Uncategorized

O QUE FAZER QUANDO O FUTURO É INCERTO

Líderes empresariais devem se esforçar para criar o futuro, mantendo foco permanente em suas ambições
é autor de A Terceira Onda da Internet, misto de livro autobiográfico e futurista (ed. HSM). Com sua startup AOL, fundada em 1985, quando apenas 3% dos norte-americanos estavam online, moldou a internet. Hoje é investidor e dissemina o empreendedorismo nos EUA.

Compartilhar:

Em junho de 1983, eu me vi em uma encruzilhada. Tinha 24 anos e passara um ano trabalhando na Pizza Hut. Viajava pelo país e me empanturrava de comida, mas o emprego começava a ficar cansativo. Naquele verão, fiz uma lista de prós e contras de opções de carreira – em uma companhia sólida, em uma startup e até em uma consultoria – e assinalei os pontos fortes e fracos de cada uma. 

As primeiras da lista eram empresas sólidas de tecnologia, como a Apple e a Atari. Vagas em marketing nessas companhias ofereceriam o atalho tecnológico que eu buscava, porém grandes corporações, eu sabia, eram sinônimo de burocracia e politicagem. Havia alguns prós nesse tipo de carreira, mas muitos contras. 

Depois considerei a possibilidade de trabalhar em uma firma de consultoria de marketing em San Francisco e me dei conta de que, apesar de ser divertido trabalhar no Vale do Silício, havia ali três senões: “trabalho enfadonho”, “difícil de engolir” e “não gosto de consultoria”. Então, passei para o próximo item. 

Havia a CVC – Control Video Corporation, startup pela qual acabei optando. Eu via muitos prós ali: uma ideia interessante, uma tecnologia promissora, uma oportunidade de causar grande impacto em um mercado crescente e, melhor de tudo, a chance de trabalhar e aprender com o empreendedor Bill von Meister. Eu listava apenas um contra: “futuro incerto”. Tudo a respeito daquele cargo na CVC era incerto – de minha futura função na empresa ao futuro da empresa em si. Era um contra mesmo? 

**”LISTE AS TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS. RESISTA À TENTAÇÃO DE REJEITÁ-LAS”**

Quando penso em como o mundo será em 30 anos, vejo outro futuro incerto, como via na CVC em 1983. Contudo, também acredito, como acreditei naquele momento, que essa incerteza não é uma desvantagem. Na verdade, trata-se, mais uma vez, de um pró disfarçado de contra. Mais uma vez, trata-se da oportunidade – ou da obrigação – de tomarmos um novo rumo. Agora só temos de pensar no que todos nós – empreendedores, líderes de empresas, servidores públicos, cidadãos – podemos e devemos fazer para chegar lá. 

O que tamanha incerteza significa, por exemplo, para os líderes corporativos que leem esta revista? Que é hora de desenvolver um senso de paranoia e curiosidade. É hora tanto de temer o futuro como de aproveitar sua promessa. É hora de conduzir o futuro de maneira incansável na tentativa de dominá-lo, independentemente do que ele lhe reserva. Não importa aonde você e sua empresa chegarão ao final do dia; sempre há a possibilidade de acordar na manhã seguinte e perceber que as coisas mudaram muito. Então, você deve se esforçar para antecipar como elas mudarão. 

Fique atento à evolução tecnológica e reflita sobre o que o ritmo dela pode implicar para seus negócios. Faça um inventário das tendências e, importante, resista à tentação de rejeitar tecnologias promissoras. 

Outra coisa: capacite sua equipe a fazer perguntas e, quando não houver respostas, trate de criá-las. Dê às pessoas espaço para inovar e experimentar. Permita que ideias malucas borbulhem; as melhores soam ridículas da primeira vez. 

Com certeza, gestores do Marriot e do Hilton achariam insana a ideia de alugar um colchão no canto da sala de um apartamento habitado, mas foi o que fez o Airbnb em 2015 – e virou o gigante que é. O futuro pertence aos que se esforçam para criá-lo. Fazemos negócios porque temos uma visão do futuro que queremos. 

Não se deixe cegar pelo sucesso temporário; mantenha foco permanente em suas ambições. 

* Baseado nos highlights do livro A Terceira Onda da Internet (ed. HSM).

Compartilhar:

Artigos relacionados

Nem todo problema precisa de inteligência artificial

A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Villain Era: a oportunidade das marcas para escutar quem cansa de agradar

Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Por que a filosofia voltou a ser uma ferramenta de gestão

Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

A tecnologia muda. A essência da advocacia permanece.

Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Chega de olhar pelo retrovisor

A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo