Liderança

O poder do silêncio na comunicação da liderança

Pequenas pausas podem afligir ou promover transformações. Saiba como usá-las
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Compartilhar:

Se tem algo que a maioria de nós já viveu foi a eternidade de dois minutinhos de silêncio numa sessão de perguntas e respostas durante uma live ou uma reunião. Esta é uma demonstração contundente de que o tempo tem sim os segundos marcados pelo relógio – simétricos e passageiros – mas também tem uma contagem bem própria, cabendo um século inteiro em cada movimento do ponteiro. É interessante pensar como algo tão pequeno pode ser, ao mesmo tempo, tão grande.

Vale a pena lembrar que nem todo silêncio nos aflige. Alguns desses silêncios cumprem sua função e seguem em frente, enquanto outros nos tiram do eixo. Gosto de lembrar da fala da cronista Martha Medeiros, que diz que “o único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há e-mails na caixa de entrada, não há recados na secretária eletrônica e, mesmo assim, você entende a mensagem”. É um pensamento do campo das nossas relações afetivas, mas facilmente pode ser transportado para o universo organizacional. A aflição chega com a dúvida – esse silêncio significa mesmo o que eu acho que ele significa? 

Vejamos primeiro o silêncio produtivo. É aquele que nos ajuda a:

### Pensar / refletir. 

Se a gente administra o silêncio como parte da conversa, podemos nos concentrar melhor no que o outro diz. Ouvimos primeiro, elaboramos a resposta depois. Longe de ser simples, mas oportuno e produtivo. 

### Criar a chance de interlocução. 

Se a gente fala sem respirar, dificulta a interação dos demais. Dar uma pausa ajuda outras pessoas a se manifestarem na conversa. 

### Entender o ambiente. 

Há muitas coisas ocultas no nosso ambiente e o silêncio dá algumas pistas de quais são elas. As pessoas não falam por que não têm opinião formada ainda? Por que têm medo de serem repreendidas? Por que têm uma opinião divergente? Por que não querem se expor? Por que precisam de mais tempo para articular uma resposta? Por que não acham que vale a pena falar? Essa última chega a doer (rs). 

Este último é o silêncio que nos tira do eixo e enche de preocupação. 

Ouço muita gente se queixar de que os times não participam, mas quando começamos a explorar o comportamento da liderança, descobrimos aí um estilo tirano. Nem sempre a pessoa tem consciência ou essa intenção, mas palavras constroem mundos. Para dialogar é preciso abertura, simpatia e generosidade, como diz Edgar Morin. 

Se você lembrou de algum momento em que o silêncio fez parte da conversa e isso incomodou, tenho algumas ideias de como é possível minimizar esse desconforto:

## Faça perguntas

Se houver clima e isso não criar um constrangimento, faça perguntas às pessoas. Algo como “fulana, o que você acha?”, “beltrano, como você vê o impacto disso que estamos discutindo?”, “Ciclana, você sempre tem boas ideias – gostaria de agregar algo”? Interesse genuíno no outro contribui para as pessoas quererem falar. 

## Dê o primeiro passo 

Quando você provocar o silêncio, quebre o gelo: “isso é importante, me dê um minuto para pensar”, “quero mais tempo para refletir sobre isso”, etc. Não deixe a outra pessoa (ou outras pessoas) no vácuo.

## Sugira preparação

Outra dica simples é preparar as pessoas para compartilharem suas ideias. Quando enviar o convite para uma reunião, deixe claro que haverá tempo para perguntas. Eventualmente, mande materiais com antecedência. Deixe claro o que espera delas. 

## Questione-se

Diálogo é sempre um convite. Se o silêncio está muito presente, antes de mais nada, reflita sobre as suas próprias ações. Ajustes bem simples podem fazer a mais completa diferença. 

Para finalizar um bônus importante sobre silêncio – use-o com sabedoria. Ou seja, prefira o silêncio se a sua fala vai ofender ou machucar alguém.

Compartilhar:

É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Artigos relacionados

Ataques inevitáveis, impacto controlável: a nova lógica da cibersegurança

A pergunta já não é mais “se” sua empresa será atacada – mas quão preparada ela está para responder quando isso acontecer. Este artigo mostra por que a cibersegurança deixou de ser um tema técnico para se tornar um pilar crítico de gestão de risco, continuidade operacional e confiança nos negócios.

A longevidade das PMEs como objetivo social

Se seis em cada dez empresas não sobrevivem, o problema não é apenas o ambiente. Este artigo revela que a alta mortalidade das PMEs no Brasil está ligada a falhas internas de gestão, governança e tomada de decisão

Inovação & estratégia
23 de maio de 2026 16H00
A pergunta já não é mais “se” sua empresa será atacada - mas quão preparada ela está para responder quando isso acontecer. Este artigo mostra por que a cibersegurança deixou de ser um tema técnico para se tornar um pilar crítico de gestão de risco, continuidade operacional e confiança nos negócios.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
23 de maio de 2026 09H00
Este artigo desmonta o entusiasmo em torno do Vibe Coding ao revelar o verdadeiro desafio da IA: não é criar software com velocidade, mas operar, integrar e governar o que foi criado - em um ambiente cada vez mais complexo e crítico.

Wilian Luis Domingures - CIO da Tempo

4 minutos min de leitura
Marketing & growth
22 de maio de 2026 15H00
Mais do que visibilidade, este artigo questiona o papel das marcas em momentos de emoção coletiva e mostra por que, na Copa, só permanece na memória aquilo que gera conexão real - o resto vira apenas ruído.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

2 minutos min de leitura
Empreendedorismo
22 de maio de 2026 11H00
Se seis em cada dez empresas não sobrevivem, o problema não é apenas o ambiente. Este artigo revela que a alta mortalidade das PMEs no Brasil está ligada a falhas internas de gestão, governança e tomada de decisão

Sergio Goldman

6 minutos min de leitura
User Experience, UX
22 de maio de 2026 07H00
Ao ir além da experiência do usuário tradicional, este artigo mostra como a falta de clareza jurídica transforma conversão em passivo - e por que transparência é um ativo estratégico para crescimento sustentável.

Lorena Muniz e Castro Lage - CEO e cofundadora do L&O Advogados

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de maio de 2026 17H00
Este artigo traz a visão de um executivo da indústria que respondeu ao mito da substituição. Que, ao contrário da lógica esperada, mostra por que inovação não é destruir o passado, mas sim, reinventar relevância com clareza, estratégia e execução no novo cenário tecnológico.

Antonio Lemos - Presidente da Voith Paper na América do Sul.

7 minutos min de leitura
Estratégia e Execução, Marketing
21 de maio de 2026 13H00
Este artigo mostra como o descompasso entre o que é planejado e o que é efetivamente entregue compromete a experiência do cliente e dilui o valor da estratégia, reforçando que a verdadeira vantagem competitiva está na consistência da execução.

Ana Flavia Martins - CMO da Algar

4 minutos min de leitura
Liderança
21 de maio de 2026 07H00
Quando ninguém mais acredita, a organização já começou a perder. Este artigo revela como a incoerência entre discurso e prática transforma cultura em aparência - e mina, de forma silenciosa, a confiança necessária para sustentar resultados e mudanças.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Liderança
20 de maio de 2026 14H00
Entre decisões de alto impacto e silêncios que ninguém vê, este artigo revela o custo invisível da liderança: a solidão, a pressão por invulnerabilidade e o preço de negar a própria humanidade - justamente no lugar onde ela mais importa.

Djalma Scartezini - CEO da REIS, Sócio da Egalite e Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
20 de maio de 2026 08H00
Grandes decisões não cabem em um post. Este artigo mostra por que as decisões que realmente importam continuam acontecendo longe da timeline.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão