Laís Macedo - Presidente do Future Is Now

3 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
22 de janeiro de 2026
Se a IA sabe mais do que você, qual é o seu papel como líder? A resposta não está em competir com algoritmos, mas em redefinir o que significa liderar em um mundo onde informação não é poder - decisão é.

João Roncati - CEO da People+Strategy

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de janeiro de 2026
Como o mercado está revendo métricas para entregar resultados no presente e valor no futuro?

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança