Liderança

O poder da empatia dos CEOs durante a pandemia

Dialogar com transparência e observar as vidas humanas além dos números são bons exemplos observados neste período
Global CHRO da Minerva Foods e Board Member das startups DataSprints e Leo Learning. Sócio Fundador da AL+ People & Performance Solutions, empresa que atuo como Coach Executivo de CEOs formado pela Columbia University, Palestrante e Escritor. Conselheiro de Empresas certificado pelo IBGC, Psicólogo com MBA pela Universidade de São Paulo e Vanderbilt University com formação em RH Estratégico Avançado pela Michigan University. Executivo sênior com passagens em posições de Liderança Global e América Latina de áreas de Pessoas, Cultura, Estratégia e Atendimento ao Cliente em empresas como Neon, Dasa, Itaú Unibanco e MasterCard. Professor de Gestão de Pessoas do Insper e Professor convidado do MBA da FIA/USP. Colunista das revistas HSM Management e da Época Negócios.

Compartilhar:

“Fiquem em casa, fiquem seguros, sejam gentis”. Essa frase foi dita pela primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, durante uma live do Facebook, onde ela aparecia com uma camiseta de treino desbotada, após colocar o filho para deitar. Na ocasião, a premie solicitava aos cidadãos neozelandesas calma e resiliência durante a quarentena. Com tom ameno e familiar, ela relatou a dificuldade e a falta de informações para a tomada de decisão a despeito do novo coronavírus.

Enquanto isso, no leste europeu, mais especificamente na Bielorrúsia, o presidente da nação, Alexander Lukashenko, acreditava que o consumo de vodka mataria a Covid-19. “As pessoas não deveriam apenas lavar suas mãos com vodka, mas também envenenar o vírus com ela”, disse. O político acusou países que adotaram políticas de isolamento como vítimas de uma “psicose” e insistiu para que os cerca de 9,5 milhões de habitantes do país continuassem trabalhando normalmente. “É melhor morrer de pé do que viver de joelhos”, afirmou.

Esses dois exemplos dicotômicos de liderança revelam as complexidades e ambiguidades do tempo em que vivemos. Enquanto a líder neozelandesa pede calma e engajamento da nação, o líder bielorrusso tem um discurso negacionista. A pandemia em curso restringiu severamente a atividade econômica e social em todos os países, criando uma série de desafios para líderes não só da política, mas também do mundo corporativo. Eles precisam fazer escolhas difíceis entre equilibrar a saúde das pessoas e suas economias.

## Comunicação: ferramenta fundamental para a liderança

Os líderes mundiais passaram os últimos meses enfrentando um teste de liderança em tempo real, realizado à vista de um público impaciente e inseguro. Suas avaliações são tão públicas quanto suas performances. O escrutínio, instantâneo e global, é documentado e acentuado pelas mídias sociais. Nesse jogo, cada palavra, cada gesto emitido vale como um sinal verde ou vermelho no combate ao vírus e na retomada da economia.

Ganhar ou perder depende muito da capacidade dos líderes de funcionar como comunicadores ativos, autênticos e confiáveis. Não por acaso, a empatia de Jacinda Ardern foi o melhor remédio no combate à doença. Suas palavras seguras, transparentes e seu diálogo no tom de amizade uniram o povo neozelandês durante a quarentena. O país registrou bons índices de isolamento social e poucos infectados, com o número surpreendente de apenas vinte e duas mortes. Já na Bielorrúsia, o número de casos do novo coronavírus aumentou desde o discurso de Lukashenko.

Também pudemos acompanhar o poder das palavras na liderança corporativa nesses últimos tempos. Alguns foram às redes sociais exigir o término imediato do isolamento social como forma de manter seus negócios e empregos. Outros resolveram dialogar com seus colaboradores e achar juntos uma saída para a crise – mesmo que isso significasse uma perda financeira para a empresa num primeiro momento.

## Chefe ou líder?

Isso me leva a pensar naquela máxima de que só é possível ver o verdadeiro caráter de uma pessoa em tempos de crise. Quando as coisas ficam realmente ruins, é possível ver quem, de fato, é líder e quem exerce apenas o cargo de chefia. A Covid-19 escancarou a percepção de que precisamos urgentemente de uma verdadeira liderança para conduzir processos e pessoas nesta antecipação forçada do futuro que vivemos.

Os efeitos da crise serão sentidos por muitos anos na sociedade, na economia e no trabalho. Mas não há apenas problemas e julgamentos de valor diante de tantos desafios, talvez nunca antes considerados, mas também aprendizados.

A história nos mostra que muitos líderes notáveis emergiram da adversidade. Essa pandemia criou uma das economias globais mais voláteis do nosso tempo. E como podemos tirar proveito dos desafios desse ambiente para trazer o melhor de nós mesmos e de nossas equipes? Afinal, líderes não sabem tudo, eles não são super-heróis como inconscientemente muitos pensam.

A confiabilidade baseada em dados de Angela Merkel, da Alemanha, a racionalidade empática de Jacinda Ardern, da Nova Zelândia, e a resiliência silenciosa de Tsai Ing-wen, de Taiwan, nos mostrou que não houve heroísmo na condução de suas ações, mas sim diálogo com seu povo, muita transparência e tomadas de decisão a partir de dados e da ciência.

## Respostas rápidas ao desafio

Os problemas acontecem o tempo todo e, a cada momento, eles se tornam mais complexos e exigem novas habilidades. Um gestor precisa ser exemplo, buscar métodos diferenciados, olhar para novas perspectivas, enxergar seus talentos e estar aberto a novas ideias e sugestões. Nesse momento de enormes desafios gerados pelo coronavírus, o líder precisa estar presente, praticar a empatia e analisar o contexto humano e financeiro para decidir.

Conectar ações e aprender com um objetivo maior é mais relevante agora do que nunca. Todos os dias, vemos exemplos de empresas que estão mudando suas operações para responder às necessidades de suas comunidades. Nesse contexto, o mercado de trabalho estático não existe mais. Estamos em um mundo tecnológico e repleto de possibilidades, mas também faz parte do papel do líder garantir a produtividade de sua equipe, além de haver uma necessidade de requalificar a força de trabalho para o ambiente digital.

Portanto, fica a pergunta: o que podemos fazer agora para ajudar nossos funcionários a se sentirem seguros e preparados para o futuro? Mais do que nunca a liderança é importante, e nossos líderes na organização podem estar sentindo mais pressão. Por isso, outro aprendizado dessa pandemia, é que, antes de tudo, o líder deve saber liderar a si mesmo, entender os próprios medos, em que pontos são fortes e no que precisam melhorar. Sem o autoconhecimento, não há como seguirmos evoluindo na transformação de chefes temidos em líderes respeitados, admirados e, por que não, amados.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Por que lavar as mãos ainda é uma das maiores armas da medicina?

Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Vamos falar sobre vendas?

Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Se o estagiário lidera a reunião, quem é o líder?

Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

A natureza da liderança: o que os patos, as formigas e as árvores podem nos ensinar?

A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza?

Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

RoT ou HoT: a métrica que vai separar os projetos de IA que geram valor dos que apenas consomem orçamento

Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
13 de agosto de 2026 14H00
Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Marcos Gurgel - Diretor Comercial na divisão Avitum da B. Braun Brasil

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia, Vendas
13 de agosto de 2026 08H00
Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança
12 de agosto de 2026 14H00
Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de agosto de 2026 08H00
O artigo defende que o verdadeiro valor surge quando a IA deixa de operar de forma isolada e passa a integrar toda a jornada de negócio, conectando pessoas, processos, dados e governança em um único sistema de performance.

Guilherme Stefanini - CMO do Grupo Stefanini, CEO da Stefanini Marketing e sócio da W3haus e Gauge.

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de agosto de 2026 18H00
A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza? Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

16 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 14H00
Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo