Uncategorized
Oferecido por:

O Hospital Sírio-libanês e as Plataformas Digitais

Agora no cargo de CEO do Hospital Sírio-Libanês, Paulo Chapchap lidera a busca de novos modelos de negócio, tais como Airbnbs da saúde
CEO do Hospital Sírio-Libanês (HSL), antes foi seu superintendente de estratégia corporativa e membro de seu conselho. É médico especializado em transplante de fígado, graduado e doutorado pela Universidade de São Paulo.

Compartilhar:

**5 – ACABOU UM CICLO DOS GRANDES INVESTIMENTOS DO HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS E FICA A PERGUNTA: O EMPREENDEDORISMO CONTINUARÁ?**

Fizemos uma reorganização justamente para que continue. Adotamos um conjunto maior de indicadores de sucesso e reforçamos o compromisso com esses indicadores, o que nos dá segurança para fazer investimentos com novos modelos de negócio e de maneira mais agressiva. Se em 2016 fecharemos o ano com R$ 75 milhões investidos, em 2017 já devem ser mais de R$ 180 milhões, marcando o início de um novo ciclo de investimentos. 

**4 – ENTÃO, QUANDO MENCIONA PLATAFORMA E TECNOLOGIA, O SR. ESTÁ FALANDO DESSAS PLATAFORMAS TECNOLÓGICAS QUE ESTÃO EM ALTA?**

Sim. O que é realmente novo na economia mundial? Agora existem plataformas digitais muito confiáveis que permitem diminuir a intermediação, fazendo um encontro entre a demanda e o suprimento de modo automático, com avaliação online e em tempo real, e possibilitando, assim, a redução de custos. Os exemplos mais evidentes são Airbnb, na área de acomodação, e Uber, na de transporte. Isso vai acontecer na área de saúde também – na prevenção, no diagnóstico mais precoce, captando dados diretamente dos pacientes, na monitoração do tratamento de doenças crônicas, na reabilitação. 

Todas as fases, da preservação da saúde ao retorno a uma situação de saúde depois de ocorrer a doença, vão se beneficiar de uma interação entre demanda e suprimento, para que diminuam os custos desse cuidado e aumentem sua qualidade e efetividade. 

**3 – O SÍRIO JÁ ESTÁ NEGOCIANDO ALGUMA PARCERIA PARA PLATAFORMAS DESSE TIPO? POR EXEMPLO, PARA TELEMEDICINA?**

Várias, e serão anunciadas ao longo dos próximos meses: envolvem os desenvolvedores de tecnologias e aqueles que sentem as dores da falta dessas tecnologias, que são os provedores de cuidados. 

Sobre a telemedicina, posso dizer que a captação de dados do paciente é uma coisa muito importante para o futuro no Brasil, e a consulta de médicos generalistas e especialistas a distância também tem de ser implantada no País. Isso permitirá uma grande diminuição de custos e melhoria de qualidade. Acho que em 2017 já veremos a telemedicina funcionando 

**2 – QUAL  É UM NOVO MODELO DE NEGÓCIO FACTÍVEL PARA UM HOSPITAL?**

Hoje os hospitais são muito dedicados ao tratamento de doenças graves. O novo modelo de negócio que devem explorar tem de buscar evitar que a pessoa precise de hospital, estudando o perfil de risco de doenças em populações delimitadas e atuando para evitar que o risco se materialize.

Mais um modelo consiste em os hospitais trocarem a compra de produtos de tecnologia pela compra de serviços de tecnologia, algo que já acontece em outras indústrias. Assim, não comprarão nem mais nem menos do que precisam. 

**1 – VOCÊS ESTÃO USANDO ALGUM MODELO COMO PONTO DE PARTIDA?**

Sim, temos um programa chamado “Cuidando de Quem Cuida”, que desenvolvemos cerca de dois anos atrás para nossos colaboradores e seus dependentes. Inclui vários projetos de prevenção e de prevenção secundária, que é o diagnóstico precoce para populações de risco, além de programas terapêuticos. Passamos a fazer muito mais prevenção, com médicos de família, e estamos tendo um aprendizado significativo com ele. 

Caíram de 23% para 4% os encaminhamentos às unidades de emergência, a partir de nossos ambulatórios, e de 34% para 19% a proporção de consultas de urgência e emergência sobre o total de consultas, porque há esse acompanhamento mais de perto. Houve uma melhora dos indicadores de internação, mesmo nos casos mais complexos, com redução do tempo médio de permanência, das taxas de reinternação e de complicações pós-cirúrgicas. O número de cirurgias de coluna caiu 56%, por exemplo, porque, com a fisioterapia e o treinamento de postura, as operações passam a ser menos necessárias. 

Tudo isso pode ser escalado para outras empresas que precisam de ajuda para fazer a gestão de saúde de seus colaboradores e que hoje lutam contra a chamada inflação da saúde, que é muito superior à inflação de preços ao consumidor. 

**Pioneirismo:** o Programa de Transplante de Fígado que Chapchap dirige no hospital tem uma equipe pioneira na área, com a maior experiência em transplantes pediátricos intervivos e índices de sobrevida semelhantes ou superiores aos das principais instituições internacionais.

**O HSL:** a receita bruta da instituição em 2015 foi de R$ 1,6 bilhão e, de janeiro a setembro de 2016, somou R$ 1,452 bilhão, o que representa aumento de 20% sobre o mesmo período em 2015. Conta com três unidades em São Paulo (464 leitos) e três em Brasília.

**A reorganização do HSL:** Entre 2009 e 2015, o Hospital Sírio-Libanês investiu R$ 1,4 bilhão para dobrar sua capacidade instalada. Ao longo desses anos, a responsabilidade pela gestão do hospital foi compartilhada por dois executivos – um superintendente corporativo e o médico Paulo Chapchap como superintendente de estratégia corporativa.

No final de 2015, em meio às incertezas do Brasil, o conselho de administração decidiu centralizar a gestão em Chapchap, que se tornou CEO. Reportam diretamente a ele um novo diretor-executivo, Fernando Torelly (que abarca da diretoria de gestão de pessoas à de finanças), e as áreas de comunicação e marketing, novos projetos, estratégia, ensino e pesquisa. A reorganização, com redesenho de processos e mais controles, foi concluída entre março e junho de 2016.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Por que você deve reconsiderar a rota enquanto ela ainda funciona

Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Diversidade não é tendência. É teste de autenticidade.

Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

O que o gestor intermediário recebe, além da cobrança?

Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Headless: a empresa precisa funcionar fora da própria tela

Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Estratégia e Execução
30 de setembro de 2026 14H00
Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Juliana Tubino - Cofundadora do Ecossistema Octo e coautora do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

6 minutos min de leitura
ESG
30 de setembro de 2026 08H00
Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 14H00
Dois jovens iniciaram a carreira no mesmo programa de trainees, com formações semelhantes e perspectivas promissoras. Trinta anos depois, vivem realidades profissionais e financeiras muito diferentes. A partir dessa história, o artigo propõe uma reflexão sobre como empresas podem contribuir para trajetórias mais sustentáveis e equitativas ao longo de toda a vida.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 08H00
Enquanto algumas organizações reduzem contratações de profissionais em início de carreira graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial, outras fazem exatamente o oposto e ampliam seus programas de formação. O motivo é simples: toda vaga júnior eliminada hoje pode se transformar em uma escassez de profissionais experientes amanhã.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
28 de setembro de 2026 14H00
Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Indira Leite - Consultora em Educação Corporativa e Mestre em Psicologia Organizacional, Especialista em Engajamento de Equipes.

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de setembro de 2026 08H00
Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura
Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução