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O encontro de Tamara Erickson com trainees brasileiros

Acompanhe a mesa-redonda da pesquisadora de ambientes de trabalho intergeracionais Tamara Erickson com os trainees Carla Frontini (Unilever), Clarice Amorim (PwC) e Guilherme Barros (Thyssen Krupp), organizada durante o Fórum HSM de Liderança

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Família. Flexibilidade. Hierarquia. Futuros subordinados. Lacunas de habilidades. Prática versus teoria. Os temas abordados na conversa entre uma das maiores estudiosas das gerações no ambiente profissional, Tamara Erickson, e três trainees selecionados por nós foram quentes, reveladores de desafios intergeracionais e possíveis soluções.

**Carla Frontini** – Eu me reconheço em tudo o que a palestra da Tamara Erickson fala sobre a geração Y, mas o que achei interessante mesmo foi aprender sobre as outras gerações. Tomei um monte de notas pensando no meu chefe, para saber conversar melhor com ele. Também foi bom saber sobre a próxima geração, que eu estarei liderando. Nunca tinha pensado nela; sempre penso nos mais velhos. Agora me dei conta de que os mais novos serão diferentes e de que preciso me preparar para liderá-los. 

**Tamara Erickson** – É perspicaz de sua parte pensar tanto nos mais velhos como nos mais jovens. Já antecipo que os mais novos serão diferentes mesmo. Sinto na própria pele: quando converso com mulheres mais jovens, elas são críticas sobre minhas escolhas de vida. O importante é tentar entender o outro. Minhas escolhas podem não ser as melhores para você hoje, mas foram as possíveis para mim naquela época, naquele ambiente. 

**Guilherme Barros** – Achei interessante quando você disse que seremos vistos como tradicionalistas do futuro… 

**Erickson** – Claro, porque vocês vão se tornar líderes e aprender a enfrentar seus desafios de certa maneira. Alguns vão se adaptar a maneiras posteriores, mas muitos vão querer agir sempre da mesma maneira. E então haverá jovens que vão dizer: “Por que eles estão querendo fazer assim? O mundo mudou!”. É importante manter o frescor, viram?! Conversem com seus filhos! (risos) 

**Sofia Esteves** – Vou falar de um desafio de vocês. Em 2014, mais de 1,3 milhão de jovens passaram por processos seletivos organizados pelo DMRH/Cia de Talentos, no mundo todo. Desse total, tivemos dificuldades de contratar 5 mil candidatos, ou seja, o índice de aprovação é menor que 0,01%. por quê? Concluímos que o principal motivo é a falta de capacidade analítica e de argumentação dos jovens. 

**Erickson** – Eu vejo a mesma coisa, no mundo inteiro. Escrevi um livro para a geração Y, chamado Plugged In, e nele digo que esses jovens precisam aprender duas coisas fundamentais. A primeira são as habilidades financeiras – eles têm de saber o que é retorno sobre o investimento – e a segunda é saber argumentar para defender seu ponto de vista, por escrito. As duas coisas faltam à geração Y. E é preciso aprender isso antes de trabalhar, ainda durante a faculdade. nos EuA, algumas empresas estão começando a trabalhar com crianças no ensino médio para fechar esse gap. 

**Barros** – Falta prática. Acho que esse gap é muito forte aqui no brasil. Estamos sempre aprendendo a prática tarde, só no programa de trainee. na faculdade, e antes dela, recebemos teoria e mais teoria. 

**Adriana Chaves** – Vocês se surpreenderam muito com as empresas em que ingressaram? 

**Clarice Amorim** – Eu me surpreendi muito, e positivamente, com a quantidade de cursos e atividades e por ter um coach. 

**Frontini** – gostei da flexibilidade de horário e de local de trabalho, que está no DnA da empresa. isso me motiva. 

**Erickson** – Sabem por que os jovens da geração Y procuram flexibilidade cada vez mais? é porque gostam de família, pensam nas mães e pais que querem ser. As organizações precisam entender isso. 

**Frontini** – interessante, porque outra surpresa é que estou gostando bastante do convívio com um chefe da geração X, que é a mesma dos meus pais. Assim como meus pais querem saber das minhas conquistas, meu chefe mostra interesse pela minha família. para mim, isso é demais. 

**Erickson** – A relação com os pais é tão forte nessa geração que muitas empresas estão abrindo espaço para os pais de seus funcionários. A geração Y confia em seus pais – se vocês perguntarem quem são os heróis deles, muitos dirão que são os pais. Eles querem compartilhar as boas notícias com os pais. pedem conselhos aos pais, mais que aos amigos. um “truque” das empresas é fazer os pais se sentirem orgulhosos de os filhos as terem escolhido como empregadoras, às vezes com um mero folheto dirigido a eles. 

> **POR QUE A HIERARQUIA SURPREENDE**
>
> Como acontece com muitos trainees atuais, a hierarquia é uma das maiores surpresas de quem chega a uma empresa. “Ter um  chefe, que tem um chefe, que tem um chefe, e só poder falar com o chefe direto” mostra ser um incômodo. Tamara Erickson disse compreender a estranheza que isso causa aos jovens. Como a especialista explicou, “não existe essa hierarquia tão rígida na família de agora e, de repente, o jovem entra na empresa e não tem permissão para conversar com certas pessoas; é um choque”. ou seja, o problema é que a empresa de hoje não espelha a organização familiar, como acontecia anteriormente.

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