Uncategorized

O novo paradigma do capitalismo criativo

A criatividade é o novo pilar do crescimento econômico dos países. Entenda os três Ts da criatividade – tecnologia, talento e tolerância – e acompanhe os resultados da mais recente edição do Índice de Criatividade Global, que mostra um avanço significativo do Brasil

Compartilhar:

> **Vale a leitura porque…**
>
> … o capitalismo vive uma mudança de paradigma, do modelo industrial para um novo, baseado no conhecimento e na criatividade. … a criatividade poderia ser uma vantagem competitiva do Brasil, que subiu da 46ª posição no ranking de 2011 para a 29ª no de 2015

O capitalismo está diante de uma mudança de paradigma, do modelo industrial para um novo, baseado no conhecimento e na criatividade. É o capitalismo criativo. Sim, e tem mais: a criatividade difere fundamentalmente dos tradicionais e tangíveis elementos da produção industrial. Não se trata de um estoque de coisas, mas de um recurso infinitamente renovável. 

 A questão agora é como ela surge. Estudamos isso a fundo e descobrimos que há ambientes propícios à criatividade, caracterizados sobretudo por promover a tecnologia, o talento e a tolerância – o que chamamos de três Ts. Outro aspecto relevante do novo modelo emergente é o fato de abrir caminho para a consolidação de duas classes de profissionais. A tradicional classe trabalhadora, que atualmente corresponde a cerca de 20% da força de trabalho das nações desenvolvidas, está dando lugar a duas novas classes: a classe criativa e a classe dos que atuam em serviços. 

A classe criativa, que já representa 30% a 40% do total de profissionais dos países avançados, inclui cientistas e especialistas em tecnologia, artistas, gente da mídia e da área de cultura, bem como trabalhadores do conhecimento em setores como educação e saúde e nas empresas de maneira geral. A classe do setor de serviços abrange um grupo ainda maior de pessoas; elas têm baixa escolaridade e ganham salários reduzidos para desempenhar tarefas rotineiras em áreas como cuidados de saúde, alimentação, varejo e escritórios em geral. Importante: a divisão entre os profissionais com trabalho associado à criatividade e os do setor de serviços está na base da crescente desigualdade social observada tanto nas nações desenvolvidas como naquelas em desenvolvimento. 

**OS TRÊS**

No paradigma do capitalismo criativo, o crescimento e a prosperidade dependem, como dissemos, dos três Ts do desenvolvimento econômico: tecnologia, talento e tolerância. E é preciso entender o papel que cada um desses fatores desempenha. 

**Tecnologia.** Reconhecida  há muito tempo como elemento-chave de prosperidade e progresso, a tecnologia aumenta a produtividade e possibilita que o capitalismo seja constantemente reinventado. 

**Talento.** O capital humano se apresenta, com a tecnologia, como fator primordial de desenvolvimento. 

**Tolerância.** O papel da tolerância no desenvolvimento econômico é o de criar o contexto adequado para a inovação tecnológica e para a atração de talentos. No mundo contemporâneo, lugares abertos a diferentes tipos de pessoas levam vantagem no esforço de mobilização por novas ideias.

![](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/f74ad97b-52cd-41ea-9c56-7bd5e3897b71.jpeg)

**O RANKING**

Investigamos o desempenho dos países no que diz respeito aos três Ts especificamente e à criatividade de modo geral, dando origem ao Índice de Criatividade Global (GCI, na sigla em inglês). Veja o quadro acima e o ranking da página 76 e confira a análise dos principais resultados do estudo, realizado em 2015. 

**Índices de tecnologia**

Em nossa pesquisa, o fator tecnologia é medido de duas maneiras: pelo percentual do PIB do país investido em pesquisa e pelo número per capita de patentes registradas. Para ter uma ideia da distância entre os países, o Japão investe 3,26% do PIB em pesquisa, enquanto, no Brasil, esse percentual é 1,16%, o que deixa o País no 28º lugar do ranking. No que diz respeito às patentes, a posição do Brasil é a 31ª. Quando os dois critérios são analisados de maneira combinada, a Coreia do Sul fica com a liderança, seguida do Japão, de Israel e dos EUA. O Brasil ocupa o 27º lugar – entre os Brics, à frente apenas da Índia.

**Índices de talento**

Esse fator é mensurado de duas maneiras também: pelo percentual da força de trabalho que integra a classe criativa e pela parcela de adultos que possuem educação de nível superior completo. Mais uma vez, o que chama a atenção é a enorme variação entre os países. 

No primeiro caso, essa variação vai de apenas 1% a mais de 50% da mão de obra total, como se vê no líder Luxemburgo (54%). O Brasil se situa no meio do caminho, no 61º lugar, com 20% de seus trabalhadores pertencendo à classe criativa. 

No segundo critério, a variação percorre de zero a 100%, que é o percentual da Coreia do Sul (Luxemburgo cai para 85º aqui). Em 2º e 3º lugares estão, respectivamente, os EUA e a Finlândia, com mais de 90%. A pesquisa não contabilizou os dados do Brasil nesse fator. O sub-ranking de talento, cruzando os dois fatores, é liderado pela Austrália (que está em 6º nos dois), seguida da Islândia e dos EUA. O Brasil aparece no 68º lugar. 

**Índices de tolerância** 

A tolerância, em nosso estudo, também é medida por dois critérios: pela quantidade de pessoas que afirmam viver em uma cidade receptiva a minorias raciais e étnicas e pela quantidade de pessoas que dizem viver em uma cidade receptiva a gays e lésbicas. O Brasil aparece em boas colocações nos dois fatores – 17º lugar no primeiro e 22º no segundo –, bem acima dos demais países do grupo dos Brics. No resultado geral, fica em 15º lugar, e o pelotão da frente tem Canadá, Islândia e Nova Zelândia.

**ÍNDICE GLOBAL**

Depois de analisar cada um dos três Ts isoladamente, nosso estudo os avaliou conjuntamente. O país de capitalismo mais criativo em 2015 foi a Austrália, uma evolução significativa em relação ao ranking de 2001, superando a Suécia (1º lugar em 2004 e 2011). O Brasil ficou na 29ª posição. (Também teve evolução significativa em relação ao levantamento de 2011, quando  ocupou o 46º posto.) 

**COMPETITIVIDADE**

Nosso estudo ainda comparou a criatividade com vários indicadores de progres so econômico e social. As economias mais criativas são também as que têm melhor desempenho econômico? O desenvolvimento humano piora nelas?

Comparamos o índice de criatividade com o indicador-padrão de desempenho econômico de um país: o PIB per capita. A conclusão foi que tanto a criatividade como cada um dos três fatores a ela associados (os três Ts) apresentam uma relação positiva com o desempenho econômico, conforme mostra o quadro da página ao lado. Dos três Ts, a relação mais forte é com a tolerância. Em seguida, aparecem o talento e a tecnologia, nessa ordem. E o impacto mais evidente é mesmo do GCI como um todo, assinalando a força do efeito combinado dos três Ts. No entanto, a correlação entre a criatividade e a competitividade (esta, medida pelo Índice de Competitividade Global, do Fórum Econômico Mundial) é ainda mais forte do que aquela com o PIB per capita. Dos três Ts, a tecnologia apresenta a relação mais significativa nesse caso, seguida do talento. (Tolerância importa pouco.)

![](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/b51445eb-85da-4c39-ae8e-29984cc1d2c9.jpeg)

Estudamos outras correlações da criatividade com a economia. Por exemplo: Empreendedorismo. A  correlação entre o GCI e o empreendedorismo é ainda maior do que a observada com o PIB per capita. Urbanização. O capitalismo criativo torna a densidade populacional e a urbanização ainda mais cruciais à inovação  e ao desempenho econômico. 

E a desigualdade? Para muitos economistas, ela vem crescendo por conta das transformações em curso no capitalismo, em especial as provocadas pelo fator tecnologia, que concentra os empregos nos maiores talentos. Nosso estudo desmente essa hipótese: a relação entre o GCI e a desigualdade de renda, medida pelo Coeficiente de Gini, é negativa. 

Ou seja, quanto melhor a posição de um país no índice de criatividade, mais baixo o nível de desigualdade. No entanto, deve-se observar que, nesse quesito, há dois padrões nas economias mais criativas, no que diz respeito ao longo prazo. Países como EUA e Reino Unido, embora tenham ótimos resultados no GCI, estão no que chamamos de “estrada de baixa velocidade” rumo à prosperidade, por terem maiores índices de desigualdade. Já nações criativas mais igualitárias, como Suécia, Dinamarca, Finlândia e Holanda, vêm rodando em uma “estrada de alta velocidade” no novo paradigma do capitalismo.

Compartilhar:

Artigos relacionados

76% das organizações já têm um Chief AI Office (CAIO). E agora, qual é o papel do CEO?

Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Empresa familiar sem governança é refém do fundador; com governança, vira legado

O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

A NR-1 perguntou sobre o trabalho. A empresa respondeu sobre as pessoas.

A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

A equipe de marketing do futuro pode caber em uma pessoa

Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Problemas complexos exigem criatividade coletiva

O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
24 de agosto de 2026 08H00
Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
23 de agosto de 2026 13H00
As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

4 minutos min de leitura
Marketing & growth
23 de agosto de 2026 08H00
Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

Evandro Monteiro - CEO da Origami Marketing e Eventos.

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo