Uncategorized

O importante papel das organizações na transição de saída do colaborador (pré-aposentadoria)

Como as empresas podem colaborar com a transição da saída do colaborador: o que é possível fazer e como.
Sócia da House of Feelings, psicóloga e professora na FIA/USP e na Saint Paul Escola de Negócios. Atua há mais de 15 anos em Recursos Humanos com foco em saúde mental, desenvolvimento humano e cultura organizacional. Especialista em diagnósticos de clima, desenho de programas estratégicos de pessoas, mapeamento de talentos e sucessão. Mestre em Transição de Carreira pela FIA, combina experiência acadêmica e prática empresarial para apoiar líderes e organizações na construção de ambientes de trabalho mais humanos, sustentáveis e de alta performance.

Compartilhar:

Inicialmente, as organizações podem implementar os programas de preparação para a aposentadoria, os PPAs. 

Mas veja bem, não estou falando de um PPA financeiro, porque este apoio já temos várias iniciativas, estou falando da preparação e apoio emocional, isto mesmo, ajudar o seu colaborador a pensar sobre a transição de saída, pensar sobre a terceira carreira (como é também é conhecida a aposentadoria). 

O PPA não só ajuda o profissional, mas também sua família, que a partir de agora irá conviver com ele com mais frequência e talvez em tempo integral.

Se o profissional começar a falar sobre a aposentadoria, no período da pré-aposentadoria, melhor ele aceitará a mudança quando ela acontecer.

Quanto mais falado, explorado e elaborado for a ideia da aposentadoria, mais saudável psicologicamente e emocionalmente (menor o sofrimento) será para o profissional.  

Mas infelizmente não é esta a realidade praticada pelas empresas, segundo uma investigação realizada com 320 organizações brasileiras, apenas 18% adotavam o PPA, embora muitos dos seus principais executivos (75%) tenham admitido que esses programas eram importantes para os trabalhadores. 

O que mais chama a atenção é que segundo a Política Nacional do Idoso – PNA (Lei 8.842, 1994), é de responsabilidade da empresa em prover este preparo para aposentadoria. 

Recomenda-se a adoção do Programa de Preparação para a Aposentadoria (PPA) nas organizações, bem como em assegurar os direitos das pessoas com idade igual ou superior aos 60 anos, inclusive em situações de trabalho. 

A organização, ao oferecer um programa que propicie bem-estar aos seus empregados, acaba por agregar valor ao seu produto, sem falar no clima organizacional, em que trabalhadores jovens e mais velhos percebam a preocupação com o bem-estar dos empregados.

Para que a transição trabalho – aposentadoria seja efetivada de maneira mais tranquila, é fundamental que sejam propostos programas de preparação para a aposentadoria nas organizações, falando em termos de planejamento para o futuro.

Nos componentes de um programa de preparação para aposentadoria, recomenda-se, além das questões financeiras e legais, que sejam trabalhados os fatores relativos à saúde, maturidade e equilíbrio pessoal, envolvimento com o trabalho, relações familiares e sociais, esporte e lazer, ou mais específicos, como a organização de pequenos negócios, dependendo dos interesses dos participantes. 

Também é necessário avaliar a saúde biológica, saúde mental, satisfação, controle cognitivo, competência social, produtividade, atividade, eficácia cognitiva, status social, renda, continuidade de papéis familiares e ocupacionais, e continuidade de relações informais em grupos primários (principalmente rede de amigos). 

Avaliar qualidade de vida envolve a comparação entre as condições disponíveis e as desejáveis.

Estes assuntos são debatidos, na maioria dos programas, na forma de palestras informativas, seguidas de reflexões e análises, que buscam propiciar aos aposentados, de forma gradativa, a ampliação e segurança no domínio cognitivo.

A composição de um programa deve se levar em conta a suscetibilidade de fatores como a capacidade pessoal de enfrentar problemas, as possibilidades que o ambiente proporciona para o crescimento individual, o restabelecimento da identidade pessoal, a reorganização temporal das atividades e a busca de novos objetivos para a vida.

É preciso que a empresa reconheça, aprove e apoie as atividades do PPA. A família do pré-aposentado deverá ser informada e inteirada dos objetivos do programa, além da desejável participação do cônjuge. Incluindo pessoas que já participaram do programa e se encontram aposentadas. 

Devem ser realizadas vivências grupais, desenvolvidas em estreita conexão com os temas abordados em cada encontro.

O apoio que o PPA, oferece ao pré-aposentado pode ser considerado como verdadeiros antídotos contra depressão e outras insatisfações de um tempo ocioso, pois favorecem a incorporação de novas opções de identidade social e de reforço da autoestima.

Essas ações permitem ao empregado que está prestes a se aposentar fazer uma transição paulatina entre sua vida laboral e sua vida pós-aposentadoria. Incluem-se nessas ações o desenvolvimento de novas atividades ligadas a cultura, lazer, esportes, trabalhos manuais, filantropia, entre outros.

Para a adequada execução do PPA, é importante o desenvolvimento de ações multidisciplinares, incluindo educadores, assistentes sociais, profissionais de educação física, gerontólogos, psicólogos, fisioterapeutas, médicos, enfermeiros, entre outros.

No livro “Carreiras sem fronteiras e transição profissional no Brasil”, VELOSO, E.F.R. (2012), a autora identifica três conjuntos de fatores que influenciam a adaptação às várias transições, inclusive profissional, mas ressalta que nem todos eles têm igual importância para a adaptação a uma transição particular:

1. As características da própria transição, incluindo a mudança de função (perdas e ganhos), afetam (positiva ou negativamente) os recursos (internos e externos); o momento (no tempo ou fora do tempo); a duração (permanente, temporária ou incerta) e o grau de stress;

2. As características do suporte pré e pós-transição e o ambiente físico. 

3. As características do indivíduo, incluindo a competência psicossocial, sexo (e identificação da função sexual), idade (estágio da vida), estado de saúde, raça e etnia, status sócio-econômico, orientação de valores e experiência prévia com uma transição similar. 

Os aspectos básicos a serem considerados em um programa são: O PPA deve conter um módulo informativo e um módulo experiencial ou “formativo”. 

O primeiro deverá oferecer palestras com profissionais que trabalham com a aposentadoria, entrevistas com aposentados bem-sucedidos e empreendedores, “dicas” sobre bem-estar e saúde e apresentações sobre criatividade e hábitos saudáveis com psicólogos e médicos geriatras. 

O módulo informativo deve prever a presença de um familiar ou amigo convidado pelo aposentável para participar de algumas palestras e workshops.

O PPA deve ser complementado pelo módulo experiencial, que deverá aprofundar aspectos relacionados à qualidade de vida na aposentadoria, tais como: planejamento financeiro a médio e a longo prazo, dieta e nutrição, relacionamento familiar e social, atividades de lazer e educacionais e atividades remuneradas ou voluntárias. 

As vivências, dinâmicas de grupo e os workshops são metodologias privilegiadas nesse módulo. O módulo informativo deve ter a duração aproximada de um ano. 

O sucesso do programa está no seu acompanhamento, ou seja, na preparação para a aposentadoria não termina com a saída da empresa pelos trabalhadores, que devem ser acompanhados até cinco anos após sua saída. 

A avaliação deve ser periódica e prever continuidade após a aposentadoria.

Outro ponto a ser destacado em um PPA, é sua importância nas organizações, pois é o investimento na qualidade de vida do indivíduo que muitas vezes, preteriu sua vida pessoal e familiar para se dedicar ao trabalho, e que, em breve, deixará a organização. 

Além disso, o que será, para um indivíduo que passou quarenta horas semanais no trabalho, o retorno definitivo para casa, que já possui uma dinâmica própria? Assim, um programa dessa natureza tem uma extensão maior do que aparenta; pois, trará consequências também no âmbito familiar, possibilitando um melhor inter-relacionamento entre aposentado e familiares.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Três hipóteses para redesenhar o primeiro degrau da carreira

A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

O mito da prioridade “pra ontem” (e como não enlouquecer sua equipe)

A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Quando o BIM vira uma ilha: a lição do New York Times para a engenharia

Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

A meta não assusta. O comportamento do líder, às vezes, sim.

Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de setembro de 2026 14H00
A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

Matheus Fonseca - Fundador da Leapy

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de setembro de 2026 08H00
Profissionais de alto impacto já conseguem pesquisar, analisar, testar hipóteses e executar entregas com um nível de autonomia impensável há poucos anos. O problema é que muitas organizações ainda operam com estruturas, processos e planos de carreira desenhados para limitar exatamente esse potencial.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

8 minutos min de leitura
Liderança
18 de setembro de 2026 14H00
A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de setembro de 2026 08H00
Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

Marcus Granadeiro - Membro do RICS - Royal Institution of Chartered Surveyors (MRICS) e sócio-diretor do Construtivo

3 minutos min de leitura
Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

7 minutos min de leitura
Marketing
17 de setembro de 2026 13H00
As principais lições para quem está entrando no mundo das buscas generativas e quer entender como marcas passam a ser encontradas, citadas e recomendadas pelas IAs

Clayton Melo - Jornalista, estrategista de inovação, GEO PR, storytelling estratégico e comunicador de futuros. Tem MBA em Marketing pela FGV, Master em Foresight e Design de Futuros pela ESPM e formação em Leadership for the AI Age (MIT Professional Education) e Multimedia Storytelling pela University of the Arts London. É diretor de IA, Foresight e Inovação da GBR.

Direito, Regulação & Compliance
17 de setembro de 2026 08H00
Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

João Alberto Graça - Advogado, consultor em Direito Tributário, Societário e Governança Corporativa, membro do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná

5 minutos min de leitura
Liderança
16 de setembro de 2026 18H00
Ao observar a comunicação constante de um pequeno grupo de galinhas-d’angola, o autor encontrou uma metáfora surpreendente para um dos maiores desafios dos líderes: perceber, interpretar e responder aos sinais que as pessoas emitem antes que o silêncio, a desmotivação ou a ruptura se tornem irreversíveis.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

12 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de setembro de 2026 14H00
A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Felipe Vasco da Silva - Diretor de Aplicações Tecnológicas para a América Latina da Vertiv

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
16 de setembro de 2026 08H00
Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Ana Bia Medeiros - Líder em Educação na Kiddle Pass

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução