Estratégia e Execução

O pequeno passo de Elon Musk

Enquanto a atenção do mundo está voltada aos desdobramentos da pandemia, o empreendedor corre para promover mais um salto para a humanidade
__Ellen Kiss__ é empreendedora e consultora de inovação especializada em design thinking e transformação digital, com larga experiência no setor financeiro. Em agosto de 2022. após um período sabático, assumiu o posto de diretora do centro de excelência em design do Nubank.

Compartilhar:

Em meio a tantas crises simultâneas – pandemia de Covid-19, crise política no Brasil, protestos contra o racismo nos Estados Unidos –, um evento acabou ganhando menos destaque do que receberia se estivéssemos em tempos “normais”: o lançamento do foguete espacial pela SpaceX e a Nasa.

Na tarde de sábado de 30 de maio, grande parte da população mundial pausou as preocupações que assolavam a humanidade e parou para assistir, em tempo real, o evento histórico realizado no Kennedy Space Center, na Flórida. Histórico por duas razões: em quase dez anos foi a primeira vez que os EUA enviaram seres humanos para o espaço a partir de seu solo. Desde que o país encerrou seu programa espacial, em 2011, era por meio de uma parceria com a Rússia que os astronautas americanos chegavam ao espaço. A segunda razão e, na minha opinião a mais importante, é que foi a primeira vez que alguém foi ao espaço a partir de uma parceria público-privada, com foguete e cápsula espaciais fabricados comercialmente por uma empresa independente. Até então, os programas espaciais eram desenvolvidos e administrados pelas próprias agências espaciais americanas.

Ao firmar essa parceria, o governo federal passou a ter acesso à órbita de forma mais barata e segura, investindo recursos públicos em transporte espacial e não mais em foguetes e cápsulas. Esse acordo trouxe uma economia de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões para as agências, que agora podem destinar recursos a outros tipos de explorações. O foguete Falcon 9 custou US$ 440 milhões para a SpaceX. A Nasa estima que teria gasto três vezes mais se tivesse feito o projeto internamente.
Segundo a liderança envolvida no projeto, trabalhar em conjunto foi desafiador. Para a Nasa, por exemplo, foi necessário imergir na cultura de startup de tecnologia da SpaceX, onde errar para aprender é tido como normal. Choque cultural muito similar ao de empresas tradicionais quando tentam incorporar startups.

A SpaceX, fundada em 2002 pelo empreendedor de tecnologia e CEO da Tesla, Elon Musk , trouxe inovações significativas para a conquista espacial, ampliando eficiência e reduzindo custos. Além disso, cada detalhe do lançamento foi pensado para registrar o momento histórico e transmitir a imagem de que estamos iniciando uma nova era na exploração espacial. Assim, em vez de uniformes cor de laranja pressurizados da era dos ônibus espaciais, os dois astronautas vestiram roupas monocromáticas, elegantes e leves, desenhadas pelo mesmo estilista que criou o figurino de filmes como Avengers e Batman vs. Superman. As antigas Astrovans, que transferiram os astronautas dos alojamentos para a plataforma de lançamento, também foram substituídas pelo veículo elétrico Tesla Model X.

Elon Musk me faz lembrar Steve Jobs – um empreendedor visionário, que investe em tecnologia, sabe da importância do design, constrói parcerias que viabilizam a inovação e possui uma grande habilidade de criar histórias que nos seduzem e se traduzem em poder de mercado. Até me deu vontade de já reservar minha viagem de turismo ao espaço.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Entre o plano e a entrega: o verdadeiro desafio da execução

Este artigo mostra como o descompasso entre o que é planejado e o que é efetivamente entregue compromete a experiência do cliente e dilui o valor da estratégia, reforçando que a verdadeira vantagem competitiva está na consistência da execução.

Sua empresa tem IA – mas continua decidindo como se não tivesse

O caso Klarna escancara o verdadeiro gargalo da IA nas empresas: não é a tecnologia que limita resultados, mas a incapacidade de redesenhar o organograma – fazendo com que sistemas capazes operem como consultores de luxo, presos a decisões que continuam sendo tomadas como antes.

Inovação & estratégia
21 de maio de 2026 17H00
Este artigo traz a visão de um executivo da indústria que respondeu ao mito da substituição. Que, ao contrário da lógica esperada, mostra por que inovação não é destruir o passado, mas sim, reinventar relevância com clareza, estratégia e execução no novo cenário tecnológico.

Antonio Lemos - Presidente da Voith Paper na América do Sul.

7 minutos min de leitura
Estratégia e Execução, Marketing
21 de maio de 2026 13H00
Este artigo mostra como o descompasso entre o que é planejado e o que é efetivamente entregue compromete a experiência do cliente e dilui o valor da estratégia, reforçando que a verdadeira vantagem competitiva está na consistência da execução.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

4 minutos min de leitura
Liderança
21 de maio de 2026 07H00
Quando ninguém mais acredita, a organização já começou a perder. Este artigo revela como a incoerência entre discurso e prática transforma cultura em aparência - e mina, de forma silenciosa, a confiança necessária para sustentar resultados e mudanças.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Liderança
20 de maio de 2026 14H00
Entre decisões de alto impacto e silêncios que ninguém vê, este artigo revela o custo invisível da liderança: a solidão, a pressão por invulnerabilidade e o preço de negar a própria humanidade - justamente no lugar onde ela mais importa.

Djalma Scartezini - CEO da REIS, Sócio da Egalite e Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
20 de maio de 2026 08H00
Grandes decisões não cabem em um post. Este artigo mostra por que as decisões que realmente importam continuam acontecendo longe da timeline.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de maio de 2026 13H00
O caso Klarna escancara o verdadeiro gargalo da IA nas empresas: não é a tecnologia que limita resultados, mas a incapacidade de redesenhar o organograma - fazendo com que sistemas capazes operem como consultores de luxo, presos a decisões que continuam sendo tomadas como antes.

Átila Persici Filho - COO da Bolder, Professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Lifelong learning
19 de maio de 2026 07H00
A partir de uma cena cotidiana, este artigo reflete sobre criatividade, filosofia e o risco de terceirizarmos o pensamento em um mundo cada vez mais automatizado (e por que o verdadeiro diferencial continua sendo a qualidade da nossa atenção).

Lilian Cruz - Fundadora da Zero Gravity Thinking

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Lifelong learning
18 de maio de 2026 15H00
Mais do que absorver conhecimento, este artigo mostra por que a capacidade de revisar, abandonar e reconstruir modelos mentais se tornou o principal motor de aprendizagem e adaptação nas organizações em um mundo acelerado pela IA.

Andréa Dietrich - CEO da Altheia - Atelier de Tecnologias Humanas e Digitais

9 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Marketing & growth
18 de maio de 2026 08H00
A partir de uma experiência cotidiana de consumo, este artigo mostra como a inteligência artificial passou a redefinir a jornada de compra - e por que marcas que não são compreendidas, confiáveis e relevantes para os algoritmos simplesmente deixam de existir para o consumidor.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de maio de 2026 17H00
E se o problema não for a falta de compromisso das pessoas, mas a incapacidade das organizações de absorver a forma como elas realmente trabalham hoje?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão