Gestão de pessoas, ESG

O que a tragédia climática no RS nos revela sobre o futuro dos negócios e da sociedade?

O maior desastre climático da história do Rio Grande do Sul e outros eventos extremos no Brasil reforçam a necessidade de mitigar riscos climáticos e adotar práticas sustentáveis para garantir a viabilidade dos negócios no futuro.
CEO e Partner da Nossa Praia e Chief Sustainability Officer da BPartners.co Conselheira da Universidade São Judas, 99 jobs, Ampro – Associação de Marketing Promocional, APD - Associação Pró Dança e Plan International

Compartilhar:

Uma tragédia que deixou mais de 500 mil pessoas desabrigadas, causou mais de 150 mortes e atingiu 446 municípios gaúchos, se tornando o pior desastre climático da história do Rio Grande do Sul. Eventos climáticos extremos estão cada vez mais intensos e frequentes e não se restringem somente ao sul do Brasil. Na segunda semana de maio, as chuvas intensas castigaram também o Maranhão e vários municípios entraram em estado de emergência. Dados da Organização Meteorológica Mundial, agência especializada da ONU, registraram 12 eventos climáticos extremos no Brasil em 2023, entre eles o de ano mais quente já registrado.

As emergências climáticas afetam os direitos humanos, atingem o direito à vida, moradia, alimentação e saúde. Elas parecem “gritar” que precisamos urgentemente acelerar a mitigação de riscos climáticos, o que envolve repensar a forma como vivemos, como fazemos negócios e nossas atitudes como clientes, que influenciam, inegavelmente, em como as marcas se posicionam no mercado.

Elas nos mostram de uma vez por todas que atuar de acordo com as boas práticas ESG se tornou urgente e emergencial. As empresas que não seguirem essa cartilha vão cada vez mais estar sujeitas a riscos reputacionais, de mercado, regulatórios e legais.

No que diz respeito à legislação, ela avança em uma direção sem volta. Destaco as principais iniciativas no Brasil:

– A PL 2148/15 que regulamenta o mercado de carbono e estabelece tetos para a emissão de GEEs (Gases de Efeito Estufa) e um mercado de venda de títulos.

– O BNDES suspendeu os investimentos em térmicas a carvão e reduziu juros de empréstimos a setores que se comprometem com o corte de emissões de carbono, além de exigir contabilidade de carbono para liberar empréstimos.

– O Bacen e o Conselho Monetário Nacional passaram a exigir reporte climático no padrão TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosure), que tornam mais efetiva a divulgação de informações relacionadas a riscos e oportunidades climáticas.

– A B3 exige que empresas listadas incluam ao menos 1 mulher e 1 minoria sub-representada em seus Conselhos de Administração ou equipes executivas. A parir de 2026, as que não o fizerem vão ter de se explicar publicamente.
Para além da legislação, a tragédia do RS também levou algumas empresas a começarem a mapear os riscos climáticos em seus ativos físicos. Elas estão investindo em estratégias de resiliência climática para ter maior previsibilidade e atuar de forma a mitigar riscos para o negócio.

Todos esses fatores conduzem a uma questão que quero deixar para reflexão: ou as empresas reconhecem definitivamente a importância de adotar práticas sustentáveis “para ontem” (especialmente se ainda não iniciaram o movimento), ou elas terão de investir nessa mudança por força da legislação, ou, no pior dos casos, para reparar eventuais danos que podem ocorrer no negócio devido ao impacto dos eventos climáticos extremos.

Para finalizar, quero reconhecer a grande mobilização nacional, vinda de todos os cantos do Brasil, em prol das vítimas da tragédia do RS, o que mostra um senso de coletividade e de colaboração que, para mim, é a marca dos negócios do futuro.

Adotar práticas ESG implica em critérios de governança transparentes e éticos e um olhar para os interesses de todos os atores do ecossistema. Isso implica em novos valores, novas relações e novas estratégias que levam em conta o interesse coletivo além do individual. Só assim a empresa consegue viabilizar um negócio sustentável em todas as frentes: na relação com os colaboradores, clientes, fornecedores, parceiros e comunidade, na harmonia com o meio ambiente e no resultado financeiro.

Compartilhar:

CEO e Partner da Nossa Praia e Chief Sustainability Officer da BPartners.co Conselheira da Universidade São Judas, 99 jobs, Ampro – Associação de Marketing Promocional, APD - Associação Pró Dança e Plan International

Artigos relacionados

“Strategy Washing”: quando a estratégia é apenas uma fachada

Estamos entrando na temporada dos planos estratégicos – mas será que o que chamamos de “estratégia” não é só mais uma embalagem bonita para táticas antigas? Entenda o risco do “strategy washing” e por que repensar a forma como construímos estratégia é essencial para navegar futuros possíveis com mais consciência e adaptabilidade.

Como a inteligência artificial impulsiona as power skills

Em um universo do trabalho regido pela tecnologia de ponta, gestores e colaboradores vão obrigatoriamente colocar na dianteira das avaliações as habilidades humanas, uma vez que as tarefas técnicas estarão cada vez mais automatizadas; portanto, comunicação, criatividade, pensamento crítico, persuasão, escuta ativa e curiosidade são exemplos desse rol de conceitos considerados essenciais nesse início de século.

iF Design Awards, Brasil e criação de riqueza

A importância de entender como o design estratégico, apoiado por políticas públicas e gestão moderna, impulsiona o valor real das empresas e a competitividade de nações como China e Brasil.

Transformando complexidade em terreno navegável com o framework AIMS

Em tempos de alta complexidade, líderes precisam de mais do que planos lineares – precisam de mapas adaptativos. Conheça o framework AIMS, ferramenta prática para navegar ambientes incertos e promover mudanças sustentáveis sem sufocar a emergência dos sistemas humanos.

Inovação & estratégia, Liderança
29 de agosto de 2025
Estamos entrando na temporada dos planos estratégicos - mas será que o que chamamos de “estratégia” não é só mais uma embalagem bonita para táticas antigas? Entenda o risco do "strategy washing" e por que repensar a forma como construímos estratégia é essencial para navegar futuros possíveis com mais consciência e adaptabilidade.

Lilian Cruz, Cofundadora da Ambidestra

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Inovação & estratégia
28 de agosto de 2025
Startups lideradas por mulheres estão mostrando que inovação não precisa ser complexa - precisa ser relevante. Já se perguntou: por que escutar as necessidades reais do mercado é o primeiro passo para empreender com impacto?

Ana Fontes - Empreendedora social, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto RME

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Tecnologia & inteligencia artificial
26 de agosto de 2025
Em um universo do trabalho regido pela tecnologia de ponta, gestores e colaboradores vão obrigatoriamente colocar na dianteira das avaliações as habilidades humanas, uma vez que as tarefas técnicas estarão cada vez mais automatizadas; portanto, comunicação, criatividade, pensamento crítico, persuasão, escuta ativa e curiosidade são exemplos desse rol de conceitos considerados essenciais nesse início de século.

Ivan Cruz, cofundador da Mereo, HR Tech

4 minutos min de leitura
Inovação
25 de agosto de 2025
A importância de entender como o design estratégico, apoiado por políticas públicas e gestão moderna, impulsiona o valor real das empresas e a competitividade de nações como China e Brasil.

Rodrigo Magnago

9 min de leitura
Cultura organizacional, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
25 de agosto de 2025
Assédio é sintoma. Cultura é causa. Como ambientes de trabalho ainda normalizam comportamentos abusivos - e por que RHs, líderes e áreas jurídicas precisam deixar a neutralidade de lado e assumir o papel de agentes de transformação. Respeito não pode ser negociável!

Viviane Gago, Facilitadora em desenvolvimento humano

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia, Inovação & estratégia, Tecnologia e inovação
22 de agosto de 2025
Em tempos de alta complexidade, líderes precisam de mais do que planos lineares - precisam de mapas adaptativos. Conheça o framework AIMS, ferramenta prática para navegar ambientes incertos e promover mudanças sustentáveis sem sufocar a emergência dos sistemas humanos.

Manoel Pimentel - Chief Scientific Officer na The Cynefin Co. Brazil

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Finanças, Marketing & growth
21 de agosto de 2025
Em tempos de tarifas, volta de impostos e tensão global, marcas que traduzem o cenário com clareza e reforçam sua presença local saem na frente na disputa pela confiança do consumidor.

Carolina Fernandes, CEO do hub Cubo Comunicação e host do podcast A Tecla SAP do Marketês

4 minutos min de leitura
Uncategorized, Empreendedorismo, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
20 de agosto de 2025
A Geração Z está redefinindo o que significa trabalhar e empreender. Por isso é importante refletir sobre como propósito, impacto social e autonomia estão moldando novas trajetórias profissionais - e por que entender esse movimento é essencial para quem quer acompanhar o futuro do trabalho.

Ana Fontes

4 minutos min de leitura
Inteligência artificial e gestão, Transformação Digital, Cultura organizacional, Inovação & estratégia
18 de agosto de 2025
O futuro chegou - e está sendo conversado. Como a conversa, uma das tecnologias mais antigas da humanidade, está se reinventando como interface inteligente, inclusiva e estratégica. Enquanto algumas marcas ainda decidem se vão aderir, os consumidores já estão falando. Literalmente.

Bruno Pedra, Gerente de estratégia de marca na Blip

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
15 de agosto de 2025
Relatórios de tendências ajudam, mas não explicam tudo. Por exemplo, quando o assunto é comportamento jovem, não dá pra confiar só em categorias genéricas - como “Geração Z”. Por isso, vale refletir sobre como o fetiche geracional pode distorcer decisões estratégicas - e por que entender contextos reais é o que realmente gera valor.

Carol Zatorre, sócia e CO-CEO da Kyvo. Antropóloga e coordenadora regional do Epic Latin America

4 minutos min de leitura