Uncategorized

O futuro da economia dos aplicativos

Não são poucos os que decretam a morte próxima dos apps, mas eles têm, ao contrário disso, uma perspectiva brilhante
Kleber Wedemann é marketing director do SAS para América Latina e Caribe. Ele escreveu este artigo com exclusividade para o site da Revista HSM.

Compartilhar:

iPhone: e lá se vão 11 anos…

Como quase todos sabem, o iPhone foi lançado há 11 anos. Mesmo enfrentando algum ceticismo dos analistas e da indústria em geral e algumas preocupações em relação ao preço elevado do aparelho, a realidade é que o iPhone mudou nossas vidas de forma profunda e de um modo mais rápido do que qualquer outra inovação que tenha surgido.

Os impactos do iPhone
———————

Esse dispositivo trouxe a internet para os nossos bolsos e provocou mudanças em algumas indústrias, impactando nossas vidas para sempre. Repassemos rapidamente o que houve:

### Indústria de PCs

A Apple colocou um computador no nosso bolso e tanto o iPhone quanto os smartphones em geral se tornaram ferramentas de informação, usadas para produtividade, comunicação e lazer. Sendo assim, o PC tornou-se menos relevante para muita gente. 

### Indústria de telecom

Antes do iPhone, a maioria dos modelos de negócios na indústria de telecomunicações era focado em torno da voz. Sim, a voz sobre IP (VoIP) tornou-se popular no ano 2000 e já havia começado a levar as empresas do setor para o modelo baseado em voz digital, em vez dos tradicionais métodos de entrega de voz da telefonia fixa. Com o advento do iPhone, elas foram forçadas a sair do negócio de voz tradicional. Hoje, as operadoras são empresas de comunicação baseadas em dados, cujos modelos de negócios foram transformados por completo. Todas oferecem pacotes de informação e entretenimento e se tornaram canais para vários tipos de serviços.

### Mídia e entretenimento

Durante a maior parte de nossas vidas, tivemos que ir a um cinema ou a uma locadora para assistir um filme e, no caso de um programa de TV, tínhamos que sentar em frente à televisão. Pois o iPhone criou uma plataforma móvel para a oferta de vídeos e, desde 2007, todos os principais estúdios de cinema e TV foram forçados a expandir seus modelos de distribuição, incluindo serviços de download e streaming em dispositivos móveis.

### Indústria de jogos

Antes de 2007, a maioria dos jogos era entregue por meio de consoles, PCs ou dispositivos portáteis, como o Nintendo DS ou o Sony PlayStation. O iPhone expandiu o mercado de jogos para celular e criou uma categoria totalmente nova de jogabilidade, baseada no toque na tela, persuadindo até mesmo resistentes como a Nintendo a embarcar nesse universo, inspirados em suas famosas franquias. Embora o modelo dominante de “free-to-play” fracione a receita, o potencial para exposição da marca é significativo: o Pokémon Go em realidade aumentada foi baixado mais de 750 milhões de vezes. Isso representa um contraste com todo o ciclo de vidas do Mario, de pouco mais de 500 milhões de downloads.

Acima de tudo, não podemos deixar de mencionar a mais importante ruptura que o iPhone nos trouxe nesses últimos 11 anos: a App Store, a “economia dos aplicativos”. “Se você olhar para todas as coisas que aconteceram no mundo há cinco anos, a App Store está entre as mais influentes para a humanidade nesse período”. É o que diz o fundador e CEO da Evernote, Phil Libin. Hoje, os aplicativos funcionam como a principal interface para os dispositivos conectados, as máquinas modernas e as inovações da Internet das Coisas, que nos permitem interagir com dados em todos os aspectos das nossas vidas.

Números convincentes
——————–

Não faltam dados para mostrar o valor e o potencial da economia de aplicativos existente nos Estados Unidos, por exemplo, destacando as contribuições de mais de cem desenvolvedores de aplicativos e inovadores nesse ecossistema. Os apps causaram disrupção em setores-chave, como vimos no segmento de mapas (Waze), de hospedagem (Airbnb) e transportes (Uber), apenas para citar alguns exemplos. Além disso, a economia dos aplicativos vem impulsionado a criação de empregos, o crescimento da riqueza e novas oportunidades para muita gente.

### Valor de US$ 950,6 bilhões 

O valor da economia de aplicativos deriva de um mercado consumidor em expansão e de um número cada vez maior de aplicativos corporativos e das inovações da IoT.

### 4,7 milhões de funcionários 

A economia de aplicativos emprega mais de 4,7 milhões de norte-americanos como desenvolvedores, engenheiros de software, gerentes de sistemas e professores.

### Salário médio anual de US$ 86 mil 

Com os salários mais competitivos do país, o emprego médio em economia de aplicativos paga quase o dobro da média nacional (US$ 48 mil).

### 444 mil novos empregos de computação serão criados

Seguindo a taxa de crescimento atual, a economia de aplicativos adicionará 440 mil novas vagas de emprego à força de trabalho norte-americana até 2024.

### Empresas geram valor à economia de aplicativos 

Duas em cada três empresas usam aplicativos corporativos, complementando os 175 bilhões de downloads em 2017.

Vida longa
———-

Sim, Steve Jobs estava certo. O iPhone traz a nossa vida para o nosso bolso, mas é uma vida nova, muito mais conectada, interessante e emocionante. Estou ansioso pelos próximos 11 anos!

Compartilhar:

Artigos relacionados

A tecnologia muda. A essência da advocacia permanece.

Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Chega de olhar pelo retrovisor

A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Empresas preparadas para a próxima década não usam IA. Elas se reorganizam ao redor dela.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

O que separa empresas inovadoras das que apenas fazem inovação

Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Pare de tentar prever o mundo. Construa uma empresa que aguenta vários.

Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Liderança
3 de agosto de 2026 14H00
Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 de agosto de 2026 08H00
Por que relações saudáveis deixaram de ser apenas uma questão de clima organizacional para se tornarem um fator estratégico de competitividade? O artigo mostra como a confiança entre pessoas e áreas influencia diretamente a velocidade de execução dos negócios.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
2 de agosto de 2026 13H00
Mais do que contratos ou licenças, canais de software constroem mercado, relacionamento e receita. A possível recompra de franqueados pela Omie reacende o debate sobre como mensurar, jurídica e economicamente, o valor gerado por quem desenvolve a operação na ponta.

Sthefano Scalon Cruvinel - Doutrinador do Direito, Auditor Judicial com atuação no STJ e CEO da EvidJuri

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de agosto de 2026 08H00
Por décadas, o mercado financeiro enxergou a assimetria de informação como um obstáculo inevitável. A combinação entre duplicata escritural e inteligência artificial sugere uma nova possibilidade: usar os próprios registros das operações comerciais para revelar padrões invisíveis, reduzir incertezas e tornar o crédito mais acessível e preciso.

Fernando Wosniak Steler - Co-Fundador e CEO da Delend

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
1º de agosto de 2026 14H00
Impulsionadas pelas exigências de investidores, certificações ambientais e adaptação climática, as edificações sustentáveis consolidam-se como ativos estratégicos para empresas que buscam eficiência, resiliência e geração de valor de longo prazo.

Euclides Ciruelos - Idealizador da SmartLy, diretor e responsável técnico da HotFloor

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
1º de agosto de 2026 08H00
Antes de criar cargos de alta gestão, organizações devem avaliar se possuem estrutura, governança e desafios estratégicos que justifiquem essas posições

Roberto Vilela - Consultor empresarial, estrategista de negócios, escritor e palestrante 

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
31 de julho de 2026 14H00
Mais contatos, mais mensagens, mais reuniões e menos impacto. Em uma economia movida por redes e ecossistemas, a vantagem competitiva não está em estar conectado o tempo todo, mas em construir conexões capazes de gerar confiança, influência, inovação e transformação ao longo do tempo.

Tássia Galvão - Fundadora e CEO da Konne

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de julho de 2026 08H00
Este artigo propõe uma reflexão sobre por que atenção, presença, pensamento crítico e conexão humana podem se tornar os ativos mais valiosos de uma era cada vez mais dominada pela tecnologia.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

6 minutos min de leitura
Cultura organizacional
30 de julho de 2026 14H00
Tecnologias, processos e estratégias podem mudar rapidamente. O que diferencia organizações resilientes é a capacidade de preservar os princípios que orientam decisões e comportamentos, transformando a cultura em um elemento de coerência em meio à mudança contínua.

Diego Alegre - CEO do Arquipélago "Culturas que transformam"

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
30 de julho de 2026 07H00
A agricultura é uma das grandes forças econômicas do Brasil, mas seus mecanismos de inovação ainda são pouco compreendidos fora do setor. Este artigo parte de uma conversa com Jonas Hipólito, CEO da Biotrop, para observar como ciência, bioinsumos, biodiversidade, dados e competição global começam a redesenhar a próxima etapa da produtividade agrícola.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

21 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo