Uncategorized

O propósito como investimento estratégico nas empresas

Neurocientista e Sócia da Nêmesis

Compartilhar:

Propósito. Eis um termo que tem sido cada vez mais discutido por profissionais de diferentes áreas. Se de um lado, consultores e coaches dedicam-se diariamente a ajudar pessoas a identificarem qual seria o seu propósito de vida, do outro, grande parte das organizações seguem ainda à margem dessa discussão. Mas o que seria o propósito, e por que as organizações deveriam se preocupar mais com este tema?

Propósito segundo a neurociência
——————————–

Mais do que um simples modismo, a discussão que permeia o entendimento real do propósito de cada organização está associada a aspectos muito básicos do comportamento humano. De acordo com o psicólogo americano William James, o melhor que podemos fazer de nossas vidas é empregá-la em alguma coisa mais duradoura que a própria vida. É justamente este o sentido do propósito, que seria a necessidade natural que todos temos de fazer parte de “algo maior”. 

Do ponto de vista da neurociência, quando falamos de propósito estamos falando de inclusão. Como animais sociais, pertencer a um grupo é capaz de ativar no nosso cérebro diferentes áreas do Sistema Motivacional Apetitivo, que juntas favorecem aspectos ligados ao processo criativo, à empatia, à comunicação e à tomada de decisão. A partir do compartilhamento de crenças, valores e opiniões, o propósito permite a criação de uma identidade para o grupo, o que aumenta a confiança e favorece o relacionamento entre as pessoas da equipe. Este processo impacta diretamente a qualidade de vida dos colaboradores, sua saúde, seu engajamento, e inclusive sua produtividade.

O propósito organizacional
————————–

Liderar o processo de inovação tecnológica, levar o homem à lua, apoiar o desenvolvimento de produtores locais, batalhar pela inclusão e diversidade ou defender o direito à alimentação saudável para toda e qualquer criança são todas formas válidas de vivenciar o propósito organizacional. 

A grande questão é: como organização, qual é o seu propósito? 

A resposta para essa pergunta guarda a chave de sucesso para muitas empresas. O propósito organizacional diz respeito à maneira como a empresa pretende impactar a sociedade, de preferência de forma única e autêntica. Este movimento dá significado à existência do próprio negócio e se conecta intimamente com a razão de ser dos indivíduos que interagem com esta organização, incluindo parceiros, colaboradores e consumidores. É justamente este alinhamento que garante uma maior eficiência em todos os processos descritos anteriormente.

O peso do propósito em organizações de sucesso
———————————————-

Agindo como um elemento propulsor, o propósito é importante para uma organização ao longo de toda trajetória. Entretanto, para que tenha resultados, é importante que o propósito seja verdadeiro, e que consiga ser comunicado de maneira consistente e eficiente. Nesse sentido, as organizações precisam fazer um exercício de olhar para dentro e descobrir quais são seus verdadeiros valores e, o mais importante, qual a sua “razão de existir”. 

Este exercício faz parte de uma atuação estratégica da empresa e por isso não deve ser tratado de forma pontual ou isolada. A expectativa é que o propósito impacte a organização como um todo; por isso, é fundamental envolver a liderança e as áreas de desenvolvimento humano como forma de garantir uma atuação transparente e coerente. As empresas movidas por propósito possuem o foco nas pessoas e desenvolvem diferentes ações em diversas áreas como recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, liderança, comunicação interna e no desenvolvimento de produtos e serviços. Neste modelo, o lucro passa a ser visto como uma consequência de um envolvimento genuíno com o que identificamos como a razão de existir da organização. E ao que tudo indica, este modelo funciona.

Segundo dados da pesquisa People on a mission do Instituto Korny Ferry, publicado em 2016, empresas com propósito claro chegam a crescer até 3 vezes mais do que seus pares de mercado.  Neste mesmo estudo, mostrou-se que **as empresas que comunicam seu propósito de forma clara obtêm performances financeiras melhores em até 17%**. Além disso, a gigante Unilever anunciou este ano que suas _Sustainable Living Brands,_ marcas lideradas por propósitos sociais ou ambientais, estão crescendo 69% mais rápido do que o resto do negócio e gerando 75% do crescimento para empresa. 

De acordo com Alan Jope, CEO da Unilever, dois terços dos consumidores em todo o mundo dizem que escolhem marcas por sua posição em questões sociais, e mais de 90% dos millennials dizem que trocariam marcas por uma causa.

O propósito organizacional permite um compartilhamento genuíno de valores entre pessoas que estão dentro e fora da organização. Esse processo no nosso cérebro gera um padrão de aproximação, que se relaciona com a sensação de pertencimento e a construção do que chamamos de suporte social, e é considerado um padrão emocional muito forte para espécies sociais como a nossa.  

Mas, não basta escrever o propósito organizacional na parede, ou criar uma ótima campanha publicitária. Quando falamos de propósito, é fundamental que a prática esteja alinhada ao discurso, ou o mesmo não terá impacto.

Muitas vezes o propósito organizacional já foi identificado, mas talvez não esteja sendo bem comunicado ou a liderança da empresa não sustenta seu discurso de maneira coerente. É importante para a organização, portanto, estar atenta à maneira como este propósito é vivido pelas pessoas diariamente e zelar pela manutenção de uma cultura forte alinhada aos seus valores. 

O propósito organizacional serve como um ponto de partida para criação de uma cultura forte e seu entendimento agirá como base para definição dos valores, crenças e das estratégias que serão utilizadas pela organização. Isso tudo irá influenciar a maneira como as pessoas irão interagir umas com as outras diariamente, fazendo com que o discurso ganhe vida.

O propósito organizacional se mostra a cada dia uma estratégia capaz de garantir que todos os elementos que compõe uma empresa se mantenham alinhados ao redor de um objetivo comum, trazendo maior eficiência em todos os processos. Ele cria relacionamentos estáveis, promove a fidelidade de colaboradores e clientes, e é capaz de fazer com que cada pessoa apareça todos os dias para trabalhar, dispostas a darem o seu melhor para a organização e é por isso que as organizações orientadas por um propósito claro estão tendo tanto sucesso num ambiente empresarial tão desafiador como o de hoje.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O crescimento das startups não depende apenas de escala, mas também de resolução

Consumidores estão mais exigentes, mais conectados e menos tolerantes a experiências frustrantes. Ao mesmo tempo, os avanços em inteligência artificial estão permitindo que startups evoluam da simples automação para modelos capazes de interpretar contexto, tomar decisões e resolver demandas de forma autônoma. O resultado é uma nova lógica de crescimento baseada na qualidade da resolução, e não apenas na velocidade do atendimento.

Sua empresa conhece o impacto de uma jornada de 40 horas?

Enquanto o Congresso debate mudanças na jornada de trabalho, empresas já precisam lidar com uma pergunta prática: como reorganizar pessoas, escalas e recursos sem comprometer produtividade, atendimento e sustentabilidade financeira? Neste cenário, dados, planejamento e governança tornam-se ferramentas essenciais para transformar incerteza regulatória em vantagem competitiva.

A IA está mudando o que significa ser um profissional sênior

Os profissionais de finanças foram treinados para dominar processos, consolidar informações e produzir análises complexas. Mas, em um mundo onde a inteligência artificial faz isso em segundos, a vantagem competitiva passa a estar em outro lugar: na capacidade de transformar informação em contexto, formular perguntas estratégicas e tomar decisões que nenhuma máquina consegue assumir sozinha.

Envelhescência: a dimensão subjetiva que a liderança ainda ignora

Profissionais maduros seguem acumulando repertório, capacidade de julgamento e conhecimento organizacional, mas frequentemente enfrentam uma perda silenciosa de reconhecimento e pertencimento. Ao abordar o conceito de envelhescência, o artigo discute como profissionais experientes podem perder espaço simbólico mesmo permanecendo altamente qualificados e por que reconhecer, valorizar e integrar o repertório acumulado se tornou um desafio estratégico para empresas que desejam preservar conhecimento, fortalecer a sucessão e construir culturas verdadeiramente intergeracionais.

User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de agosto de 2026 14H00
Consumidores estão mais exigentes, mais conectados e menos tolerantes a experiências frustrantes. Ao mesmo tempo, os avanços em inteligência artificial estão permitindo que startups evoluam da simples automação para modelos capazes de interpretar contexto, tomar decisões e resolver demandas de forma autônoma. O resultado é uma nova lógica de crescimento baseada na qualidade da resolução, e não apenas na velocidade do atendimento.

Alan Schulte - Vice-presidente de Vendas para Startups e PMEs da Zendesk na América Latina.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de agosto de 2026 08H00
Enquanto o Congresso debate mudanças na jornada de trabalho, empresas já precisam lidar com uma pergunta prática: como reorganizar pessoas, escalas e recursos sem comprometer produtividade, atendimento e sustentabilidade financeira? Neste cenário, dados, planejamento e governança tornam-se ferramentas essenciais para transformar incerteza regulatória em vantagem competitiva.

Marcelo Gomes - CEO da Nexti

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de agosto de 2026 14H00
Em mercados cada vez mais competitivos, escolher uma máquina apenas pelo menor preço pode significar abrir mão de produtividade, automação e eficiência operacional. O artigo propõe uma mudança de perspectiva: substituir a lógica do custo inicial pela análise do valor que o investimento é capaz de gerar para a empresa ao longo dos anos.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
18 de agosto de 2026 08H00
Os profissionais de finanças foram treinados para dominar processos, consolidar informações e produzir análises complexas. Mas, em um mundo onde a inteligência artificial faz isso em segundos, a vantagem competitiva passa a estar em outro lugar: na capacidade de transformar informação em contexto, formular perguntas estratégicas e tomar decisões que nenhuma máquina consegue assumir sozinha.

Talita Braga - Diretora Executiva de Finanças da Infor na América Latina

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de agosto de 2026 18H00
Profissionais maduros seguem acumulando repertório, capacidade de julgamento e conhecimento organizacional, mas frequentemente enfrentam uma perda silenciosa de reconhecimento e pertencimento. Ao abordar o conceito de envelhescência, o artigo discute como profissionais experientes podem perder espaço simbólico mesmo permanecendo altamente qualificados e por que reconhecer, valorizar e integrar o repertório acumulado se tornou um desafio estratégico para empresas que desejam preservar conhecimento, fortalecer a sucessão e construir culturas verdadeiramente intergeracionais.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Finanças
17 de agosto de 2026 14H00
Hiperpersonalização, agentes inteligentes, analytics em tempo real e IA generativa já deixaram de ser tendências isoladas e começam a formar uma nova arquitetura para o setor financeiro. O desafio das lideranças passa a ser transformar essas tecnologias em capacidades organizacionais escaláveis, seguras e conectadas aos objetivos estratégicos do negócio.

Diego Souza - Principal Technical Manager no CESAR, e Maria Tereza Nagel - Gerente de Projetos no CESAR

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de agosto de 2026 08H00
À medida que algoritmos passam a influenciar decisões cada vez mais relevantes, cresce uma questão que conselhos e lideranças não podem mais ignorar: quanto poder está sendo delegado à inteligência artificial sem supervisão adequada? O artigo propõe uma reflexão sobre a necessidade de incorporar a IA à agenda de governança corporativa.

Eliana Camejo - Vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli e conselheira de Administração pelo IBGC

3 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças
16 de agosto de 2026 15H00
O envelhecimento populacional, a incorporação de novas tecnologias e o aumento das demandas assistenciais estão pressionando os custos da saúde em níveis inéditos. Mais do que analisar despesas, entender a formação do orçamento hospitalar tornou-se uma competência estratégica para operadoras que buscam conciliar qualidade assistencial, eficiência operacional e sustentabilidade de longo prazo.

Anderson Farias - CEO da TopSaúde Hub

3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de agosto de 2026 10H00

Denise Joaquim Marques - Consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
15 de agosto de 2026 14H00
Sistemas desconectados, estoques imprecisos e perdas recorrentes tornam o hortifrúti uma das operações mais complexas do varejo alimentar. Ao contrário das promessas de transformação total, a inteligência artificial vem demonstrando valor justamente onde consegue reconstruir informações, prever demanda e apoiar decisões com impacto direto sobre vendas e desperdício.

Marco Perlman - CEO da Aravita

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo