Liderança

O futuro das mídias sociais dentro da empresa

Se usarem o LinkedIn, o Twitter e o Facebook, seus colaboradores poderão melhorar o desempenho e ajudar a organização. Como? O pesquisador do Boston College Gerald Kane apresenta suas descobertas

Compartilhar:

> **Vale a leitura porque…** 
>
> … especialistas continuam a projetar que as mídias sociais vão alterar completamente a forma como a comunicação e a colaboração acontecem nas empresas. … cada vez mais organizações estudam investir em uma estratégia para a plataforma de mídias sociais para o público interno. … as startups podem ficar mais competitivas por aproveitarem as mídias sociais melhor do que as empresas estabelecidas.

Não importa ter presença no Facebook, Twitter, Instagram, Periscope, YouTube ou LinkedIn. Quando aborda mídias sociais, pare de pensar apenas em termos das ferramentas ou dos clientes externos. 

Comece a colocar os colaboradores nessa equação e a considerar o que sua empresa pretende atingir no que se refere ao relacionamento com eles (e entre eles), ao desempenho deles e ao ambiente de trabalho. Em um extenso artigo publicado no MIS Quarterly Executive, Gerald Kane, professor de sistemas da informação do Boston College, dos EUA, diz acreditar que as mídias sociais vão alterar completamente a forma como a comunicação e a colaboração acontecem nos negócios. 

Por quê? Elas fornecem uma gama mais ampla de maneiras para que os colaboradores se conectem quando precisarem e oferece novas habilidades para alavancar essas conexões em prol da empresa. O sucesso nessa área exige, segundo Kane, entender e aproveitar corretamente as formas como essas ferramentas são usadas, conforme mostram estes highlights da pesquisa:

**•  Visibilidade da rede de “mensageiros” e mapeamento de conteúdos.**  É preciso entender as duas grandes vantagens das mídias sociais. A primeira é que permitem que as pessoas tenham uma visão clara de sua rede de contatos, sabendo a que fornecedor de conteúdo recorrer em cada situação. A segunda reside na facilidade com que essas pessoas passam a mapear conteúdos. É importante levar em conta, porém, que existem diferentes níveis de conteúdo e de capacidade de mapeamento: vídeos podem trazer mais informações, mas são mais difíceis de mapear do que tuítes, por exemplo. A maneira como isso é gerenciado faz com que uma pessoa tenha acesso a novas informações e a mais gente – ou que se feche em sua comunidade. 

**•  Relações sociais.** São a base da interação humana e, nas mídias sociais, acontecem em diferentes níveis. Conhecer tais níveis é importante para as empresas,  a fim de que saibam que ferramenta é melhor para que finalidade. Quatro tipos de relações são desenvolvidos nas mídias sociais, como mostra o quadro ao lado. 

**•  Transparência e permanência.** Informações postadas online muitas vezes ganham vida própria. A transparência e a permanência do conteúdo digital, no entanto, podem ter seus benefícios para as organizações. Quando se comporta de maneira inesperada, a informação às vezes encontra seu caminho para lugares não identificados previamente. Enquanto o e-mail tende a bloquear informações em silos de conhecimentos destinados a fins e pessoas específicos, ferramentas de mídia social podem liberar essa informação valiosa para uso em outro lugar na empresa. A permanência permite também o acesso posterior às informações, mas pode deixar as pessoas mais ansiosas, temendo que sejam monitoradas o tempo todo, além de criar ruídos e excesso de informações desnecessárias. 

•  Autenticidade, anonimato e pseudônimos. Na maioria das plataformas de mídia social utilizadas pelas empresas, há um elevado grau de autenticidade dos perfis online. No entanto, muitas plataformas suportam vários graus de anonimato. As de comunicação anônima, como o Yik Yak, estão cada vez mais populares. Elas podem tanto levar a um comportamento antissocial, porque as pessoas sabem que não serão responsabilizadas pelo que disserem, como trazer mais liberdade para a expressão de ideias, sem medo de represálias. É possível, portanto, a empresa escolher as plataformas de acordo com o resultado a ser obtido.

> **Os 4 tipos de relações nas mídias sociais**
>
> Segundo o pesquisador Gerald Kane, do Boston College, há, nas mídias sociais, quatro tipos de relações entre as pessoas, e é importante que as empresas os identifiquem com clareza:
>
> **1. Fluxo.** Trata-se da transferência de informações entre as pessoas. Nas mídias sociais, isso pode ocorrer sem a necessidade de qualquer interação anterior entre os usuários. Um bom exemplo são as hashtags e os trending topics do Twitter, que permitem às pessoas encontrar e organizar informações em torno de um interesse comum, mesmo que não se conheçam. 
>
> **2. Interação.** É uma discreta troca entre pessoas, como um e-mail ou uma mensagem direta no Facebook. Uma vantagem desse tipo de conexão é focar usuários específicos com tipos específicos de informações.  A interação possibilita a um emissor medir com que frequência e profundidade se comunica com determinadas pessoas – um importante critério para o valor de certas relações. Uma desvantagem é que pode criar sobrecarga de informação (e rejeição), já que as pessoas são facilmente incluídas em uma quantidade maior de interações. 
>
> **3. Relacionamento.** Talvez sejam o tipo mais comum de conexão nas mídias sociais. É persistente e define as relações ao longo do tempo. Os meios digitais permitem que indivíduos mais eficientes mantenham uma rede de relacionamentos que acessem somente quando necessário. No entanto, é muito mais difícil estabelecer um relacionamento com alguém pelas redes sociais do que pessoalmente. 
>
> **4. Proximidade.** Diz respeito à distância entre os usuários, eletrônica ou física, e pode representar um aumento na possibilidade de uma conexão com uma terceira pessoa, em vez de ser uma conexão que se basta em si. Dois indivíduos tendem a interagir mais se tiverem proximidade eletrônica, por exemplo, o que ocorre entre membros de um grupo com interesses comuns. O valor da proximidade já está sendo aproveitado por algumas empresas: a KLM permite que os passageiros selecionem ao lado de quem querem se sentar nos voos (proximidade física) com base em seus perfis do Facebook (proximidade eletrônica). Dispositivos móveis também estão apoiando a proximidade física por meio de rastreamento por GPS, como no caso dos aplicativos Uber e Waze.

**TRADE-OFFS NECESSÁRIOS**

Em função de sua experiência pessoal ajudando grupos a se comunicar, o pesquisador do Boston College se diz um pouco surpreso com a demora das organizações em adotarem a mídia social para comunicação interna rápida. Ele explica, por exemplo, que se comunica com seus alunos pelo Twitter e não por e-mail, porque essa rede fornece uma comunicação brevíssima, permite transmitir respostas para todo o grupo em vez de responder a vários e-mails semelhantes e possibilita que outros respondam se ele não estiver disponível. 

Isso reduziu brutalmente a quantidade de e-mails que recebe e lhe gerou aumento de produtividade – algo desejado em toda empresa. A conclusão de Gerald Kane é a de que as mídias sociais exigem das empresas que façam trade-offs, sejam os simples, como o do e-mail, sejam escolhas mais complexas, que têm a ver tanto com a cultura corporativa como com as ferramentas certas. Em suas pesquisas, Kane estudou empresas que melhoraram significativamente a produtividade e a colaboração internas usando mídias sociais e outras em que não houve qualquer efeito. Qual a diferença entre elas? 

O pesquisador explica que a principal é o cultivo do clima certo, o que exige gestores que consigam coordenar as vantagens e desvantagens das mídias sociais com a cultura corporativa. Kane recomenda que, para aprender a fazer isso, os executivos passem a usar ferramentas digitais em sua própria comunicação. 

A implementação bem-sucedida de plataformas de mídia social nas empresas envolve, conforme o pesquisador, muito mais do que apenas tecnologia; requer cultura e processos também. O que ainda não se sabe é se as grandes organizações atuais são suficientemente flexíveis para alavancar essas novas ferramentas a ponto de expandir as oportunidades de negócio. São? Se não são, diz Kane, as empresas estabelecidas podem ser eclipsadas por startups menores e mais ágeis, que vão utilizar as mídias sociais para trabalhar com mais eficiência, atrair mais talentos e acabar representando uma ameaça real para grandes rivais. Só o tempo dirá. 

> Você aplica quando… 
>
> … utiliza menos o e-mail e mais a mídia social, porque o e-mail tende a bloquear informações em silos de conhecimentos, enquanto a mídia social pode disseminar informação valiosa para uso em vários lugares da empresa. … gerencia as questões essenciais ao sucesso das ferramentas de mídia social no ambiente corporativo, como as relativas à transparência e à autenticidade, fazendo os trade-offs necessários.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O futuro que queremos construir e as conversas difíceis que precisamos ter!

Direto da cobertura do SXSW 2026, este artigo percorre as conversas que dominam Austin: quando a tecnologia entra em superciclo e a IA deixa de ser apenas inovação para se tornar força estrutural, a pergunta central deixa de ser técnica – e passa a ser profundamente humana: como preservar significado, pertencimento e propósito em um mundo cada vez mais automatizado?

Você acredita mesmo na visão que você vende todo dia?

Diretamente da cobertura do SXSW 2026, este artigo parte de uma provocação de Tom Sachs para tensionar uma pergunta incômoda a líderes e criadores: é possível engajar pessoas, construir mundos e sustentar visões quando nem nós mesmos acreditamos, de verdade, no que comunicamos todos os dias?

Inovação & estratégia
16 de março de 2026
A tecnologia acelera tudo - inclusive nossos erros. Só a educação é capaz de frear impulsos, criar critérios e impedir que o futuro seja construído no automático.

Adriana Martinelli - Diretora de Conteúdo da Bett Brasil

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
15 de março de 2026 14H30
Direto da cobertura do SXSW 2026, este artigo percorre as conversas que dominam Austin: quando a tecnologia entra em superciclo e a IA deixa de ser apenas inovação para se tornar força estrutural, a pergunta central deixa de ser técnica - e passa a ser profundamente humana: como preservar significado, pertencimento e propósito em um mundo cada vez mais automatizado?

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

6 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
15 de março de 2026 11H00
Diretamente da cobertura do SXSW 2026, este artigo parte de uma provocação de Tom Sachs para tensionar uma pergunta incômoda a líderes e criadores: é possível engajar pessoas, construir mundos e sustentar visões quando nem nós mesmos acreditamos, de verdade, no que comunicamos todos os dias?

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Estratégia
15 de março de 2026 08H00
Quando empresas tratam OKR como plano, roadmap como promessa e cronograma como estratégia, não atrasam por falta de prazo - atrasam por falta de decisão. Este artigo mostra por que confundir artefatos com governança é o verdadeiro custo invisível da execução.

Heriton Duarte e William Meller

15 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
14 de março de 2026 14H00
Direto do SXSW 2026, uma reflexão sobre o que está acontecendo com a Gen Z chegando ao mercado de trabalho cheia de responsabilidades de adulto e ferramentas emocionais de adolescente.

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

2 minutos min de leitura
Estratégia
14 de março de 2026 08H00
Feiras não servem mais para “aparecer” - quem participa apenas para “marcar presença” perde o principal - a chance de antecipar movimentos, ampliar repertório e tomar decisões mais inteligentes em um mercado cada vez mais complexo.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

2 minutos min de leitura
Liderança
13 de março de 2026 14H00
Diretamente do SXSW 2026, uma reflexão sobre como “autoridade” deixa de ser hierarquia para se tornar autoria - e por que liderar, hoje, exige mais inteireza, intenção e responsabilidade do que cargo, palco ou visibilidade.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de março de 2026
Quando a comunicação é excessivamente controlada, a autenticidade se perde - e a espontaneidade vira privilégio. Este artigo revela por que a ética do cuidado é chave para transformar relações, lideranças e estruturas organizacionais.

Daneila Cais - TEDx Speaker, Design de Relações Profissionais

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
12 de março de 2026
Por trás da sensação de ganho de eficiência, existe um movimento oculto que está sobrecarregando profissionais. O artigo traz uma reflexão sobre como empresas estão confundindo volume de atividade com ganho real de produtividade.

Erich Silva - Sócio e Diretor de Operações na Lecom

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de março de 2026 13H00
Direto do SXSW 2026, enquanto o mundo celebra tendências e repete slogans sobre o futuro, este artigo faz o que quase ninguém faz por lá: questiona como a tecnologia está reconfigurando nossa mente - e por que seguimos aceitando respostas prontas para perguntas que ainda nem aprendemos a formular.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

9 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...