Uncategorized
Oferecido por:

O melhor atalho para atingir a produtividade

A comunicação bem-feita presta um serviço e tanto para você ter um desempenho muito melhor
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Compartilhar:

Tempo acelerado, todo mundo correndo contra o relógio, compromissos acumulados, agenda apertada, sensação de que a gente precisa de duas vidas para dar conta de tudo. Esse é um retrato comum da virada de ano. Entramos em 2020 com desafios maiores e dilemas do mesmo tamanho. 

Produtividade é uma busca das empresas e das pessoas, mas sempre acho que vale a pena começar a resolver o problema a partir daquilo que a gente tem mais domínio e depende mais da nossa própria atitude. 

Sendo ainda mais direta, a comunicação – algo que está completamente dentro da nossa possibilidade de ação – pode contribuir e muito para aumentar a nossa produtividade, seja simplificando o nosso dia a dia, seja facilitando a vida das pessoas que trabalham e convivem conosco. 

Vale ainda dizer que a comunicação não tem um fim em si mesma. Ela é um atalho, um instrumento para tornar nossa vida corporativa mais produtiva e mais feliz. 

As pessoas atentas ao próprio estilo de comunicação, e que são capazes de adequá-lo ao que pede o momento, provavelmente são líderes melhores, têm uma vida corporativa menos exaustiva e conseguem mais tempo para focar aquilo que realmente importa. 

O lado bom disso tudo é que comunicação é treino, o que significa que qualquer um de nós pode melhorar suas práticas por meio de exercício diário. O outro lado é que é preciso dedicar tempo e disciplina para fazê-lo. Comunicação depende de um bom planejamento e de bastante abertura para entendermos e aprendermos com as pessoas que trabalham conosco.

**INSTRUMENTO DIÁRIO**

Sugiro que você comece a encarar, e usar, a comunicação como seu instrumento de produtividade diária. Alguns hábitos podem ajudar.

Estabeleça um senso claro de futuro. As pessoas não se engajam naquilo que elas não conhecem. Portanto, se você precisa fazer um projeto caminhar mais rápido, ou fazer a virada de um processo de mudança bem-feito, ajude as pessoas a entender o que vem pela frente. As pessoas em geral não resistem à mudança; elas resistem ao desconhecido. Sendo assim, crie uma visão clara de futuro, e aproveite para deixar claro para as pessoas como esse futuro pode ser melhor para todos – para a empresa, para a sociedade e, claro, para elas mesmas. Algumas metodologias como a abordagem apreciativa (quando um time cria junto esse futuro a partir de suas crenças e aprendizados) e a gestão à vista (quando tornamos nossos compromissos visíveis e de fácil acesso a todos) podem ajudar nessa tarefa. Porém, nada ajuda mais do que nossas atitudes falarem mais alto do que nossas palavras. Se estamos falando de um futuro em que acreditamos, precisamos agir de forma coerente com o que falamos. Nossas ações e decisões precisam estar alinhados com esse futuro que queremos. 

Torne o futuro atraente. Segundo alguns estudos, entre eles o Edelman Trust Barometer, a maioria das pessoas precisa ouvir sobre um assunto de três a cinco vezes para começar a acreditar nele. Por que isso acontece? Ao ouvirmos repetidamente sobre um tema, ele vai se tornando familiar, temos oportunidade de tirar dúvidas e o desconhecido vai saindo de cena. Isso não quer dizer que a gente vá falar todo dia do mesmo tema, do mesmo jeito. Isso seria um empobrecimento da nossa mensagem. O que precisamos fazer é compor a nossa visão de futuro por meio de uma série de ações consistentes ao que falamos. Consistência é uma palavra chave para nós. 

Deixe claro por que as pessoas são importantes. Mas o que isso tem a ver com comunicação? Absolutamente tudo. A palavra é a ferramenta da liderança. Nosso trabalho diário passa por ajudar as pessoas a realizarem o seu melhor e isso não é nada fácil. Deixá-las saber da importância delas é fundamental. 

Comunique-se para delegar. Hora de praticar o desapego. Muitos de nós somos centralizadores, queremos nos envolver em tudo, e isso custa tempo e saúde. Delegar ajuda a gerenciar o tempo e as prioridades, além de ser uma ótima oportunidade para estimular o desenvolvimento de outras pessoas. Mas não é tão simples. Se a comunicação com o time não for clara, o delegar pode se tornar um “delargar” e gerar frustração, medo ou perda de tempo. A comunicação sobre o que esperamos de um trabalho bem-feito é fundamental para ganharmos tempo e evitarmos o retrabalho. Também é importante avaliar qual nível de autonomia cada pessoa tem para realizar determinada tarefa. Algumas pessoas gostam de liberdade e precisam de uma noção geral do que precisa ser feito para criar em cima disso. Outras podem precisar de uma orientação mais detalhada e um acompanhamento maior. Entender a necessidade de cada um ajuda a colocar energia ou dar liberdade onde é necessário. 

Dê feedback apropriado. Feedback é mais um tema em que a comunicação transborda. E não falo apenas da comunicação verbal. Escolher um local apropriado, dar o tempo apropriado para a conversa e sermos claros nas oportunidades de melhoria tornam a relação com a equipe mais fácil e produtiva. Evite feedback por escrito. Se o feedback for um ponto a desenvolver fale de forma privada – não exponha ninguém a julgamento coletivo. Não perca a oportunidade de valorizar um bom comportamento ou um bom resultado – e nesse caso vale fazer de forma pública. 

Atenção à palavra escrita. Trocamos dezenas (às vezes centenas) de e-mails todos os dias. Muitas vezes, abrimos, lemos uma parte, e de tão complicado entender o que a pessoa quer, deixamos pra resolver depois. Os e-mails então se acumulam e nos custam ainda mais tempo. Vale então a reflexão: nossos e-mails são claros? Algumas orientações simples são: 

> 1. Deixe claro no assunto do e-mail qual é a ação que você espera. 
>
> 2. Copie as pessoas que efetivamente devem tomar uma ação e evite copiar dezenas de outras pessoas somente para conhecimento.
>
> 3. Se acrescentar novas pessoas ao longo da conversa, resuma o que foi trocado e decidido até então para evitar que a pessoa tenha que ler diversas outras mensagens trocadas.
>
> 4. Lembre-se da cortesia. Temos pressa, mas podemos ser gentis. 
>
> 5. Não use o e-mail quando o tema precisa, na verdade, de uma conversa. 
>
> 6. Se a fúria dominou seus dedos ao escrever um e-mail, deixe essa mensagem descansar, releia, corrija e só então a envie. As palavras são mais duras quando escritas se comparadas a quando são faladas. 

Clareza, clareza e clareza. Gosto de lembrar das dicas da escritora Dad Squarisi sobre o bom texto e as nossas escolhas. Como eu não encontrei palavras melhores que as dela, reproduzo com precisão: “Rapidez de leitura fisga. Para chegar lá, opte por palavras familiares. Não torne a língua um instrumento de exibição. Entre dois vocábulos, use o mais curto. Entre dois curtos, os mais simples”.  A clareza nos ajuda em qualquer situação. Por isso,  são comuns as piadinhas com nossos colegas de algumas áreas específicas que gostam de desfilar jargões dos conhecimentos adquiridos em determinadas formações. Usá-los num contexto em que não falamos com iguais pode ser arrogante e não ajuda a ganhar a confiança dos colegas.  

Faça da tecnologia uma aliada, não uma inimiga. Tempos modernos trazem trabalho remoto, times em diversos lugares do mundo, comunicação digital. Porém, ainda não descobrimos nada mais eficiente que o olho no olho. Se essa opção não estiver disponível, a atenção precisa ser redobrada. A linguagem escrita pode ser bastante subjetiva e deixar muito espaço para dúvida, e isso pode gerar retrabalho. Nesse caso, use videoconferência ou telefone e, mais do que isso, confirme se a comunicação está realmente clara. O mundo high tech tem dezenas de vantagens, mas exige de nós uma comunicação cada vez mais high touch. Não estar junto, presencialmente, exige de nós mais atenção para compreender o outro e se fazer compreendido. Investir tempo nesse momento nos garante menos retrabalho e pessoas mais satisfeitas. Quando o trabalho vai e vem por falta de clareza, lidamos com muito mais frustração. 

Cuide do idioma. Com empresas cada vez mais globalizadas, é muito comum também trabalharmos em um idioma que não é o nosso nativo. Muitas vezes, diversas pessoas tentam dialogar num idioma que não é o delas. Cuidado redobrado novamente. Na dúvida sobre o nível de proficiência das pessoas, opte pelas palavras mais simples, fale mais devagar; se for fazer apresentações em Power Point, anote os termos-chave que possam ajudar seus interlocutores a lhe entenderem. Não exiba os seus conhecimentos adquiridos ao longo de anos. Opte por ser gentil com quem não teve a mesma chance. 

Escute mais do que fala. Ao longo da vida corporativa, a gente reconhece e valoriza quem fala bem, com clareza, posiciona-se com eloquência sobre alguns assuntos. É provável que essas características pesem um bocado para avançarmos na carreira. Porém, o que nos torna líderes melhores é menos a capacidade de falar e mais a de ouvir. Ouvir nos permite entender melhor a necessidade das pessoas e resolver as questões com mais assertividade. 

Nenhuma dessas orientações é algo novo, claro, mas são coisas que esquecemos de fazer. O que estabelecerá a diferença mesmo é a disciplina que tivermos para implementar aquelas que consideramos relevantes, entendendo que isso está intimamente relacionado com a produtividade pessoal e da equipe.  

**AUTO(CONHECIMENTO)**

Dois elementos em especial podem fazer com que a nossa comunicação seja muito melhor. O primeiro deles, claro, é o autoconhecimento. Quando a gente conhece o próprio estilo, fica mais fácil encontrar saídas e oportunidades. O segundo, tão importante quanto o primeiro, é conhecer as pessoas que trabalham conosco. Entender estilos, preferências e desafios alheios também nos ajuda a usar a comunicação da melhor forma. 

A comunicação, assim como o exercício de liderança, exige um pouco de técnica, mas também um pouco de arte. Não há fórmulas mágicas. Há a sua receita. Se sua intenção for boa e você estiver aberto a ouvir e ajustar o tempero, vai ter aquele gostinho de quero mais – inclusive, na produtividade.

Compartilhar:

É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura
ESG
25 de setembro de 2026 15H00
Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Luiz Martha - Diretor de Conhecimento e Impacto do IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e Rodolfo Fücher - Líder do Grupo Curador do 27º Congresso IBGC.

3 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance, Finanças
25 de setembro de 2026 08H00
Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
24 de setembro de 2026 19H00
Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Jorge Inafuco - Sócio-diretor da empresa LEADERS LAB Treinamento e Consultoria, Professor e Consultor HSM

7 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
24 de setembro de 2026 14H00
Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Aislan Campos Rocco - Advogado, Sócio na Barroso Advogados Associados

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
24 de setembro de 2026 08H00
As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
23 de setembro de 2026 13H00
O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

Felipe Calbucci - CEO LATAM da TotalPass

Oferecido por: TotalPass
2 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
23 de setembro de 2026 08H00
A crescente complexidade regulatória da armazenagem e distribuição de agroquímicos elevou o nível de responsabilidade das empresas do setor. O que antes era visto como uma exigência burocrática agora impacta diretamente a sustentabilidade financeira, jurídica e reputacional das organizações.

Antonio Sousa - Gerente corporativo de HSE da Bravo Serviços Logísticos

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução