Dossiê HSM
Oferecido por:

O gestor-empreendedor da tecnologia

A área de saúde tem sido uma das mais transformadas pela tecnologia e é natural que seus profissionais também estejam entre os pioneiros nas carreiras afetadas por essa transformação. É o caso de um médico radiologista que se converteu em pouco mais de 20 anos em gestor-empreendedor de healthcare com viés em inovação
Gustavo Meirelles é médico radiologista e empreendedor em saúde, e presidente do conselho da iDr-Inteligência Diagnóstica Remota.

Compartilhar:

Neste ano, completo 25 anos de formado em medicina, com residência médica e pós-graduações em radiologia. Assim como na vida pessoal, minha trajetória profissional passou por transformações significativas ao longo dos anos, conduzindo-me de médico radiologista a gestor, inovador e empreendedor em saúde. Essa jornada foi repleta de desafios, aprendizados e oportunidades que moldaram meu percurso rumo a novos horizontes e perspectivas.

Filho, sobrinho e neto de médicos, é fato que o ambiente familiar pesou na escolha pela profissão, embora minhas aptidões fossem maiores para disciplinas como matemática, física e línguas. Na França, onde fiz parte do ensino médio, o aconselhamento da direção da escola foi que optasse pela área de exatas. Outras carreiras, como de cientista político ou diplomata, passaram pela minha cabeça na crise que alguns estudantes de medicina atravessam nos primeiros anos.

A escolha pela área de diagnóstico por imagem levou em conta alguns desses fatores. O maior contato com tecnologia e inovações aguçou a minha curiosidade e fez, inclusive, com que eu tomasse algum gosto por anatomia, matéria que nunca tinha me encantado antes. Durante a residência médica, não só mergulhei no universo das imagens diagnósticas como vi a importância de um conhecimento geral em medicina para a formação de um bom radiologista. Dediquei meus primeiros anos após a residência para estabelecer uma carreira acadêmica, com especializações e pós-graduações, além de investir no meu crescimento profissional e no reconhecimento por pares.

Nos primeiros anos de carreira, a medicina ainda vivia um ambiente pouco digitalizado, sendo a radiologia uma exceção. Éramos uma das poucas áreas que já contava com ferramentas digitais para visualização de imagens, como os sistemas PACS, e algumas inovações começavam a despontar, como novas tecnologias de ressonância magnética e equipamentos de PET/CT, tema do meu pós-doutorado em Nova York.

Com o passar dos anos, comecei a perceber que havia um mundo além dos limites das salas de laudos. Praticamente de modo simultâneo abracei duas novas carreiras: de executivo e de empreendedor em saúde. Percebi a importância de um bom conhecimento de gestão e resolvi ampliar meus conhecimentos realizando um MBA na área. Mais ainda, notei que tecnologias como inteligência artificial e telemedicina estavam emergindo e prometiam revolucionar a forma como a saúde era entregue e gerenciada. Decidi, então, trilhar um caminho menos convencional

## A primeira startup, o primeiro CEO
Aos poucos, fui me dedicando mais a atividades de gestão em saúde e de empreendedorismo. Tornei-me diretor de inovação de uma grande empresa, CEO de outra. Há dez anos, montei minha primeira startup, focada em armazenamento e gestão de imagens médicas na nuvem, e ao longo dos últimos anos fui ampliando minha participação em outras empresas, em ramos diversos como inteligência artificial, tratamento de dor com fotocêuticos e educação médica continuada.

A curva de aprendizado era íngreme, embutindo a necessidade de desenvolver novas habilidades. Era preciso compreender o ecossistema de negócios e dominar conceitos de gestão, liderança e estratégia, além de entender como a inovação e a tecnologia estavam redefinindo o setor de saúde. O caminho também não foi (nunca é) livre de percalços: aversão a mudanças, barreiras culturais, regulamentação complexa e dificuldades de infraestrutura são algumas das dificuldades encontradas por empreendedores no País.

A interação com outros empreendedores em saúde, com a possibilidade de troca de experiências e parcerias, tem sido fundamental para o crescimento na área, superação de obstáculos e desenvolvimento de novas ideias. Além disso, dois hábitos que sempre cultivei são de grande valia para minha carreira empreendedora: a leitura, que me possibilita estar sempre por dentro de novidades, não só no campo da saúde; e a corrida de rua, que pratico há cerca de 20 anos e me traz resiliência, determinação e foco.

Ainda que a transição de médico radiologista para executivo, inovador e empreendedor em saúde tenha sido desafiadora, percebi que minha formação médica foi um diferencial importante nesse processo. O conhecimento clínico e a compreensão das necessidades dos profissionais de saúde e dos pacientes me permitiram desenvolver soluções mais relevantes e eficientes para todos. Fora isso, há a rede de contatos estabelecida ao longo dos anos – ela permite que possa contar com diversos amigos para apoiar na identificação e criação de soluções inovadoras para os desafios enfrentados na área.

Minha jornada como inovador e empreendedor em saúde está apenas no começo. Realmente acredito que a busca constante por conhecimento e inovação (além da capacidade de construir pontes e manter bons relacionamentos) são fundamentais para enfrentar as incertezas e evoluir no cenário em constante mudança da saúde. Empreender e gerenciar em saúde não se trata apenas de criar e manter um negócio, mas de impactar positivamente a vida das pessoas, melhorando a assistência, promovendo a prevenção e tornando o acesso à saúde mais democrático e eficiente.

A transformação é ininterrupta. Para a próxima etapa da jornada, pretendo dedicar a maior parte do meu tempo a iniciativas de inovação, com destaque para soluções que sejam acessíveis a todos e que tenham impacto social, fundamental em um país como o nosso. Que minha trajetória e meu esforço de aprendizado contínuo inspirem outros profissionais a buscar seus propósitos e a trilhar caminhos além dos limites convencionais, promovendo impactos positivos na sociedade e na saúde como um todo. O futuro está em nossas mãos e a inovação tem papel fundamental para desbloquear seu verdadeiro potencial.

__Leia também: [A onda tecnológica atual e a odisseia que viveremos](https://www.revistahsm.com.br/post/a-onda-tecnologica-atual-e-a-odisseia-que-viveremos)__

Artigo publicado na HSM Management nº 158.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A contradição que desafia a ONU: É possível falar em inclusão global sem Taiwan?

Em um momento em que a ONU afirma buscar a reconstrução da confiança internacional, o debate sobre a exclusão de Taiwan recoloca uma questão fundamental para a governança global: como defender representatividade, cooperação e direitos universais quando milhões de pessoas permanecem à margem de importantes fóruns internacionais? O artigo analisa as implicações jurídicas, geopolíticas e econômicas dessa controvérsia e seus impactos sobre a estabilidade global.

O próximo Pix será de competências

Imagine carregar, em um único ambiente digital, diplomas, cursos, certificações e qualificações profissionais, todos verificáveis em segundos. O artigo explora como a combinação entre credenciais digitais, blockchain e identidade digital pode redefinir a forma como pessoas comprovam suas competências e como o país acompanha a evolução da educação e da empregabilidade.

Thought leadership: quando a ideia vale mais que a visibilidade

Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

A IA não vai tornar o trabalho mais humano. Nós é que precisamos fazer isso.

A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Por que você deve reconsiderar a rota enquanto ela ainda funciona

Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Estratégia, Direito, Regulação & Compliance
3 de outubro de 2026 08H00
Em um momento em que a ONU afirma buscar a reconstrução da confiança internacional, o debate sobre a exclusão de Taiwan recoloca uma questão fundamental para a governança global: como defender representatividade, cooperação e direitos universais quando milhões de pessoas permanecem à margem de importantes fóruns internacionais? O artigo analisa as implicações jurídicas, geopolíticas e econômicas dessa controvérsia e seus impactos sobre a estabilidade global.

Márcio Coimbra - CEO da Casa Política e Presidente-Executivo do Instituto Monitor da Democracia

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de outubro de 2026 14H00
Imagine carregar, em um único ambiente digital, diplomas, cursos, certificações e qualificações profissionais, todos verificáveis em segundos. O artigo explora como a combinação entre credenciais digitais, blockchain e identidade digital pode redefinir a forma como pessoas comprovam suas competências e como o país acompanha a evolução da educação e da empregabilidade.

Carolina Ferrés - Diretora POK Brasil

Oferecido por: POK
11 minutos min de leitura
Cultura organizacional
2 de outubro de 2026 08H00
Medo e pressão são ótimos para o resultado. Desde que você não precise das mesmas pessoas no trimestre seguinte.

Thais Requito - Palestrante, consultora e pesquisadora em saúde mental e trabalho sustentável

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Comunicação, Estratégia
1º de outubro de 2026 14H00
Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

Caetano Tona - Fundador da Life Lab, TEDx Organizer e Professor de Comunicação na ESPM

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de outubro de 2026 08H00
A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Carol Martins - CEO da SOAP

Oferecido por SOAP
3 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
30 de setembro de 2026 14H00
Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Juliana Tubino - Cofundadora do Ecossistema Octo e coautora do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

6 minutos min de leitura
ESG
30 de setembro de 2026 08H00
Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 14H00
Dois jovens iniciaram a carreira no mesmo programa de trainees, com formações semelhantes e perspectivas promissoras. Trinta anos depois, vivem realidades profissionais e financeiras muito diferentes. A partir dessa história, o artigo propõe uma reflexão sobre como empresas podem contribuir para trajetórias mais sustentáveis e equitativas ao longo de toda a vida.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 08H00
Enquanto algumas organizações reduzem contratações de profissionais em início de carreira graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial, outras fazem exatamente o oposto e ampliam seus programas de formação. O motivo é simples: toda vaga júnior eliminada hoje pode se transformar em uma escassez de profissionais experientes amanhã.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
28 de setembro de 2026 14H00
Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Indira Leite - Consultora em Educação Corporativa e Mestre em Psicologia Organizacional, Especialista em Engajamento de Equipes.

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução