ESG, Diversidade

O poder da diversidade

Aprendizado contínuo, privilégio e melhoras no trabalho: o poder da diversidade, inclusão e equidade para alavancar a inovação
Rafael Ferrari é sócio de Strategy & Business Design e líder de soluções de Inovação da Deloitte. No ano de 2024 foi eleito um dos 3 brasileiro na lista do top 100 OutStanding global LGBT Executive Role Model. Com mais de 15 anos de experiência realizou trabalhos na América Latina e Canada. Liderou de projetos com abrangência global e atualmente lidera os maiores programas de inovação e transformação digital do país. É professor titular da Fundação Dom Cabral no MBA Internacional. Na escola Conquer é professor de transformação digital e inovação. Nos últimos quatro anos se dedicou a criação e evolução do DE&I LGBT+ no Brasil fazendo parte do conselho global do tema em nossa empresa.

Compartilhar:

Quem muda mais rápido, sua empresa ou o mundo? Com o passar dos anos, essa pergunta vai ficando mais óbvia de responder, concorda? Vivemos um mundo de mudanças exponenciais em que dificilmente pessoas, organizações e governos conseguem se adaptar à necessidade diária de acompanhá-las.

No mesmo momento que você leu a frase anterior do artigo, mais de 300 mil mensagens foram enviadas no Whatzapp, mais de 5404 horas de pessoas assistindo Netflix ou 8800 downloads de apps na Appel store aconteceram. Segundo o estudo publicado pela CB insights o tempo de vida médio das empresas caiu de 60 anos na década de 60 do século passado para menos de 20 anos na última década, vemos assim que inovar deixar de ser algo que deve ser feito e passar a ser pauta obrigatória de sobrevivência para as organizações.

Quando falamos sobre inovação sempre nos vem à cabeça tecnologias que vêm mudando o mundo constantemente, como a criação de aplicativos que revolucionam a forma como nos conectamos, pedimos comida, taxi e tantos outras mudanças importantes em nossa sociedade recente. Inovação vai muito além do uso de tecnologia, é explorar o uso de dados, é repensar a experiência dos consumidores e funcionários e é principalmente transformar pessoas, ou seja, __inovar é um processo de transformar pessoas para impactar pessoas.__

Com base nas experiências em diversos projetos de inovação nos últimos anos, percebo alguns elementos chaves que têm impactado significativamente o potencial de inovar das empresas quando analisamos sobre perspectiva de formação de times, vou citar três deles:

__1. Pensamento de grupo:__ “Equipes homogêneas podem cair na armadilha do pensamento em grupo, em que as ideias são raramente questionadas e a inovação é limitada. Segundo Irving Janis, Psicólogo na Universidade de Yale e na UC Berkeley “Queremos ser aceitos e ser parte de um grupo. Concordar com os outros é prioridade – mesmo que isso signifique deixar de lado as próprias opiniões. A discordância, no entanto, é fundamental para a evolução.”

__2. Pensamento óbvio:__ A dificuldade de gerar soluções não óbvias para os problemas dos usuários devido à ausência de perspectivas diferentes sobre a solução dos problemas a serem resolvidos.

__3. Barreiras culturais e sociais:__ Inovações eficazes precisam considerar uma ampla gama de experiências e perspectivas culturais e sociais, a ausência de perspectivas distintas limita fatores essenciais a serem considerados.

Segundo a última pesquisa da Deloitte sobre [“Diversidade, Equidade e Inclusão nas Organizações”](https://www2.deloitte.com/br/pt/pages/about-deloitte/articles/pesquisa-diversidade-inclusao-organizacoes.html), realizada em 2023, as organizações que atuam no Brasil estão conscientes sobre o valor que as iniciativas de DE&I agregam à estratégia de negócio e já implementaram diversas ações estruturais e de governança, contudo, ainda observa-se desafios relacionados à resistência de outros profissionais da organização com membros de grupos minorizados e ainda temos baixa adesão das lideranças nesse tópico.

Quando olhamos o recorte LGBT+, na pesquisa global da Deloitte [LGBT@Work](https://www2.deloitte.com/br/pt/pages/human-capital/articles/lgbt-pesquisa.html), vemos ainda pontos de atenção significativos para a inclusão desses profissionais nas empresas. A pesquisa indica que __um terço dos entrevistados está procurando mudar para um empregador mais inclusivo LGBT+__, indica ainda, que __comportamentos não inclusivos estão sendo vivenciados no trabalho por 42% dos entrevistados__ e que __menos de 50% se sentem confortável__ para falar abertamente sobre sua orientação sexual ou identidade de gênero no trabalho pois sentem que podem ter menos oportunidades na carreira.

Diante desses elementos, barreiras e dados, vejo que uma das formas para acelerar a inovação é a promover a diversidade de pensamento, e para isso precisamos entender que essa diversidade de pensamento é formada por pessoas de raça, etnias, orientação sexual, gênero, identidade de gênero, classes sociais e tantas outras características que nos fazem sermos diferentes como seres humanos. A diversidade impulsiona a inovação, a tomada de decisões mais robustas e, em última análise, o desempenho financeiro superior.

![Retenção e diversidade](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/6pNL9Zh3lI6XDykHeesUWi/5a0d56fb7cb5c44feb10028e8f265d67/Imagem2.png)
*Figura 1 Resultados gerados a partir das práticas DE&I segundo a pesquisa “Diversidade, equidade e inclusão nas organizações”*

E como podemos então __adotar medidas que visam o aumento da diversidade de pensamento?__ Em 2018, junto com a mudança de empresa, __iniciei minha jornada de buscar um papel ativo na promoção de diversidade, inclusão e equidade.__ Dois fatores influenciaram minhas ações a partir dali: A primeira foi querer que __profissionais LGBTs não tivessem que passar homofobia, limitações na carreira ou por micro agressões__ que tive que lidar constantemente no ambiente profissional, e a segunda foi de __perceber minha posição de privilégio__ em diversos aspectos e o quão importante seria a promover um ambiente diverso na área que iria formar. Uma área de consultoria em inovação deveria ser referência na aquisição de pensamentos inovadores através da inclusão e diversidade e fortalecer o orgulho de pertencer a um ambiente diverso.

Ao longo desses últimos anos, trabalhamos o tema dentro da nossa área, fomentamos isso na organização e estamos colhendo os resultados e os aprendizados de lidar com pessoas plurais em diversos aspectos – de cor, de origem social, de espectros neurológicos distintos, e todas as nossas características intencionalmente promovidas ao longo dos últimos anos.

__Muitos me perguntam por onde começar.__ Você pode ser o protagonista da solução da ausência de pensamentos divergente na sua organização. Costumo indicar aos clientes e alunos a necessidade de primeiro ter consciência sobre o tema, na sequência aplicar práticas e ações dentro da sua equipe e assim, influenciar através dessas ações positivas a transformação organizacional.

Sendo assim recomendo 3 passos para iniciar a sua jornada.

__1. Reconheça seus privilégios e posição no mundo:__ Nossa posição no mundo molda a nossa perspectiva, para inovar de verdade precisamos aprender com a diversidade das experiências humana. Reconhecer nosso privilégio não para nos sentimentos culpados, mas para entender como usá-los para torná-lo mais inclusivo e equitativo. Te convido a fazer um exercício usando a imagem abaixo para iniciar sua caminhada.
Tente se colocar em um lugar diferente na roda. Enquanto faz isso, note que o seu poder muda entre as categorias. Você pode notar algum benefício e privilégio, sob alguns aspectos e marginalizado em outros.

![Roda do privilégio – diversidade](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/ehKrTjMYwn9N4OrPIY84u/f95f55068600475d4df7d9987594a488/Imagem3.png)
*Figura 2 – Roda do privilégio ajuda a entender a posição de privilégio sobre diversos aspectos, no centro, o poder exercido na sociedade de acordo com suas características*

__2. Forme uma equipe diversificada, torne o ambiente inclusivo e promova a equidade:__ A inovação prospera através de perspectivas diferentes, mas além de compor uma equipe diversa se faz necessário dar vozes as ideias, perspectivas de cada pessoas exalando o sentimento de pertencimento, sem contar uma parte fundamental, que é a promoção da equidade gerando um ambiente onde todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades.

__3. Promova a autoeducação contínua:__ Não basta apenas valorizar a diversidade, é preciso entender suas características, esse conhecimento não pode ser delegado e não é algo de uma única vez, mas sim um compromisso contínuo de aprimoramento. É essencial para desmantelar preconceitos inconscientes e criar ambientes verdadeiramente inclusivo.

Ou seja, em um mundo de grandes transformações, onde inovar é preciso e ainda existem barreiras para alavancar a inovação das empresas tais como: o pensamento de grupo, o pensamento óbvio e barreiras culturais e sociais, as empresas devem agir com intencionalidade para promover a pauta de diversidade, inclusão e equidade. Ter um posicionamento e investir em políticas de inclusão é um diferencial. Esse processo de transformação pode e deve iniciar por você. Reconheça seus privilégios e posição no mundo, forme uma equipe diversificada, torne o ambiente inclusivo e promova a equidade, promova a autoeducação continuada.

# PARA SE APROFUNDAR NO TEMA

Deloitte (2023). [Pesquisa “Diversidade, equidade e inclusão nas organizações”](https://www2.deloitte.com/br/pt/pages/about-deloitte/articles/pesquisa-diversidade-inclusao-organizacoes.html).

Deloitte (2023). Pesquisa “LGBT@WORK” LGBT+ Inclusion at Work 2023: [A Global Outlook (deloitte.com)](https://www.deloitte.com/global/en/issues/work/content/lgbt-at-work.html)

Stafaine K. Jonhson. (2020). Inclusifique: Como a inclusão e a diversidade pode trazer mais inovação a sua empresa. Editor Benvirá

CB INSIGHTS – Innosight/Richard N. Foster/Standard & Poor – Everage company lifespan

Scott E. Page (2017). The delivery Bonu: How Great team Pay off in the Knowloge economy

Compartilhar:

Rafael Ferrari é sócio de Strategy & Business Design e líder de soluções de Inovação da Deloitte. No ano de 2024 foi eleito um dos 3 brasileiro na lista do top 100 OutStanding global LGBT Executive Role Model. Com mais de 15 anos de experiência realizou trabalhos na América Latina e Canada. Liderou de projetos com abrangência global e atualmente lidera os maiores programas de inovação e transformação digital do país. É professor titular da Fundação Dom Cabral no MBA Internacional. Na escola Conquer é professor de transformação digital e inovação. Nos últimos quatro anos se dedicou a criação e evolução do DE&I LGBT+ no Brasil fazendo parte do conselho global do tema em nossa empresa.

Artigos relacionados

A energia invisível da liderança – revelando a verdadeira natureza do “Ki” irradiado por Masao Ogura, da Yamato Transport

Da criação do Takkyubin à reinvenção da logística japonesa, a história de Masao Ogura, responsável por transformar a Yamato Transport em um dos maiores cases de inovação logística do Japão. Este artigo revela como os princípios das artes marciais podem oferecer novas perspectivas sobre cultura organizacional, inovação, tomada de decisão e liderança em tempos de transformação.

Ageivism: o que acontece quando as organizações envelhecem, mas suas ideias não?

Enquanto a longevidade transforma a composição da sociedade e do mercado de trabalho, muitas organizações continuam operando com modelos de gestão construídos para uma realidade demográfica que já não existe. Este artigo discute o conceito que desafia o jovem-centrismo corporativo e convida líderes a repensarem o valor da experiência, da diversidade geracional e da longevidade nas empresas.

Inovação & estratégia, Marketing & growth, User Experience, UX
15 de julho de 2026 08H00
Enquanto a IA assume processos, diagnósticos e tarefas repetitivas, cresce a importância de competências exclusivamente humanas. O desafio das lideranças não é automatizar mais, mas decidir onde a presença humana gera valor que nenhuma tecnologia consegue reproduzir plenamente.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Inovação & estratégia
14 de julho de 2026 18H00
Da criação do Takkyubin à reinvenção da logística japonesa, a história de Masao Ogura, responsável por transformar a Yamato Transport em um dos maiores cases de inovação logística do Japão. Este artigo revela como os princípios das artes marciais podem oferecer novas perspectivas sobre cultura organizacional, inovação, tomada de decisão e liderança em tempos de transformação.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

16 minutos min de leitura
Lifelong learning, Estratégia, Marketing & growth
14 de julho de 2026 14H00
Este artigo mostra como os eventos corporativos se tornaram ambientes estratégicos de inteligência coletiva, capazes de ampliar repertório, antecipar tendências e reduzir incertezas para líderes e organizações.

Sidnei Metzner - Gestor nacional de vendas da WK

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
14 de julho de 2026 08H00
Enquanto a longevidade transforma a composição da sociedade e do mercado de trabalho, muitas organizações continuam operando com modelos de gestão construídos para uma realidade demográfica que já não existe. Este artigo discute o conceito que desafia o jovem-centrismo corporativo e convida líderes a repensarem o valor da experiência, da diversidade geracional e da longevidade nas empresas.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
13 de julho de 2026 14H00
Dados mostram o avanço da solidão no ambiente de trabalho, especialmente entre profissionais remotos. O texto propõe uma reflexão sobre como relações de confiança, segurança psicológica e capacidade de convivência se tornaram ativos estratégicos para a saúde organizacional.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
13 de julho de 2026 08H00
Durante décadas, empresas competiram por telas, cliques e atenção. Agora, à medida que agentes inteligentes passam a interpretar intenções e executar tarefas, o valor começa a migrar para outro lugar: dados, contexto e capacidade de decisão.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

7 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, User Experience, UX
12 de julho de 2026 13H00
Durante décadas, o mercado tratou a satisfação do cliente como prioridade absoluta. Este artigo questiona os limites dessa lógica e mostra como a normalização de abusos, agressões e desgastes emocionais está afetando a saúde mental dos trabalhadores e comprometendo a própria cultura das organizações.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

5 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
12 de julho de 2026 08H00
Em um mundo onde quase tudo pode ser comprado, o verdadeiro luxo deixou de ser exclusividade e passou a ser simplicidade. Este artigo mostra por que as empresas mais valiosas da próxima década serão aquelas capazes de eliminar complexidade, reduzir decisões e transformar experiência em significado.

Bruno Mazanek - CEO da Zanek

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Finanças
11 de julho de 2026 14H00
O mercado aprendeu a medir estoques, fábricas e patrimônio físico. Mas como medir inteligência, dados e conhecimento? O desafio das empresas hoje não é apenas criar valor, mas desenvolver métricas capazes de reconhecê-lo.

Carolina Almeida Cruz - Cofundadora e CEO da C-MORE

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
11 de julho de 2026 08H00
Enquanto o sonho do hexa mobilizou milhões de brasileiros, outro fenômeno também ganhou força fora dos gramados. Este artigo discute como o avanço das apostas online está influenciando a relação dos jovens com dinheiro, educação e carreira, e por que empresas e líderes não podem ignorar seus efeitos sobre o futuro do trabalho.

Rodrigo Santos - Psicólogo e tutor educacional na Leapy

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo