ESG

O que as lideranças atuais querem para o futuro?

No Summit Future is Now, jovens líderes e empresários debateram sobre a necessidade de diversidade e inclusão no mundo corporativo, o futuro da liderança e o paradigma ESG
Assistente de Redação Digital

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Se há dúvidas que a pauta ESG (sigla em inglês para meio ambiente, social e governança) está dentro das preocupações das lideranças empresariais, a agenda que a [Lide Futuro](https://www.lidefuturo.com.br/) tem trabalhado junto aos seus associados mostra que o assunto veio para ficar. Foi o que __HSM Management__ constatou ao acompanhar os quatro dias do *Summit Future is Now*, promovido pela entidade. O encontro reuniu a nova geração da liderança empresarial para debater conceitos, estratégias e ações que podem ser realizadas por organizações e executivos e executivas em prol de um futuro mais inclusivo e justo.

Os conceitos ligados ao ESG estavam presentes nas diferentes temáticas abordadas, em sintonia com o [atual espírito do tempo](https://www.revistahsm.com.br/edicoes/151-e-151-extra). Vimos, por exemplo, uma agenda tratando da ampliação de ações assertivas de inclusão, com foco no aumento da presença de grupos minorizados nas organizações do País – desde a equidade entre homens e mulheres, e a diversidade com inclusão de pessoas negras, LGBTI+ e pessoas com deficiência (PcD), entre outros grupos. A seguir, os principais highlights do evento.

## É hora de trocar as lentes para ver o futuro
Esse foi o convite que [Luiz Candreva](https://www.linkedin.com/in/candreva/?locale=pt_BR), futurista e keynote speaker da abertura, fez ao falar sobre as oportunidades escondidas nas disrupções. Para ele, essa mudança de olhar é importante para ser possível enxergar oportunidades em um momento em que o “caos impera”. “O futuro é de quem sabe navegar no caos e ficar confortável nele”, afirmou.

Outra percepção interessante é que o futuro não comporta juízo de valor. Ou seja, é importante que todos – lideranças inclusive – , observem o quanto estão interpretando as informações a partir de seus vieses. Para ele, o viés de confirmação “turva” a capacidade de a pessoa olhar para o futuro sem julgamentos. O julgamento ocorre, muitas vezes, quando se olha o futuro com base em dados do passado. Para Candreva, existe uma grande chance de se distorcer a realidade.

E quem é o profissional do futuro? Na opinião do futurista, ele é um “resolvedor de problemas complexos” e, para adquirir essa habilidade, as pessoas precisam vivenciar diferentes experiências em busca de aumento do seu repertório.

## A liderança do futuro
Quais as características das lideranças no pós-pandemia? Esse foi o tema do painel “A liderança do futuro”, mediado por [Dani Junco](https://www.linkedin.com/in/danijunco/?originalSubdomain=br), fundadora e CEO da [B2Mamy](https://www.b2mamy.com.br/), que abriu a conversa com uma provocação aos presentes. “Para ser um bom líder, é preciso antes entender o que é inegociável para você enquanto liderado. Um bom líder é aquele que tem clareza dos seus valores e faz uso deles em seus relacionamentos com as pessoas do seu time”.

A mãe do Lucas e empresária também instigou a plateia a pensar no papel da mulher e principalmente das mães em cargos de gestão. Segundo Junco, as empresas precisam de lideranças com características como propósito, causa e significado, algo que as mulheres têm e, por isso, é importante que as organizações abram mais oportunidades para as mulheres nesse papel.

Já Edvaldo Vieira, presidente da Amil e participante do painel, completou a fala da CEO da B2Mamy colocando uma lupa em duas duas características fundamentais para a liderança: protagonismo e resiliência. “Quem não lidera, vai ser liderado. E, se você subir um degrau, desça dois na humildade”, disse o executivo. Carla Frontini, head de multichannel engagement da Danone, elencou duas características essenciais pra sua liderança: entender o time e aprender o que eles fazem; e expor a dor da empresa e conduzir o time com garra e coragem de que se pode entregar

Sofia Esteves, fundadora e presidente do conselho do Grupo Cia de Talentos, ressaltou a importância de uma liderança empática. “A empatia é característica essencial dessa liderança do futuro”, considerou. Outro aspecto valorizado por ela foi a capacidade da liderança se vulnerabilizar: “durante a pandemia, eu falei para o time ‘estou com medo’. {Ao fazer isso} você dá a oportunidade de as pessoas falarem que estão com medo também; desenvolver a escuta ativa, é essencial”. Outro fator a ser considerado, segundo ela, é a pressão, um grande problema atual. “E nós somos vítimas e vilões e vítimas, nesse caso, pois na mesma medida em que sentimos a pressão, {também} pressionamos as organizações – e as pessoas que nelas trabalham – por novidades de produtos, por agilidade nos serviços”.

## O futuro da educação: a reinvenção da aprendizagem
A educação é um ponto crítico para o futuro das organizações, não apenas porque a capacidade de aprender de forma intencional e autônoma é uma das principais competências dos profissionais do século 21. É que, simultaneamente, as organizações também estão sendo afetadas por um gap da formação básica, que afeta os estudantes dos ensinos fundamental e médio – principalmente os das classes mais baixas, que não têm acesso a recursos tecnológicos e conexão. Esse foi o contexto de base para o painel “O futuro da educação: a reinvenção da aprendizagem”, que além de analisar os impactos do cenário atual e o futuro da educação no Brasil, abordou a necessidade de se reinventar o aprendizado de maneira ampla e democrática.

O painel foi mediado por Guilherme Junqueira, CEO da Gama Academy, e contou com Rodrigo Galvão, vice-presidente da Oracle Latam; Matheus Tomoto, fundador da Universidade do Intercâmbio; Marcelo Braga, presidente da IBM; e de [Ana Fontes](https://www.linkedin.com/in/anafontesbr/), presidente da Rede Mulher Empreendedora (RME). Coube a ela tocar num ponto crucial: a desigualdade de cenários socioeconômicos no Brasil, que vive “uma realidade diferente da de São Paulo”. “Falar sobre educação passa por entender a realidade das pessoas e adaptar o modo de ensino a partir das perspectivas e necessidades delas”, afirmou.

À frente do RME desde 2010, Fontes tem feito um trabalho de capacitação e educação de mulheres para o empreendedorismo e viu de perto a realidade dessa população que nem sempre tem os recursos adequados, como acesso fácil e tempo disponível para o estudo. Ainda que a pandemia tenha acelerado a digitalização dos modelos de educação, a executiva acredita que é preciso considerar que algo tão básico quanto a internet ainda é algo que não é democratizado País adentro.

## O futuro do consumo
A transformação do consumo esteve em alta no evento, sendo o foco tanto de um debate quanto de um painel. No debate “O futuro do consumo, influência, comportamento, canais e tendências”, participaram nomes como Eco Moliterno, chief creative officer latam da Accenture; Gilson Rodrigues, presidente da G10 Favelas; Bruna Infurna, head de contas estratégicas globais do LinkedIn; e Guilherme Kapos, head de novos negócios do TikTok, com mediação de Luiz Candreva.

Assim como Ana Fontes, Rodrigues colocou foco nas populações periféricas e o impacto do seu consumo para as empresas. “O que você enxerga quando olha para a favela?”, provocou a audiência presente. Moliterno, por outro lado, reconheceu que estamos numa “era de relevância”, marcada pela aceleração das mudanças. E acompanhar a velocidade da transformação é um desafio para as marcas. Infurna trouxe para a mesa a questão do ESG. Para ela, já há uma categoria de empresas que não querem fazer negócios com outras que não estejam atentas às questões sociais. “ESG não é o futuro, é uma realidade que já chegou no mundo corporativo.”

No painel “O Novo Consumo: Consciência, compartilhamento e sustentabilidade” contou com a participação de Alexandre Lafer, fundador da Vitacon e da Housí e de Carlos Curioni, fundador da Elo7, com mediação de Stéphanie Fleury, apresentadora do projeto Upload, da CNN Brasil. Uma das tendências destacada por Lafer foi o [nomadismo](https://www.revistahsm.com.br/post/o-que-sao-o-nomadismo-e-localismo-e-porque-eles-devem-fazer-parte-da-agenda) e seu impacto no setor imobiliário. “Com a alta do nomadismo como estilo de vida, se antes a moradia era fixa e você se adaptava a ela, a moradia do futuro é aquela que acompanha a pessoa na vida dela”. Ele lembrou também a mudança no perfil demográfico do País, com cerca de 50% das pessoas nas grandes cidades brasileiras sendo solteiras. O que leva a um “novo modelo de consumo de moradia: a pessoa mora em espaços pequenos, mas tem um prédio inteiro para usufruir”.

Sobre o consumo de produtos sustentáveis, Lafer afirmou que, “hoje, temos pessoas que pagariam entre 15% e 20% a mais em produtos sustentáveis”, no que foi rebatido por Curioni: “para isso, precisamos ter incentivos governamentais, pois essa não é a realidade da maioria dos brasileiros. Esse é o tipo de decisão, de escolha possível somente para uma minoria privilegiada”. Ele lembrou ainda que as pessoas expressam suas crenças pelo seu consumo, algo mais difícil no caso de produtos massificados. “Quando a pessoa compra do pequeno produtor, ela está buscando mais conexão, uma venda mais humanizada”.

## O futuro é social e transformador
[Edu Lyra](https://www.linkedin.com/in/edu-lyra/?originalSubdomain=br), fundador e CEO da Gerando Falcões, fez a abertura do último dia do *Summit Future is Now* e falou sobre o seu sonho, que se transformou em causa, de erradicar a pobreza no Brasil. Como um jovem negro morador de uma comunidade, ele enxergou toda a potência que existe nas favelas do País e está transformando-as de dentro para fora. Já foram mais de 3 mil favelas impactadas e 712 mil pessoas impactadas pela ONG [Gerando Falcões](https://gerandofalcoes.com/), que atua para acelerar o poder de impacto de líderes em favelas do Brasil e tem como objetivo transformar a pobreza das favelas em peça de museu.

Lyra apresentou ainda sobre seu projeto [Favela 3D](https://gerandofalcoes.com/favela-3d/) e contou como ele e a sua equipe têm construído um ecossistema de desenvolvimento social, para acabar com a pobreza, como a Falcons University (a universidade da favela para a favela). De acordo com o empresário, a próxima revolução, além de tecnológica, será social e servirá para tornar o mundo mais transformador e justo de oportunidades.

“Eu não quero saber quais são as maiores empresas do Brasil, quero saber quais são as empresas mais transformadoras. Com o projeto [Favela3D](https://gerandofalcoes.com/favela-3d/), queremos transformar a realidade da favela, proporcionando moradia digna, geração de renda”, concluiu Lyra.

Com o discurso de que é preciso criarmos empresas melhores para o Brasil, Lyra tem mobilizado muitas pessoas influentes e com recursos para apoiar sua causa, incluindo executivos de grandes empresas e nomes como Jorge Paulo Lemann, fundador do 3G Capital, e Satya Nadella, CEO da Microsoft, levando para a prática a máxima de que para mudar realidades é preciso ter aliados que deem palco (e recursos) às causas.

O *Summit Future is Now* aconteceu no final de agosto e __HSM Management__ esteve presente a convite da organização. Colaborou Carolina Genovesi.

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