Direto ao ponto

O futuro é humano

A futurista Amy Webb, que participou da HSM Expo now!, discutiu as tendências da tecnologia a partir da atual pandemia de Covid-19, sob um ponto de vista humano, demasiado humano

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Amy Webb foi uma das convidadas internacionais do grande evento de gestão organizado anualmente pela HSM, a HSM Expo Now!, realizado de forma totalmente remota em novembro de 2020. A CEO do Future Today Institute conversou com a VP de vendas, marketing e operações da Microsoft na América Latina, Paula Bellizia, e trouxe insights interessantes sobre a tecnologia e seus desdobramentos futuros em nossa vida.

## Trabalho remoto x trabalho presencial
Amy Webb contou que cada vez mais grandes empresas estão deixando a critério do funcionário se ele quer ou não trabalhar remotamente. Ela acredita que essa decisão fará com que muitos decidam mudar e viver em outro lugar completamente diferente, criando um novo padrão de migrações até hoje desconhecido.

## Inteligência artificial x mão de obra humana
A nova era de robôs será colaborativa e capaz de aprender e se adaptar em tempo real para manter a produtividade e contornar imprevistos. A evolução, para Webb, continua ao longo das próximas décadas de forma inexorável. A área de biologia e saúde deve ser a mais impactada em termos de avanços para o público em geral, mas a grande mudança não será necessariamente para a classe trabalhadora. “Os empregos cognitivos, que exigem tarefas repetitivas, serão os mais afetados. E isso vai de um profissional que faz a entrada de dados no computador até advogados, que precisam ler muitos documentos para chegar a um parecer. Isso não será mais necessário”, explica.
Para ela, estamos demorando a confrontar nossas crenças sobre o que pensamos a respeito do trabalho. “Acho que seria melhor reformular a conversa em torno do termo ‘delegação’. O que podemos delegar a um sistema automatizado e o que realmente temos de fazer? Isso vai definir os trabalhos que ficam e os que serão substituídos.”

## Engenharia reversa
Uma forma de se preparar para esse novo cenário é pensar nas tendências para daqui a dez anos e imaginar, como na engenharia reversa, o que fazer para chegar até lá – garantindo assim que as pessoas possam se adaptar e se preparar para esse futuro.

## Educação para o futuro
“Quando comprei meu primeiro laptop, ele veio com um livro. Você lia o manual de instruções e esperava que o produto funcionasse. Hoje, minha filha de 10 anos vive num mundo em que nada mais vem com manual de instruções. A abordagem é totalmente diferente, e a maneira como ela vai resolver os problemas no futuro vai ser totalmente diferente. Temos que ensinar as crianças o que a tecnologia não faz. Ou seja, filosofia, lógica, pensamento crítico, literatura comparada, religião comparada. Vamos precisar de pensadores sofisticados que dominem as diversas linguagens: da matemática aos idiomas.”

## Diversidade e tecnologia
“A importância da diversidade pode ser constatada estatisticamente. As probabilidades de qualquer coisa sempre são melhores quando pessoas diferentes trabalham juntas. Por isso é preciso ter diversidade nos vários escalões do governo, por isso precisamos ter diversidade entre os economistas! Para ter uma mídia melhor, também é preciso que haja diversidade em quem produz os conteúdos.”

## Sustentabilidade e tecnologia
A quantidade de dados sobre problemas ambientais nunca foi tão grande, e pela primeira vez temos acesso ao impacto real dessas questões de forma personalizada. Segundo Webb, o jornal The New York Times, por exemplo, está lançando um app de realidade aumentada no celular que vai permitir que cada um calcule sua pegada de carbono, sua produção de lixo e o impacto disso sobre o ambiente. Em pouco tempo, óculos de realidade aumentada estarão disponíveis e também trarão esses recursos individualizados. “Espero que a consciência nos desperte para a mudança”, afirmou.

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